로그인No dia do jantar de família, o tempo amanheceu surpreendentemente bom.Soren saiu da empresa meia hora mais cedo. Quando o sedã preto deixou a garagem subterrânea, Bryan, no banco do passageiro da frente, lhe estendeu uma pasta com documentos, mas Soren recusou com um gesto:— Hoje eu não vou falar de trabalho.Ele se recostou no banco de trás e fechou os olhos, tentando descansar, mas os dedos, apoiados sobre os joelhos, se contraíam e relaxavam involuntariamente.O carro tinha acabado de entrar na via principal quando o celular tocou.No visor, apareceu uma sequência de números tão estranha que mais parecia um código aleatório do que um número de telefone.A primeira reação de Soren foi recusar a ligação. Mas, por impulso, acabou atendendo.Ele não falou nada de imediato.Do outro lado, surgiu uma voz rouca e pausada, com um timbre sombrio, quase fúnebre:— Sr. Soren, estes últimos dias têm sido agradáveis para você, né?Soren reconheceu a voz na hora: era Osvaldo.Ele não tentou neg
Soren não pretendia contar a verdade. Pelo menos, não naquele momento, nem mesmo ao próprio avô.— Vovô, não precisa se preocupar com esses detalhes. — Disse ele, com a voz tranquila, mas firme. — Pode deixar que eu garanto a recuperação do que a família Williams perdeu. Quanto ao Gustavo, já tenho meus próprios planos.Magnus não insistiu nas perguntas, mas também não deixou a resposta passar sem questioná-la:— Seus próprios planos? Desde quando você começou a falar em ter planos próprios sem me consultar?A frase parecia leve, quase uma brincadeira dita ao acaso, mas Soren percebeu a advertência por trás daquelas palavras.Magnus estava colocando-o à prova. Era também uma forma de lhe dar um aviso.A família Williams não se importava em recorrer a métodos pouco ortodoxos para garantir vantagem, mas isso sempre tinha um limite: tudo precisava permanecer sob o controle de Magnus.— Vovô. — Disse Soren, baixando ligeiramente a voz e articulando cada palavra com cuidado. — O senhor só p
No dia seguinte, quando Bryan empurrou a porta e entrou, Soren estava parado diante da janela de vidro que ia do chão ao teto.Do lado de fora, o horizonte cinzento de Cidade A se perdia entre os arranha-céus, enquanto o trânsito se arrastava pelas ruas como um formigueiro. A paisagem urbana parecia cada vez mais sufocante.— Sr. Soren, eu tenho boas notícias! — Anunciou Bryan, com um entusiasmo incomum. — Hoje à tarde, foi divulgado um comunicado autorizando a retomada de alguns dos projetos que o Grupo Marques havia interrompido. Tudo está voltando aos planos originais.Soren continuou olhando a paisagem por mais alguns segundos, até que, devagar, se virou. Um sorriso discreto apareceu no canto dos lábios:— Quantos?— Por enquanto, três. — Bryan deslizou o dedo pela tela do tablet e enumerou os projetos. — O projeto de logística no sul da cidade, a licitação de energia limpa na região leste e uma obra de infraestrutura na zona norte, cujo distrato já havia sido assinado. Todos os re
Clínica...O olhar de Gustavo se deteve naquela palavra. Seu dedo percorreu lentamente a borda da tela do celular, quase sem tocá-la.Aquele Rolls-Royce também tinha aparecido nas proximidades da clínica.Isso significava que havia uma ligação entre o carro em que Soren entrara naquela tarde e a clínica. Uma ligação discreta, mas que não podia ser ignorada.E, do outro lado dessa conexão, o principal suspeito era Danilo.Ou talvez Osvaldo.Gustavo se recostou na cadeira e fechou os olhos, repassando mentalmente todas as informações que havia reunido até então.De um lado, Soren, acuado e sem saída. Do outro, Danilo, agindo nas sombras. E, no centro de tudo, Luiza.Quando ele abriu os olhos de novo, seu olhar estava gélido, quase cortante. Ele pegou o celular e respondeu à mensagem de Jacob:[Continue vigiando.]Em seguida, ele ligou para Cauã.— O que você já descobriu? — Cauã atendeu quase na primeira chamada.— O carro em que Soren entrou também foi visto nas proximidades da clínica.
Gustavo não disse mais. Apenas encerrou a ligação.Mesmo assim, ele não voltou para o escritório imediatamente.O tom submisso, quase cauteloso, que Soren havia adotado ao falar com ele mais cedo contrastava tanto com a postura confiante e ameaçadora que Cauã acabara de descrever que era difícil acreditar que se tratava da mesma pessoa.Ninguém mudava de atitude tão radicalmente sem motivo.Gustavo estreitou os olhos, enquanto uma suspeita começava a tomar forma em sua mente.Ele retornou ao escritório, abrindo a porta sem fazer barulho.Luiza, como ele já tinha previsto, ainda estava encolhida no sofá. A caneca de leite já estava vazia. Ela mexia no celular, distraída, e, ao escutar o som da porta, levantou o rosto.— Você voltou rápido.— Sim. — Gustavo se aproximou e se sentou ao lado dela, pegando a caneca vazia e colocando-a na mesinha ao lado. — Vamos. Eu vou levar você para dormir.Ele passou o braço pelos ombros dela, acomodando a cabeça dela contra o próprio peito. Mesmo atrav
Depois que a ligação terminou, o silêncio se instalou no escritório por alguns segundos.Gustavo continuou sentado atrás da mesa, com o celular ainda preso na mão. Os dedos longos se fecharam lentamente em torno do aparelho. O rosto dele não mostrava quase nada, mas a linha do maxilar estava rígida.Luiza estava encolhida no sofá à frente, segurando uma caneca de leite quente e bebendo em goles pequenos. Quando ela viu que ele tinha desligado e ainda não tinha se levantado, ergueu os olhos por cima da borda da caneca e ficou observando-o, curiosa.Gustavo era o tipo de homem que, mesmo diante de um problema enorme, não deixava transparecer a menor emoção.Mas os dois já tinham passado tempo demais juntos. Luiza aprendera a reconhecer até as menores mudanças em sua expressão. Por isso, naquele momento, percebeu claramente que ele estava contendo a raiva.— Aconteceu alguma coisa? — Luiza colocou a caneca na mesinha, perguntando em voz baixa.Gustavo largou o celular sobre a mesa, virou







