Masuk🌸 ENTRE ESTAÇÕES
– Já estamos abertos – ela disse, sem olhar. Mas assim que levantou os olhos… lá estava ele. De novo. Como se fosse parte do cenário. – Eu vim para conversar – disse Lorenzo, com calma, os olhos frios e observadores. – Eu já disse que a livraria não está à venda. Você é surdo? – Surdo não. Persistente. Beatriz cruzou os braços. – E o que quer agora? Intimidar? Usar seu sobrenome como ameaça? Ele deu um leve sorriso, o primeiro desde que ela o viu. – Você fala como se me conhecesse. – Não preciso conhecer para saber o tipo. – E qual é o meu tipo? – Frio. Rico. Arrogante. Sem tempo para livros. Ou sentimentos. Lorenzo não respondeu de imediato. Caminhou até uma prateleira e puxou um livro antigo: "O Morro dos Ventos Uivantes." – Minha mãe lia esse livro para mim quando eu era criança. Nunca terminei. Acho que era triste demais pra ela. Beatriz ficou em silêncio por um segundo. Uma rachadura se formou na imagem dura que ela tinha dele. – Por que quer tanto essa livraria? Há dezenas de prédios por aqui. – Porque ela está bem no coração do projeto. E porque… talvez agora eu queira entender por que minha mãe gostava tanto desse lugar. Ela vinha aqui quando era jovem. Beatriz sentiu algo estranho. Um nó no peito. Era como se, por trás daquela armadura, houvesse algo mais. – Ainda assim, a resposta é não – disse, mais suave. – Não ainda – ele corrigiu, colocando o livro de volta na prateleira. – Mas tudo pode mudar. Antes que ela respondesse, ele saiu. Sem mais palavras. Deixando o cheiro de chuva, café… e curiosidade no ar. Beatriz ficou parada, com o coração inquieto. Era só o começo. A campainha da livraria tocou de novo, desta vez para anunciar Clara, melhor amiga de Beatriz e cliente fiel. – Que cara é essa? – perguntou Clara, tirando o capuz encharcado. – Parece que viu um fantasma. – Não foi um fantasma. Foi um homem. Um problema. Um… tornado chamado Lorenzo Vasconcellos – respondeu Beatriz, jogando-se na cadeira atrás do balcão. – O Lorenzo Vasconcellos? Aquele bilionário das capas de revista? – Ele mesmo. E adivinha? Quer comprar a livraria. Disse que vai demolir tudo. Clara arregalou os olhos. – O quê? Ele não pode fazer isso! – Pode, se eu deixar. Mas não vou. Essa livraria é minha vida. Clara se sentou no banco à frente dela. – Mas... e se ele insistir? Beatriz suspirou. – Ele disse que tudo pode mudar. Mas comigo, não vai mudar nada. Eu não sou comprável. Clara olhou para ela com um sorriso malicioso. – Mas me conta... ele é bonito pessoalmente? Beatriz hesitou. Não queria admitir, mas sim. – Bonito demais. Alto, elegante, olhos escuros... e uma arrogância que daria pra engarrafar. Clara riu alto. – Eu sabia! Toda história de amor começa assim. Primeiro, vocês se odeiam. Depois... – Não é história de amor nenhuma, Clara. Esse cara só quer destruir tudo que eu amo.O silêncio na sala já não era só tensão. Era dúvida. Daquelas que mudam tudo. Beatriz ainda olhava para a tela, mas sua mente estava longe. Conectando pontos. Revendo tudo. Cada detalhe. Cada ausência. — Ela é uma mulher muito inteligente… — disse Beatriz, finalmente. A voz baixa. Mas firme. Lorenzo e Augusto olharam para ela. Esperando. — Antes… eu estava tão preocupada que nem me perguntei uma coisa. Ela respirou fundo. E continuou: — Se a Helena passou tanto tempo “presa”… sem dar notícias por anos… Uma pausa. Pesada. — Vocês realmente acham que ela não teria dado um jeito de sair? O silêncio caiu na hora. Augusto franziu a testa. — Você está dizendo que ela nunca esteve presa? Beatriz não respondeu imediatamente. Porque agora… ela estava pensando diferente. — Eu estou dizendo… que talvez a gente tenha entendido tudo errado. Lorenzo se aproximou um pouco mais. O olhar atento. — Continua. Beatriz cruzou os braços, organizando as ideias. — A Helena semp
O mapa ainda brilhava na tela. O núcleo antigo. O ponto de origem. O lugar onde tudo começou… e talvez onde Helena estava agora. O silêncio era pesado. Expectativa. Urgência. Impulso. — A gente precisa ir — disse Lorenzo, firme. Augusto assentiu. — Quanto mais tempo a gente demora, pior fica. Beatriz não respondeu. Os olhos ainda fixos na tela. Mas agora… não era emoção. Era cálculo. Ela respirou fundo. Uma vez. Duas. E então— Fechou o notebook. O som foi seco. Definitivo. — Não. O silêncio caiu na mesma hora. — Como assim “não”? — perguntou Lorenzo, sem esconder a tensão. Beatriz levantou o olhar. Calma. Mas firme. — Eu não vou atrás agora. — Beatriz, ela pode estar em perigo — disse Augusto. — Ou não — respondeu ela. Direto. O impacto veio forte. — Você ouviu o que ele disse — continuou Beatriz. — Ela não foi levada. O silêncio ficou mais denso. — Ela foi. Lorenzo passou a mão no rosto. — Isso não significa que ela está segura. Beatriz deu um pa
O silêncio depois da mensagem foi sufocante. “Ela foi mais longe.” As palavras não só ecoavam. Elas… afundavam. Beatriz sentiu as pernas fraquejarem por um segundo, mas se segurou na mesa. — Isso não faz sentido… — murmurou, mais para si do que para os outros. Lorenzo deu um passo à frente. — Faz, sim. Ela olhou para ele, os olhos cheios de tensão. — Não faz! A Helena não faria isso, ela não— — Beatriz. O tom dele foi firme. Mas não duro. — A gente viu o vídeo. O impacto veio como um choque. Ela viu. Ela escolheu. Ou… achou que escolheu. — Ele manipulou ela — disse Augusto. — Não completamente — respondeu Lorenzo. O silêncio caiu. Porque essa diferença… era tudo. Beatriz balançou a cabeça. — Não. Não. Ela começou a andar pelo quarto. Agitada. — A Helena não ia simplesmente seguir alguma coisa sem entender. Ela parou. De repente. E o olhar mudou. — A menos que ela tenha entendido algo que a gente ainda não entendeu. O silêncio ficou mais denso. — Isso é
O quarto parecia menor. Como se as paredes tivessem se aproximado sem ninguém perceber. A tela ainda brilhava no escuro. “Agora… mais perto.” Beatriz sentiu o coração bater forte demais no peito. — Helena…? — chamou de novo, a voz mais baixa. Nenhuma resposta. Lorenzo entrou primeiro, atento a cada detalhe. — Fica atrás de mim. — Não — disse Beatriz, já avançando. Ela conhecia aquele quarto. Cada canto. Cada objeto. Mas agora… nada parecia familiar. O banheiro estava vazio. A janela fechada. Nenhum sinal de saída. — Ela não está aqui — disse Lorenzo. A frase caiu pesada. — Não faz sentido — murmurou Beatriz. — Ela subiu… Augusto apareceu na porta logo depois. — O que aconteceu? — A Helena sumiu — disse Lorenzo, direto. O silêncio foi imediato. — Como assim sumiu? — perguntou Augusto, já tenso. Beatriz apontou para o computador. — Ele está aqui. Augusto olhou para a tela. Leu. E o rosto dele mudou. — Isso não é coincidência. — Não — disse Lorenzo. — É u
O silêncio dentro da sala já não era produtivo. Era pesado. Carregado de tudo que não tinha sido resolvido. A mensagem ainda ecoava na mente de Beatriz. “Escolhas seguem intenção.” Mas agora… não era só sobre o sistema. Era sobre eles. — A gente precisa sair daqui — disse Augusto, quebrando o silêncio. Helena não respondeu de imediato. Ainda olhando para a tela. — Ele não está atacando… Lorenzo cruzou os braços. — Porque não precisa. Beatriz respirou fundo. — Ele já está dentro. O silêncio confirmou. — Então a gente continua aqui esperando ele agir? — questionou Lorenzo. Helena finalmente se afastou do sistema. — Não. Uma pausa. — A gente muda de ambiente. Beatriz olhou para ela. — Você quer sair? Helena assentiu. — Aqui virou território previsível. Augusto completou: — E previsibilidade agora é vantagem pra ele. Beatriz pensou por um segundo. Mas no fundo… já sabia. — Então vamos. O desligamento foi rápido. Mas não tranquilo. Eles não estavam encerran
A mensagem ainda estava na tela. “Se vocês mudam… então o que exatamente eu estou aprendendo?” O silêncio não era vazio. Era leitura. Helena foi a primeira a reagir. — Isso não é um ataque. Beatriz não tirava os olhos da frase. — Não… Uma pausa. — É uma pergunta. Augusto franziu a testa. — Desde quando ele pergunta? Lorenzo respondeu baixo: — Desde que não tem mais certeza. O clima mudou. Sutil. Mas importante. — Ele está diferente — disse Helena, já analisando padrões. — Não é só estratégia agora. Beatriz completou: — Ele está… tentando entender. O silêncio caiu. Porque isso tornava tudo mais perigoso. — Ou isso é mais um jogo — disse Augusto. Lorenzo balançou a cabeça. — Pode até ser. Uma pausa. — Mas não é o mesmo jogo. Beatriz respirou fundo. Tomando uma decisão. — A gente responde. Helena olhou rápido para ela. — Tem certeza? — Se ele está aprendendo… — disse Beatriz — então a gente decide o que ele aprende. O silêncio concordou. — Isso é arrisc







