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FUI GRÁVIDA DO FILHO DOS TRIGÊMEOS ALFAS QUE ME REJEITARAM
FUI GRÁVIDA DO FILHO DOS TRIGÊMEOS ALFAS QUE ME REJEITARAM
Author: Ivy Crane

Capítulo 1

Author: Ivy Crane
last update publish date: 2026-08-24 09:40:42

«Esta noite pertences-nos, pequeno ómega. Tenta não gritar muito alto.»

As palavras ainda me queimavam nos ouvidos enquanto empurrava a pesada porta de carvalho da nossa

pequena cabana, com o ar da noite a agarrar-se à minha pele como uma segunda camada imunda. As

minhas pernas tremiam a cada passo, as coxas doíam, o abdómen latejava com uma mistura nauseante de

prazer persistente e violação crua. Ainda conseguia sentir o cheiro deles em mim — cedro escuro, uísque

fumado e aquele aroma forte e elétrico de tempestade que gritava poder. Os seus aromas tinham-se

enrolado à minha volta como correntes enquanto se revezavam, rosnando promessas que nunca

tencionavam cumprir.

Bati com a porta atrás de mim e encostei-me a ela, com o peito a arfar. Um soluço entrecortado rasgoume a garganta antes que eu conseguisse contê-lo.

«Elara?» A voz da minha mãe cortou a luz fraca do corredor. Ela apareceu na porta da cozinha, a

enxugar as mãos num pano de cozinha, ainda com a bata de curandeira vestida após o longo turno na

clínica. Os seus olhos arregalaram-se no momento em que viu a minha cara. «Deusa, o que te

aconteceu?»

Tentei falar, mas a minha voz falhou. Em vez disso, deslizei pela porta abaixo até ficar sentada no

chão frio de madeira, com os joelhos encostados ao peito. O vestido que me tinham rasgado até

meio do corpo pendia em farrapos vergonhosos. Marcas de dentadas latejavam no meu pescoço e

ombros, marcas que deveriam ter sido sagradas. Marcas de acasalamento. Mas não eram. Não

para eles.

A mãe largou a toalha e correu na minha direção, ajoelhando-se à minha frente. As suas mãos suaves

e firmes, que todos os dias ajudavam a dar à luz cachorrinhos e confortavam omegas aterrorizados,

pairaram hesitantes antes de envolverem as minhas bochechas banhadas em lágrimas. «Fala comigo,

querida. Quem fez isto?»

Engoli em seco, sentindo o sabor do sal e da vergonha. «São os meus companheiros, mãe. A Deusa da

Lua juntou-me aos três.»

O rosto dela empalideceu. «Os trigémeos?»

Acenei com a cabeça, enquanto outro soluço me escapava. Ryker, Ronan e Rafe Blackthorn. Os alfas

dourados da Matilha Nightshade. Os machos mais poderosos, implacáveis e cobiçados de toda a região.

Todas as raparigas da Academia Blackthorn os desejavam. E, de alguma forma, a filha fraca e sem lobo

de uma mãe solteira tinha sido escolhida pela Deusa como a sua companheira predestinada.

Tudo tinha começado esta tarde.Senti aquela atração no momento em que passei por eles no corredor, depois do último sinal. Aquela

sensação inconfundível no peito, a forma como o meu corpo se aqueceu e o meu pulso disparou. Eles

também ficaram paralisados, com as narinas dilatadas e os olhos a escurecerem-se ao reconheceremme. Durante um segundo estúpido e cheio de esperança, pensei que aquilo poderia mudar tudo. Que o

bullying, o isolamento, os sussurros constantes sobre o meu pai desconhecido e o meu lobo

desaparecido iriam finalmente acabar.

Em vez disso, o Ryker — o mais velho, com o queixo bem definido e os olhos mais frios — esboçou

um sorriso malicioso e apontou com o queixo para a casa de campo abandonada atrás da academia.

«Encontra-te connosco lá às oito. Precisamos de… falar sobre o nosso futuro.»

Eu tinha ido. Como uma tola, tinha ido.

Eles já estavam à espera, com as namoradas visivelmente ausentes. O ar no interior do velho edifício

estava pesado com os seus cheiros misturados. Ronan, o irmão do meio, com o charme descontraído e o

sorriso malicioso, foi o primeiro a puxar-me para si, murmurando o quanto estavam surpreendidos por

a Deusa lhes ter oferecido alguém como eu. Rafe, o mais calado e intenso, observava com os olhos

semicerrados enquanto os irmãos lhe tiravam lentamente a dignidade, juntamente com as roupas.

Não tinham sido gentis. Na verdade, nem por isso. Mesmo quando o meu corpo me traiu e respondeu ao

laço de acasalamento, os seus toques transmitiam posse, não carinho. O Ryker tinha-me possuído

primeiro contra a parede, rosnando que uma ómega sem lobo devia estar grata pela atenção deles. O

Ronan riu-se baixinho quando eu gritei, sussurrando elogios obscenos ao meu ouvido. O Rafe foi o

último, silencioso, exceto pelo rugido baixo e possessivo no peito enquanto terminava dentro de mim.

Depois veio a rejeição.

Fechei os olhos com força, lembrando-me da forma como se tinham colocado por cima de mim depois,

enquanto eu tentava cobrir-me com os restos do meu vestido.

«Rejeitamos-te, Elara Voss», disse Ryker, com a voz monótona e definitiva, as palavras a cortarem o

frágil laço de acasalamento como lâminas de prata. «Uma ómega fraca e sem pai não tem lugar como

Luna de Nightshade. Foste uma distração divertida, nada mais.»

Ronan acrescentou com uma risada cruel: «Não te preocupes, querida. Não vamos contar a ninguém o

quanto gemeste alto por nós.»O Rafe não disse nada. Limitou-se a olhar, com algo indecifrável a cintilar nos seus olhos escuros antes

de se virar.

O laço ainda não se tinha rompido por completo; a rejeição precisava dos três para se completar

devidamente, num conjunto de três — mas a dor tinha sido imediata. Como se alguém tivesse enfiado

a mão no meu peito e esmagado o meu coração.

«Elara.» A voz da minha mãe trouxe-me de volta ao presente. Ela estava agora a acariciar-me o cabelo,

com lágrimas a brilhar nos seus olhos. «Eles… forçaram-te?»

Ri-me, mas saiu-me um som abafado e horrível. «No início, eu queria. O laço fez-me querer. Mas eles

nunca me quiseram. Só queriam usar-me antes de me deitarem fora.» Novas lágrimas escorreram-me

pelas bochechas. «Eles têm namoradas, mãe. Toda a gente sabe disso. Eu era apenas… um jogo.»

A mãe puxou-me para os seus braços, apertando-me com força contra o peito. Conseguia sentir o

cheiro ténue de antisséptico da clínica nas suas roupas, misturado com o reconfortante aroma do

sabonete de lavanda que ela usava sempre. Durante um longo momento, os únicos sons eram os meus

soluços entrecortados e o piar distante de uma coruja lá fora.

«Odeio-os», sussurrei contra o ombro dela. «Odeio o que me fizeram sentir. Odeio que essa parte de

mim ainda os queira, mesmo agora.» Admiti-lo teve o sabor de veneno. O laço de companheirismo já

estava a tentar sarar, a tentar puxar-me de volta para eles, apesar de tudo. Isso deixava-me enjoada.

«Estás em choque, meu amor. O vínculo é cruel nesse aspeto.» A mãe embalou-me suavemente, tal como

fazia quando eu era uma cachorrinha e os pesadelos atormentavam o meu sono. «Mas não és fraca. Nunca

deixes que te convençam disso. Não ter um lobo não te torna inferior. Significa apenas que a Deusa tem

um caminho diferente para ti.»

Afastei-me ligeiramente, observando-lhe o rosto. As rugas de cansaço à volta dos olhos pareciam mais

profundas esta noite. Ela trabalhava tanto, longas horas na clínica, voltando para casa para cozinhar,

limpar e criar uma filha que a alcateia mal reconhecia. Tudo porque o meu pai tinha desaparecido antes

de eu nascer.

«Não posso ficar aqui», disse eu, com a voz a ganhar força, mesmo que tremesse. «Não consigo andar por

aqueles corredores sabendo que se estão a rir de mim. Não posso arriscar vê-los com as namoradas, a

fingirem que eu não existo. Por favor, mãe. Vamos embora. Sempre disseste que nos podias levar de volta

para a Matilha Silverveil, a tua antiga casa. A casa da avó ainda lá está, não está?»A mãe hesitou, o seu olhar a desviar-se para a janela, como se pudesse ver as terras da Matilha

Nightshade a estenderem-se para além da nossa rua tranquila. Esta matilha nunca tinha sido gentil

connosco, mas era-nos familiar. Partir significava recomeçar do zero.

«Elara… não é assim tão simples. Silverveil tem os seus próprios problemas. O Alfa Thorne…»

«Por favor, mãe, imploro-te, por favor…», interrompi, com o desespero a apertar-me a garganta.

«Qualquer lugar é melhor do que aqui. Vou arranjar um emprego. Vou ajudar na clínica, como tu. Faço

qualquer coisa, só… por favor. Não consigo enfrentá-los outra vez. A rejeição… sinto como se a minha

alma estivesse a despedaçar-se.»

Ela ficou em silêncio durante muito tempo, com os dedos a traçarem círculos reconfortantes nas minhas

costas. Concentrei-me na sensação, tentando acalmar-me. O chão de madeira estava frio sob as minhas

coxas nuas. Uma corrente de ar entrava por baixo da porta, trazendo o aroma distante de pinheiro da

floresta que fazia fronteira com o nosso bairro. Algures nas proximidades, um lobo da alcateia uivou,

provavelmente um dos guerreiros em patrulha. O som costumava confortar-me. Agora, apenas me

lembrava do poder que nunca teria.

Por fim, a mãe suspirou e deu-me um beijo na testa. «Está bem. Vamos. Tenho algumas poupanças.

Podemos partir no final da semana, assim que eu terminar os meus casos na clínica. A casa de campo da

tua avó em Silverveil pode precisar de reparações, mas é nossa. Ninguém nos pode tirar isso.»

Senti um alívio tão forte que novas lágrimas brotaram-me dos olhos. «Obrigada», sussurrei. «Desculpa

por te estar a afastar de tudo.»

«Não te atrevas a pedir desculpa.» O tom dela tornou-se feroz, os olhos a brilhar com um fogo protetor.

«És a minha filha. A minha única prioridade. Aqueles rapazes podem ser alfas, mas são tolos se pensam

que podem partir-te e sair ilesos. A Deusa vê tudo.»

Eu queria acreditar nela. Mas à medida que a dor entre as minhas pernas voltava a pulsar, lembrando-me

da facilidade com que tinham usado o meu corpo, a dúvida insinuou-se como sombras. E se o laço nunca

se desfizesse completamente? E se eu passasse o resto da minha vida a sentir este vazio?

A mãe ajudou-me a levantar-me, suportando o meu peso enquanto nos dirigíamos para a pequena

casa de banho. Preparou um banho quente, adicionando sais curativos e ervas do seu stock pessoal.

Enquanto a água enchia a banheira, retirou delicadamente o que restava do meu vestido estragado,

com o maxilar a endurecer a cada marca que eles tinham deixado para trás.

«Um dia vão arrepender-se disto», murmurou ela, quase para si própria. «Sejam ou não alfas trigémeos,

a Deusa da Lua não vê com bons olhos a profanação de um laço de companheirismo.»

Mergulhei na água a vapor com um silvo, o calor a acalmar-me e, ao mesmo tempo, a arder na minha

pele sensível. A mãe sentou-se na borda da banheira, lavando-me o cabelo com dedos cuidadosos. O

ritual familiar aliviou algo que me apertava o peito.

«Fala-me de Silverveil», disse eu baixinho, precisando de me concentrar no futuro em vez do pesadelo

que ainda se repetia na minha mente. «Como era quando eras jovem?»

Um sorriso suave tocou-lhe os lábios. «Mais selvagem do que aqui. Mais próximo dos costumes antigos.

A tua avó também era uma curandeira respeitada por lá. A casa da matilha estava sempre cheia de risos e

caos. Mas depois de conhecer o teu pai…» A voz dela foi-se esmorecendo, com a dor a passar-lhe

rapidamente pelo rosto.

Nunca a pressionei sobre ele. A ferida era demasiado antiga, demasiado profunda.

Enquanto ela enxaguava o sabão do meu cabelo, fechei os olhos e tentei imaginar uma vida sem os

trigémeos Blackthorn a pairar sobre ela. Acabaram-se os olhares furtivos nos corredores da academia.

Acabou-se a dúvida sobre por que razão a Deusa me tinha amaldiçoado com três companheiros que não

me viam como nada.

Mas, mesmo enquanto a água arrefecia à minha volta, um sussurro traidor pairava no fundo da minha

mente — Eles também o sentiram. O laço não mente.

Reprimi-o com violência. Eles tinham-me rejeitado. Usaram-me. Humilharam-me. E

preferia morrer a deixá-los partir-me outra vez.

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