O vento frio entrava pelas frestas das janelas da propriedade dos Valcourt, um lembrete constante de que o dinheiro para os reparos havia acabado muito antes do inverno chegar.Amália esfregou as mãos, tentando aquecer os dedos dormentes. Ela usava um vestido de lã cinza, puído nas bordas, muito diferente das sedas que sua madrasta, Eleanor, insistia em encomendar mesmo com a família à beira da ruína. O som de passos pesados ecoou no corredor, e a porta de seu quarto foi aberta sem qualquer aviso.Era o mordomo, um dos poucos criados que ainda restavam. Ele não a olhou nos olhos.— Seu pai exige sua presença no escritório, senhora. Imediatamente.Amália assentiu, alisou a saia e seguiu o homem pelos corredores escuros da casa. Havia quadros faltando nas paredes, vendidos para pagar dívidas de jogo. O cheiro de mofo e abandono impregnava as cortinas velhas.Quando ela entrou no escritório, o ambiente estava abafado, aquecido por uma lareira que queimava lenha de boa qualidade. Seu pai,
Última atualização : 2026-08-28 Ler mais