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Lamento nas Sombras

last update 公開日: 2026-08-21 01:54:49

Maya

O calor da pele de Dominic ainda queimava na minha alma, mas a escuridão do quarto de hóspedes agora trazia a promessa da minha ruína.

Senti a estrutura dele vacilar levemente sobre o meu corpo quando a onda avassaladora do orgasmo finalmente começou a acalmar. O cômodo estava impregnado pelo cheiro de suor, paixão e pela presença inconfundível do elo de almas que nos unia. Devagar, com uma relutância que transparecia até nos movimentos do seu lobo, Dominic retirou-se de mim e se deitou ao meu lado sobre os lençóis completamente amarrotados.

Ele apoiou a cabeça no próprio braço, tentando decifrar os contornos do meu rosto na penumbra absoluta. O silêncio que nos cercava era denso, quebrado apenas pela nossa respiração ainda descontrolada.

— Foi bom pra você? — perguntou ele, a voz rouca e aveludada arranhando a quietude.

Pressionei os lábios com força, mantendo a boca rigidamente selada. Eu não podia emitir um único sussurro; se falasse mais do que falei durante o sexo, o tom da minha voz poderia denunciar a farsa e destruiria a única chance de proteger os arquivos da minha mãe. Limitei-me a mover a cabeça suavemente contra o travesseiro, assentindo num gesto tímido e contido.

Dominic pareceu sorrir na penumbra, atribuindo o meu silêncio à pudicícia e à timidez de uma jovem que acabara de se entregar pela primeira vez. Ele deslizou o braço forte por baixo do meu pescoço e me puxou com ternura para o seu peito, acolhendo minhas costas contra o seu terno abraço. Envolvera minha cintura com uma firmeza possessiva e protetora, esperando o ritmo acelerado do meu coração se acalmar.

— Agora durma, minha pequena companheira — murmurou ele, afundando o rosto no topo da minha cabeça e depositando um beijo demorado nos meus fios macios. — Amanhã nos veremos à luz do dia. Será o início da nossa vida nova.

Aquelas palavras perfuraram meu peito como lâminas empoeiradas. Sob a falsa proteção daquele abraço e acolhida pelo calor do homem que a Deusa da Lua reservara para mim, desabei em silêncio. As lágrimas quentes molhavam o travesseiro, inundando minha visão na penumbra.

Eu estava anestesiada pela intensidade do toque de Dominic, mas completamente dilacerada pela dor insuportável de saber que adormecia nos braços do único homem que amaria, consciente de que ele amanheceria acreditando ter pertencido a outra.

Algumas horas se arrastaram na escuridão sufocante. Quando o ritmo da respiração dele se tornou profundo e pesado, denunciando que o sono entorpecido finalmente o dominara, iniciei o processo lento e dilacerante de me libertar.

Deslizei a mão pesada de Dominic da minha cintura com um cuidado milimétrico, sentindo cada centímetro de pele se despedir desesperadamente daquele calor que pertencia à minha alma.

Pisei descalça e trêmula no carpete frio do quarto, recolhendo a camisola e o robe do chão com as mãos trêmulas. Cobri o corpo ainda dolorido e marcado pelos toques de um Alfa Supremo e caminhei em direção à saída, engolindo a seco os soluços que ameaçavam rasgar minha garganta.

Girei a maçaneta com extremo cuidado. Ao abrir uma pequena fresta para escapar, a luz fraca da arandela do corredor revelou Laura parada do lado de fora, vestida com trajes idênticos aos meus.

Minha meia-irmã me encarou de cima a baixo com um olhar tomado por triunfo, nojo e um desprezo indisfarçável. Sem dizer uma única palavra, Laura me empurrou brutalmente para o lado com o ombro, esgueirando-se para o quarto escuro para ocupar o meu lugar na cama de Dominic e fechar a porta com um estalo seco.

Abaixando a cabeça sob a humilhação esmagadora de ter sido usada como um instrumento descartável, caminhei em silêncio pelos corredores desertos da mansão dos Davenport. Segui pelas escadas de madeira rangentes até a escuridão do porão, onde o cheiro familiar de poeira e mofo me recebeu de volta.

—Bem vida a sua nova, velha vida Maya.

Atirei-me sobre o colchão fino estendido no chão e, abraçando as próprias pernas contra o peito, entreguei-me a um choro copioso e solitário, deixando que a dor e a exaustão me levassem até que o cansaço finalmente me fizesse adormecer.

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