تسجيل الدخولMaya
O calor da pele de Dominic ainda queimava na minha alma, mas a escuridão do quarto de hóspedes agora trazia a promessa da minha ruína. Senti a estrutura dele vacilar levemente sobre o meu corpo quando a onda avassaladora do orgasmo finalmente começou a acalmar. O cômodo estava impregnado pelo cheiro de suor, paixão e pela presença inconfundível do elo de almas que nos unia. Devagar, com uma relutância que transparecia até nos movimentos do seu lobo, Dominic retirou-se de mim e se deitou ao meu lado sobre os lençóis completamente amarrotados. Ele apoiou a cabeça no próprio braço, tentando decifrar os contornos do meu rosto na penumbra absoluta. O silêncio que nos cercava era denso, quebrado apenas pela nossa respiração ainda descontrolada. — Foi bom pra você? — perguntou ele, a voz rouca e aveludada arranhando a quietude. Pressionei os lábios com força, mantendo a boca rigidamente selada. Eu não podia emitir um único sussurro; se falasse mais do que falei durante o sexo, o tom da minha voz poderia denunciar a farsa e destruiria a única chance de proteger os arquivos da minha mãe. Limitei-me a mover a cabeça suavemente contra o travesseiro, assentindo num gesto tímido e contido. Dominic pareceu sorrir na penumbra, atribuindo o meu silêncio à pudicícia e à timidez de uma jovem que acabara de se entregar pela primeira vez. Ele deslizou o braço forte por baixo do meu pescoço e me puxou com ternura para o seu peito, acolhendo minhas costas contra o seu terno abraço. Envolvera minha cintura com uma firmeza possessiva e protetora, esperando o ritmo acelerado do meu coração se acalmar. — Agora durma, minha pequena companheira — murmurou ele, afundando o rosto no topo da minha cabeça e depositando um beijo demorado nos meus fios macios. — Amanhã nos veremos à luz do dia. Será o início da nossa vida nova. Aquelas palavras perfuraram meu peito como lâminas empoeiradas. Sob a falsa proteção daquele abraço e acolhida pelo calor do homem que a Deusa da Lua reservara para mim, desabei em silêncio. As lágrimas quentes molhavam o travesseiro, inundando minha visão na penumbra. Eu estava anestesiada pela intensidade do toque de Dominic, mas completamente dilacerada pela dor insuportável de saber que adormecia nos braços do único homem que amaria, consciente de que ele amanheceria acreditando ter pertencido a outra. Algumas horas se arrastaram na escuridão sufocante. Quando o ritmo da respiração dele se tornou profundo e pesado, denunciando que o sono entorpecido finalmente o dominara, iniciei o processo lento e dilacerante de me libertar. Deslizei a mão pesada de Dominic da minha cintura com um cuidado milimétrico, sentindo cada centímetro de pele se despedir desesperadamente daquele calor que pertencia à minha alma. Pisei descalça e trêmula no carpete frio do quarto, recolhendo a camisola e o robe do chão com as mãos trêmulas. Cobri o corpo ainda dolorido e marcado pelos toques de um Alfa Supremo e caminhei em direção à saída, engolindo a seco os soluços que ameaçavam rasgar minha garganta. Girei a maçaneta com extremo cuidado. Ao abrir uma pequena fresta para escapar, a luz fraca da arandela do corredor revelou Laura parada do lado de fora, vestida com trajes idênticos aos meus. Minha meia-irmã me encarou de cima a baixo com um olhar tomado por triunfo, nojo e um desprezo indisfarçável. Sem dizer uma única palavra, Laura me empurrou brutalmente para o lado com o ombro, esgueirando-se para o quarto escuro para ocupar o meu lugar na cama de Dominic e fechar a porta com um estalo seco. Abaixando a cabeça sob a humilhação esmagadora de ter sido usada como um instrumento descartável, caminhei em silêncio pelos corredores desertos da mansão dos Davenport. Segui pelas escadas de madeira rangentes até a escuridão do porão, onde o cheiro familiar de poeira e mofo me recebeu de volta. —Bem vida a sua nova, velha vida Maya. Atirei-me sobre o colchão fino estendido no chão e, abraçando as próprias pernas contra o peito, entreguei-me a um choro copioso e solitário, deixando que a dor e a exaustão me levassem até que o cansaço finalmente me fizesse adormecer.MayaA calma que se instalava na ala hospitalar não se refletia nas paredes de pedra do grande salão do conselho.O poder é um vácuo perigoso; basta o líder estar acamado por um instante para que as hienas tentem testar a resistência dos limites.Acompanhada por Damon Torricelli e por dois guardas de elite do Norte, adentrei a câmara do conselho ao meio-dia. Os dez anciãos do Sul já estavam acomodados ao redor da grande mesa de carvalho. No centro, sobre a mesa, repousava o documento que eu enviara mais cedo: o decreto de confisco absoluto dos bens da família Davenport e a reorganização das patrulhas de fronteira sob a supervisão das forças compostas.Assim que me aproximei da cabeceira da mesa, o Ancião Marcos estava sentado ao centro, com seu semblante altivo, ele era um dos mais antigos aliados da nobreza tradicional de Valência, colocou-se de pé. Ele não esperou que eu me sentasse. Bateu a mão espalmada sobre o pergaminho, o rosto avermelhado de indignação.— Isso é um absurdo, L
O som do telefone sendo recolocado no gancho ressoou como um tiro na minha mesa. A frase de Henrique continuava reverberando na minha mente, paralisando meus dedos sobre o teclado: a Laura estava no prédio. O ar no setor de compliance pareceu congelar, e o bipe característico das portas do elevador se abrindo no andar da diretoria fez meu peito dar um salto doloroso. Laura não foi em direção ao gabinete da presidência. Passos rápidos e pesados cruzaram o piso atapetado. Quando ergui os olhos, ela já estava parada no início da ilha de mesas. O rosto jovem continuava pálido, com marcas profundas do choro da madrugada, mas a postura vinha carregada por uma fúria cega e incontrolável. — Laura... — murmurei em um fio de voz, tentando me levantar. — Não fala o meu nome, sua vadia! — o grito de Laura rasgou o silêncio do escritório como uma bomba. Ao redor, o barulho de teclados cessou instantaneamente. Analistas, secretárias e diretores pararam o que estavam fazendo, virando as cabeças
Maya Os corredores que levavam à ala hospitalar da mansão pareciam mais longos e frios do que o habitual.A cada passo, o som das botas pesadas da guarda de elite do Norte ecoava como um lembrete constante da nova ordem instalada em Valência. Acompanhada por meu avô e Damon, atravessei os portões duplos de madeira nobre, deparando-me com uma cena de puro caos contido. Médicos e enfermeiras corriam de um lado para o outro carregando frascos de antisséptico, panos limpos e bacias de água morna. A Matriarca Eleonora permanecia de pé ao lado da porta de vidro fosco da sala de cirurgia, com as mãos postas em oração e os olhos vermelhos de tanto chorar. Ao notar a minha aproximação, ela interrompeu o transe e caminhou na minha direção, o semblante abatido pela angústia. — Maya... — murmurei a Matriarca, olhando para a minha túnica manchada de vermelho. — Você devia estar repousando. O estresse de tudo o que aconteceu... o bebê... — O bebê está bem, Matriarca — respondi num tom suave, po
Maya O som do alvoroço no grande salão parecia abafado, como se eu estivesse submersa em água profunda. O cheiro ferroso e denso do sangue de Dominic preenchia o ar, misturando-se ao meu próprio perfume e provocando uma agitação dolorosa no meu lobo interior. As minhas mãos, antes tão firmes e calculistas, tremiam incontrolavelmente enquanto cobriam a ferida aberta no ombro dele. O tecido nobre de sua túnica cerimonial estava encharcado de um vermelho vivo e quente. — Abram caminho! Tragam a maca agora! — a voz da Matriarca Eleonora ressoou em desespero enquanto ela se ajoelhava ao meu lado, as lágrimas cortando a sua face nobre. Os médicos da corte e os guardas de Valência cercaram-nos rapidamente. Dois socorristas posicionaram a maca de madeira e couro ao lado do Alfa Supremo. Dominic arfava pesadamente, os dentes cravados no labial inferior para conter os gemidos de dor enquanto a sua regeneração lupina lutava contra o chumbo quente alojado sob a clavícula. Mesmo com a visão tu
Dominic O tempo pareceu parar. Cada batida do meu coração ressoava nos meus ouvidos como um tambor de guerra. Ver o cano da arma apontado para a cabeça de Maya, com o guarda traidor imobilizando os seus braços por trás, fez a minha fera interna urrar em puro desespero. Se aquela bala disparasse, nada mais no mundo faria sentido. — Afastem-se! Todos vocês, deem dois passos para trás ou eu estouro a cabeça dessa vadia agora mesmo! — urrou Laura, descontrolada, a voz esganiçada e trêmula rasgando o silêncio do salão. Maximos Ravenwood e Damon Torricelli travaram no lugar. Os rostos dos dois guerreiros do Norte recobertos de puro ódio e pavor contido. Lentamente, mantendo as espadas empunhadas, eles deram passos curtos para trás, abrindo espaço para não provocar o disparo. — Laura, olhe para mim — pedi, num tom baixo, pausado e incrivelmente calmo, tentando conter o tremor do meu próprio corpo. Puxei a arma de fogo do meu coldre devagar, sob o olhar atento e histérico dela. Sem
Maya O sol do fim de tarde dourava as janelas altas do grande salão do conselho, mas a luz que invadia o ambiente não trazia qualquer calor. O ar estava pesado, saturado de tensão. As forças do Norte e do Sul, dispostas em lados opostos da sala, mantinham as mãos próximas aos cabos das suas espadas. No centro da sala, sobre o pedestal de pedra, repousavam as insígnias de Valência e os selos de Ravenwood. Sentada ao lado do meu avô Maximos na mesa de honra, eu vestia uma túnica preta de veludo com detalhes em prata — as cores do Norte. À minha direita, o Alfa Damon Torricelli vigiava o recinto como uma pantera prestes a saltar. Do outro lado da sala, Dominic permanecia de pé, com a túnica de Alfa Supremo e o rosto rígido como mármore, mas os seus olhos dourados constantemente buscavam os meus, implorando por uma réstia de calor que eu não estava disposta a entregar. As grandes portas de ferro do salão rangeram ao se abrir. Dois guardas da elite conduziriam Laura Davenport para o







