MasukMayaO sol no topo do céu banhava o pátio de execução do palácio de Valência com uma luz crua e implacável. As altas muralhas de pedra de granito pareciam absorver o silêncio solene que tomara conta da capital. Nas galerias superiores, os generais do Norte, os nobres do Sul e os membros do Conselho Real acompanhavam cada movimento com expressões graves.Não haveria mais espaço para exílios, tréguas ou misericórdia. Laura Davenport provara que, enquanto respirasse, a sua existência seria uma ameaça permanente à paz do império e à vida do meu filho.No centro do pátio, sobre a plataforma de execução forrada com carvalho e ferro, Laura estava ajoelhada. As correntes pesadas que prendiam os seus pulsos e tornozelos estalavam a cada movimento fátil do seu corpo exausto. O seu olhar, antes carregado de um orgulho cego e insano, agora exibia a sombra da inevitabilidade.Dominic e eu estávamos de pé no patamar superior, envergando os trajes negros da Coroa Unificada. O meu marido mantinha a m
MayaAs portas de carvalho maciço do grande salão do palácio fecharam-se com um eco grave e definitivo, isolando o barulho das celebrações que ainda ressoavam pelas ruas de Valência. O silêncio que se seguiu não era pesado, mas sim o refúgio acolhedor de que tanto precisávamos.No centro do quarto real, aquecido pela lareira que estalava baixinho, depositei Asher no centro do leito de veludo. O nosso filho nem sequer despertou; apenas ajustou a postura, abraçou o seu pequeno urso de pano desgastado — que Damon resgatara das ruínas da fortaleza — e soltou um suspiro calmo e profundo.Fiquei ali parada por longos minutos, observando o subir e descer ritmado do seu peito. Toquei na sua testa macia, certificando-me pela centésima vez de que ele estava mesmo ali, são, salvo e ao meu alcance.Uma presença quente e firme aproximou-se por trás de mim. Os braços de Dominic envolveram a minha cintura com uma firmeza protetora, e ele apoiou o queixo no meu ombro, respirando fundo junto ao meu pe
DominicA alvorada que despontou sobre os picos acentuados das Gargantas de Pedra não trouxe o cheiro de cinzas ou a ameaça da guerra, mas a luz clara e dourada que há dias nos era negada. O vento do deserto, antes agreste e cortante, soprava agora como um sussurro brando, limpando a poeira das nossas capas e afastando os últimos vestígios da escuridão subterrânea.A comitiva real avançava a passos largos pela estrada imperial que conduzia de volta a Valência. À frente do destacamento, os estandartes de fita dupla — o leão de ferro do Sul e o corvo de prata do Norte — desfraldavam-se ao vento, anunciando a toda a província que a justiça fora feita.No centro da guarda de honra, eu cavalgava ao lado de Maya.O meu cavalo negro avançava num trote cadenciado, e no selim, acomodado no meu colo e protegido contra o vento frio do amanhecer pelo meu pesado manto de pele, Asher dormia profundamente. O pequeno rosto do meu filho, antes manchado pela fuligem das minas, fora limpo pelas mãos car
MayaO tempo pareceu desacelerar no instante em que o braço de Laura se ergueu sobre a cabeça de Asher. O choro do meu filho cortou o ar frio da caverna, atingindo-me com a força de um golpe no peito, mas a minha mente permaneceu perfeitamente fria e focada.Não havia espaço para hesitação. Não havia espaço para o medo.Com a precisão que treinei durante anos de batalhas, não me lancei diretamente contra Laura. Em vez disso, num único movimento fluido, arremessei a adaga leve do Norte que segurava na mão esquerda. A lâmina cortou o ar num zumbido quase imperceptível e cravou-se com força brutal no pulso de Laura.Um grito agudo de dor escapou da garganta da mulher. O choque do impacto fez os seus dedos perderem a força instantaneamente, e a adaga de ferro caiu, ressonando ao bater nas tábuas da ponte antes de despencar no abismo.— Asher! — gritei.Antes que Laura pudesse se recuperar ou segurar o menino novamente, Dominic avançou como um raio. O seu corpo cruzou a distância da ponte
DominicDerrubei o último mercenário contra a parece de pedra, pisando no seu peito para desarmá-lo e deixando-o sem reação no chão do salão. Arfei pesadamente, a ferida no meu peito protestando com uma pontada aguda, mas a minha atenção estava inteiramente voltada para o corredor escuro onde Maya desaparecera no encalço de Laura.— Damon! — chamei, a voz rouca ecoando pelas vigas caídas. — Garanta que nenhum destes homens permaneça de pé. Limpe o salão e traga os médicos para os feridos. Acompanhe-me com quatro homens!— Sim, Supremo! — respondeu Damon, limpando a lâmina com presteza e organizando a linha de contenção.Corri em direção à galeria de escoamento. O túnel era estreito, com antigos trilhos de ferro para vagonetas de minério cravados no solo irregular e goteiras constantes caindo do teto de rocha. As pegadas na poeira úmida mostravam que Laura arrastava o nosso filho com rapidez desesperada, deixando para trás retalhos de pano e marcas de sapato infantil.O meu coração bat
MayaA cortina de fumaça tática que lancei espalhou-se rapidamente pela ala esquerda do salão, transformando a formação dos mercenários em um caos de tossidelas, gritos e lâminas colidindo no cego.Não tínhamos a vantagem do elemento surpresa por muito tempo, mas aqueles segundos seriam a diferença entre resgatar Asher ou ver o nosso filho tornar-se vítima do desespero de Laura.Avancei no encalço de Dominic, a minha espada cortando o ar em um arco preciso. O primeiro homem que tentou bloquear o meu caminho com um machado pesado teve o pulso atingido pelo cabo da minha adaga antes que eu girasse o corpo e o derrubasse no chão de pedra. Damon e a guarda de elite irromperam pelas laterais do salão logo atrás de nós, envolvendo os flancos dos homens da Casa Davenport e impedindo que cercassem o meu marido.Dominic movia-se com a força destruidora de uma catapulta. Ele aparou o golpe de duas espadas simultâneas com a sua lâmina larga, empurrando os dois mercenários para trás com o próprio







