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Capítulo 4

Penulis: Pera Gordinha
— Alguém só não quer que eu tenha uma gravidez tranquila, só isso. — Respondeu Alice.

Ela lembrou dos roxos espalhados pela barriga, lembrou de passar os dias vomitando até ficar tonta. Como ela podia não odiar aquilo?

Fernando lançou para ela um olhar cheio de pena.

— E agora… o que a senhora pretende fazer? — Perguntou ele.

Alice estava esperando o momento certo. Foi então que apareceu uma notificação no celular:

[A Capital Monteiro teve abertura de capital bem-sucedida...]

"Oportunidade melhor que essa, impossível."

Cinco dias depois, a família Monteiro iria oferecer um grande banquete para a alta sociedade inteira da Cidade Nampula.

Alice, como Sra. Monteiro, só ficou sabendo desse evento por causa de Daise.

— Sra. Alice, eu ouvi isso pessoalmente quando fui atualizar o Sr. Michel sobre o seu estado de saúde. Achei que talvez fosse uma informação útil para a senhora. — Explicou Daise.

— Você não falou nada além do necessário, falou? — Perguntou Alice.

— Fique tranquila. Eu disse que a senhora estava internada, em repouso absoluto, tomando soro nutritivo todos os dias e sem poder receber visitas. — Respondeu Daise.

— Você foi muito bem. Da outra vez você disse que não queria dinheiro. Agora pode falar, o que é que você quer, afinal? — Perguntou Alice, indo direto ao ponto.

Daise não escondeu mais nada e revelou o próprio objetivo:

— Ouvi dizer que o banquete da família Monteiro vai ser no Solar do Vale Verde. Se a senhora for comparecer… será que poderia me levar junto?

Alice entendeu na hora: Daise também tinha seus próprios planos para aquela festa. Ela concordou em levá‑la.

Assim que desligou, do outro lado Daise pegou o celular novamente e discou outro número.

— Alô, Sr. Ronaldo? Aqui é a Daise. Eu finalmente arrumei uma brecha para entrar na família Monteiro. — Avisou Daise.

Do outro lado, uma voz grave resmungou:

— Você demorou demais.

Daise empurrou os óculos no nariz, falando com um quê de nervosismo:

— Essa família Monteiro é um círculo bem fechado mesmo. Mas pode ficar tranquilo, eu já fiz um acordo com a Sra. Alice. O senhor disse que o último lugar onde o pintor que o senhor procura apareceu foi no Solar do Vale Verde, por isso me mandou investigar e tentar achar alguma pista. Mas eu ainda não consegui entender: esse pintor misterioso é homem ou mulher?

A voz de Ronaldo veio gelada, atravessando o áudio do celular e fazendo Daise estremecer:

— Ele só tem um codinome: V.

Os cinco dias passaram num piscar de olhos.

O banquete da família Monteiro iria acontecer, como previsto, no Solar do Vale Verde.

Alice dirigia o carro novo que ela tinha acabado de comprar, mas acabou presa num engarrafamento. Faltava menos de uma hora para o início da recepção da família Monteiro.

Daise estava esperando por ela em um cruzamento mais à frente, mas Alice calculou que ainda levaria pelo menos quarenta minutos a pé até lá.

Vendo que ia se atrasar, ela pensou seriamente em abandonar o carro e seguir andando. Nesse exato momento, um estrondo ensurdecedor veio de trás.

Vários veículos se chocaram em sequência, num engavetamento. O carro de Alice também foi atingido e lançado para a frente. A testa dela bateu com força no volante. O sangue escorreu na hora.

Apavorada, ela levou a mão imediatamente à própria barriga. Ainda bem que ela tinha colocado o cinto especial para gestante. O impacto não tinha pressionado o abdômen.

Sem tempo nem para respirar aliviada, Alice soltou o cinto às pressas e saiu do carro.

Atrás dela, o cenário era de caos, com gente gritando de dor, alguns feridos com seriedade.

— Moça, você está bem? Moça? — Perguntou um homem que correu até ela, preocupado.

Alice agradeceu com educação, mas logo se afastou, apressando o passo. Se a polícia chegasse, ela ficaria presa ali e perderia o banquete.

Ela precisava sair dali o quanto antes.

Alice enfiou o corpo no meio da multidão e foi abrindo caminho, andando o mais rápido que conseguia. Depois de muito custo caminhando, ela avistou, num cruzamento adiante, dois carros pretos estacionados: uma van executiva e um sedã.

Daise estava descendo da van e se curvava em direção a alguém dentro do veículo, numa atitude de respeito.

Alice se aproximou e ouviu a voz de Daise:

— Sim, senhor, eu entendi.

Quando Daise se virou, ela deu de cara com Alice.

— Sra. Alice?

Ao ver o rosto de Alice coberto de sangue, Daise levou um susto enorme. Ela correu até Alice e a segurou pelos ombros:

— Sra. Alice, o que aconteceu com a senhora? A senhora…

O rosto de Daise estava tomado por uma expressão de genuína preocupação.

Alice falou, com a voz completamente rouca:

— Acabei de sofrer um acidente de carro. Eu estou bem, não foi nada grave. Mas o meu carro não tem mais como andar e está impossível conseguir táxi agora. Você consegue me dar uma carona?

Ela olhou para os carros pretos à sua frente. Eram apenas dois veículos comuns, mas, naquela noite cheia de incidentes, eles passavam uma sensação estranha de frieza e poder, como se carregassem um aviso silencioso para que ninguém se aproximasse à toa.

Alice não quis saber que tipo de relação aquelas pessoas tinham com Daise. Ela só estava desesperada para chegar logo à família Monteiro.

A expressão de Daise vacilou. Ela lançou um olhar hesitante para a silhueta escura dentro da van executiva.

— Eu…

Ela não tinha coragem de simplesmente decidir por conta própria em nome de quem estava lá dentro.

De repente, o vidro desceu. O assistente no banco do motorista, Theo, se inclinou um pouco e sorriu de leve:

— Dra. Daise, o senhor mandou vocês subirem logo. Atende primeiro o ferimento da sua amiga. — Disse ele.

Daise então se lembrou de que, num carro como aquele, era quase certo haver um kit de primeiros socorros. Ela se apressou em convidar Alice a entrar na van.

Assim que subiu, Alice percebeu a presença do tal "senhor". Ele usava um conjunto esportivo totalmente preto, com o cabelo penteado para cima.

Mesmo à noite, ele estava de óculos escuros, rodeado por uma aura fria e perigosa, que afastava qualquer tentativa de aproximação.

Fora isso, Alice não conseguiu enxergar quase nenhum traço dele com clareza.

Daise parecia bem tensa.

— Senhor, desculpe incomodar. — Disse ela, nervosa.

Ela conduziu Alice até o banco de trás.

Alice apenas fez um leve aceno com a cabeça na direção do homem e, sem dizer nada, seguiu Daise até o fundo, onde se sentou.

Daise examinou rapidamente o ferimento de Alice. Havia um corte considerável na testa.

— Senhora, o ideal seria ir ao hospital e levar uns pontos. — Comentou Daise.

— Não dá tempo. — Respondeu Alice, seca.

Daise entendeu na mesma hora: Alice pretendia ir daquele jeito mesmo, com o machucado na cabeça, direto para a família Monteiro.

Corria o boato de que, naquela noite, o presidente da Capital Monteiro, Michel, iria à festa acompanhado de uma nova secretária recém‑promovida.

Enquanto isso, ninguém sequer mencionava a Sra. Monteiro grávida. Se ela aparecesse por último, toda arrasada, com o rosto ainda manchado de sangue e um corte aberto na testa… provavelmente a festa da família Monteiro iria virar um escândalo nacional.

Era exatamente o tipo de cena que Daise queria ver. Mas nem por isso ela deixou de achar que Alice estava indo longe demais. Ainda assim, ela respeitou a decisão de Alice.

Afinal, o objetivo dela era justamente entrar no Solar do Vale Verde junto com Alice. Quanto mais confusão houvesse entre os Monteiro, mais fácil seria para Daise se movimentar.

Depois de limpar o sangue do rosto de Alice, estancar a hemorragia, passar uma pomada e fazer o curativo, Daise apertou de leve a mão dela, num gesto de conforto:

— Fica tranquila, o senhor vai deixar a gente na família Monteiro na hora certinha.

Alice levantou os olhos para o homem. No escuro, ele quase parecia parte da sombra do carro, invisível. Mesmo assim, ela sentiu com muita clareza a presença dele.

"A energia desse homem não é comum. Quem é ele, afinal? Desde quando existe alguém assim na Cidade Nampula?"

— Desculpa o transtorno. Eu faço questão de pagar pela carona. — Disse Alice.

Daise já ia responder que não precisava, mas, antes que ela abrisse a boca, uma voz grave soou lá da frente, vinda da escuridão:

— Pode ser.

O rosto de Daise congelou de surpresa.

Quando elas desceram do carro, Alice pegou o próprio celular, pronta para escanear o código Pix dele. Mas o homem não mostrou nenhum celular. Em vez disso, ele estendeu um cartão de visitas:

— Meu celular está sem bateria. Sra. Monteiro, pode me adicionar depois e faz a transferência. — Disse ele.

Alice olhou de relance para Daise, depois para Theo, lá na frente. Ela não fazia ideia do que aquele homem realmente queria, mas, já que naquela noite ela tinha ficado devendo um favor, seria falta de noção não aceitar.

Ela pegou o cartão com as duas mãos. Quando bateu os olhos no nome impresso, ela ficou completamente paralisada, como se tivesse levado um choque.

[Ronaldo Valente]

"Esse nome… por que parece tão familiar?"

Em poucos segundos, ela se lembrou. Era o mesmo nome que Fernando tinha mencionado no hospital: o homem cujo material genético a enfermeira usara por engano, o verdadeiro pai dos bebês que ela carregava.

Ronaldo Valente. O homem mais rico da Cidade Nampula, presidente do Grupo Primar Investimentos, herdeiro de uma família centenária e obscura.
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