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ISABELA
Meu coração está tão acelerado. O salão do hotel brilha, mas eu não consigo ver nada além dele. Lucas Montenegro. O homem que, há dois anos, entrou na minha vida como meu chefe e, sem que eu percebesse, virou o centro de todos os meus pensamentos proibidos. O cabelo preto, sempre perfeitamente arrumado, cai sobre a testa como se ele tivesse acabado de passar a mão. E a boca curvada num sorriso educado, mas distante. Até que os olhos dele encontram os meus, sinto como um soco no estômago. Ele ergue a sobrancelha. Mas eu conheço aquele gesto, ele significa: "Você me pegou." — Hummm – Mariana sussurra no meu ouvido, e eu quase pulo da pele. – Ele pode ser lindo, mas você sabe que ele é seu chefe, né? — Mari, pelo amor de Deus... – começo, mas ela não me deixa terminar. — Que, aliás, tá te olhando como se fosse te devorar agora mesmo. – Ela ri baixinho. – Se eu fosse você, aproveitava. Não respondo, suspirando. Subo ao palco com o projeto que passei seis meses planejando. Não estou apenas apresentando um trabalho, mas mostrando quem eu sou. — Boa noite. – Minha voz sai firme, e agradeço aos deuses. – O que vou apresentar não é apenas mais um projeto, mas a prova de que o futuro não precisa destruir o passado para existir. Falo sobre sustentabilidade, integração urbana e a beleza escondida nos becos esquecidos da cidade. E ele está ali, na primeira fila, sem desviar o olhar. Quando termino, o salão explode. Aplausos. Gritos. Gente apertando minha mão, batendo nas minhas costas. "Genial", "Brilhante", "Revolucionário". Eu agradeço, aceitando as taças de champanhe que não quero beber. Começo a procurar por ele. Quando finalmente consigo escapar da multidão, me refugio na parte lateral do salão e levanta cabeça para o céu, fechando os olhos. — Parabéns. Abro os olhos e me viro. Lucas está a menos de meio metro de mim. Tão perto que eu vejo os fios grisalhos nas têmporas, a barba por fazer que sombreia o maxilar, a intensidade dos olhos cinzentos que parecem enxergar através da minha pele. — Senhor Montenegro – respondo, e odeio como minha voz vacila. – Espero que a apresentação tenha sido do seu agrado. — Fiquei impressionado – Ele dá um passo à frente. – E olha que não me impressiono fácil. — Fico lisonjeada. — Eu passei os últimos quarenta minutos tentando encontrar uma desculpa para falar com você que não envolvesse trabalho. – A voz dele baixa até virar quase um sussurro. Meu coração dispara. — Senhor Montenegro, se for sobre o projet... — Lucas. – Ele inclina a cabeça, os olhos fixos nos meus. – Me chama de Lucas. E não, não é sobre o projeto. Nunca foi, Isabela. Meu nome completo na boca dele soa como uma carícia. Como se ele estivesse provando cada sílaba. Eu sinto a pele arrepiar. — Eu... — Você é incrível, sabia? – ele murmura, os lábios tão perto da minha têmpora que sinto a respiração quente. – E não estou falando como chefe, e sim como homem. — Isso não é assédio, senhor Montengro? – provoco, tentando disfarçar o tremor. Ele ri. — Essa é a imagem que tem de mim, Isabela? – Os olhos dele estão escuros, quase pretos. – Por que se for, diga-me o que preciso fazer para mudá-la. As mãos dele encontram meu rosto, dedos quentes contra minhas bochechas. — O que você quer? — pergunta. — Você. Minha cabeça grita: "Ele é seu chefe. Isso é loucura. Você vai destruir sua carreira." Mas meu corpo grita mais alto. Quando ele inclina o rosto e os lábios dele tocam os meus, eu esqueço quem sou. Os lábios dele são macios, mas há uma firmeza neles. A língua dele roça a minha, e eu solto um gemido baixo que mal reconheço como meu. — Vem comigo – ele sussurra contra minha boca, ofegante. – Vem? Não hesito, nem pergunto para onde. Pego minha bolsa, abandono a taça sobre o balcão e deixo ele me puxar para fora do salão. Dentro do elevador, Lucas me puxa para si com uma urgência que me faz perder o equilíbrio. Minhas costas encontram a parede de vidro, e o contato gelado contrasta com o calor do corpo dele contra o meu. — Me diz que você quer isso – ele pede, a voz rouca, quase desesperada. – Diz, Isabela! Eu ergo a mão e toco o rosto dele. Sinto a aspereza da barba e a temperatura febril da pele. Naquele momento, ele não é o CEO poderoso. — Eu quero – respondo, e minha voz sai num fio. – Sempre foi você, Lucas. Desde o dia em que entrei na empresa, eu soube que ia acabar aqui. Mas tive medo de mim e do que isso faria com a minha vida. — E agora? — Agora não tenho mais. Ele geme e me beija de novo. A camisa dele é arrancada e percorro minhas mãos percorrem o torso dele, sentindo os músculos contraídos, o pelo macio que desce até a linha da calça. Quando o elevador chega a cobertura, emtramos no quarto aos beijos. Quando a porta se fecha, meu vestido cai como uma cascata. — Deus, Isabela – ele sussurra, os olhos percorrendo meu corpo nu com uma adoração que me faz tremer. – Você é tão linda. Puxo ele para mim, enterrando os dedos nos cabelos dele. Entorpecida, arranho as costas Lucas e mordo o ombro dele. Preciso senti-lo. Preciso que ele me ocupe inteira. Lucas me deitou na cama e os lençóis se enroscam em nós dois. Lucas cobre meu corpo com o meu e quando ele entra em mim, arqueio as costas com solto um grito abafado no travesseiro. Lucas explora cada curva do meu corpo com a paciência, sabendo exatamente onde tocar para me fazer gemer. Ele sabia exatamente como se mover para me fazer perder a razão. — Olha pra mim – ele ordena, a voz tão grave que vibra contra meu peito. – Quero ver seus olhos quando você gozar, Isabela. Quando o encaro, minhas pernas tremem e a respiração falha. E quando finalmente chego ao clímax, o nome dele escapa dos meus lábios com um gemido alto. Lucas me segue segundos depois, seu corpo inteiro se contrai contra o meu e enterra o rosto no meu pescoço.Valentina observava a filha correr pelo jardim enquanto tomava café. Luis Fernando estava ajoelhado no gramado, deixando Isabella subir em suas costas como se fosse um cavalo. A risada da menina ecoava alto. Era linda. Quase perfeito. Mas Valentina não conseguia relaxar. — Você está pensando demais — disse Luis Fernando mais tarde, quando se aproximou por trás e a abraçou pela cintura. Ele beijou seu ombro nu. — Por que ainda tem essa ruga de preocupação na sua testa? Valentina virou-se nos braços dele. — Porque eu conheço você. Luis Fernando apertou a mandíbula. — Ela é minha filha, Valentina. Eu quero que ela tenha tudo. Por que está tão relutante, hum? — E eu quero que ela tenha uma infância normal, Luis Fernando — rebateu Valentina. — Não quero que nossa filha cresça achando que o mundo inteiro gira em torno do nome Bracho, entende? Luis Fernando segurou o queixo dela, obrigando-a a olhar para ele. — Mas ela é uma Bracho. Quero que mudem para cá hoje mesmo, Va
Valentina acordou com o peso de um braço forte ao redor de sua cintura. Luis Fernando dormia profundamente ao seu lado, o rosto relaxado. Por alguns segundos, permitiu-se observar o homem que havia amado e temido tanto.Ele parecia exausto. As olheiras profundas revelavam noites mal dormidas. Mesmo dormindo, sua mão permanecia possessiva sobre ela, como se tivesse medo de que ela desaparecesse novamente.Valentina tentou se levantar devagar, mas ele apertou o braço.— Não vai embora — murmurou Luis Fernando, ainda de olhos fechados, a voz rouca de sono.— Eu só vou ver Isabella.Ele abriu os olhos verdes, ainda pesados, e a puxou para mais perto, encostando o nariz em seu pescoço.— Fica mais um pouco.Valentina suspirou, mas cedeu. Deixou que ele a abraçasse, sentindo o calor familiar do corpo dele contra o seu. Aquela sensação de pertencimento... era exatamente o que ela temia.— Como você dormiu? — perguntou ele, beijando seu ombro.— Pouco, pois fiquei pensando em como vamos fazer
A luz da tarde entrava pelas janelas enormes da mansão, iluminando o tapete onde Isabella brincava com o cavalinho de madeira antigo. Luis Fernando estava ajoelhado ao lado dela, completamente alheio ao mundo ao redor. Pela primeira vez em anos, o CEO implacável parecia humano.— Olha, papai! Ele corre! — exclamou Isabella, fazendo o brinquedo galopar pelo tapete.Luis Fernando riu, pegou outro cavalinho e começou a brincar com a filha, imitando sons de cascos. Isabella gargalhava, batendo palmas.Valentina observava tudo da porta da sala, com o coração apertado. Ver os dois juntos era ao mesmo tempo a coisa mais bonita e mais aterrorizante da sua vida. Isabella, que sempre perguntava sobre o pai, agora tinha um diante dela.— Ela gosta de você — murmurou Valentina, aproximando-se devagar.Luis Fernando ergueu o olhar. Seus olhos verdes estavam brilhantes, emocionados.— Ela é perfeita — disse ele, a voz embargada. — Tem seus cabelos, mas meus olhos. E esse temperamento... definitivam
Valentina não dormiu aquela noite. Ficou sentada na beira da cama de Isabella, observando a filha dormir tranquilamente com o ursinho apertado contra o peito. Cada respiração da menina era um lembrete do peso da decisão que havia tomado.— Amanhã você vai conhecer seu pai, meu amor — sussurrou ela, acariciando os cachinhos escuros. — E eu não sei se estou pronta para isso.Pela manhã, Valentina vestiu Isabella com cuidado. Escolheu um vestidinho amarelo que a menina adorava, prendeu os cabelos em duas marias-chiquinhas e tentou sorrir quando a filha perguntou:— Aonde vamos, mamãe?— Vamos encontrar uma pessoa muito importante. Alguém que ama você muito, mesmo sem te conhecer ainda.O trajeto até a mansão de Luis Fernando foi silencioso. Isabella olhava pela janela, animada com a aventura, enquanto Valentina lutava contra o pânico que crescia em seu peito. Quando o carro parou em frente aos portões imponentes, ela sentiu o estômago revirar.Luis Fernando esperava na porta principal. V
O silêncio na sala era ensurdecedor. Luis Fernando ainda segurava Valentina pelos braços, os dedos cravados na pele dela como se tivesse medo de que ela desaparecesse novamente. Seus olhos verdes, antes frios como gelo, agora queimavam com uma mistura devastadora de fúria, dor e incredulidade.— Isabella... — repetiu ele, como se saborear o nome da filha doesse. — Eu tenho uma filha chamada Isabella. E passei mais de dois anos sem saber que ela existia.Valentina tentou se soltar, mas ele não permitiu. Lágrimas escorriam pelo rosto dela.— Me solta, Luis Fernando. Você está me machucando.Ele afrouxou o aperto imediatamente, mas não a soltou por completo. Em vez disso, puxou-a contra o peito, abraçando-a com uma força quase desesperada. Seu corpo tremia.— Como você pôde? — A voz dele saiu rouca, quebrada. — Como você teve coragem de esconder minha filha de mim? Eu procurei você por meses! Eu quase enlouqueci! E você estava grávida... carregando meu sangue... e escolheu me abandonar!
Valentina mal conseguia se concentrar na tela do computador. A reunião havia terminado há quase uma hora, mas ela ainda sentia o calor da presença de Luis Fernando impregnado na sala. Ele havia questionado cada detalhe da campanha, aproximando-se dela mais do que o necessário, tocando seu ombro “sem querer”, olhando-a como se quisesse devorá-la e destruí-la ao mesmo tempo.Ela saiu da sede da Grupo Bracho com as pernas fracas e pegou um táxi direto para a creche. Quando Isabella a viu, correu com os bracinhos abertos.— Mamãe! Você demorou hoje!Valentina se ajoelhou e abraçou a filha com força, inalando o cheirinho doce de shampoo e inocência. Lágrimas ameaçaram cair, mas ela as segurou.— Desculpa, meu amor. Mamãe estava trabalhando muito.No caminho para casa, Isabella tagarelava sobre o dia na creche, os desenhos que fez e o amigo que caiu no playground. Valentina ouvia com o coração apertado. Cada palavra da filha era um lembrete doloroso do segredo que carregava.Assim que chega







