LOGINÀ medida que os dias passaram depois do último exame, o choque de realidade bateu em Henrique com força. Ele estava uma pilha de nervos, não a ponto de esbofetear quem passasse na sua frente, mas de tensão, ansiedade e medo.
Muito por causa de um sonho que teve por estar tendo contrações sem qualquer abertura para a saída do bebê e ele apavorado por estar longe de tudo, sem ninguém por perto.
Esse pesadelo o perseguiu por vários dias seguidos e em segredo. Mas tanto Maximus quanto Helena sabiam que algo não estava bem, porém respeitavam o espaço de Henry, que passou a ficar a maior parte do tempo no quarto do bebê, ironicamente era o único ambiente onde ele conseguia manter a mente afastada desse medo.
E olhar para a réplica do bebê embrulhada em uma fralda estampada com filhotes de unicórnios o tranquilizava.
Ficava reimaginando a organização do quarto com Maximus, pensando em como seria dali alguns anos com o pequeno Owen correndo e brincando com amiguinhos no quintal, quando fosse maior e redecorasse o quarto todo.
Um dia específico acabou cochilando na poltrona de amamentação, Nick colocou uma manta em seu colo e desceu para tomar um café.
- Como ele está hoje? – perguntou a mãe.
- Ainda bastante tenso, mas acho que a exaustão venceu os dois, parece até que o pequeno Owen deu uma trégua. – pegou a jarra de café na cafeteira e uma caneca grande que tinha trazido de sua casa.
- Fico feliz por Henrique e você terem ficado amigos.
- Às vezes sinto como se o conhecesse tão bem quanto meus melhores amigos, Lance, Ísis e Calvin. Bem, posso adicionar ele e Max à lista.
- Ele já te contou o motivo de andar tão nervoso? Isso não é saudável nem pra ele e nem para o bebê.
- Não, mas também não vejo muito motivo para isso, os exames estão todos ótimos; nem mesmo Phil é tão regrado como ele com dieta, suplementos, medicamentos e horários; está procurando não fazer esforço desnecessário... enfim, não consigo entender assim como vocês.
- Olha, eu tive variações de humor, mas não como Henry. Tenho pena de Maximus, não sei como ele ainda não surtou.
- Será que ele não está tendo um daqueles momentos de insegurança quanto sua capacidade de ser pai, como o marido teve um tempo atrás?
- Isso até pode ser possível. Mas meu filho nunca teve incerteza desse tipo desde pequeno. Ele sempre dizia que seria pai, mesmo depois que assumiu para nós que era gay. – olhou para Nicholas inquisitivamente. – E você e Phil? Não pensam em ser pais?
- Em algum momento talvez. – respondeu seguro. – Phil está em um momento da carreira que um filho provavelmente iria atrapalhar demais, muito no início. Ainda estamos fazendo alguns ajustes nas nossas vidas como estão, imagina arrumar uma criança para esse cenário caótico. Quando estivermos mais bem estabelecidos é uma certeza.
- Isso é ele falando ou é realmente uma decisão conjunta?
- É uma decisão conjunta sim. Confesso que ver Henrique grávido acordou em nós dois essa discussão e combinamos que voltaríamos a conversar sobre isso mais pra frente.
- Acho que vocês seriam pais sensacionais. Vejo como você tem cuidado do meu filho, quase como se você fosse um terceiro pai. – Nicholas sorriu encabulado.
- Eu me sinto um pouco parte disso, mas estou tomando muito cuidado para não passar dos limites nem com os rapazes, nem comigo. Quando eu solto a besta, é difícil colocá-la de volta na jaula.
Tomaram um susto com um berro alto vindo do segundo andar. Nicholas subiu as escadas de dois em dois degraus e entrou no quarto do bebê. Henrique estava sentado com os cotovelos apoiados nas pernas, o rosto apoiado nas mãos, aos prantos.
- H, que houve, meu amigo. – se aproximou dele e o abraçou.
- Não quero que isso aconteça... não quero!
- O que exatamente? O que não quer que aconteça?
- Não quero que Owen sofra! Não quero que Mack sofra... – voltou a chorar.
- Vou fazer um chá para te acalmar.
A mãe dele entrou em seguida.
- Filho. Conta pra mamãe o que está acontecendo, você está tenso demais nos últimos dias.
- Desculpem, era só um pesadelo, mas estou tendo ele toda vez que durmo. – contou tudo para a mãe.
- Meu amor. É só um sonho.
- Mas parece tão real. E não consigo parar de pensar na sensação, na dor... é tudo tão intenso.
Ela sentou-se no braço da poltrona e puxou o filho para perto dela, acariciando seus cabelos. Não falaram mais nada até o momento que Nicholas retornou com um chá que aprendeu com o marido do personal trainer de Philip.
- Tive que buscar alguns ingredientes lá em casa, por isso demorei um pouco mais. Já mandei uma mensagem para Maximus para ele comprar, é bom terem em casa, esse chá é sensacional, você vai ver.
- Tem um cheiro maravilhoso. – deu uma provinha, estava morno. – Que delícia.
- Só o aroma dele já faz efeito, viu?
- Obrigado, Nick. – sentiu os incômodos na coluna por conta da posição nada confortável. – Acho que preciso de um banho. Estou todo empapado de suor. E dá para o senhor sossegar um pouquinho também?
Fez carinho na barriga.
- Papai já está melhor. Pode ficar tranquilo. – Helena e Nicholas o ajudaram a se levantar. Caminhou parecendo um velho. – Pelo menos eu já sei como vou andar quando tiver lá meus noventa anos, se prepare Owen, vai ter que aturar quando chegar lá.
Henrique se aninhou no colo de Maximus mais tarde no mesmo dia. Contou tudo que aconteceu e pediu para que Nicholas ensinasse para eles como fazer o chá milagroso. Sua mãe estava em uma das poltronas tricotando e assistindo à uma série na TV junto com eles. Estavam aguardando a chegada de Philip, que passaria alguns dias de folga com eles.
Internamente o grávido decidiu que não tinha mais nada a ser feito no quarto do Owen. Já tinham tudo o que precisava, aliás, tinham muito mais do que o necessário, graças às avós. Henry achava que a mãe era descontrolada, mas acabou descobrindo que sua sogra também não era fácil nesse sentido.
Quase uma vez por semana chegava uma encomenda no nome dela e ao receber a notificação de entrega, já entrava em contato com Nick para saber o que ele tinha achado.
Só de roupinhas para o bebê já tinham o enxoval completo para sustentar o guri até, facilmente, seus dois anos de idade, talvez até três.
- Maxie... – olhou para ele com cara de cachorro pidão.
- Meu Deus... o que vem agora? – ambos riram.
- O que foi?! – perguntou Helena e Nicholas já estava rindo. Era a primeira vez que isso acontecia desde que a mãe de Henrique tinha chegado. Maximus fez sinal para ela aguardar que já ia entender.
- Sorvete.
- Só?! – ficou incrédulo e Henrique sorriu de canto de boa.
- Preparado para o pedido completo?
- Peguem os scrapbooks e as canetas e anotem que aí vem bomba.
- Sorvete de frutas vermelhas... biscoito recheado de menta... Ah! E ketchup de maçã.
- Ainda tá muito normal isso. Tem certeza de que é só isso que quer... – se aproximou da barriga falando com Owen. – Hein, meu pequeno?
- Já que insiste, mostarda escura.
- Não foi dos piores. Obrigado, Owen.
- Verdade... reze para ele não pedir nada mais enquanto estiver no mercado.
- Posso ir no seu lugar, Mack? – Nicholas se ofereceu.
- Não. Fique aqui, você deve estar com saudade do seu namorado, melhor estar aqui quando ele chegar. Além do mais aproveito para comprar outras coisas que estou precisando. Quer alguma coisa, Helena?
- Vou com você.
- Tem certeza?
- Hoje fiquei trancada nessa casa o dia inteiro, pelo amor de Deus, preciso colocar os pés na rua um pouco. – todos riram.
- Okay. Se precisar de algo mais manda por texto, amor. – deu um beijo demorado no marido e na barriga.
Philip chegou no mesmo instante que Maximus abria a porta. Nicholas nem deu tempo dele ser anunciado, sentiu o cheiro do perfume e saiu correndo até a porta, pulando no pescoço dele.
- Senti tanto a sua falta!
- Nem me fala. Eu também. – se beijaram. Já tinha passado na casa dos pais para deixar a mala.
- Crianças, melhor vocês irem matar essa saudade. – Henry falou sorrindo e chegando com dificuldade até a porta.
- O que o senhor está fazendo de pé?! – reclamou Maximus.
- Não estou inválido... não ainda, pelo menos. – apoiou-se nos ombros de Nicholas e Philip. – Meus queridos, vão logo. Se quiserem, voltem mais tarde.
- Não vamos deixar você sozinho. – Henry olhou sério para eles.
- Nick, dá pra aguentar alguns minutos até o retorno de Maxie. Prometo que vou ficar quietinho assistindo alguma coisa aqui na sala.
- Tem certeza, Gabe?!
- Prefiro que você providencie o desejo do seu filho. Mas sério, qualquer coisa é só eu chamar vocês no telefone. Só não desliguem. – lançou um sorriso maquiavélico para os pombinhos. – De qualquer forma, posso ligar para o médico também...
- Para meus pais ou para os pais de Nicky também.
- VÃO LOGO! – ordenou empurrando todos eles, até a mãe. Se apoiou no portal e segurou a barriga com a outra mão. – vou voltar pro sofá, e não se atreva a voltar sem as coisas do seu filho.
Fechou a porta aos risos e caminhou de volta para a sala, se acomodando na poltrona reclinável. Abriu a camisa xadrez e levantou a camisa de malha deixando a barriga gigante toda à mostra. Acariciando e admirando.
“Meu bebê. Que situação mais maluca essa, hein? Quem um dia poderia imaginar isso acontecendo? Tem noção do milagre que nós dois somos, Owie-baby?” – seu olhar perdidamente apaixonado para a barriga contagiaria até o mais frio dos corações. Estava tendo um momento só deles. – “Sempre sonhei em ser papai, mas nunca imaginaria que seria dessa maneira. Espero conseguir te fazer feliz como você merece. Prometo sempre vou estar do seu lado na hora que precisar de mim, te amar sempre e cada vez mais.”
Chegaram para o último ultrassom um pouco antes de fechar o consultório. Dr. Bells mandou uma mensagem de texto para os rapazes que aguardavam dentro do carro no estacionamento do prédio.
Neste dia específico, Henrique estava com muita dificuldade para caminhar: seus pés, sua lombar, um incômodo abaixo da barriga e uma dor de cabeça leve, porém insistente.
- Bem, meus queridos, está tudo ótimo com você, Henrique. Seu “útero” e sua barriga estão dentro do esperado, sua pressão arterial está ótima, inclusive seu peso. Nunca tive paciente que seguisse tão à risca minhas recomendações. Estão de parabéns.
- Na verdade, Henry é que merece os parabéns, doutor. Ele realmente está fazendo tudo o que é recomendado por você e pelos pediatras.
- Pediatras? – o casal riu.
- Dra. Millstone e o nosso pediatra oficial, Dr. Kross.
- Eu estava zoando com vocês, eu já sabia sobre o Dr. Julian. Ele é um excelente médico, um pouco menos tradicional do que estamos acostumados, mas é difícil alguém não gostar dele, muito carismático. A secretária dele entrou em contato comigo por esses dias, já me enviou a papelada para ser o responsável por acompanhar o pequeno Owen no momento que ele sair dessa barriga.
- Ele é um doce. – falou Henrique. – a identificação com ele e com a Dra. Millstone foi imediata.
- E a Dra. Balaskas, o que acharam dela?
- Bem... digamos que ela era conservadora demais e queria controlar demais nossas vidas. – Henrique soltou de imediato.
- É, ela realmente é bastante tradicionalista, por isso tinha recomendado ela para vocês, me desculpem se não agradou.
- Imagina, Doutor. É apenas uma questão de afinidade mesmo. – Maximus suavizou.
- E como você está se sentindo no geral, Henrique?
- Um pouco de irritabilidade, mas acho que é porque nos últimos dias não tenho conseguido encontrar uma posição para dormir, um pouco de dificuldade para respirar às vezes, as benditas contrações falsas, inchaço geral da cintura pra baixo, indo ao banheiro um milhão de vezes por dia, e duas dores bem localizadas, uma na pélvis e outra mais interna... na verdade são mais incômodos.
- Alguns desses sintomas podem realmente acontecer, estamos na reta final e nosso rapazinho aqui está cada vez maior e mais pesado, né? Com isso ele pressiona mais a sua bexiga e outros órgãos. – comentou o médico. – Vou te passar umas dicas: para a noite, coloque um travesseiro entre as pernas e procure uma posição mais lateralizada pode te trazer mais conforto para dormir e talvez colocar um som ambiente bem calmo pode ajudar, quando a falta de ar tente ficar mais ereto, mesmo quando deitado, vai dar mais espaço para os pulmões se expandirem. Sobre as contrações, continue com os exercícios de respiração e relaxamento, talvez ficar até uns 30 minutos na banheira com água morna também pode aliviar bastante.
- Pensei que essas contrações pudessem as culpadas pela insônia e todo o resto. – revelou Henrique.
- Podem também, mas não diretamente, creio eu. Com relação ao inchaço e a dificuldade de caminhar, vamos fazer o seguinte, tente fazer apenas alguns exercícios de alongamento leves durante as próximas duas semanas e procure ficar o mínimo possível em pé. Vamos ficar o mais confortáveis e relaxados possível, ok? – o casal concordou. – Muito bom, agora vamos ver como as coisas estão no ultrassom e nos preparar para as próximas duas semanas. Já se prepararam para o dia 22?
- Tudo pronto, só falta o menininho aqui dar o ar da graça. – Henry sentiu o filho mexer na barriga. Acariciou a barriga – É, você mesmo.
Dr. Bells começou o exame de ultrassom como de costume, medindo o pequeno Owen, avaliando os batimentos cardíacos, posicionamento e movimentação dele.
- As últimas parciais antes do nascimento desse gurizinho: papai Henry e papai Mack, eu estou com 48,7 centímetros, e quase 3 quilos, dois e novecentos para ser mais exato. Eu gosto muito de chupar meu dedinho. – mostrou o bebê na tela e deu para ver perfeitamente ele com o dedo na boca. – Já estou na posição que deveria mesmo para sair e...
Deu uma pausa e ficou avaliando uma estrutura nova que não tinha reparado antes.
- Acho que nós demos uma nova evoluída no seu “útero”, Henrique... está vendo isso aqui? – apontou para um canal que estava ligando o novo órgão à sua uretra. – obviamente não é suficiente para a passagem do bebê e nem está em uma posição favorável para que ele passe, mas estou bem inclinado a concluir que seria para te alertar quando o saco amniótico se romper, e sendo isso é ótimo! Caso aconteça de entrar em trabalho de parto antes do tempo a gente vai saber.
- E como vou saber diferenciar esse líquido amniótico do xixi?
- Normalmente o líquido em geral é incolor e não tem cheiro, mas pode ter um odor meio adocicado. E você pode facilmente confundir com a urina dependendo de como acontecer e aparentemente por onde deverá sair. Observe com cuidado, provavelmente vai ser algo que acontecerá sem você sentir qualquer vontade de urinar, talvez um leve estalo como um balão de festa estourando na barriga, vai ser de repente e pode ser que seja seguido de contrações.
- Acho que estou começando a ficar meio que apavorado, doutor. – Maximus segurava a mão de Henrique a apertou suave e carinhosamente.
- Se eu estivesse no seu lugar eu já estaria apavorado desde o primeiro dia aqui no consultório, lembra? Maximus estava apavorado, mas você parecia mais tranquilo que uma pessoa caminhando na praça em um delicioso dia de outono. – brincou. – Mas falando sério, tente ficar calmo, é fácil falar, eu sei. Tente relaxar, procure curtir o momento, não se preocupe muito com o que vai acontecer daqui a duas semanas, foque no agora: procure ficar confortável, tranquilo, não se esforce. Cerque-se de pessoas e situações positivas, e lembre-se sempre que esse bebê que está na sua barriga realmente está super saudável e feliz. NADA DE ESTRESSE.
Owen se mexeu na barriga e o ultrassom pegou o exato momento. Henrique ficou hipnotizado olhando para o filho no monitor.
- Agora o papo é sério, papais... vamos voltar para o consultório para repassarmos algumas instruções. – Henrique colocou, com a ajuda do marido, a camisa após retirar todo o gel condutor. Caminharam para o consultório novamente. – Então, repassando as instruções de forma resumida: nada de esforço, menos tempo em pé, exercícios só alongamentos sem esforço e relaxamentos, aproveite a banheiro morna algumas vezes por dia se tiver tendo cólicas e contrações, continue se alimentando bem, não pare com os suplementos e não tem problema continuar com seus florais, procure dormir com um travesseiro entre as pernas e de lado, preferencialmente do lado esquerdo para ajudar também na sua respiração e lembre-se que esse pequeno ser que está aí dentro está super saudável e sabe que você está cuidando muito bem dele.
- Perfeitamente. – Henrique prestava a atenção como se estivesse em uma sala de aula.
- A gente ainda não sabe como vai ser a questão da amamentação, mas vou passar algumas orientações de praxe para já irem se preparando. Muito importante, antes de mais nada: seu peito e seus mamilos, só os lave com água, a começar de já. Se sentir que está ficando ressecado, use um pouco do próprio leite, massageando, para hidratar a pele e só. Bem, nós homens não costumamos usar sutiã e nem é necessário, com relação aos possíveis vazamentos, separem algumas fraldas de tecido bem macias e os absorventes e coloquem por cima, nada além disso, não ponha pressão nem nada, de repente, para segurar no lugar, use esparadrapos antialérgicos, porém longe de onde o nosso pequeno irá colocar a boca, hein. E mantenha-se depilado, sem usar produtos agressivos ou com cheiro muito forte, use sabonetes líquidos, de PH neutro e preferencialmente sem cheiro, tipo glicerina.
- Acredita que ainda não tinha pensado em nada disso.
- Pois é, isso não me espanta, é um mundo novo para todos nós, mas vamos em frente e com o que a gente sabe, não é? O que não se aplicar a gente adapta. Terceira dica: tome sol no peito, nos mamilos por uns quinze minutos diariamente entre 7 e 10 horas da manhã ou após as 16 horas. Nesse caso, use uma camada bem fina de filtro solar nos peitos, mas não passe na região dos mamilos por motivos óbvios. Se você instintivamente já não está fazendo desde o quarto mês de gestação, trate de começar a fazer: massageie seu peito, umas duas vezes por dia, suavemente. E por último, não deixe seu peito sempre coberto, procure ficar até sem camisa mesmo algumas vezes por dia para evitar o surgimento de fissuras e infecções fúngicas. No nosso caso, como homens, isso não é muito problema, não é. Não tem problema deixar o peito de fora.
- Verdade. – sorriu Henrique.
- Bem... meu caros papais. Preparem-se, essa parte da jornada está quase no fim, e o próximo capítulo dessa história está prestes a começar. A partir de agora, qualquer coisa que você sinta fora do normal, não pense duas vezes, ligue para mim ou para o Dr. Kross. Por favor, não deixem de entrar em contato. Todo cuidado é pouco e estamos chegando no momento mais esperado, mais feliz, porém o mais crítico. – O médico devolveu a Maximus o flashdrive como de costume após a consulta, com as imagens, e laudo dele. – Vocês devem se internar no dia anterior, correto?
- Sim. Para evitar surpresas.
- Mantenha essa pasta. – entregou uma pasta com alguns papeis importantes. – dentro da bolsa da maternidade e entregue na recepção no momento que fizerem o seu check-in. São laudos, histórico e imagens de toda a evolução. O envelope está lacrado e eu já deixei o pessoal do hospital instruído a não abrir o envelope sob nenhuma circunstância.
- Eles também assinaram o termo, Doutor.
- Vocês já são adiantados mesmo, hein? Bem, acho que terminamos por hoje. Não se esqueçam, qualquer sintoma novo ou mais forte não deixe de me procurar a qualquer hora do dia ou da noite, não fiquem com vergonha, pode ser que haja alguma complicação e não queremos problemas nem para o papai Henrique e nem para o bebê Owen, correto?
Os dois assentiram com a cabeça.
- Ótimo. Tudo correndo bem, e vai correr bem, nos vemos daqui a duas semanas. – Dr. Bells segurou as mãos de Henrique com carinho e disse olhando nos olhos dele. – Eu estou aqui para o que precisar, meu querido. Não sou apenas seu médico, sou amigo de vocês.
- Por falar nisso, Robert... – Maximus retirou da pasta o contrato de confidencialidade dele e rasgou na sua frente. – Confiamos em você.
- Uau! Isso foi inesperado.
- Não tem sentido mantê-lo sob esse contrato, já que é nosso amigo. – completou Henrique com um sorriso largo e cansado no rosto.
Depois de atender oito pacientes a única coisa que eu queria era um donut de pão de mel da Claire, um chocolate quente com caramelo salgado e muito chantilly e uma banheira com sais relaxantes.Espero que Owie já tenha gasto toda energia com Kurama, Pan e Maxie. Hoje eu preciso muito descansar.- Olááááá queridooo! – Claire saiu de trás do balcão e veio me abraçar como de costume.- Meu anjo... preciso do meu kit especial de relaxamento. – ela já me entendia, sabia exatamente aos itens que me referia.- Vai levar algo pro Mack e pro Mini-Mack?- Olha só ele é mais parecido comigo do que com Maxie, ok?- Se você diz... – ela fez um muxoxo. – seu ciumento!- Acho que vou levar as mesmas coisas de sempre pra cada um.- Posso trocar uma coisa pro meu sobrinho lindo?- Quando é que você
PARTE III52 semanas depois⚝CAPÍTULO 25Os convidados já chegavam, Henrique conversava animadamente com Kaito, Nicholas e Philip, enquanto Maximus ainda estava no andar de cima trocando o pequeno Owen.- Filho, ajuda papai aqui. – estava tendo dificuldades para colocar a roupinha nele. Estava mais agitado que o normal.- Papa.Maximus simplesmente congelou.- Papa?! Você falou papa?! – pegou Owen no colo e o elevou no alto animado, o pequeno começou a gargalhar, ele adorava quando Mack fazia isso. – Papa!- Papa. – e ria.Como eles estavam demorando para descer, Henrique foi ver o motivo da demora. Subiu as escadas e ouviu as gargalhadas deliciosas do filho.- Posso saber o motivo da demora dos senhoritos? – Imediatamente o pequeno estendeu os braços para que Henry o pegasse.- Olha só isso... Owie...
Maximus acordou no momento que traziam Henrique para o quarto. Se aproximou do marido depois de transferirem ele para o leito do quarto. Se olhavam com carinho.- Eu sei que você não pode falar ainda, mas eu preciso de dizer uma coisa: eu te amo mais que tudo e nunca fui tão feliz na minha vida. Não consigo imaginar minha vida sem você e agora sem o pirralhinho que acabou de chegar. – Deu um beijo em sua testa e ficou fazendo cafuné nele até ele adormecer novamente.A enfermeira chegou minutos depois com o bebê, já limpo e enroladinho na manta. Mack pegou o filho no colo e levou até o marido. Henrique queria falar, expressar tudo o que estava sentindo. Mas foi fortemente advertido para as consequências.Admirava cada curvinha do filho, os lábios e o biquinho característico da família, as bochechinhas fofíssimas, o narizinho, orelhinhas e mãozinhas mi
Henrique estava sentado na poltrona, com ela virada para a movimentação frenética da casa. Sua mãe, seu recém-chegado pai e seu marido iam de um lado para outro pegando coisas em lugares diferentes, passando instruções uns para os outros.Ele achava graça de tudo.- Parecem formigas quando alguém mexe no formigueiro. Olha só Owen. – sussurrou para a barriga, levantando a camisa. – Acho que esqueceram que estamos aqui.Do lado de fora estava uma chuva fina e Maximus já tinha ligado para o hospital uma centena de vezes para confirmar se já estava tudo pronto para recebê-los. Helena acabava pedindo para ele ligar novamente quase que minutos depois, ela estava tão desbaratada que já tinha tirado e recolocado as coisas nas duas bolsas da maternidade várias vezes cismando sempre no final que estava faltando algo, que na verdade já tinha col
À medida que os dias passaram depois do último exame, o choque de realidade bateu em Henrique com força. Ele estava uma pilha de nervos, não a ponto de esbofetear quem passasse na sua frente, mas de tensão, ansiedade e medo.Muito por causa de um sonho que teve por estar tendo contrações sem qualquer abertura para a saída do bebê e ele apavorado por estar longe de tudo, sem ninguém por perto.Esse pesadelo o perseguiu por vários dias seguidos e em segredo. Mas tanto Maximus quanto Helena sabiam que algo não estava bem, porém respeitavam o espaço de Henry, que passou a ficar a maior parte do tempo no quarto do bebê, ironicamente era o único ambiente onde ele conseguia manter a mente afastada desse medo.E olhar para a réplica do bebê embrulhada em uma fralda estampada com filhotes de unicórnios o tranquilizava.Ficava reimaginan
- Meu Deus! Olha o tamanho dessa barriga! – Helena estava ao mesmo tempo admirada e assustada. Seu filho nunca teve o físico fora de forma, sempre praticando musculação, sempre em dieta planejada e percentual de gordura corporal abaixo dos 5%. – Só assim para te ver relaxar com o corpo.Pagou o motorista do Lyft, que gentilmente colocou as três malas grandes no hall de entrada da casa.- Oi, mamãe. Como foi de viagem? – estava com o humor no pé.- O voo foi tranquilíssimo, embora eu não tivesse conseguido pregar o olho sequer uma vez, e ter que fazer conexão em Miami. Deu, pelo menos, para terminar o livro que eu estava lendo. Que carinha é essa, hein?- Sei lá... sabe quando você acorda e tem a impressão de que não devia ter saído da cama? Por favor, não comece achando que é por sua causa, porque não é