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CAPÍTULO 24

Author: Alex Mello
last update publish date: 2021-10-23 11:20:29

Maximus acordou no momento que traziam Henrique para o quarto. Se aproximou do marido depois de transferirem ele para o leito do quarto. Se olhavam com carinho.

- Eu sei que você não pode falar ainda, mas eu preciso de dizer uma coisa: eu te amo mais que tudo e nunca fui tão feliz na minha vida. Não consigo imaginar minha vida sem você e agora sem o pirralhinho que acabou de chegar. – Deu um beijo em sua testa e ficou fazendo cafuné nele até ele adormecer novamente.

A enfermeira chegou minutos depois com o bebê, já limpo e enroladinho na manta. Mack pegou o filho no colo e levou até o marido. Henrique queria falar, expressar tudo o que estava sentindo. Mas foi fortemente advertido para as consequências.

Admirava cada curvinha do filho, os lábios e o biquinho característico da família, as bochechinhas fofíssimas, o narizinho, orelhinhas e mãozinhas miúdas. O cabelinho fininho e loiro bem claro como do pai. Tinha o formato dos olhos de Henrique e o queixinho de Mack. Ambos traçavam alternadamente cada traço do rostinho do bebê com os dedos.

De todos os adjetivos possíveis, tinham três que não saíam da mente de ambos os pais: lindo, perfeito e apaixonante.

Enquanto ele mamava, Mack acariciava o marido.

As avós revezavam com o pequeno Owen no colo e os papais achavam graça. As duas não desgrudavam e riam de histórias de quando tiveram seus filhos. Helena tinha uma desvantagem em histórias, pois tinha tido somente Henrique, enquanto Justine tinha tido três.

Foi o primeiro dia que o pai de Henry relaxou completamente e curtiu tanto o filho quanto o neto. O que mais surpreendeu a todos foi como o bebê era calmo e reclamava pouquíssimo, só quando realmente estava com fome. Bastava ir para o colo de um dos pais que ele praticamente dormia.

Estava apenas a algumas horas do lado de fora da barriga de Henrique e já tentava abrir os olhos. Revelando duas bilhas cinza-claros.

Julian Kross e Robert Bells vinham ao quarto de tempos em tempos até que Maximus saiu com ambos do quarto por alguns instantes.

- Muito obrigado a vocês. Eu nem consigo imaginar o quanto vocês estiveram tensos como nós com essa situação toda e com a pressão que colocamos em vocês com o termo de confidencialidade.

- Eu entendo, Maximus. – começou Julian. – Sei que é uma situação absolutamente nova, e ter acima disso tudo mídia, curiosos, fanáticos religiosos. Isso ainda traria mais pressão para a gravidez. Acho que agiram corretamente, visto que o pequeno Owen nasceu forte, saudável e feliz. E a honra é minha em ter sido escolhido para ser aquele que vai acompanhar o crescimento dele e de vocês.

- A gente já tinha feito isso pelo Dr. Bells, e agora é sua vez, Julian. – Maximus pegou o contrato e picotou na frente do pediatra. – Aproveito para dizer a vocês que, é uma decisão nossa que, caso vocês queiram divulgar algum estudo ou artigo sobre a nossa gravidez, claro que sem dar nomes, fiquem à vontade.

- Tem certeza?

- Claro, Rob. Não tem problema mesmo, e se quiserem fazer alguns testes com a gente para fundamentar a pesquisa de vocês, podem nos chamar, teremos o maior prazer em ajudá-los no que pudermos. – abraçou o médico. – Mas o mais importante é que somos eternamente gratos pelo carinho e cuidado desde o primeiro dia, vocês são parte da nossa família.

Deu a cada um uma lembrança.

- Isso é covardia! – reclamou Julian. – Eu sou uma manteiga derretida.

Retornaram para o quarto, Owen estava mais uma vez mamando.

- Por mais que seja estranho ver um homem dando de mamar, ver meu cunhado com meu sobrinho é algo surreal demais. – Adam passou o braço em volta dos ombros do irmão. – meus parabéns, irmão. Esse moleque já veio pra chacoalhar tudo.

- E você, como está? Justin já está quase vindo também. – apontou para a barriga da cunhada.

- Cara! Eu tô numa tensão só. Como você passou por isso?

- Minha força está ali, deitado naquela cama, segurando meu segundo centro gravitacional. – Henrique procurou rapidamente pelo marido, e sorriu para ele. Olhar profundamente cansado, mas que emanava felicidade pura e absoluta.

- Prontos para ir pra casa, família? – Dr. Bells assinou o prontuário. Depois de dois dias inteiro de internação e observação, tanto o bebê quanto Henrique estavam evoluindo e se recuperando perfeitamente.

- Não vejo a hora de dormir na minha própria cama. – Henry estava ansioso por chegar em casa. – E apresentar esse mocinho ao quarto dele.

Depois de todos os procedimentos de liberação, chegaram ao carro. Henrique não queria se separar de jeito nenhum do filho e foi no banco de trás junto com ele. Maximus teve que ir dirigindo sozinho na frente.

- Já está todo mundo lá em casa, não é?

- E você esperava diferente? – riram. – Literalmente todo mundo está lá, mas se estiver muito cansado eu peço pro pessoal maneirar.

- Eu vou ter que ficar na cama de qualquer forma, não posso ficar sentado ainda, né?

- Tenho uma surpresa para você quando chegarmos em casa.

- Nem pense em me manter em suspense. Pode tratar de falar.

- Troquei nossa cama para uma com controle de inclinação individual, vai ser como ter uma cama que eleva tanto a cabeça quanto as pernas, como a do hospital, só que muito mais confortável. Vai te ajudar muito durante a recuperação.

- Alguém andou pesquisando, é? – sorriu para Maximus pelo espelho retrovisor.

- Tudo para os meus meninos.

- A ficha já caiu para você? Eu ainda acho que estou sonhando e que a qualquer momento vou acordar e descobrir que nada disso é verdade. Imagina só: engravidei, os nove meses mais malucos que já tive, estou sentindo um amor tão imenso que... – olhou para o filho e para Maximus. – às vezes me pego pensando: se estou em coma por conta de algum problema, não me permita nunca acordar, não quero me decepcionar com a realidade.

- Não se preocupe, meu amor. Tenho o mesmo sentimento. Mesmo depois das crises de insegurança, de medo, de ansiedade, de pânico, de preocupação... te digo, se tivesse que passar por tudo isso de novo, passaria sem nem precisar pensar.

- Eu também. Olhar para esse anjinho, tão parecido com você.

- Tá falando o quê?! Ele é a sua cara.

- Tirando o fato de que eu não sou loiro e não tenho olhos claros. – zombou.

- Certo, mas é sua versão loira e de olhos cinza. Aposto que se pegarmos fotos suas de quando bebê vamos descobrir que Owen é sua cópia.

- Posso ser honesto? Acho que ele é misturado demais. Tem muito de nós dois.

- Desde que tenha pego as características mais bonitas de cada um.

- Nosso filho é lindo, Maxie.

Mack ajudou Henry a sair do carro, lentamente e ambos viram o coiote do outro lado do terreno, olhando para eles. Se entreolharam. Maximus pegou Owen delicadamente entregou para o marido e ambos mostraram para o místico companheiro protetor.

Maximus se ajoelhou deixando o moisés com o bebê no chão. O coiote se aproximou, cheirou o bebê, colocou uma de suas patas por cima das mantas e olhou para o casal. Fez uma reverência e caminhou para dentro da reserva.

Ao longe ouviram um uivo.

“Obrigado, Kitchesmanetoa.” – ambos pensaram ao mesmo tempo.

Henry e Mack se beijaram e entraram em casa, sendo recebidos pela família inteira.

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