Home / All / HENRY & MACK / EPÍLOGO

Share

EPÍLOGO

Author: Alex Mello
last update publish date: 2021-10-23 11:22:13

Depois de atender oito pacientes a única coisa que eu queria era um donut de pão de mel da Claire, um chocolate quente com caramelo salgado e muito chantilly e uma banheira com sais relaxantes.

Espero que Owie já tenha gasto toda energia com Kurama, Pan e Maxie. Hoje eu preciso muito descansar.

- Olááááá queridooo! – Claire saiu de trás do balcão e veio me abraçar como de costume.

- Meu anjo... preciso do meu kit especial de relaxamento. – ela já me entendia, sabia exatamente aos itens que me referia.

- Vai levar algo pro Mack e pro Mini-Mack?

- Olha só ele é mais parecido comigo do que com Maxie, ok?

- Se você diz... – ela fez um muxoxo. – seu ciumento!

- Acho que vou levar as mesmas coisas de sempre pra cada um.

- Posso trocar uma coisa pro meu sobrinho lindo?

- Quando é que você não pode? – revirei os olhos e ela colocou na caixa dos donuts um recheado diferente. – Se isso deixar ele ligado no 440 volts, vou m****r ele pra dormir na sua casa hoje! E sabe que ele não dorme sem Kurama e sem Pan, então é pacote completo.

- Relaxa, esse é para criança mesmo, pouco açúcar, mas muito sabor, ele vai amar, você vai ver.

- Espero.

- Já, já seu chocolate quente fica pronto. Sentaí, enquanto isso... – ela veio com uma bandeja com alguns testes de novas guloseimas. – experimenta e me diz o que achou.

- Eu tenho cara de cobaia por acaso?!

- E você realmente espera que eu te responda? – a gente se provocava o tempo todo.

- Tá certo.

Meu pequeno parecia ter um sonar além dos cinco sentidos de um ser humano normal. Bastava eu entrar na nossa rua que ele já corria para a porta, acompanhado pelos seus dois fiéis escudeiros que, como Dr. Kross tinha falado que aconteceria, mudaram a devoção deles integralmente para Owen. E em seguida vi, Maximus sentado no degrau da varanda de olho neles.

“Como eu amo a minha família.” Pensamento que sempre vinha quando os via na porta para me receber.

Estacionei o carro com calma e bastou sair do carro para ser atacado pelo pequeno Lopes-Fuller.

- Dada!

- Meu amor! Que saudade! – ele me escalava como se fosse um gato, eu não precisava me agachar para pegá-lo no colo. – Você se comportou hoje?

Essa pergunta sempre provocava uma reação tão fofa nele que eu sempre queria uma foto. Ele franzia a testa e colocava o dedinho na covinha que fazia na bochecha, mostrado estar pensativo.

- Me comportei sim, dada!

- Posso perguntar pro papa?

- PAPA! Eu não me comportei hoje?

- Sim, meu filhote, se comportou muito bem! – Maximus chegou em seguida e me deu um beijo de tirar o fôlego. – Como foi seu dia?

- Agora está tudo ótimo. Estou com meus quatro meninos. – Owen viu a caixa da confeitaria da Claire e já se animou.

- Titia C... o que tem pra mim, dada?

- Só depois do jantar, rapazinho. Tem que comer tudo.

Coloquei ele no chão, abri a porta e pedi para que ele levasse a caixa com cuidado para a cozinha. Acenei para os Miller do outro lado da rua. Nicholas e Philip estavam em São Francisco para algumas partidas na costa oeste.

Quando me virei para trancar o carro, eis que eu e Maximus nos deparamos novamente com o nosso anjo protetor, o coiote branco de orelhas e rabo ruivos.

- Olá. – e o saudei. Maximus também tinha o hábito de cumprimentá-lo também. E depois se viraram para entrar em casa.

- Toda vez que você passa na Claire e traz donut de pão de mel e chocolate quente, significa que quer ficar de molho na banheira, Gabe. Te conheço.

- Quero mesmo.

Larguei a bolsa no criado mudo, junto com as chaves de casa e do carro e senti o cheiro do jantar que seria divino, se não tivesse me embrulhado o estômago. Mas não achei que fosse algo demais.

Ao olhar para a sala, lá estava nosso filho, agora com seis aninhos, deitado no chão, desenhando alguma coisa com Kurama deitado e encostado nele e Pan enroscado no sofá olhando para os dois.

- Não me canso de ver essa cena.

- Nem eu.

- O que você fez pro jantar hoje?

- Está com um cheiro ótimo, né? – Henrique forçou um sorriso.

- Não... jura que tá ruim assim?! Eu provei e tudo, está ótimo!

- Não é isso, Maxie... eu... – absorvi o cheiro à caminho da cozinha novamente, fiz um cafuné na cabeça de Pan e tive que correr para o banheiro.

Fiquei alguns minutos ali, colocando para fora o lanche da tarde e ainda sentindo o gosto do almoço.

“Deprimente isso...” pensei.

E voltei a ficar enjoado com o cheiro da comida.

“Tadinho do Maxie... o cheiro é ótimo, mas...”

De alguma forma consegui subir as escadas até nosso quarto e a paranoia do enjoo voltou a bater. Durante todos esses seis anos, toda vez que eu ficava enjoado já achava que estava grávido de novo e pedia para Maximus comprar testes de gravidez para comprovar.

Na verdade, eu duvidava que esses testes tradicionais pudessem realmente funcionar comigo, afinal eu sou homem. Por vezes ainda tentava processar o que tinha acontecido para ter engravidado de Owen. E sempre dizia para mim antes de cada teste...

“Se tiver que passar por tudo de novo, passaria sem pestanejar.” Sei que a gente tem que ter cuidado com o que deseja, mas se é inevitável não adiantaria remar contra a maré. Chego até a imaginar um irmãozinho ou irmãzinha brincando com Owen e ele cuidando dele ou dela.

Procurei nos armários do banheiro e por sorte, ou azar, consegui encontrar um remanescente do último enjoo que tive uns oito meses atrás. Urinei no maldito cartucho e me enfiei na banheira, largando o teste em cima da pia.

Não sei quanto tempo se passou, mas despertei na banheira com Maximus sentado na privada fechada com as duas mãos no rosto apoiado nas pernas.

- Amor?!

Ele esticou para mim o teste de gravidez.

- Meu Deus...

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • HENRY & MACK   EPÍLOGO

    Depois de atender oito pacientes a única coisa que eu queria era um donut de pão de mel da Claire, um chocolate quente com caramelo salgado e muito chantilly e uma banheira com sais relaxantes.Espero que Owie já tenha gasto toda energia com Kurama, Pan e Maxie. Hoje eu preciso muito descansar.- Olááááá queridooo! – Claire saiu de trás do balcão e veio me abraçar como de costume.- Meu anjo... preciso do meu kit especial de relaxamento. – ela já me entendia, sabia exatamente aos itens que me referia.- Vai levar algo pro Mack e pro Mini-Mack?- Olha só ele é mais parecido comigo do que com Maxie, ok?- Se você diz... – ela fez um muxoxo. – seu ciumento!- Acho que vou levar as mesmas coisas de sempre pra cada um.- Posso trocar uma coisa pro meu sobrinho lindo?- Quando é que você

  • HENRY & MACK   PARTE III ::: CAPÍTULO 25

    PARTE III52 semanas depois⚝CAPÍTULO 25Os convidados já chegavam, Henrique conversava animadamente com Kaito, Nicholas e Philip, enquanto Maximus ainda estava no andar de cima trocando o pequeno Owen.- Filho, ajuda papai aqui. – estava tendo dificuldades para colocar a roupinha nele. Estava mais agitado que o normal.- Papa.Maximus simplesmente congelou.- Papa?! Você falou papa?! – pegou Owen no colo e o elevou no alto animado, o pequeno começou a gargalhar, ele adorava quando Mack fazia isso. – Papa!- Papa. – e ria.Como eles estavam demorando para descer, Henrique foi ver o motivo da demora. Subiu as escadas e ouviu as gargalhadas deliciosas do filho.- Posso saber o motivo da demora dos senhoritos? – Imediatamente o pequeno estendeu os braços para que Henry o pegasse.- Olha só isso... Owie...

  • HENRY & MACK   CAPÍTULO 24

    Maximus acordou no momento que traziam Henrique para o quarto. Se aproximou do marido depois de transferirem ele para o leito do quarto. Se olhavam com carinho.- Eu sei que você não pode falar ainda, mas eu preciso de dizer uma coisa: eu te amo mais que tudo e nunca fui tão feliz na minha vida. Não consigo imaginar minha vida sem você e agora sem o pirralhinho que acabou de chegar. – Deu um beijo em sua testa e ficou fazendo cafuné nele até ele adormecer novamente.A enfermeira chegou minutos depois com o bebê, já limpo e enroladinho na manta. Mack pegou o filho no colo e levou até o marido. Henrique queria falar, expressar tudo o que estava sentindo. Mas foi fortemente advertido para as consequências.Admirava cada curvinha do filho, os lábios e o biquinho característico da família, as bochechinhas fofíssimas, o narizinho, orelhinhas e mãozinhas mi

  • HENRY & MACK   CAPÍTULO 23

    Henrique estava sentado na poltrona, com ela virada para a movimentação frenética da casa. Sua mãe, seu recém-chegado pai e seu marido iam de um lado para outro pegando coisas em lugares diferentes, passando instruções uns para os outros.Ele achava graça de tudo.- Parecem formigas quando alguém mexe no formigueiro. Olha só Owen. – sussurrou para a barriga, levantando a camisa. – Acho que esqueceram que estamos aqui.Do lado de fora estava uma chuva fina e Maximus já tinha ligado para o hospital uma centena de vezes para confirmar se já estava tudo pronto para recebê-los. Helena acabava pedindo para ele ligar novamente quase que minutos depois, ela estava tão desbaratada que já tinha tirado e recolocado as coisas nas duas bolsas da maternidade várias vezes cismando sempre no final que estava faltando algo, que na verdade já tinha col

  • HENRY & MACK   CAPÍTULO 22

    À medida que os dias passaram depois do último exame, o choque de realidade bateu em Henrique com força. Ele estava uma pilha de nervos, não a ponto de esbofetear quem passasse na sua frente, mas de tensão, ansiedade e medo.Muito por causa de um sonho que teve por estar tendo contrações sem qualquer abertura para a saída do bebê e ele apavorado por estar longe de tudo, sem ninguém por perto.Esse pesadelo o perseguiu por vários dias seguidos e em segredo. Mas tanto Maximus quanto Helena sabiam que algo não estava bem, porém respeitavam o espaço de Henry, que passou a ficar a maior parte do tempo no quarto do bebê, ironicamente era o único ambiente onde ele conseguia manter a mente afastada desse medo.E olhar para a réplica do bebê embrulhada em uma fralda estampada com filhotes de unicórnios o tranquilizava.Ficava reimaginan

  • HENRY & MACK   CAPÍTULO 21

    - Meu Deus! Olha o tamanho dessa barriga! – Helena estava ao mesmo tempo admirada e assustada. Seu filho nunca teve o físico fora de forma, sempre praticando musculação, sempre em dieta planejada e percentual de gordura corporal abaixo dos 5%. – Só assim para te ver relaxar com o corpo.Pagou o motorista do Lyft, que gentilmente colocou as três malas grandes no hall de entrada da casa.- Oi, mamãe. Como foi de viagem? – estava com o humor no pé.- O voo foi tranquilíssimo, embora eu não tivesse conseguido pregar o olho sequer uma vez, e ter que fazer conexão em Miami. Deu, pelo menos, para terminar o livro que eu estava lendo. Que carinha é essa, hein?- Sei lá... sabe quando você acorda e tem a impressão de que não devia ter saído da cama? Por favor, não comece achando que é por sua causa, porque não é

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status