LOGINHenrique estava sentado na poltrona, com ela virada para a movimentação frenética da casa. Sua mãe, seu recém-chegado pai e seu marido iam de um lado para outro pegando coisas em lugares diferentes, passando instruções uns para os outros.
Ele achava graça de tudo.
- Parecem formigas quando alguém mexe no formigueiro. Olha só Owen. – sussurrou para a barriga, levantando a camisa. – Acho que esqueceram que estamos aqui.
Do lado de fora estava uma chuva fina e Maximus já tinha ligado para o hospital uma centena de vezes para confirmar se já estava tudo pronto para recebê-los. Helena acabava pedindo para ele ligar novamente quase que minutos depois, ela estava tão desbaratada que já tinha tirado e recolocado as coisas nas duas bolsas da maternidade várias vezes cismando sempre no final que estava faltando algo, que na verdade já tinha colocado na bolsa desde o início.
E Dr. Gustavo apenas repassava, em seu tablet, todos os últimos exames do filho e do neto. Ultrassons de Owen e exames de sangue, fezes, urina de Henrique. Tudo estava mais que normal, mesmo assim ele queria se certificar de que tudo realmente estava dentro do esperado. Andava de um lado para o outro murmurando e gesticulando.
Enquanto isso Henrique continuava sentado, com calça do pijama, camiseta de malha levantada acima da barriga e uma camisa de pijama de botão aberta por cima. Pernas apoiadas no pufe da poltrona da sala e um gigantesco squeeze cheio de água na mesa ao lado.
Olhou para o relógio, faltava apenas cinco minutos para o horário que tinham programado saírem para o hospital e nenhum dos três dava sinal de parar o que estavam fazendo, quando Henry assobiou alto tirando todos do transe.
- Meus amores, acho que essa confusão já deu, né? Está dando tontura até no Owie-baby aqui. – fez carinho na barriga. – Deixa eu organizar essa balbúrdia. Mamãe, coloca a pasta dos exames de volta na minha bolsa, fecha tudo e coloca no carro. Se tiver faltando alguma coisa um de vocês pode voltar para buscar ou passa numa loja ou farmácia próxima do hospital para comprar o que falta.
- Mas...
- Da. Helena Lopes, por favor, sem ‘mas’. – Virou-se para o pai e para o marido. – Vocês dois, me ajudem a ir para o quarto me trocar e depois, papai, pode colocar o carro um pouco mais próximo da entrada para que eu não tenha que andar tanto... depois, por gentileza... se acalmem, tomem um chá se for preciso.
Gustavo e Maximus ajudaram Henrique a chegar no quarto e o pai saiu.
- Você inventou essa história do carro, não foi?
- Claro que foi. Preciso manter o foco deles e o seu em alguma coisa. Vocês todos estão mais tensos que eu. Vamos, me ajuda a tirar essa roupa e colocar o pijama novo.
Maximus tirou as duas peças superiores, a faixa de fralda de tecido do peito, a calça e a cueca de Henrique, deixando ele completamente nu e parou por um instante, se afastando para olhar.
- Estou horrível... eu sei. – brincou o grávido. Imediatamente Maximus pegou seu celular e tirou algumas fotos do marido.
Se olhou no espelho e, seu rosto não tinha mudado nada. O cabelo estava bem maior, mas também não o cortava desde quando a barriga começou a ficar maior. Seu peitoral estava mais inchado. As pernas não estavam mais tão musculosas como o de costume, estavam inchadas, bem como seus pés. Apesar de se sentir totalmente disforme, não se achou feio.
Havia falado da boca pra fora. Um charme apenas para chamar a atenção do marido e ouvir novamente o que ele adorava ouvir de Maximus.
- Eu diria exatamente o contrário. Não podia existir grávido mais lindo em todo o universo. – se beijaram e o pequeno mexeu na barriga.
- Olha só, meu rapazinho, antes dele ser seu pai é meu marido, então não tente competir com isso. – acariciou a barriga onde o bebê havia se mexido.
Maximus foi até a cômoda pegar uma cueca boxer bem confortável para Henrique.
- Não... sem cueca. Estou me sentindo apertado o suficiente com essa faixa no peito e vão acabar tirando mesmo quando chegarmos lá.
Trocaram a fralda e os absorventes do peito. Colocou a calça, calçou as pantufas. Em seguida colocaram uma camisa de malha cinco vezes o tamanho natural dele e a camisa do conjunto do pijama de botão por cima sem abotoar.
- Pronto? – perguntou Maximus.
- Acho que sim.
- Que bom, porque eu não estou. – mostrou as mãos tensas.
- Maxie?! Calma, meu amor... você vai acabar tendo um troço. – viu que algumas lágrimas rolavam do rosto dele. – Vem cá.
Ficaram abraçados até que Maximus se recuperasse, os dois acariciando a barriga ao mesmo tempo. Foi um momento de amor que não cabia em lugar algum.
- Eu amo vocês, meus meninos.
- Também amamos você, Maxie.
- Não vou conseguir sobreviver sem nenhum dos dois.
- Você não vai perder nenhum de nós. – segurou suavemente o rosto do marido e se olharam com ternura por alguns minutos em silêncio. – Vai ficar tudo bem, você vai ver.
Desceram as escadas calmamente. Gustavo foi ajudar com os últimos degraus e caminharam até o carro. Henrique sentou-se e viu do outro lado do terreno, perto da reserva o coiote que o acompanhava de vez em quando nas suas caminhadas.
Jurou que parecia estar sorrindo para ele, então sorriu de volta e jogou um beijo para o animal.
“Kitchesmanetoa, se puder, continue olhando por nós, ok?” – pensou.
Maximus não estava em condições de dirigir, Gustavo teve que pegar na direção. Atravessaram a cidade até o hospital, foram até a entrada dos fundos onde uma enfermeira e um maqueiro já esperavam por eles.
- Boa tarde, Sr. Fuller. – cumprimentaram o casal. – Prefere...
- Por favor! Mal consigo ficar em pé nesses últimos dias. – sorriu. Maximus e o maqueiro o ajudaram a sair do carro e sentar-se na cadeira de rodas.
- Eu vou até a recepção acertar a papelada. – Maximus deu um beijo no marido. – Já estarei com vocês.
- Estaremos te esperando. – sorriu.
A sensação dos quatro era de que cada minuto durava mais de um dia. Henrique já tinha se trocado para a vergonhosa camisola hospitalar, como ele mesmo a classificava, estavam ele e Mack deitados no confortável leito.
Enquanto Maximus jogava algo no console portátil para distrair a mente, Henrique tentava cochilar com a cabeça apoiada em seu ombro e as mãos por cima da barriga. Gustavo e Helena assistiam um programa qualquer na TV.
Passava das quatro da tarde quando Kaito chegou acompanhado de Nicholas e Philip, que traziam um embrulho para Henrique da confeitaria da irmã do atleta.
- Tá chegando! Nossa, como conseguem estar tão tranquilos.
- Estamos todos sob efeito de drogas pesadas, meu querido, não se iluda. – Henrique respondeu Kaito abrindo os olhos.
- Não estava dormindo? – Maximus se surpreendeu.
- Não consegui, mas a posição está tão confortável, então trate de não sair daqui.
- Minha bunda já está quadrada, mas vou fazer um esforço.
- Claire mandou trazer isso aqui para você. – Philip entregou a caixa e só de sentir o cheiro Henrique abriu um sorriso.
- Ela é terrível! – abriu a caixa e pegou um éclair de creme de confeiteiro. Seu predileto e passou a caixa para os outros. – Gente... isso é simplesmente perfeito.
- O médico já veio te ver? – Nick perguntou.
- A Dra. Millstone veio. Dr. Kross só virá amanhã e Dr. Bells só mais tarde. Está em um parto agora. – Maximus desligou o videogame e cumprimentou os três.
- E como vocês estão?
- Ansiosos, apavorados, agitados, aloprados, animados, abobalhados...
- É um monte de ‘A’. – brincou Kaito.
- Como foi a viagem, K?
- Foi ótima. Sora vai ficar esse ano letivo com Yuriko em Sendai.
- E você vai aguentar ficar longe dele esse tempo todo?
- Só por alguns meses, vou passar as férias lá.
Nicholas, Kaito, Philip e Helena começaram a decorar o quarto para o dia seguinte. Claire ficou de entregar os quitutes mais para perto da hora do nascimento que estava marcado para uma hora da tarde.
Os pais de Philip só chegariam no dia seguinte.
Ficaram todos entocados no quarto até um pouco além do final do horário de visitas. Gustavo e Helena voltaram para a casa do filho, prometendo retornar no primeiro horário no dia seguinte.
Maximus verificou a câmera de ação e a cápsula de proteção, cartão de memória. Tudo pronto para não perder nada durante o parto do filho. Perguntaram várias vezes se ele tinha problema com sangue, ele disse que não perderia absolutamente nada durante o procedimento.
- Maxie... – Henrique chamou sussurrando o marido, seu sono estava tão leve que se levantou assustado.
- Que foi, meu amor? Está sentindo alguma coisa? – Ao colocar os pés no chão, percebeu que estava molhado. – Isso é...
- Acho que sim.
- Já chamou a enfermeira?
- O botão está do outro lado, fiquei com medo de me mexer! – Maximus se levantou tempestivamente, apertou o botão da enfermagem, jogou a toalha que usou para se secar após o banho no chão e correu para o lado de fora, indo até o posto de enfermagem próximo.
A enfermeira estava indo na direção dele.
- Acho que a bolsa estourou. O chão estava todo molhado, ele ficou com medo de se mexer. – falou tudo tão rápido que e enfermeira apenas riu.
- Vamos lá ver como seus rapazes estão. – apressaram o passo.
Henrique permanecia imóvel na cama.
- Está sentindo mais alguma coisa?
- Nada fora do que já não estivesse acontecendo. – minutos depois Dr. Bells entrava no quarto. Mack havia mandado uma mensagem de texto para ele.
- Parece que acertamos em cheio na data, hein? – sorriu. Apalpou a barriga, auscultou ambos, tanto o bebê quanto Henrique. – Pode relaxar, Henrique. Está tudo bem com você e com o bebê. A bolsa estourou, mas aparentemente Owen está em uma posição que não está deixando sair todo o líquido. Marie, traga o ultrassom portátil, por gentileza.
- Já volto, Dr. Bells.
Fizeram uma checada rápida. O bebê realmente estava em uma posição impedindo a passagem do líquido.
- Viu. Pode se mexer tranquilo. Vamos ficar monitorando vocês mais de perto agora e já vou m****r preparar o centro cirúrgico. – o médico ligou para o centro cirúrgico e solicitou que alguma enfermeira interna viesse buscar a câmera e os acessórios de Maximus para serem esterilizados e ordenou que ficassem de sobreaviso.
Henrique começou a sentir algumas contrações um pouco mais fortes, mas nada que ainda merecesse um destaque mais forte.
- Mantenha a respiração, e procure ficar calmo. Está tudo bem. Vou ficar aqui no posto de enfermagem, qualquer coisa pode apertar o botão que eu venho te acompanhar.
- Obrigado, Robert.
- Imagina. Estamos todos juntos nessa parada.
A sala de espera estava atipicamente cheia para o casal: os pais de Henrique, os pais de Maximus, Kaito, Nicholas e Philip, Claire. Até os pais de Nicholas e de Philip estavam presentes.
Henrique permitiu que eles contassem para seus pais, não fazia mais sentido segurar a informação para as pessoas mais próximas.
Conversavam animadamente e descontraidamente.
Enquanto isso, o casal já no centro cirúrgico. A anestesia já estava fazendo efeito, Henry já não sentia mais nada da cintura para baixo. Maximus filmava e fotografava, o seu novo hobby sendo utilizado da forma mais pura. Pegando detalhes que ninguém costuma registrar: uma enfermeira descontraída arrumando instrumentos e medicamentos com outra em uma bandeja. Os médicos conversando e sendo preparados por suas auxiliares. Seu marido de olhos fechados, mantendo a respiração em um mesmo compasso para não entrar em pânico.
Parou por um instante para assimilar tudo, deixando a câmera em cima da uma bancada.
Olhou para Henrique, seu marido. Percebeu por um instante, um instante que durou uma eternidade para ele, que o amor que sentia por esse homem era algo que tomava seu interior e o fazia se sentir um homem melhor a cada dia.
Vê-lo ali, ao mesmo tempo vulnerável e forte como um leão fez crescer ainda mais sua admiração por ele. Se por um lado estava totalmente entregue nas mãos de pessoas “estranhas”, por outro se mostrava forte de determinado por estar trazendo ao mundo uma pequena vida que se tornaria o centro gravitacional de ambos.
Seus olhares se cruzaram por um segundo e o sorriso que Henry deu a ele quebrou as últimas barreiras de dúvidas. Ele agora sabia, bem no fundo, que tudo daria certo e que em breve estaria segurando em seus braços, de um lado seu marido e do outro seu filho.
Caminhou até Henrique, e o beijou. Seguro, doce, repleto de amor.
Dr. Kross pegou a câmera e registrou um momento belíssimo que se seguiu. Maximus estava sentado em uma banqueta regulável de metal, segurava a mão do marido, com a testa apoiada na de Henrique. Respiravam no mesmo ritmo. Deu um beijo em sua testa e sussurrou algo no ouvido do marido que sorriu tenso.
As enfermeiras colocaram uma antepara entre o peito e a barriga de Henrique para que não o assustasse com a cirurgia e depois de realizarem os últimos procedimentos e checagens, Dr. Bells e Dr. Kross foram até o casal e comunicaram o início da cirurgia.
Julian colocou uma música bem suave e iniciaram a cesariana.
Philip começou apenas por fotos, muitas delas apenas de Henry ou dos dois em selfies, até os médicos faziam poses eventuais apenas para descontrair o ambiente.
Henry sentia algumas puxadas e pressões durante a cirurgia.
- Phil, acho que agora você vai querer filmar isso. – anunciou o obstetra. Philip então se deslocou para a posição indicada por uma das enfermeiras, e viu a cabeça de Owen na abertura do “útero”. O médico gentilmente retirou o bebê e lá estava ele finalmente, o pequeno Owen Lopes-Fuller. Pequenino, ensanguentado e já se mexendo e dando o primeiro chorinho.
Henrique não conseguiu ver, mas chorou junto com o filho.
A emoção de Mack ver o filho foi tão grande que quase não conseguiu se conter. Sua vontade era de largar tudo e abraçar e proteger aquele serzinho miúdo e indefeso.
Julian verificou rapidamente o bebê, que respirava e se movimentava normalmente e então a enfermeira levou até o outro lado da antepara para que Henrique pudesse ver, pela primeira vez o filho.
A emoção foi instantânea. Os dois pais choravam vendo o pequenino, muito cabeludinho e loirinho como Maximus. Ambos o acariciavam, e quem teve que fotografar e filmar foi o pediatra.
Mack não parava de beijar Henry e acariciá-lo e ao bebê. Owen chorou apenas um pouco mais e com o carinho dos pais se acalmou um pouco.
- Nosso bebê. – sussurrou para Henry. – Nosso Owie. Owen, meu filhinho, papai Maxie tá aqui.
O pequenino parece ter entendido e abriu suavemente os olhinhos e pareceu sorrir. Foi a coisa mais linda de se ver. Maximus não conseguiu falar mais nada. Ria e ao mesmo tempo chorava de soluçar. Mais uma foto que ficaria eternizada.
- Parabéns rapazes. Vocês três estão maravilhosos. – Julian falou e posaram para a primeira foto de família. Henrique e Maximus sorrindo com lágrimas nos olhos e o pequeno de olhinhos fechados e empacotadinho.
Enquanto eram “distraídos” pelo recém-nascido, tinham optado por não retirar o novo órgão, e Dr. Bells terminava de retirar a placenta e fechar cada uma das camadas da barriga de Henrique.
Dr. Kross pegou o pequeno para fazer a pesagem, medição. Tudo batia de acordo com a evolução da gravidez.
- Papais, eu tenho cinquenta e dois centímetros e peso três quilos, duzentos e sessenta e quatro gramas. Sou uma coisa tão fofa que dá vontade de guardar num potinho. – falou Julian devolvendo o pequeno, desta vez para o colo de Maximus.
Ele o pegou com segurança. E novamente o bebê abriu os olhos para ele, mexendo as mãozinhas.
- Não vai fraquejar agora, homem. – brincou Bells, terminando de aplicar a cola cirúrgica e fazendo o curativo. Maximus riu sem tirar os olhos do filho e as lágrimas ainda rolando no canto dos olhos.
Henrique ficava olhando para os dois: o pai em pé, enamorado e hipnotizado pelo filho. Foi a imagem mais linda que ele já tinha visto na vida.
Queria que o tempo parasse para que pudesse gravar profundamente em sua memória.
“Meus meninos.” – pensou retomando o choro.
Encaminharam os papais, junto com o bebê para uma sala especial e foi então que Henrique teve a chance de amamentar o filho pela primeira vez. Seu peito estava bem cheio e firme.
- Quer tentar? Não fale, apenas acene. – Perguntou o pediatra. Henrique concordou. – Vou verificar como está a descida do leite então, ok? Pode parecer estranho de início, te garanto que vai ser para nós dois, mas vamos tentar não deixar isso afetar, certo? Seu filho precisa e você também.
O médico fez uma suave massagem nos dois peitos de Henrique que sentiu alguns incômodos quando pressionava e pinçava perto dos mamilos. Dr. Kross pegou uma bomba de sucção que tinham levado com eles na bolsa de maternidade e usou por poucos minutos apenas para estimular a descida e enfim o colostro começou a sair.
Posicionaram Owen e a pegada foi perfeita. Henrique fez uma expressão leve de dor.
- Está doendo muito? – ele negou e com a outra mão fez um sinal de mais ou menos. – Está mais para incômodo, né?
Ele concordou.
- Deve sentir isso nos primeiros dias, depois vai ser mais natural. Mas as sensações variam de pessoa para pessoa. – normalmente Julian faria alguma piada para descontrair, mas Henrique não podia rir ou falar, então teve que se controlar.
Henrique sentia apenas uma sensação de jato, e sentia a pressão interna do peito diminuir. Era um alívio na verdade e Owen era forte como o pai, a sucção e as gengivas pressionando o mamilo pareciam davam beliscões que às vezes doía, mas no geral a sensação parecia de esvaziamento.
Tanto um quanto o outro papai não tiravam os olhos do pequenino bebê. Maximus não parava de acariciar o rosto de Henrique que se derretia com as duas coisas, mesmo ainda sentindo algumas dores e incômodos.
A primeira mamada durou cerca de quarenta minutos e os médicos se surpreenderam com a quantidade de leite que tinha no peito de Henry, era a quantidade média de uma mãe saudável.
O tempo todo Henry e Maximus não tiravam os olhos do pequeno ser se alimentando. Estavam vidrados e impressionados em como as coisas ocorreram dentro do esperado. Mas mais que isso, nunca sentiram em suas vidas um amor tão imenso e tão poderoso, nem mesmo quando se conheceram anos atrás.
Robert Bells chegou perto dos pais tão logo o pequeno parou de mamar.
- Vamos deixar Henrique em observação pelas próximas duas horas aqui na sala de recuperação. Enquanto isso, pode ir apresentar o novo membro da família, te garanto que o pessoal está morrendo de curiosidade de ver o pequeno. Marie vai o acompanhar até o berçário.
A janela do berçário estava totalmente tomada com a família em peso. Além dos avós, dos tios postiços, seus pares e pais, chegaram os tios originais: Adam com Katherine e seu barrigão, e Sophie com Erik e a pequena Marie.
Quando finalmente Maximus apareceu por trás da cortina do berçário com o pequeno Owen no colo as avós desabaram. Marie gritava do outro lado o nome do priminho animadíssima, queria pegar ele no colo, chegou a largar a boneca-bebê que carregava.
A enfermeira que tinha o mesmo nome da sobrinha começou a tirar fotos e fizeram poses e mais poses para registrar esse momento tão especial. Até Maximus apontando para a barriga da cunhada.
Justine e William espalmaram as mãos no vidro, Maximus se aproximou e coloco a dele por cima. Se olharam e a felicidade transbordava pelos poros. Ao lado deles estavam Helena ainda se recuperando da emoção, abraçada com Gustavo que, apesar de sempre ter uma pose mais austera, mais centrada, também deixou as lágrimas rolarem naturalmente.
Passou perto de cada um dos familiares e amigos. Até chegar em Kaito, Nicholas e Philip. A emoção dos quatro: Maximus e dos amigos foi algo indescritível, principalmente Nick que viveu praticamente todo o processo. O atleta abraçou o namorado ainda mais forte.
- Phil...
- Eu também. – já sabia que Nicholas estava emocionalmente envolvido, mas não esperava que a vontade de ter um filho também aflorasse nele de uma forma tão avassaladora. Deu um beijo na testa de Nick, ainda sem tirar os olhos do pequeno Owen.
Pouco tempo depois Maximus se juntou à família na sala de espera especial que ficava em frente ao berçário. Recebeu abraços e parabéns de todos, obviamente se emocionou novamente quando seus pais o abraçaram.
- Como está se sentindo agora, papai? – perguntou William.
- Minha vontade era de ficar grudado nele o tempo todo lá dentro. – apontou para dentro do berçário. – E se pudesse me dividir em dois, estaria agora com Henry. Deve estar se sentindo tão só.
- Pode acreditar que ele pode até estar dando um cochilo agora, bem merecido diga-se de passagem.
- Verdade. Ele precisa. – deu uma bocejada.
- E por falar nisso, você também precisa. Por quê não vai para o quarto e deita lá enquanto Henrique ainda está em observação? Voltamos todos amanhã para visitar vocês, hoje não vai adiantar muito, Henrique não pode falar, nem rir. Vocês precisam se conectar nessas primeiras horas com o bebê. – Falou Gustavo. – Vamos pessoal?
Depois de atender oito pacientes a única coisa que eu queria era um donut de pão de mel da Claire, um chocolate quente com caramelo salgado e muito chantilly e uma banheira com sais relaxantes.Espero que Owie já tenha gasto toda energia com Kurama, Pan e Maxie. Hoje eu preciso muito descansar.- Olááááá queridooo! – Claire saiu de trás do balcão e veio me abraçar como de costume.- Meu anjo... preciso do meu kit especial de relaxamento. – ela já me entendia, sabia exatamente aos itens que me referia.- Vai levar algo pro Mack e pro Mini-Mack?- Olha só ele é mais parecido comigo do que com Maxie, ok?- Se você diz... – ela fez um muxoxo. – seu ciumento!- Acho que vou levar as mesmas coisas de sempre pra cada um.- Posso trocar uma coisa pro meu sobrinho lindo?- Quando é que você
PARTE III52 semanas depois⚝CAPÍTULO 25Os convidados já chegavam, Henrique conversava animadamente com Kaito, Nicholas e Philip, enquanto Maximus ainda estava no andar de cima trocando o pequeno Owen.- Filho, ajuda papai aqui. – estava tendo dificuldades para colocar a roupinha nele. Estava mais agitado que o normal.- Papa.Maximus simplesmente congelou.- Papa?! Você falou papa?! – pegou Owen no colo e o elevou no alto animado, o pequeno começou a gargalhar, ele adorava quando Mack fazia isso. – Papa!- Papa. – e ria.Como eles estavam demorando para descer, Henrique foi ver o motivo da demora. Subiu as escadas e ouviu as gargalhadas deliciosas do filho.- Posso saber o motivo da demora dos senhoritos? – Imediatamente o pequeno estendeu os braços para que Henry o pegasse.- Olha só isso... Owie...
Maximus acordou no momento que traziam Henrique para o quarto. Se aproximou do marido depois de transferirem ele para o leito do quarto. Se olhavam com carinho.- Eu sei que você não pode falar ainda, mas eu preciso de dizer uma coisa: eu te amo mais que tudo e nunca fui tão feliz na minha vida. Não consigo imaginar minha vida sem você e agora sem o pirralhinho que acabou de chegar. – Deu um beijo em sua testa e ficou fazendo cafuné nele até ele adormecer novamente.A enfermeira chegou minutos depois com o bebê, já limpo e enroladinho na manta. Mack pegou o filho no colo e levou até o marido. Henrique queria falar, expressar tudo o que estava sentindo. Mas foi fortemente advertido para as consequências.Admirava cada curvinha do filho, os lábios e o biquinho característico da família, as bochechinhas fofíssimas, o narizinho, orelhinhas e mãozinhas mi
Henrique estava sentado na poltrona, com ela virada para a movimentação frenética da casa. Sua mãe, seu recém-chegado pai e seu marido iam de um lado para outro pegando coisas em lugares diferentes, passando instruções uns para os outros.Ele achava graça de tudo.- Parecem formigas quando alguém mexe no formigueiro. Olha só Owen. – sussurrou para a barriga, levantando a camisa. – Acho que esqueceram que estamos aqui.Do lado de fora estava uma chuva fina e Maximus já tinha ligado para o hospital uma centena de vezes para confirmar se já estava tudo pronto para recebê-los. Helena acabava pedindo para ele ligar novamente quase que minutos depois, ela estava tão desbaratada que já tinha tirado e recolocado as coisas nas duas bolsas da maternidade várias vezes cismando sempre no final que estava faltando algo, que na verdade já tinha col
À medida que os dias passaram depois do último exame, o choque de realidade bateu em Henrique com força. Ele estava uma pilha de nervos, não a ponto de esbofetear quem passasse na sua frente, mas de tensão, ansiedade e medo.Muito por causa de um sonho que teve por estar tendo contrações sem qualquer abertura para a saída do bebê e ele apavorado por estar longe de tudo, sem ninguém por perto.Esse pesadelo o perseguiu por vários dias seguidos e em segredo. Mas tanto Maximus quanto Helena sabiam que algo não estava bem, porém respeitavam o espaço de Henry, que passou a ficar a maior parte do tempo no quarto do bebê, ironicamente era o único ambiente onde ele conseguia manter a mente afastada desse medo.E olhar para a réplica do bebê embrulhada em uma fralda estampada com filhotes de unicórnios o tranquilizava.Ficava reimaginan
- Meu Deus! Olha o tamanho dessa barriga! – Helena estava ao mesmo tempo admirada e assustada. Seu filho nunca teve o físico fora de forma, sempre praticando musculação, sempre em dieta planejada e percentual de gordura corporal abaixo dos 5%. – Só assim para te ver relaxar com o corpo.Pagou o motorista do Lyft, que gentilmente colocou as três malas grandes no hall de entrada da casa.- Oi, mamãe. Como foi de viagem? – estava com o humor no pé.- O voo foi tranquilíssimo, embora eu não tivesse conseguido pregar o olho sequer uma vez, e ter que fazer conexão em Miami. Deu, pelo menos, para terminar o livro que eu estava lendo. Que carinha é essa, hein?- Sei lá... sabe quando você acorda e tem a impressão de que não devia ter saído da cama? Por favor, não comece achando que é por sua causa, porque não é