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25: Distância queimando

last update publish date: 2026-09-04 00:05:22

Alguns dias depois, enquanto tentava manter a maior distância possível da mulher que carregava seu filho e sua ruína, Alessandro Vitale descobriu que nem a disciplina de quinze anos de guerra conseguia silenciar as lembranças do corpo dela sob o dele.

O escritório no segundo andar da mansão cheirava a tabaco, madeira escura e café frio. Alessandro estava sentado atrás da mesa de mogno, a manga da camisa preta dobrada sobre o curativo no ombro. Relatórios de território, nomes de informantes, ro
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  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   135: Devagar, Como se Tivéssemos Todo o Tempo

    — Você fala como se eu ainda pudesse ir embora.— Eu falo como alguém que sabe que você tem todo o direito de odiar metade do que eu sou — respondeu ele, a voz rouca de honestidade. — E mesmo assim escolhe ficar. Isso me destrói e me reconstrói todos os dias.O beijo que se seguiu foi diferente dos outros. Ainda havia urgência, ainda havia fome, mas havia também uma lentidão carinhosa, como se os dois quisessem memorizar o momento. Alessandro a beijou como se tivesse todo o tempo do mundo e, ao mesmo tempo, como se o mundo pudesse acabar no segundo seguinte. Isabella revidou, as mãos subindo até o cabelo dele, o corpo já respondendo ao calor e à proximidade. O gosto dele era familiar e novo ao mesmo tempo — tabaco, café e a intensidade de quem acabara de assinar o nome dela ao lado do seu. A língua dele explorava a dela com uma devoção quase religiosa, enquanto os dedos dela apertavam os fios escuros da nuca, puxando-o mais para perto, como se quisesse fundir os dois em um só.Quando

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   134: O pedido no ocaso

    As semanas que se seguiram à morte do espião no pátio de pedra foram marcadas por um silêncio diferente. Não era paz. Era a quietude densa de quem atravessou mais uma linha e agora carregava o peso dela sob a pele. Isabella sentia as mãos tremerem em momentos inesperados — ao segurar uma xícara, ao ajustar o travesseiro, ao tocar a curva cada vez mais evidente da barriga. Alessandro notava. Não comentava em voz alta. Em vez disso, beijava os nós dos dedos dela com a mesma deliberação daquela tarde, como se o gesto pudesse selar o que a voz dela ordenara e, ao mesmo tempo, acalmar o tremor que ainda restava.O bebê crescia forte. Os movimentos internos se tornavam mais nítidos, mais insistentes, e cada chute parecia lembrar a ambos que o tempo não esperava a guerra terminar. Às noites, Alessandro deitava a cabeça sobre a barriga dela e falava baixo, quase só para o filho ouvir. Palavras doces. Promessas simples. Às vezes só o som da respiração dele, constante, como se quisesse ensinar

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   133: A Escolha

    O silêncio no pátio interno da propriedade siciliana se alongou até se tornar quase insuportável. O sol da tarde descia devagar, lançando sombras longas sobre a pedra quente e sobre o corpo ajoelhado de Paolo, ainda amarrado com a corda grossa que Alessandro apertou com precisão. O suor escorria pelo rosto do homem, pingando no chão irregular. As mãos dele, presas atrás das costas, tremiam de forma visível. Isabella permanecia de pé a poucos metros de distância, a mão protetora sobre a curva firme da barriga, o anel de ouro brilhando sob a luz dourada. O coração batia com força demais. O bebê se movia dentro dela, empurrões insistentes que pareciam ecoar a tensão do momento. Alessandro não dizia nada. Apenas observava, os olhos cinzentos fixos nela, a postura ereta e paciente de quem realmente entregara a decisão e esperava o peso dela cair. Isabella sentia o olhar de todos — dos homens de Alessandro posicionados à distância, do espião ajoelhado, e principalmente do próprio Alessandr

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   132: Decisão

    As semanas na Sicília passaram com a lentidão enganosa de um lugar que parecia existir fora do tempo. A propriedade isolada engolia os dias entre o calor seco das tardes, o cheiro constante de terra quente, alecrim e uva madura, e a vigilância silenciosa dos homens que Alessandro trouxera consigo. Isabella sentia o corpo mudar de forma irreversível. A barriga crescia mais evidente a cada manhã, o bebê se movia com força crescente — chutes deliberados, giros que ela acompanhava com a palma da mão —, e as noites quentes se tornaram uma memória sensorial que ainda impregnava a pele quando o vento soprava certo. Alessandro dividia o tempo entre reuniões discretas por telefone criptografado e a presença constante ao lado dela, como se o solo siciliano reforçasse a necessidade quase animal de manter o que era seu sob vigilância absoluta. A guerra com Lorenzo Rossi não parara. Apenas mudara de cenário. E foi exatamente essa mudança que tornou a descoberta do espião ainda mais amarga. O h

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   131: Uvas e desejo

    A lua estava alta quando a tensão entre eles mudou de natureza. Isabella ainda estava de costas para Alessandro, as mãos dele abertas sobre a barriga, os lábios dele demorando na curva do pescoço. O perfume das uvas maduras misturava-se ao cheiro da pele dele — sabão simples, terra e algo puramente masculino que ela já reconhecia como lar. — E se eu disser que estou cansada de ser “sua”? — perguntou ela, a voz baixa, desafiadora, mas os dedos já subiam até o cabelo dele em um carinho involuntário. — Cansada de anéis, de fugas, de sangue no tapete e de você decidindo cada passo que eu dou? Alessandro ergueu a mão e segurou o queixo dela com firmeza carinhosa, virando o rosto dela até que os olhos se encontrassem sob a luz da lua. O polegar roçou o lábio inferior com uma lentidão deliberada. — Então eu te lembro — murmurou, a boca quase tocando a dela. — Do jeito que você gosta. Do jeito que o seu corpo responde mesmo quando a boca diz o contrário. Do jeito que eu te amo mesmo quand

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   130: O solo dos Vitale

    A propriedade isolada dos Vitale na Sicília era diferente de tudo o que Isabella conhecera até então. Não havia o peso cinzento de Brooklyn nem o eco constante de passos armados nos corredores. Havia pedra antiga, olivais que se estendiam até onde a vista alcançava e, mais abaixo na encosta, uma vinícola familiar que produzia vinho para a família por gerações. A casa principal era baixa e robusta, construída com pedra calcária irregular que ainda guardava as marcas das mãos que a ergueram décadas antes. As paredes eram espessas o suficiente para manter o fresco mesmo nos dias mais quentes e para isolar o calor das lareiras durante as noites frias. As janelas profundas, com venezianas de madeira escura gastas pelo tempo, abriam-se para um silêncio quase absoluto, quebrado apenas pelo vento que vinha do mar e pelo murmúrio constante da fonte no pátio interno. As vigas do teto eram de carvalho enegrecido, e o chão de pedra polida refletia a luz dourada das lanternas de ferro forjado. No

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