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Visitas inesperadas

Author: Lu Carvalho
last update publish date: 2023-02-03 22:22:45

A imensidão da cobertura da Price International parecia subitamente vazia sem a presença magnética, dominante e constante de Thomas Price.

O sábado arrastava-se em um ritmo lento e reflexivo.

Após a conversa reveladora com Marcus e a leitura do bilhete enigmático deixado pelo CEO, Grace passou boa parte da manhã trancada na suíte da ala leste, tentando recuperar o foco e combater os resquícios da ressaca implacável com xícaras sucessivas de café forte e analgésicos.

Sentada à escrivaninha de carvalho em seu quarto, com o notebook aberto e os relatórios financeiros da filial asiática espalhados ao seu redor, ela tentava trabalhar, mas sua mente insistia em retornar obsessivamente à mesma frase do bilhete:

“E sobre o que conversamos no elevador... não se preocupe, nenhuma das suas palavras caiu no vazio. Nós terminaremos essa conversa pessoalmente quando eu voltar.”

— O que diabos eu falei naquele elevador? — murmurou Grace pela ducentésima vez, apoiando a testa na palma da mão, com um misto de pânico e frustração queimando em suas têmporas. — Eu lembro de ter chamado a Ravena de barbie platinada e outras coisas mais... lembro também de ter mencionado o idiota do Anthony e os problemas que temos... mas e depois disso? O que mais eu disse? Será que eu passei do ponto? Será que eu falei alguma besteira sobre ele?

O fato de Thomas ter partido às pressas para Nova York logo após deixá-la adormecida alimentava sua insegurança. Na cabeça de Grace, a viagem repentina era um mecanismo de fuga de um CEO que, após aturar os delírios de uma assistente bêbada, decidira se isolar para repensar se mantê-la no cargo havia sido o maior erro de sua carreira corporativa.

Por volta das 14h, decidindo que o confinamento só faria sua ansiedade piorar, ela reuniu alguns relatórios impressos e resolveu caminhar até a área comum da cobertura para espairecer. Foi quando o som suave do interfone privativo do hall soou pelo ambiente.

Grace franziu o cenho, olhando para o painel digital. Como o elevador principal da cobertura era restrito e exigia autorizações de segurança de alto nível, visitas espontâneas eram praticamente inexistentes ali.

Aproximando-se do visor, ela pressionou o botão de atendimento.

— Pois não? Quem é? Aqui é a gerência executiva da presidência.

— Grace? Oh, graças aos céus você está aí! — A voz aflita e esbaforida de Emma ecoou do outro lado do comunicador. — Me deixa subir, mulher! Eu estou na portaria principal do prédio há vinte minutos tentando explicar para um segurança cibernético de terno preto que eu não sou uma terrorista internacional, mas ele disse que só com a sua autorização expressa!

Os olhos de Grace se arregalaram.

— Emma?! O que você está fazendo aqui? Como você achou este endereço?

— Ah, eu peguei o seu crachá provisório que ficou esquecido no meu apê da última vez que você tinha vindo aqui, aí cruzei a cidade de táxi e vim ver se a minha melhor amiga sobreviveu à primeira semana nas garras do bilionário de gelo! — respondeu Emma, com um tom meio dramático e meio cômico. — Agora ande, vai, por favor, abre essa porta antes que o segurança me algeme na calçada!

Grace não conteve um sorriso aliviado. Ela digitou rapidamente o código de liberação no painel central, autorizando o acesso irrestrito do elevador privativo para a amiga.

Dez minutos depois, as portas do elevador abriram-se revelando Emma com o cabelo cacheado solto, vestindo um casaco colorido de inverno, carregando uma sacola de papel com caixas de rosquinhas (donuts) e uma garrafa térmica de café.

Assim que pôs os pés no hall de piso lustrado da cobertura, Emma travou no batente, deixando a sacola quase escapar de suas mãos. Ela girou lentamente em torno do próprio eixo, de boca aberta, encarando as paredes de vidro, o teto minimalista e a vista panorâmica avassaladora de San Francisco.

— Caramba, Grace... — sussurrou Emma, com os olhos esbugalhados. — Isso aqui não é um apartamento. É a ponte de comando de uma nave espacial de luxo! ... Eu sabia que você tinha subido na vida, mas isso aqui... supera qualquer fanfic que eu já tenha lido na internet amiga!

Grace deu uma risada fraca, caminhando ao encontro da amiga e puxando-a para um abraço apertado.

— Bem-vinda à minha nova realidade temporária... mas já pode ir tirando o cavalinho da chuva se acha que eu vou ostentar, porque eu quase fui demitida ontem à noite.

Emma afastou-se rapidamente, segurando Grace pelos ombros e fitando-a com uma expressão de choque misturada a uma curiosidade voraz.

— Demitida?! Espera aí! Por quê? — indagou Emma, puxando Grace pelo braço e fazendo-a sentar-se no imenso sofá de design minimalista da sala de estar. — Anda, senta aqui e me conta tudo do começo. Como assim você quase foi demitida? Ontem você me mandado uma mensagem rápida dizendo que ia ter que ir a uma festa de última hora com ele e que estava desesperada porque não sabia o que vestir! Mas depois disso você não me contou mais nada. ... Então o que foi que aconteceu depois disso?

Grace suspirou profundamente, afundando os ombros enquanto o peso da noite anterior voltava a despencar sobre suas costas. Ela cruzou as pernas e olhou para a amiga com um misto de exaustão e pânico.

— Então você lembra da mensagem que te mandei dizendo que o senhor Price havia ordenado que eu o acompanhasse no jantar de gala beneficente e que eu estava sem rumo porque não tinha absolutamente nada para vestir? — começou Grace, passando a mão pela testa.

— Sim, lembro! Como eu acabei de te dizer! E fiquei roendo as unhas o dia todo imaginando o seu desespero e como você ia conseguir sair dessa. O que você iria vestir para uma ocasião tão... importante — confirmou Emma, abrindo a garrafa térmica para servir o café fumegante nos copos que trouxera. — Bem, mas pelo que estou vendo, pelo seu jeito, você deu um jeito nisso, não é?! ... Então vai, me conta, como você conseguiu contornar esse problema a tempo para poder ir à festa e não passar vergonha com a elite de San Francisco?

Grace corou levemente, desviando o olhar para a vista panorâmica da baía antes de responder:

— Não fui eu quem deu um jeito, Emma. Foi o próprio Thomas Price. Ele mandou entregar uma caixa de veludo na minha suíte minutos antes de sairmos. E quando abri, tinha um vestido azul longo de alta-costura, sapatos de grife e até umas joias de safira lá dentro, perfeitamente ajustados ao meu manequim... como se ele soubesse exatamente as minhas medidas de antemão.

Os olhos de Emma brilharam com uma intensidade perigosa, e um sorriso malicioso estampou-se de orelha a orelha em seu rosto.

— Ahh.., para tudo! O bilionário de gelo mandou fazer ou comprou pessoalmente um vestido de alta-costura de presente para você sem nem pestanejar?! ... Menina, isso não é comportamento de chefe estrito; isso é roteiro de romance proibido dos mais caros! Ele só pode estar completamente caidinho por você amiga!

— Para com isso, Emma, não viaja — cortou Grace, balançando a cabeça de forma veemente, embora sentisse o coração dar um salto estranho no peito ao se lembrar da cena no elevador, quando ele a pegou em seus braços segundos antes dela apagar novamente. — Não foi por romantismo, foi só pura conveniência executiva. Afinal ele precisava de uma acompanhante impecável para não passar vergonha perante o conselho e os investidores. ... Mas mudando de assunto?! O problema é que a noite desandou de um jeito catastrófico.

Emma estreitou os olhos, parando com a xícara no meio do caminho.

— Catastrófico?! Mas em que sentido? Vocês brigaram na festa por algum motivo? Ele tentou te mandar embora lá mesmo?

— Pior do que isso... A noiva dele, a tal Ravena?! Apareceu lá — respondeu Grace com um tom de amargura pura. — Aquela socialite insuportável, ex-parceira de eventos dele, veio até a nossa mesa só para destilar seu veneno e me humilhar na frente de todo mundo, dizendo que eu era uma intrusa inexperiente usando roupas de empréstimo. Eu fiquei tão nervosa, sem poder dizer a ela tudo o que eu queria, pois fiquei com medo de perder o emprego por causa de um escândalo, que acabei cometendo o pior erro da minha vida corporativa.

— O que você fez, Grace? Pelo amor de Deus, não me diz que você bateu nela com a taça de champanhe com a desculpa de que foi um acidente?!

— Antes fosse isso. Mas não, eu fiz pior. Eu pedi copos de uísque puro ao garçom e virei de uma vez só na minha garganta — confessou Grace, cobrindo o rosto com as mãos, mortificada de vergonha. — Fiquei tão bêbada, tão tonta, que comecei a falar besteira, perdi completamente a postura executiva, tentei festejar a venda da Stark & Moore na frente de bilionários engomados e... para coroar a noite com chave de ouro, passei tão mal a ponto de vomitar no carro blindado dele a caminho de casa.

Emma ficou em silêncio por um microssegundo antes de soltar uma gargalhada tão alta e escandalosa que fez o eco reverberar pelas paredes de vidro da cobertura.

— Mentira! Você vomitou no carro de um bilionário?! — gargalhava Emma, segurando a barriga. — Amiga, você é uma lenda viva! Se fosse qualquer outro chefe arrogante, ele teria te despachado para a rua da amargura na mesma hora!

— É, se fosse outro sim. Mas ele não, mesmo ele tendo muitos outros defeitos pior que a arrogância — murmurou Grace, erguendo o rosto com um semblante sério e intrigado. — Ele não só não me demitiu, como ainda cuidou de mim com uma paciência que eu nem sabia que ele tinha, me carregou no colo até a minha cama e ainda deixou um bilhete fofo para mim esta manhã.

— Vixe! Então cuidado, amiga... Porque algo para você usar em um evento da alta sociedade em que é obrigatório estar impecável, até dá para relevar. Mas daí cuidar de você — murmurou Emma, deixando a xícara de café sobre a mesa de centro com um calafrio repentino, enquanto o sorriso divertido desaparecia de seu rosto. — Esse nível de paciência não é normal para um homem que demite diretores por respirarem errado. Se preocupar com você, carregar no colo, deixar bilhete fofo... Para alguém que parecia feito de gelo, ele está derretendo rápido demais. E para ser sincera, isso não me parece apenas um chefe que está sendo bonzinho. Isso agora está me cheirando a perigo da pior espécie.

Emma cruzou os braços, fitando a amiga com uma seriedade incomum.

— Homens como o Thomas Price não dão ponto sem nó, Grace. Se ele está agindo assim com você, é porque ele já cruzou a linha entre o profissional e o pessoal na cabeça dele. E o pior: se ele já percebeu que tem esse tipo de poder sobre você, ele poderá usar isso para te prender de um jeito que você nem vai ver quando acontecer. ... Se ele começar a misturar as coisas mesmo e depois resolver pular fora, quem vai sair destruída dessa história é você.

Grace sentiu um calafrio gelado percorrer sua espinha com as palavras da amiga. Ela sabia que Emma tinha razão em grande parte; Thomas Price não era o tipo de homem que movia um dedo sem um propósito calculado. No entanto, havia algo na forma como ele a havia protegido e na vulnerabilidade que ele mesmo mostrara nas entrelinhas que impedia Grace de vê-lo apenas como um predador calculista.

— Você está exagerando, Emma... — murmurou Grace, desviando o olhar, embora sentisse o peito apertado. — Ele só foi generoso em um momento em que eu estava completamente vulnerável. Não foi nada além de um ato humano. Algo bem comum em muitas pessoas.

— Humana é a minha avó, Grace! Bilionários não têm coração de ouro, têm cofres blindados! — retrucou Emma, apontando o dedo com firmeza. — Mas enfim... se ele foi tão fofo assim a ponto de te carregar no colo e você acreditar fervorosamente nele, onde é que ele está agora que já são quase três da tarde de um sábado? ... Ah, já sei! Ele te largou sozinha trancada nessa fortaleza de vidro porque foi curtir a folga dele em algum iate particular nas Bahamas com a noivinha dele, não é?! Para poder cuidar dela e a fazer feliz, para que assim ela esquecesse do que aconteceu ontem?!

Grace balançou a cabeça negativamente, soltando um suspiro pesado.

— Não... ele não está em iate nenhum com a noiva dele, Emma. E é exatamente aí que a história fica ainda mais estranha e me deixa com a pulga atrás da orelha.

Emma ergueu uma sobrancelha, curiosa de novo.

— Ah, é? Então me conta, onde o seu querido chefe está agora?

— Ele foi embora da cobertura durante a madruga. Viajou de última hora para Nova York — soltou Grace, cruzando os braços e encarando a amiga com um misto de frustração e ansiedade.

Emma piscou, surpresa.

— Nova York? Assim do nada?! No meio da madrugada de um sábado? E depois de tudo que rolou ontem?

— Pois é! — confirmou Grace, gesticulando com as mãos. — Segundo o Marcus, houve uma emergência de última hora na subsidiária de lá e ele teve que pegar um voo particular na madrugada, logo depois de me deixar dormindo no quarto. Mas o que mais está me deixando maluca, Emma, não é nem a viagem em si... é o bilhete que ele me deixou.

— Bilhete? Que bilhete? O que estava escrito nele? — inquiriu Emma, inclinando-se para a frente, totalmente vidrada na história.

Grace levantou-se rapidamente do sofá, foi até a mesinha onde havia deixado o pequeno envelope branco e o trouxe de volta, entregando-o nas mãos da amiga.

Emma abriu o papel e leu os dizeres em voz alta, franzindo o cenho a cada palavra:

“...aproveite para descansar, coloque a leitura dos relatórios em dia e me espere na segunda-feira às 8h em ponto no escritório sem nenhum atraso.

PS: E sobre o que conversamos no elevador... não se preocupe, nenhuma das suas palavras caiu no vazio. Nós terminaremos essa conversa pessoalmente quando eu voltar.

— T.M.P”

Emma terminou de ler, ergueu os olhos para Grace e abriu um sorriso gigantesco, quase incrédulo.

— Menina... — sussurrou Emma, balançando a cabeça em negação divertida. — Você tem noção do que isso significa? ... Ele simplesmente fugiu!

Grace franziu a testa, confusa.

— Fugiu? Como assim? Do quê, Emma? De mim?

— É óbvio que sim, amiga! — exclamou Emma, gesticulando com o bilhete. — Pense comigo: o cara é o CEO mais temido de toda Califórnia, ele nunca se importa com ninguém, ai leva umas doses de uísque de uma assistente bêbada que começa a falar de sentimentos, de casamento fracassado e de como se sente pequena... e o que ele faz no elevador? ... Deve ter rolado uma confissão daquelas,... ou pelo menos um clima fortíssimo que assustou o bichinho!

Grace arregalou os olhos, sentindo o rosto queimar em um tom de vermelho carmesim tão intenso que quase alcançava a raiz dos cabelos.

— Ai percebendo que estava perdendo o controle, entrou em pânico e inventou uma "emergência" em Nova York só para ter dois dias de respiro longe de você!

Grace sentiu o coração disparar ao se lembrar vagamente da sensação dos braços de Thomas ao seu redor e da forma como ele a havia encarado antes de as lembranças se apagarem de vez.

— Uma confissão?! Você está louca, você perdeu o juízo, Emma! — sussurrou Grace, com a voz espremida pelo desespero, embora houvesse um tremor inegável de pânico misturado a uma curiosidade aterrorizante em seu peito. — Ele é o Thomas Mueller Price! Pessoas como ele não fazem "confissões" românticas para funcionárias bêbadas no elevador! ... Ele deve é ter me achado patética... uma mulher patética, desequilibrada que estava chorando as pitangas por causa de um casamento idiota que já nasceu morto!

O pânico começou a tomar conta de suas feições, fazendo-a se levantar e caminhar de um lado para o outro na sala de estar minimalista.

— Agora pensa você comigo, Emma: se eu realmente disse coisas pessoais sobre o Anthony, sobre a minha vida miserável e sobre me sentir uma completa imprestável... agora ele tem todas as armas para me achar fraca. E chefes como ele não toleram fraqueza! Deve ser  por isso que ele fugiu para Nova York! Ele não foi apagar incêndio corporativo nenhum, foi é tentar esquecer o mico monumental que a assistente dele fez ele pagar na frente de todo mundo!

Emma cruzou os braços, observando o desespero da amiga com um misto de diversão e ceticismo, antes de dar de ombros de forma descontraída.

— Ah, por favor, Grace. Para de se auto sabotar — retrucou Emma, revirando os olhos levemente. — Se ele estivesse envergonhado ou achando você patética, ele teria mandado o Marcus te entregar um cheque rescisório e te expulsado da cobertura às seis da manhã. Mas ele fez o quê? Cuidou de você, te deu banho... quer dizer, te colocou na cama com todo o cuidado, deixou um bilhete com tom de "até segunda-feira, querida" e ainda fez questão de frisar que nenhuma palavra sua foi jogada fora. Então isso não é reação de quem quer distância; isso é de quem está intrigado e quer o replay!

Antes que Grace pudesse abrir a boca para refutar a teoria absurda e ao mesmo tempo assustadora da amiga, Marcus pigarreou discretamente na entrada da sala, quebrando o clímax da conversa.

— Senhorita Butler, perdão pela interrupção. Mas temos outra visita inesperada no lobby inferior que exige a nossa atenção imediata, e achei prudente comunicá-la antes que a situação escale. — disse Marcus, mantendo a postura polida, embora seus olhos indicassem que o visitante indesejado não sairia dali tão cedo.

Grace franziu o cenho, sentindo um calafrio incômodo descer por sua espinha.

— Outra visita inesperada? De quem, Marcus?

Marcus hesitou por meio segundo antes de responder:

— Trata-se do senhor Anthony James Pettison. Ele conseguiu burlar a segurança da recepção externa alegando ser cônjuge em situação de emergência familiar, e agora está exigindo subir para falar com a senhorita. Os seguranças já o conteram no subsolo, mas ele está fazendo um escândalo na entrada do elevador privativo.

O nome de Anthony soou como um trovão abafado na mente de Grace. O clima descontraído da visita de Emma evaporou-se no mesmo instante, dando lugar a uma tensão cortante e sufocante.

— O Anthony... aqui? — sussurrou Grace, sentindo o estômago despencar. — Mas como ele descobriu o local onde eu estou trabalhando?

Emma levantou-se abruptamente do sofá, com o rosto franzido de puro ódio.

— Ah, mas esse infeliz não tem o menor limite mesmo, nao é?! Ele acha que pode te perseguir e infernizar a sua vida só porque você resolveu respirar um ar limpo longe daquele apartamento imundo? Deixa ele vir! Se ele abrir a boca para reclamar de alguma coisa, eu mesma acabo com o resto de dignidade que sobrou para aquele parasita!

Grace olhou para a amiga, respirando fundo para tentar conter o tremor nas mãos. Ela sabia que fugir de Anthony não adiantaria; ele sempre encontraria um jeito de inferniza-lá, se não cortasse o mal pela raiz... logo.

— Não, Emma. Você fica aqui. Eu vou lá — disse Grace com uma firmeza repentina em sua voz, endireitando os ombros e assumindo a postura fria e executiva que aprendera a usar nos últimos dias. Em seguida ela olhou para Marcus. — Vamos lá embaixo, Marcus. É hora de colocar o Anthony em seu devido lugar de uma vez por todas.

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