LOGINO som do elevador privativo descendo em direção ao subsolo da torre da Price International parecia marcar o ritmo acelerado das batidas do coração de Grace. Cada segundo dentro daquela cabine de metal polido aumentava a densidade do ar. Ela mantinha os ombros alinhados, o queixo erguido e a expressão rigidamente controlada, vestindo a armadura invisível que o mundo corporativo exigia. Não havia mais espaço para a mulher acuada que, semanas antes, tremia diante de cobranças de aluguel. No entanto, por dentro, um nó de ansiedade e repulsa queimava o seu estômago.
Marcus permaneceu de pé ao lado dela, com as mãos cruzadas à frente do corpo e um semblante gélido, pronto para neutralizar qualquer ameaça física antes mesmo que ela pudesse se aproximar de Grace. Assim que o visor digital indicou a chegada ao subsolo e as portas de aço inoxidável se abriram, o barulho irritante e estridente de vozes alteradas invadiu o espaço. — Eu sou o marido dela! Vocês não têm o direito legal de me barrar! Eu exijo respeito! — berrava Anthony, gesticulando de forma descontrolada para os dois seguranças de terno preto que o mantinham firmemente contido a uma distância segura da entrada do elevador. Anthony estava visivelmente transtornado. A jaqueta de couro sintético estava amassada, os cabelos desalinhados e o rosto exibia uma coloração avermelhada de pura raiva e frustração. Ao avistar Grace saindo do elevador com passos firmes e um ar de total superioridade, os olhos de Anthony injetaram-se de um ódio visceral. Ele tentou dar um passo à frente, mas os seguranças flexionaram os braços, bloqueando-lhe o caminho com uma força inegável. — Grace! Sua desgraçada! — esbravejou Anthony, contorcendo o rosto em uma careta de escárnio. — Até que enfim deu o ar da graça! ... Você achou mesmo que podia fugir da nossa casa, mudar de vida, me ignorar no celular e viver de luxo com o seu chefinho riquinho enquanto eu fico na merda pagando as contas sozinho?! Você acha mesmo que vai simplesmente abandonar as suas obrigações de esposa e viver como se estivesse solteira? ... Não, você não vai! Grace parou a poucos metros dele, cruzando os braços com um olhar cortante. — Acabou a encenação, Anthony? — perguntou Grace, com uma voz perfeitamente calma e cristalina. — Bom, primeiro que eu não fugi, eu vim trabalhar em um lugar que exige que eu durma no local de trabalho. E segundo que mesmo se eles não exigissem isso, eu iria ficar em um outro lugar, pois eu não iria voltar para aquele apartamento nunca mais. — Ah, mas você vai, vai sim! — insistiu Anthony, avançando um pouco mais, ignorando a postura dos seguranças. — Você vai voltar agora mesmo para casa e cumprir com o seu papel de mulher pelo menos nos finais de semana, assim como muitas outras mulheres que trabalham fazem! Afinal ainda somos casados perante a lei, Grace. Você tem obrigações comigo! O que significa que você não tem o privilégio de escolher o que você quer... ainda. — Obrigações? — repetiu Grace, deixando escapar uma risada curta, seca e carregada de um escárnio profundo que fez o maxilar de Anthony se contrair ainda mais. Ela deu um passo à frente, estreitando os olhos. — As únicas obrigações que eu tive durante anos foi carregar você nas costas, pagar as contas com o suor do meu trabalho enquanto você gastava o que não tinha, aguentar as suas reclamações e servir de empregada particular na sua casa. O seu conceito de "casamento" é apenas a sua conveniência travestida de lei, Anthony. E eu já cansei de ser a base de sustentação da sua mediocridade. — Ah, sua ingrata, sua insolente! — esbravejou Anthony, perdendo de vez o controle. Ele tentou se desvencilhar dos seguranças com um tranco violento, mas foi contido com ainda mais firmeza, fazendo-o estufar o peito em direção a ela. — Você acha que mudou só porque está vestindo roupinhas caras e andando com bilionários? Você continua sendo a mesma coitada que morava em um cubículo alugado comigo, Grace! E quer saber de mais uma coisa? Você vai voltar comigo por bem ou eu faço questão de descer aqui todos os dias, para infernizar a sua vida na porta dessa torre e mostrar para o seu amado chefe o tipo de mulherzinha que ele levou para debaixo do próprio teto! A ameaça rasteira e barulhenta de Anthony ecoou pelas paredes de concreto do subsolo, gerando um incômodo visível nos seguranças e fazendo Marcus arquear a sobrancelha em um gesto de alerta silencioso. Contudo, antes que Grace pudesse responder à altura, o som estridente e característico de pneus de alta performance freados com precisão cirúrgica cortou o ambiente. Um carro esportivo de luxo prateado, com vidros totalmente escurecidos e pintura impecável, deslizou silenciosamente pelo estacionamento, parando de forma imponente bem próximo à saída de emergência, a poucos metros do tumulto. A porta do carona abriu-se com um leve estalido, e uma bota de salto agulha em couro envernizado tocou o piso de cimento. Era Ravena Wottar. Ravena caminhou com passos firmes, decididos e elegantes, ignorando completamente a penumbra industrial daquele subsolo. Ela usava um casaco de pele sintética impecável sobre um vestido tubinho estruturado, óculos escuros de grife que escondiam parcialmente seu olhar glacial e um par de saltos agulhas que estalavam com um eco seco no concreto. Ela havia ido até o complexo da Price International na mais completa convicção de encontrar Thomas. Precisava cobrar dele satisfações sobre a forma grosseira com que fora tratada na noite anterior e, acima de tudo, pressioná-lo a demitir aquela assistente inconveniente de uma vez por todas. No entanto, ao dobrar o corredor do subsolo, deparou-se com aquele circo armado. — Mas o que significa toda essa gritaria ensurdecedora aqui? — disparou Ravena, parando a poucos metros do grupo. Ela tirou lentamente os óculos escuros, revelando seus olhos azuis estreitados em puro desdém, e olhou para Anthony, depois para Grace, como se ambos fossem insetos irritantes sobre a mesa de jantar. — É um completo absurdo o escândalo de subúrbio que está sendo feito bem na entrada do edifício corporativo e residencial do meu noivo! Aqui não é lugar de vir lavar roupa suja de sarjeta. Se vocês dois têm problemas conjugais patéticos para resolverem, façam o favor de irem para outro lugar e parem de envergonhar o nome da Price International! Anthony, que ainda respirava com dificuldade devido à fúria contida pelos seguranças, virou-se bruscamente para encarar a mulher sofisticada que os tratavam com tanta arrogância. Até aquele exato segundo, ele nunca havia ouvido falar de Ravena Wottar, a noiva de Thomas Mueller Price. Para ele, o mundo de Thomas Price era uma abstração distante, habitada apenas por cifrões e torres de vidro inalcançáveis. Anthony contraiu o maxilar, o rosto ainda ruborizado de raiva, mas, em vez de se encolher diante da elegância e do tom autoritário de Ravena, ele estufou o peito. A arrogância natural dele — aquela mesma que ele usava para descontar suas frustrações em Grace — falou mais alto. — Olha aqui, o gracinha de casaco de pele — retrucou Anthony, soltando uma risada cínica e cuspindo as palavras com escárnio. — Guarde esse seu bico empertigado para o seu ricaço de araque! Porque se eu estou aqui fazendo escândalo, a culpa é justamente dessa sua "família" ou sei lá o que vocês são, que resolveram acobertar a minha mulher para vir morar de favor e servir de empregadinha para esse bilionário do topo dessa torre! ... E antes que você queira se achar a tal, a melhor que qualquer um de novo, lembre-se de que pelo menos a minha esposa, seja lá o que você acha dela, sabe pelo menos lavar uma louça, o que eu duvido muito que uma madame inútil como você saiba fazer além de gastar o dinheiro dos outros! As palavras de Anthony atingiram Ravena como um tapa físico. O rosto da socialite empalideceu de choque absoluto. Ninguém — absolutamente ninguém na alta sociedade de San Francisco — jamais ousara falar com ela daquela maneira, naquele tom, muito menos um homem mal vestido e insignificante de subúrbio. Os olhos azuis de Ravena faiscaram com um veneno assassino. — Como... como você ousa falar comigo assim, seu verme insolente?! — sibilou Ravena, dando um passo à frente, com a voz trêmula de pura fúria contida, os nós dos dedos brancos de tanto apertarem a bolsa de grife. — Você não passa de um Zé ninguém fracassado, um inseto rastejante que não tem onde cair morto, e tem a audácia de abrir essa boca imunda para falar comigo nesse tom? Se você tivesse o mínimo de decência, saberia que o seu lugar é na sarjeta, de joelhos, que é onde vermes como você merecem ficar! O ego ferido de Ravena reverberava em cada sílaba, e o olhar gélido que ela lançou a Anthony prometia vinganças futuras inimagináveis. Grace, vendo que a situação estava prestes a explodir em uma guerra de xingamentos ainda pior e temendo o que Ravena — agora pessoalmente enfurecida — poderia fazer contra ela e contra o seu emprego nos bastidores, sentiu um frio na espinha. Ela precisava cortar aquilo imediatamente antes que o estrago se tornasse irreparável. Abaixando a cabeça em um gesto amargo de rendição, Grace deu um passo à frente, interrompendo a respiração pesada de Anthony. — Chega, Anthony. Você venceu. Vamos embora agora mesmo — murmurou Grace, engolindo em seco todo o orgulho e a vergonha que queimavam em sua garganta. Ela olhou rapidamente para Ravena, mantendo a voz baixa e submissa para apaziguar a fúria da socialite. — Peço desculpas pelo transtorno causado à senhora e ao nome da empresa, senhorita Wottar. Prometo que isso não voltará a se repetir nunca mais. Ravena sibilou um som de puro desgosto, ajeitando o casaco com movimentos bruscos e virando o rosto para o lado, recusando-se a olhar para os dois por mais um segundo sequer. Aproveitando a brecha, Anthony agarrou o braço de Grace com força, puxando-a para longe dali com um sorriso de vitória barata estampado no rosto, enquanto o táxi aguardava na rua principal para levá-la de volta ao sufocante cativeiro do qual ela havia tentado escapar.Ele as coloca no meio de minhas pernas, perto do tornozelo, e já em seguida, ele me puxa pelos pés quase que para perto da beirada da cama. Depois disso, ele me vira rapidamente de barriga para baixo.Eu, é claro que não questiono o motivo dele fazer isso, pois estou muito curiosa para saber o que ele irá fazer comigo.- Agora eu vou ensina - lá como é que uma SUB deve se comportar e falar com o seu DOM. - diz num tom firme já pegando uma das cintas com o cadarço.Não levando- o tão a serio no que diz, eu olho sobre o ombro para trás e começo a rir.- Ok, meu senhor, vamos lá. - digo num tom provocante - Me ensine então. - dou um riso travesso.Com isso e sem hesitar, ele passa a outra ponta do cadarço por dentro da fivela e o puxa, colocando- a no meu tornozelo como uma tornozeleira. Em seguida, ele amarra o cadarço no pé da cama. Fazendo a mesma coisa com uma outra cinta, no meu outro tornozelo.- Quase lá, docinho.Ele pega mais duas cintas e faz o mesmo nos meus pulsos. Só que des
Mesmo com essas dúvidas, eu coloco meus braços em volta de seu pescoço e acaricio seus cabelos macios e sedosos.— Quer saber de uma coisa, Thomas? — olho- o fixamente — A partir de agora, que se dane tudo e todos, pois a vida é um sopro. E infelizmente eu não tenho ideia nenhuma do que pode acontecer comigo amanhã. — sorrio — Então, hoje, eu fazendo certo ou errado, pecando ou não, me arrependendo ou não, eu vou me esbaldar com você.Isso é o suficiente para ele me pegar em seus braços, me levar até a minha pequena área de serviço e me colocar sentada em cima da máquina de lavar.— Na área de serviço?! — indago curiosa —Sério, Thomas? Shhh.. — Pera, docinho. Você já vai saber o porquê da área de serviço ser a minha escolha.Ele se afasta, vai até a sala e liga o som, mas em uma altura razoável. Colocando para tocar a música ( Unstoppable - Sia ). Em seguida, vai até a geladeira e pega uma lata de milkmaid já aberta. Retornando para mim, com um olhar malicioso e um sorriso travesso
— Não, eu não armei nada para você, Grace. — tenta se explicar — Eu só a livrei de fazer uma burrada enorme lá no bar.— Burrada? — indago afastando- me dele — De que burrada você está falando?— Depois que você bebeu acima do seu limite, você subiu em cima da mesa e começou a dançar como uma stripper de boate. — diz num tom sério — Dizendo até que iria tirar a roupa. Algo inaceitável para mim.Ao ouvir isso, fico cabisbaixa e completamente envergonhada.— Te pedi algumas vezes para você parar com tal loucura, mas você fingia não me escutar. Ignorando - me por completo.— Desculpe! — digo num tom baixo — É que fazia tempo que eu não saia para beber e me divertir um pouco. Acho que foi por isso que exagerei na dose.— É, foi o que eu pensei. Pois nem o Dominic, com aquele jeitinho calmo dele, conseguiu te convencer a descer da mesa. Levando até uma bela de uma bofetada sua.Ao ouvir isso, olho com os olhos arregalados e boquiaberta.— O que? — indago incrédula — Eu bati na cara do Nic?
Tomo coragem e resolvo dizer a ele o motivo de querer muito ver as filmagens da noite passada.— Então senhor, é que ontem à noite eu..— Ah, que bom.. aí está você amiga. — diz num tom alto vindo em minha direção.— Emma?! — olho surpresa — O que você faz aqui?— Como, o que eu faço aqui, Grace?! — diz num tom meio sarcástico — Eu vim até aqui te buscar. Afinal você me enviou uma mensagem a duas horas atrás me pedindo para vir até aqui te pegar, pois você acabou deixando o seu carro no estacionamento do bar ontem a noite. — Eu mandei? — indago pegando o celular dentro da bolsa para ver se eu realmente enviei alguma coisa a ela, pois eu não me lembro de ter feito isso — Tem certeza?— Claro, olha aqui. — pega seu celular e mostra- me a mensagem enquanto eu olho no meu ao mesmo tempo...( Emma, primeiramente bom dia!Amiga, ontem à noite lá no bar, eu acabei conhecendo um cara muito bacana e muito legal. E por ver nossa grande afinidade e muitas coisas em comum, ele me convidou para v
Estou eu mesmo fazendo o pedido do meu almoço no meu restaurante favorito, quando ouço batidas na porta do meu escritório da minha mais nova conquista.— Entre!. — digo num tom brando.— Com licença e desculpa incomoda- lá novamente, senhorita Butler. — abre uma pequena brecha na porta e diz num tom meio reprimido — Mas é que tem alguém aqui fora, insistindo muito para falar com a senhorita. Eu até disse que estamos fechado para o almoço, mas ela..— Tudo bem, Ashley. — sorrio simpaticamente — Deixe- a entrar. — autorizo mesmo sem saber quem é.— Ok, senhorita Butler! — suspira aliviada — Eu vou fazer isso agora mesmo, com licença.Aceno positivamente, ela sai e eu aproveito para finalizar o pedido antes da pessoa entrar em meu escritório.— Quem será e o que quer tanto falar comigo que não pode esperar a hora do almoço passar para eu reabrir a minha galeria de artes? Eu mal termino de indagar a mim mesma e a porta se abre outra vez.— E aí sumida, bora almoçar comida japonesa?! — en
— Grace, você sabe que mesmo agora estando com o senhor Price, você sempre poderá contar comigo, não sabe?Me afasto de seus braços e o olho fixamente enquanto limpo meus olhos discretamente.— Nic, eu e o senhor Price, nos estamos juntos.— Mas ele te chamou de amor. — relembra- me.— Sim, mas foi só para te irritar, para se vingar de você. — Então você está..— Solteira? — completo — Sim! E assim pretendo ficar por um longo tempo agora.— Nossa, só porque eu ia lhe convidar para jantar comigo essa noite.Rio divertidamente.— Nic, por incrível que pareça, esse é o segundo convite que recebo para sair para jantar em menos de meia hora. — Sério? — olha- me surpreso — Será que eu o conheço?! — indaga com um sorriso de canto de boca.— Ahm.. até bem de mais. — Ah, então acho que ele não vai se importar de sairmos para jantar a três. Afinal nós já fizemos isso lá no Quênia, lembra? Pelo modo como ele diz, noto que ele sabe de quem eu estou falando.— Sim, como eu me esqueceria. Aquel







