共有

CAPÍTULO 01 Otávio

last update 公開日: 2025-02-07 07:56:07

Nova York – 13 anos atrás...

17, 18, 19, 20, 21... Parei de contar ao sentir alguém colocar as mãos sobre meu ombro esquerdo. Ao levantar a cabeça, vejo minha mãe, com os olhos arroxeados e inchados, um pequeno corte no lábio e os olhos vermelhos pelo choro.

Ela olha fixamente para a cena diante de nós, e eu volto minha atenção para Alexander novamente. Ele está encolhido em um canto, eu vejo o chicote ser levantado e cair mais uma vez sobre ele. Dessa vez, perdi as contas.

Fecho os olhos quando o olhar do meu pai se volta para mim.

Eu sabia que Alexander estava apanhando por minha culpa. Viro a cabeça e vejo Rodolfo em outro canto do quarto; há sangue no canto de sua boca, e ele me olha com raiva. Os três apanharam por causa da minha falha. Eles estragaram mais uma apresentação da máfia porquê eu não consegui matar alguém. Eu não queria matar, mas ver minha família sofrer a cada erro meu dóia mais do que a própria morte.

Meu pai caminha em minha direção, e sinto a mão da minha mãe apertando meu ombro, um gesto que mistura conforto e preocupação.

— Um verdadeiro conselheiro — ele começa, sua voz firme —, ele aconselha com sabedoria e age como mediador em brigas e disputas internas. Ele planeja e executa com mestria, ajudando o capo a manter a segurança e a eficácia da máfia.

Ele se aproxima, segurando firme meu queixo, forçando-me a olhar em seus olhos.

— Como o braço direito do chefe e subchefe, ele utiliza seus dons para servir à organização e nunca recusa uma ordem.

Eu sabia que ele estava zangado, mas não era minha intenção irritá-lo. Eu só não queria matar alguém. A pressão em meu peito aumenta, e eu me pergunto se um dia conseguirei viver com a responsabilidade de saber que, a cada erro, alguém paga o preço.

— Pai... — minha voz sai hesitante, mas eu me esforço para me manter firme. — Eu não quero fazer isso.

Ouço sua risada amarga ecoando pelo quarto. Logo após, sinto um zumbido em meu ouvido e, em seguida, o impacto ao cair no chão.

Sinto quando sou arrastado pelas pernas. Meu pai desce as escadas e cada degrau faz meu corpo estremecer de dor. Ele continua me puxando pela sala até chegar à porta principal.

— Se coloca de pé! — berra, dando-me um chute.

Solto um gemido prendendo meu choro. Me levanto, sentindo sua mão agarrar minha nuca com força, forçando-me a caminhar no mesmo ritmo que ele. Ele me leva até o galpão próximo à nossa casa. Lá dentro, vejo dois homens da Yakuza presos, um aparentemente já morto. Eles vivem em guerra conosco desde que Milena foi sequestrada.

— Mate-o. — Meu pai coloca a arma em minha mão.

Observo o metal pesado que parece pesar uma tonelada. Encaro o homem à minha frente, sentado em uma cadeira, respirando lentamente. Há sangue no chão, e o cheiro que exala dele é horrível, mas eu me concentro em fazer o que foi mandado.

Levanto a arma, minhas mãos tremendo, observando atentamente o homem.

— Maldito Gambino! — ele surta, debatendo-se na cadeira. — Vocês todos queimarão e aprodeceram no inferno!

Escuto a respiração pesada do meu pai e, então, fecho os olhos, apertando o gatilho exatamente como Alexander e Rodolfo me ensinaram.

O som oco do tiro ecoa pelo galpão, fazendo meu coração acelerar.

Eu matei uma pessoa.

Eu acabei de matar um homem.

Sinto outro tapa em meu rosto e caio no chão, desta vez não seguro as lágrimas. Minha visão está girando; vejo tudo escuro, e a única pergunta que reverbera em minha mente é por que nasci neste mundo, por que não nasci em uma família normal como alguns amigos da escola.

Recebo outro chute e me encolho.

— Se no mês que vem você falhar, eu te mato. — Ele pronuncia, saindo do galpão. — Você me deve por ter deixado Milena ser sequestrada, então trate de se retratar.

Meu pai sai e eu fico sozinho no escuro do galpão, com o homem que acabei de matar.

O silêncio é ensurdecedor. A realidade do que fiz começa a se instalar em mim como um veneno. Sinto meu coração pesar, e a verdade é clara: não posso voltar atrás.

(๑๑⁠˙⁠❥⁠˙⁠๑๑⁠˙⁠❥⁠˙⁠๑๑⁠˙⁠❥⁠˙⁠๑๑⁠˙⁠❥⁠˙⁠๑๑˙⁠❥⁠˙⁠๑๑⁠)✍️

— Por que simplesmente não o matamos? — questiono, irritado com Alexander. — Eu o odeio, quero ele morto.

— E o que faremos com o conselho? — Alexander me encara. — Matar o capo é um ato de traição. Você acha que eles nos nomeariam como novos líderes depois da morte do nosso pai? Sem falar da nossa mãe. Você quer que ela morra também?

Fecho os olhos com força.

Eu não queria que minha mãe morresse, só queria viver em paz. Não entendo muito sobre as regras da máfia, mas sei que não quero fazer parte disso.

— Eu não vou ajudar vocês nessa vingança patética. — Ouço Rodolfo resmungar. — Nosso pai só nos corrige porque fazemos o que é errado.

— Ele também te bateu! — brado, furioso com ele.

— Sim. — Ele se levanta da cama e vem na minha direção, forçando Alexander a se colocar entre nós. — Porque eu resolvi te ajudar, junto com Alexander.

— Eu não preciso da sua ajuda! — grito, e Alexander se vira para mim.

— Vamos parar. Você já matou um cara, o próximo será mais fácil.

Olho para seu olho direito, inchado e roxo, e me sinto culpado.

— Vou fazer tudo o que ele quer, só para não te prejudicar mais.

— Ótimo. — Alexander passa as mãos pelos cabelos e segue para o banheiro.

Eu e Rodolfo ficamos no quarto, observando a porta se fechar com um estrondo.

— Como ele vai para a faculdade agora com o olho roxo?

— Faça as coisas certas para que, talvez no futuro, ele não precise mais passar por isso.

Rodolfo sai batendo a porta, e eu fico com suas palavras ecoando na minha mente. Fazer o certo, para que Alexander não sofra as consequências.

この本を無料で読み続ける
コードをスキャンしてアプリをダウンロード

最新チャプター

  • IMPERFECTÍVEL - Otávio Gambino    CAPÍTULO 141 Otávio

    A festa, com toda certeza, estava do jeito que Íris queria, cheia de gente. Minha filha ama estar rodeada de pessoas.Já os gêmeos estavam isolados no canto, comendo carne e jogando Connect Four. Sempre que fazíamos algum evento na fazenda, era assim: eles no mundinho deles. Pelo menos, nesses momentos, eles não brigavam.Eu analiso tudo à minha volta.As luzes da fogueira dançavam ao ritmo do vento, projetando sombras quentes e suaves sobre a terra batida da fazenda. O som de violões e acordeões se espalhava pelo ar, entrelaçando-se com o riso alto e as conversas animadas das pessoas que se aglomeravam ao redor. Os casacos de couro e chapéus de cowboy formavam um contraste vibrante com as cores quentes da noite, e o cheiro da carne assada e do milho torrado preenchia o ar, convidando todos a se deliciar.Homens e mulheres, com seus passos firmes e animados, se moviam no ritmo da música country. O estalar da lenha na fogueira era como uma batida constante, enquanto as chamas iluminav

  • IMPERFECTÍVEL - Otávio Gambino    CAPÍTULO 140 Otávio

    Oito anos depois...Desço do cavalo, amarrando-o com cuidado, e tiro o chapéu ao entrar na casa. Subo os degraus como faço todos os dias, exceto hoje, que é o aniversário de Íris. Minha pequena completa 10 anos, e, como sempre nessa data, comemoramos a vida em dobro. No mesmo dia em que Íris nasceu, foi também quando despertei do coma.Coincidência ou não, as coisas aconteceram assim, e até hoje acredito que aquele sonho que tive foi Desirée e Íris me chamando, me tirando do que eu pensava ser real, mas que, no fundo, não era.Já na entrada, escuto a discussão de Mason e Aiden.A gravidez gemelar foi uma grande surpresa quando descoberta. Nem eu nem Desirée desconfiávamos mas, mais surpreendente ainda é como brigam por qualquer coisa. Se estão discutindo agora, com certeza Desirée não está por perto—os dois morrem de medo da mãe.— Pai! — Íris grita assim que entro, vindo correndo para me abraçar. — Faz eles pararem, são insuportáveis!Eu sorrio, apertando-a contra mim, enquanto ouço

  • IMPERFECTÍVEL - Otávio Gambino    CAPÍTULO 139 Desirée

    Nossa primeira viagem em família precisava ser especial, e Otávio fez questão de me levar para conhecer alguns pontos turísticos antes de chegarmos ao nosso destino principal, Angra dos Reis que é sem sombra de dúvidas um verdadeiro paraíso tropical.Agora, em pé na areia macia e morna, contemplo Otávio sentado na areia, concentrado em ajudar Íris a construir um castelo. Ele sorri para ela, os olhos brilhando com um carinho que sempre me aquece o peito.Seguro o teste de gravidez em minhas mãos, sentindo meu coração disparar. O pequeno visor confirma aquilo que, no fundo, eu já suspeitava a dias...Estou grávida, grávida do homem que mudou meu mundo.É certo que...Eu nunca acreditei em contos de fadas. Sempre mantive meus pés no chão, convicta de que, se eu não corresse atrás, nada aconteceria. Cresci cercada por poucos, trabalhei duro, estudei ainda mais e, muitas vezes, me desdobrava entre o serviço e os cuidados com Paulo, o homem que considerei como um pai.Até que um dia, Otávio

  • IMPERFECTÍVEL - Otávio Gambino    CAPÍTULO 138 Desirée

    Oito meses depois...Tivemos que esperar a guerra entre a Outfit e a Yakuza terminar para finalmente realizarmos nosso casamento. De certa forma, passei esse tempo preocupada com a situação, mas, graças a Deus, tudo se resolveu.Agora, diante do espelho, finalizo os últimos retoques da minha maquiagem enquanto admiro meu vestido de noiva. Ele era exatamente como eu queria: elegante, leve e fluido. O corpete ajustado, com um decote V profundo, trazia um toque sensual e sofisticado. O busto e a cintura eram ricamente adornados com aplicações florais rendadas, que se estendiam suavemente pela saia de camadas de tule translúcido, criando um efeito esvoaçante. A fenda lateral revelava parte da minha perna direita, adicionando um toque ousado.Dessa vez, o vestido não tinha tanto brilho nem aquele volume exagerado do primeiro. Mas era meu. Feito para mim.Olho para minha antiga aliança enquanto ela desliza do meu dedo, sento seu peso pela última vez. Desde o dia em que voltamos da cabana, q

  • IMPERFECTÍVEL - Otávio Gambino    CAPÍTULO 137 Desirée

    Acordo com os primeiros raios de sol iluminando o quarto. Olho para o teto e vejo a luz dourada do amanhecer se espalhando suavemente pelo ambiente. Viro-me na cama, sentindo meu corpo protestar pela intensidade da noite anterior, mas um sorriso surge em meus lábios ao encontrar Otávio. Ele dorme pacificamente ao meu lado.Levo minha mão até sua barba, traçando com delicadeza a linha da sua cicatriz. Não é um corte grande, tem aproximadamente o tamanho do meu dedo indicador, mas, pelo relevo e textura, deve ter sido profundo.Meu coração aperta, e eu tento afastar as lembranças do nosso passado. Por mais que eu conheça a verdade, a culpa ainda pesa sobre mim. Mas prometo a mim mesma que não tocarei mais nesse assunto.— Acordada... — Otávio murmura, segurando minha mão que acaricia seu rosto e a beijando suavemente.— Precisamos voltar... Quero ver Íris. — Foi minha primeira noite longe da minha pequena, e a saudade já apertava no peito.Otávio me puxa para mais perto, e eu sinto seu

  • IMPERFECTÍVEL - Otávio Gambino    CAPÍTULO 136 Desirée

    Seus olhos me devoram conforme ela avança em minha direção, cada movimento carregado de uma confiança perigosa. Ela se move como uma deusa, ciente do efeito que tem sobre mim, sabendo que eu estava pronto para me ajoelhar diante dela e oferecer minha total adoração.Eu me sento na cabeceira da cama, deixando-a assumir o controle. Não há nada que eu mudaria nela—absolutamente nada. Seus seios estão ainda mais fartos, sua cintura desenhada na medida exata para minhas mãos, sua bunda perfeitamente arrebitada, e sua boceta… Deus, mais deliciosa do que em qualquer lembrança que eu pudesse ter.Eu estava destinado a me curvar a ela, e não hesitaria em fazer isso.Sua íris azul-clara escureceu com desejo, e eu mal consigo conter a excitação que percorre meu corpo.— No que está pensando? — questiono, minha voz saindo rouca, carregada de antecipação.Ela não responde de imediato. Apenas se aproxima, diminuindo a distância entre nós até que sua mão desliza entre nossas peles e envolve meu pau,

続きを読む
無料で面白い小説を探して読んでみましょう
GoodNovel アプリで人気小説に無料で!お好きな本をダウンロードして、いつでもどこでも読みましょう!
アプリで無料で本を読む
コードをスキャンしてアプリで読む
DMCA.com Protection Status