LOGINEnzo Bianchi Horas antes... Aguardei a ligação furiosa de Antonella com as ofensas e chiliques costumeiros de quando suas vontades são contrariadas, mas o telefone permaneceu em absoluto silêncio. Os advogados enviaram um parecer sobre as investigações do esquema de contrabando: tudo segue em sigilo, enquanto a imprensa insiste em extorquir declarações da Valmont. — Marcella, agende uma reunião virtual com os executivos das empresas que pediram esclarecimentos sobre nossos contratos diante dessas investigações — ordeno pelo interfone. Sua postura me pareceu estranhamente distante durante todo o dia, e nada tira da minha cabeça que aquele hematoma na bochecha está destruindo o foco dela. — Sim, senhor Bianchi. Farei o agendamento imediatamente — a resposta surge meio vacilante, revelando o tom de quem passou horas chorando em segredo. — Marcella... Você está realmente bem? — pergunto, incapaz de reprimir o impulso dominante de cavar até a verdade. O silêncio que se segue na lin
Leonardo Cross Junto à minha equipe, aguardo o sinal decisivo de Lorenzo, agachado entre a vegetação densa e as rochas escarpadas que cercam a cabana. Acompanho com o coração na boca o momento em que Ciro e Lorenzo obtêm autorização para cruzar a porta, fingindo buscar os apetrechos de pesca. — Eles conseguiram entrar... Será que ela está lá dentro e eles a viram? — sussurro, a adrenalina queimando minhas veias. — Só saberemos quando eles saírem e se reunirem conosco nos barcos — um dos homens da equipe murmura ao meu lado, mantendo a arma em punho. Sinto o celular vibrar contra a minha coxa. Deslizo agilmente para trás de uma rocha maior para abafar o brilho da tela e atender sem chamar atenção. — Cross! Onde vocês estão?! Estou tentando falar com o Lorenzo e ele não atende o telefone de jeito nenhum! — a voz sobressaltada de Dante, o advogado dos Bianchi, explode no auricular. — Não posso falar agora, Dante! Lorenzo está no meio da ação! Fala logo o que você quer! — esbravejo
Lorenzo Bianchi Enquanto eu alinhava os detalhes com Leonardo, dois veículos utilitários estacionaram bruscamente no pátio. Matteo desembarcou acompanhado de um grupo de homens locais dispostos a agir. — Engenheiro Cross, estes são os rapazes que aceitaram nos dar suporte — Matteo apresenta, gesticulando para um homem de pele curtida pelo sol. — O Ciro ali conhece toda aquela região litorânea como a palma da mão. Ele nos conduzirá por trilhas fechadas para cercarmos a cabana sem chamar a atenção daqueles desgraçados. — Sou pescador nativo, senhor Bianchi — Ciro intervém com firmeza. — Posso me aproximar da porta simulando ir buscar apetrechos de pesca guardados na cabana. Isso nos dará brecha para o bote. — Perfeito. Vamos estruturar as equipes agora mesmo. Precisamos agir no escuro e surpreendê-los antes do alvorecer — Leonardo determina, ajustando a lanterna tática no cinto. — E quanto aos investigadores da polícia na mansão, senhor? Vamos avisá-los para cobrirem nossa ação? —
Lorenzo Bianchi Não havia mais um pingo de paciência em mim para continuar parado, assistindo à inércia da polícia e dos negociadores que insistiam em aguardar um contato dos sequestradores. A raiva borbulhava no meu peito como ácido, queimando qualquer vestígio de diplomacia enquanto eu encarava a equipe reunida na sala da mansão. — Senhores, de acordo com o relato do Matteo, a intenção daqueles vermes é executar a minha mulher! Estamos aqui há horas e nenhuma estratégia concreta foi definida! — brado, transtornado. — Senhor Bianchi, compreenda que não podemos agir com precipitação. Criminosos com esse perfil sempre acabam pedindo um resgate — argumenta o inspetor Prestes, mantendo uma calma exasperante. — E a sua solução genial é nos deixar de braços cruzados até ser tarde demais?! Eu não vou ficar aqui esperando a confirmação da morte da Diana! Sinto o pulso acelerar descontrolado, a imagem do rosto indefeso dela dominando meus pensamentos e fazendo meu instinto possessivo gr
Enzo Bianchi Retornei a Florença determinado a assumir o controle total do escândalo envolvendo a investigação dos desvios nos contêineres da Valmont & Co., e tentar conter a empáfia da Antonella. A imprensa alardeava manchetes sensacionalistas sem parar. Curiosamente, todo esse frenesi midiático acabou servindo como a perfeita cortina de fumaça para abafar o sequestro de Diana e seu vínculo com meu irmão. Para a sociedade italiana, Lorenzo continua noivo de Antonella Russo, cujo pai, Francesco, teve a prisão decretada por chefiar o esquema de contrabando dentro da nossa exportadora. — Olá, Marcella. Como estão as coisas por aqui? — pergunto à minha assistente ao pisar no andar da presidência. Ao notar minha presença, ela me encara de sobressalto. O rosto ferve em um tom rubro de constrangimento, mas o que realmente prende minha atenção é a marca arroxeada mal disfarçada sob a maquiagem. — Olá, senhor Bianchi! As coisas estão... bastante tumultuadas por aqui — ela murmura, esqui
Lorenzo Bianchi Eu já não suportava a pressão dolorosa que esmagava o meu peito. Eu, um homem acostumado a comandar impérios e encarar homens implacáveis, sentia-me totalmente impotente. Ter a mulher que amo correndo risco de morte e ver-me de mãos atadas era uma tortura que me consumia por dentro. — O que exatamente você conversou com o Andrew? — Leonardo se aproxima com o olhar desconfiado, questionando o fato de eu saber detalhes tão íntimos do passado deles. — O suficiente para compreender os motivos que a levaram a se afastar de mim — comento, caminhando ao lado dele pelo gramado extenso da mansão em Castiglioncello. — Tive a oportunidade de expor meus dilemas e os segredos da minha família, mas nunca dei o espaço necessário para que ela me confiasse suas próprias dores. — A Diana sofreu demais quando se divorciou daquele miserável — Leo desabafa, a voz embargada por um remorso genuíno enquanto me encara. — Eu fui um completo imbecil com ela naquela época... E o pior é que







