LOGINLorenzo Bianchi
Uma semana antes...
Acabo de sair de uma reunião com alguns dos principais acionistas da Valmont & Co.
Algumas exportações estão tendo problemas com a taxação em certos países, o que nos gerou uma tremenda crise.
Para completar, fui convocado para mais um daqueles jantares de família desconfortáveis organizados pela minha mãe.
Constanza Bianchi não aceitaria uma recusa.
— Srta. Marcella, cancele todas as agendas de amanhã pela manhã. Eu não estarei disponível — informo ao passar por minha assistente.
— Mas amanhã o senhor tem uma entrevista com o canal Marketing & Negócios, com a Caterine Morete.
— Cancele. Se ela insistir, marque para daqui a cem anos — completo, antes de entrar no elevador.
Sei muito bem qual é a intenção dela com essa entrevista.
Saímos umas duas vezes e agora ela quer invadir meu espaço pessoal, achando que é minha dona.
Odeio mulher pegajosa e insistente. Sou um caçador e não me sinto confortável sendo a caça.
Desço até a garagem do edifício de luxo onde funciona a Valmont & Co.
Vou até o meu carro, um Maserati Quattroporte preto. Confortável e discreto.
Sigo para a mansão Bianchi. Se tenho que encarar a mamma, que seja cedo.
Assim dará tempo de sair de lá, tomar um drinque com o Anthony e relaxar.
— Onde está a Mamma? — pergunto à governanta assim que entro na sala e não ouço a voz dela.
— Por que esse silêncio? Não é hoje o jantar?
— Estão todos no jardim, senhor Lorenzo. O jantar será servido na área gourmet — ela diz, apontando o caminho.
Sigo em direção à saída para o jardim da mansão.
— Lorenzo, filho. Chegou cedo.
— Olá, mamma! — Eu a abraço e beijo sua testa. — Por que servir o jantar aqui hoje? Não seremos só nós?
— Não, querido. Hoje teremos visitas. Venha se juntar aos seus irmãos. Seu pai foi pegar o vinho na adega.
Se conheço bem a dona Constanza, ela está aprontando alguma.
Cumprimento meus irmãos, Enzo e Carmela.
Não somos o que chamam de irmãos unidos, mas temos uma convivência pacífica.
Sou o mais velho, de quem muito foi cobrado, e acabei saindo de casa cedo para estudar fora.
Depois assumi as empresas, o que me distanciou um pouco da rotina familiar.
— Lorenzo, não esperava você aqui tão cedo — ouço meu pai enquanto ele se aproxima com o vinho.
— Até você, pai. Parece até que estavam planejando algo para acontecer antes de eu chegar.
Percebo um olhar cúmplice entre meus pais e meus irmãos. Tenho certeza de que há algo errado.
— Como foi a reunião com os acionistas hoje? — pergunta meu pai, tentando desconversar.
— Tense, mas proveitosa. Vamos conseguir driblar isso com maestria, pai. Temos bons negociadores.
— A empresa não terá prejuízo.
Mal começamos a conversa e outras pessoas se aproximam de onde estávamos.
Francesco Russo, sua esposa Vittória e, junto com eles, sua filha Antonella.
Isso me causou um frio na espinha, arrepiando todo o meu corpo.
Algo me diz que minha mãe vai tentar me encurralar hoje.
Mas, se ela fizer o que estou pensando, o fim deste jantar não será nada agradável.
— Chegaram! Sejam bem-vindos — observo minha mãe recebê-los com muitas pompas.
Um exagero que ela não costuma ter com qualquer pessoa.
— Lorenzo, venha até aqui. Cumprimente os nossos amigos.
Que ridículo.
— Eu acabei de sair de uma reunião com o Francesco, mamma.
Olhei para o meu diretor de marketing que me dava um daqueles sorrisos amarelos.
— Por que não me falou que nos encontraríamos aqui?
— Sua mãe foi bem enfática para eu não comentar com você — percebo um certo constrangimento no tom de Francesco.
— Como vai, Vittória? Antonella... — Cumprimento as mulheres que estão ao meu lado.
Antonella se aproxima demais, quase esfregando os seios de silicone em mim.
Já a encontrei em muitos eventos, mas ela é o tipo de garota que não me atrai em nada.
— Vamos todos nos sentar aqui enquanto os últimos detalhes do jantar são providenciados. Logo será servido.
Minha mãe anuncia toda animada
Todos nos acomodamos nas poltronas distribuídas ali na área gourmet da mansão.
Na verdade, o espaço parecia mais uma extensão luxuosa da própria sala de jantar.
Me sinto profundamente desconfortável com essas pessoas presentes.
Não por elas em si, mas pelo rumo que imagino que este encontro irá tomar.
Tenho sido pressionado demais nos últimos meses. Se for o que penso, a coisa vai ficar feia.
— Lorenzo, convidamos o Francesco e sua família para este jantar para tratarmos de um assunto importante para nós.
— E, principalmente, para você.
— O que isso tem a ver comigo, papai? — Vou direto ao ponto.
— Nós já estamos insistindo com você há muito tempo sobre se casar e constituir uma família.
Ele me olha fixamente, como se estivesse me desafiando.
— O Francesco veio aqui hoje para nos conceder a mão da Antonella em casamento para você — conclui meu pai.
Fico paralisado por alguns segundos, assimilando o absurdo que acabei de ouvir.
Meu pai e minha mãe arranjando um casamento para mim, em pleno século XXI.
— Deixe-me ver se entendi bem — encaro meu pai.
Os convidados estão nitidamente constrangidos e, se depender de mim, ficarão ainda mais.
— Eu, que já falei um milhão de vezes que não quero me casar, sou trazido aqui para ouvir que estou noivo?
— Sem o meu conhecimento ou o meu consentimento?
— Está na hora de você se casar, Lorenzo.
— Não há como manter você na presidência da empresa saindo com uma mulher diferente a cada fim de semana.
— A Antonella é uma boa menina, linda e perfeita para você. Tenho certeza de que serão felizes.
Ouço as risadinhas nada discretas dos meus irmãos ao fundo.
Eles devem estar amando essa cena patética e o meu claro descontentamento.
— Vocês têm ideia do tamanho do absurdo que isso significa? — digo, tentando conter a ira que queima no meu peito.
— Eu sou um homem de trinta e dois anos, dono da minha própria vida. Não vou me sujeitar aos caprichos de vocês.
Me levanto da poltrona onde estava sentado e olho diretamente para a garota à minha frente e para os pais dela.
— Antonella, me perdoe por este momento tão constrangedor. Não é nada contra você, de verdade.
— Mas eu não tenho a menor intenção de me casar. Nem com você, nem com mais ninguém.
— Francesco, Vittória... Não sei o que meus pais disseram para vocês aceitarem essa palhaçada.
— Me desculpem, mas eu estou indo embora. Não tenho mais nada a fazer aqui.
Saio em passos largos em direção ao interior da mansão. Deixo meu pai e minha mãe aos berros para trás, chamando meu nome.
Eles esbravejam, descrevendo a vergonha pública que os estou fazendo passar. Eu não ficarei nessa casa nem mais um segundo.
Não estou disponível para qualquer tipo de relacionamento e assim deve ser.
Lorenzo Bianchi Quatro meses se passaram desde a nossa união à beira do Mediterrâneo, e hoje a nossa rotina na mansão do litoral é ditada pela paz que tanto conquistamos e, principalmente, pela barriga enorme que carrega o ápice do nosso amor. A família italiana inteira acabou fincando raízes por perto, transformando a costa em um refúgio seguro onde os fantasmas do passado finalmente perderam a força, permitindo-nos respirar sem o peso constante de ameaças. A madrugada já avançava silenciosa quando senti Diana se mexer bruscamente ao meu lado na cama, soltando um gemido abafado enquanto apertava os lençóis com força. — Lorenzo... Acorda. Acho que chegou a hora — a voz dela soou trêmula, misturando o pânico inegável com a euforia de quem esperou por este momento a vida inteira. Em frações de segundo, todo o meu instinto protetor acionou em alerta máximo, fazendo-me saltar da cama com o coração disparado contra as costelas. — Calma, meu amor, respira fundo... Eu estou aqui, vai d
Diana Cross No quarto espaçoso da mansão em Castiglioncello, o clima é de pura comoção e expectativa enquanto os preparativos finais para a cerimônia acontecem. Diante do grande espelho, encaro o meu próprio reflexo vestindo a obra-prima de renda francesa que desenha perfeitamente a minha silhueta com uma sofisticação inconfundível. Minha mãe, Lavinia, aproxima-se com os olhos marejados e as mãos trêmulas, ajeitando com todo o carinho o véu delicado sobre os meus ombros. — Minha filha... ver você radiante assim, tendo essa segunda oportunidade de ser feliz e reconstruir sua vida após aquele divórcio doloroso com o Andrew, é uma vitória que não cabe no meu peito — ela sussurra com a voz embargada, beijando o meu rosto. — Eu nunca imaginei que viveria um momento tão emocionante e experimentaria de tanta felicidade, mamãe. O Cé foi muito generoso comigo — respondo, tentando controlar as lágrimas para não borra a maquiagem. Ali conosco, Marcela e Carmela observam a cena com sorrisos
Enzo Bianchi O motor ronca suavemente enquanto guio o carro pela longa alameda arborizada que dá acesso à mansão principal, tendo a Marcela ao meu lado no banco do passageiro. Atrás de nós, no banco traseiro, o meu pai viaja acompanhado de Sofia, uma mulher elegante e culta que ele conheceu casualmente dias atrás em uma livraria de shopping em Florença. Eles vêm conversando em tons baixos e descontraídos, trocando sorrisos cúmplices que evidenciam o quanto a companhia um do outro tem feito bem ao meu pai ultimamente. Assim que estacionamos na entrada da mansão, desligo a ignição e descemos do veículo, prontos para nos juntarmos aos preparativos finais para o casamento do Lorenzo. Vejo o momento em que o meu pai abre a porta para Sofia descer, estendendo-lhe a mão com aquela cortesia clássica e protetora que parecia adormecida há tantos anos nele. Nesse instante, a porta principal da casa se abre e a minha mãe e a Carmela surgerem no hall, paralisando os passos ao verem o meu pai
Diana Cross Uma semana se passou desde o episódio tenso em que o desgraçado do Lucca Marone foi finalmente capturado e levado para a prisão. O meu irmão Leonardo está se recuperando surpreendentemente bem da cirurgia e conta com a atenção constante da namorada e da nossa mãe, que o mimam o tempo todo. Estamos todos reunidos na ampla sala da mansão, ajeitando os últimos detalhes e preparativos para o meu casamento, quando o meu irmão pigarreia e pede silêncio, exigindo a nossa atenção. — Precisamos da atenção de todos vocês por um minuto... — ele insiste, sorrindo diante da nossa euforia coletiva para saber o que ele tem a nos dizer. — Espera aí, Leo, não fala ainda! Deixa eu ligar a chamada de vídeo para o papai e o Enzo participarem também — Carmela dispara, correndo para buscar o notebook. Ela o posiciona rapidamente sobre a mesa de centro, e logo os rostos de Giovanni e do meu cunhado Enzo preenchem a tela em alta definição. — Olá, papai... Oi, Enzo! Nós temos uma grande nov
Carmela Bianchi Termino de acomodar minha mãe sob os cobertores macios da cama, ajeitando os travesseiros com cuidado quando percebo a silhueta do meu pai parado na porta do quarto, observando-nos em completo silêncio. — Papai, ... Eu a trouxe para cá porque simplesmente não tínhamos outro quarto disponível para ela ficar — digo sentindo um aperto sufocante no peito por saber que acabei invadindo o espaço dele. — Como vocês puderam cogitar a ideia de que eu aceitaria conviver sob o mesmo teto com essa mulher depois de tudo o que ela me fez passar? — percebo a mágoa profunda e cortante ecoando em sua voz dura. — Pai, ela foi abusada de forma cruel... Ela precisa de nós agora — tento argumentar, com os olhos marejados de lágrimas. — Eu sinto muito por ela, Carmela. Juro que sinto... Ela certamente não precisava ter passado por essa barbárie, mas eu também não tenho a obrigação de rasgar as minhas feridas antigas todas as vezes que olhar para o rosto dela. — Já sou um homem velho e
Diana Cross Assim que o sol despontou no horizonte, deixei a minha mãe terminando de organizar o café e, antes que o Leonardo despertasse, fui até a mansão do Giovanni em busca de notícias sobre a Carmela. Meus pais estavam hospedados por lá, mas devido à tensão da noite anterior, mamãe preferiu dormir aqui, restando apenas o papai para fazer companhia a Giovanni, que estava bastante tenso com toda aquela confusão. — Bom dia, Lina! Todos ainda estão dormindo? — pergunto assim que piso na cozinha e a encontro concentrada nos preparativos do café. — O senhor Giovanni e o seu pai já acordaram bem cedo e foram caminhar na orla — Lina responde, estendendo-me uma xícara fumegante de café com creme. — A senhorita Carmela precisou ser medicada para conseguir dormir e deve despertar mais tarde, mas a Pilar já deve aparecer por aqui daqui a pouco. — Desde que o Lorenzo partiu eu não consegui dormir direito e decidi vir até aqui saber como as coisas estavam. Ele me ligou avisando que resol







