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Levei Minha Filha e Nunca Mais Voltei
Levei Minha Filha e Nunca Mais Voltei
Auteur: Ana Clara

Capítulo 1

Auteur: Ana Clara
— Comandante Lucas, parabéns! É um meninão saudável!

— Se a Sra. Sara tiver uma menina, você vai ter um casal de filhos! Um menino e uma menina!

— A Sra. Sara provavelmente nem sabe que essa criança existe, né?

Dentro do quarto do hospital, estavam alguns homens, todos amigos próximos de Lucas.

Ao ouvir aquilo, a expressão de Lucas ficou mais séria.

— É claro que ela não sabe. E vocês também não devem dizer uma palavra para ela. Ela está na reta final da gravidez e não pode passar por emoções fortes.

— Então, quando você pretende contar a verdade? Não dá para esconder isso para sempre.

Lucas permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de responder com firmeza:

— Vou esperá-la dar à luz. Quando tivermos o nosso filho, ela não irá embora.

— Isso não vai te colocar numa situação difícil? — A mulher deitada na cama falou com delicadeza. — Lucas, eu nunca ousei pedir muito. Desde que o Antônio morreu, poder ficar ao seu lado e deixar um descendente para você já me bastava. Não queria mais nada.

— Mariana, eu prometi que cuidaria de você, e vou cumprir essa promessa. A única coisa que me dói é fazer você viver escondida ao meu lado há três anos. — O homem estendeu os braços e a puxou para o peito.

Pela fresta da porta, Sara observava o rosto daquele homem que, normalmente frio e reservado, agora transbordava ternura.

Um sorriso carregado de ironia surgiu em seus lábios.

Anos atrás, ela havia pedido o divórcio depois de descobrir que Lucas estava envolvido com Mariana, a viúva de um companheiro de guerra que havia morrido em serviço.

Ela insistia no divórcio.

Mariana ameaçava tirar a própria vida.

Entre as duas, Lucas escolheu Mariana.

Três anos depois que ela assinou o pedido de divórcio, Lucas abandonou tudo e foi até o sul procurá-la.

Quando finalmente a encontrou, ajoelhou-se diante dela e jurou que a única mulher que sempre amou era ela. Disse que o divórcio tinha sido um último recurso, apenas porque temia que Mariana realmente se suicidasse e porque não queria trair a memória do amigo morto.

Para fazê-la acreditar, chegou até a mandar Mariana para outra cidade.

Eles se conheciam há dez anos, estavam apaixonados há cinco.

Sara não conseguiu abrir mão daquele amor e, no fim, acabou cedendo e aceitando se casar com ele novamente.

Depois do casamento, Lucas parecia obcecado em compensá-la. As balas de leite de que ela gostava, por mais difíceis que fossem de encontrar, ele sempre dava um jeito de pedir que alguém trouxesse. Como ela sentia muito frio, ele desmanchou o enchimento do próprio sobretudo para costurar um casaco de algodão para ela. Até quando saía em missão, fazia o possível para telefonar e dizer que estava em segurança.

No entanto, ela nunca imaginou que, durante esses três anos, ele não havia mandado Mariana embora. Ele apenas a tinha escondido ali por perto.

Ele manteve aquele relacionamento interrompido apenas na aparência, e agora eles tinham até um filho.

Só naquele instante, Sara percebeu o tamanho do seu erro. Não importava quanto tivesse confiado nele, nem quanto amor ele parecesse lhe oferecer. Aquele relacionamento não tinha mais conserto.

Poucos dias antes, Lucas havia dito que partiria para um treinamento militar e só voltaria dali a um mês.

Ela, ingenuamente, acreditou.

Se não tivesse ido de repente fazer um exame pré-natal e presenciado aquela cena, talvez passasse a vida inteira sendo enganada como uma tola.

Como se sentisse a turbulência da mãe, o bebê em seu ventre deu alguns chutes fortes.

— Ai... que dor... — Ela se curvou, apertando a barriga.

Não era apenas a barriga, seu coração doía.

Uma pessoa que passava pelo corredor percebeu que havia algo errado e a amparou imediatamente.

— Você está bem? O que aconteceu?

— Quem está aí fora?

Ao ouvir a movimentação, todos dentro do quarto voltaram o olhar para a porta ao mesmo tempo.

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    — Sara... — Lucas sabia que nenhuma palavra seria suficiente para expressar o quanto estava arrependido. Diante dela, ajoelhou-se no chão. Com os olhos vermelhos, a encarou e disse. — Eu sei que nada do que eu disser vai mudar o que aconteceu. Mas você consegue mesmo suportar ver uma criança tão pequena crescer sem um pai?— Quem disse que ela vai crescer sem um pai? — Sara ergueu uma sobrancelha. — Um dia vou conhecer um homem muito melhor do que você, e minha filha terá um pai. E, mesmo que isso nunca aconteça, ela jamais chamará um canalha como você de pai! Lucas, se ainda resta um pingo de consciência dentro de você, vá embora agora e nunca mais apareça na minha frente nem na frente da minha filha! Caso contrário, eu me mudo com ela para um lugar onde você jamais vai nos encontrar!— Precisa mesmo ser assim? — Lucas começou a chorar. Pela primeira vez, sentiu aquela dor de verdade. — Por que não pode ser como há três anos? Me dá só mais uma chance. Só essa última, por favor...— Nã

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