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Em Quem Eu Realmente Confiava?

last update publish date: 2026-09-15 02:48:41

Kiara

A casa de Ian parecia diferente naquela noite.

Talvez porque, pela primeira vez, eu não estivesse ali apenas como alguém tentando descobrir respostas.

Eu estava entrando no lugar onde ele guardava as próprias perguntas.

Assim que fechamos a porta, ele colocou a caixa de documentos sobre a mesa.

— Trouxemos tudo?

Olhei para a caixa.

— Tudo.

Ian respirou fundo.

— Então vamos começar.

— Agora?

— Se deixarmos para amanhã, provavelmente nenhum de nós vai dormir.

Soltei uma risada c
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    O celular permaneceu na minha mão mesmo depois que a mensagem desapareceu.Por alguns segundos, nenhum de nós disse nada.O silêncio daquele porão parecia diferente agora.Antes, ele era apenas vazio.Agora parecia esconder olhos.Como se as paredes soubessem exatamente o que tínhamos acabado de descobrir.— Vamos embora — Ian disse.Olhei para ele.— Embora?— Por algumas horas.— Ian...— Kiara, você acabou de desmaiar.— Eu estou bem.— Você acabou de ter lembranças que nem sabia que existiam, descobriu que alguém apagou parte da nossa história e recebeu uma mensagem de uma pessoa que sabe exatamente o que estamos fazendo.Ele fez uma pausa.— Acho que merecemos algumas horas sem procurar respostas.Eu queria discordar.Queria dizer que não podíamos parar.Que cada minuto importava.Mas, pela primeira vez desde que tudo aquilo começou, eu estava cansada.Não apenas fisicamente.Cansada de descobrir pedaços de uma vida que eu não lembrava de ter vivido.Cansada de olhar para fotogra

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    Na manhã seguinte, a mensagem continuava na tela do meu celular. A segunda está onde tudo começou. Eu havia dormido pouco. Na verdade, quase não dormi. Passei horas olhando para o teto, tentando decidir o que aquela frase significava. O hospital Lee? A clínica? A casa do meu pai? Ou talvez algo ainda mais antigo. Ian apareceu na minha frente pouco depois das oito da manhã. — Você descobriu alguma coisa? Balancei a cabeça. — Nada. Ele olhou para o celular. — Então vamos descobrir juntos. A palavra ficou na minha cabeça. Juntos. Talvez porque, desde que tudo aquilo começou, essa fosse a primeira vez que eu não sentia que estava carregando o passado sozinha. --- O hospital Lee parecia ainda mais vazio durante o dia. A parte abandonada continuava isolada, coberta por poeira e pelo silêncio de um lugar que havia sido esquecido. Descemos até o porão. Ian carregava uma lanterna. Eu segurava a pasta com os documentos que havíamos encontrado. — A entrada subterrânea dev

  • Love In The Dark    Em Quem Eu Realmente Confiava?

    Kiara A casa de Ian parecia diferente naquela noite. Talvez porque, pela primeira vez, eu não estivesse ali apenas como alguém tentando descobrir respostas. Eu estava entrando no lugar onde ele guardava as próprias perguntas. Assim que fechamos a porta, ele colocou a caixa de documentos sobre a mesa. — Trouxemos tudo? Olhei para a caixa. — Tudo. Ian respirou fundo. — Então vamos começar. — Agora? — Se deixarmos para amanhã, provavelmente nenhum de nós vai dormir. Soltei uma risada curta. — Você tem razão. Sentamo-nos à mesa. A primeira coisa que fizemos foi organizar os documentos. Relatórios médicos. Registros de entrada. Anotações. Fotografias. Páginas incompletas. Tudo parecia fazer parte de uma história maior, mas as peças não se encaixavam. Ian abriu um dos documentos. — Olha isso. Aproximei-me. Era o registro de Killian Voss. Meu pai. Ainda era estranho ver aquele nome escrito em documentos oficiais. — Ele esteve na clínica várias vezes. — Quantas?

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    Saímos da sala dos arquivos. Eu ainda segurava a fotografia de Killian contra o peito. Não conseguia parar de olhar para aquele rosto. Meu pai. O homem que eu não lembrava. O homem que, aparentemente, havia tentado me encontrar. Caminhamos pelo corredor em silêncio. Então ouvi um som. Toc. Parei. Ian também. — Você ouviu? Ele levantou o celular, iluminando o corredor. — Ouvi. Ficamos imóveis. Nada. Apenas o silêncio do prédio abandonado. Então veio novamente. Toc. Dessa vez, mais forte. O som vinha do final do corredor. Olhei naquela direção. Havia uma porta que não tínhamos visto antes. Uma porta de metal. Escura. Sem maçaneta aparente. Acima dela, uma pequena placa enferrujada. SUBSOLO — ACESSO RESTRITO. Meu coração acelerou. — Essa porta não estava na planta. Ian se aproximou. — Não. Ele iluminou a parede ao redor. Havia marcas antigas. Como se alguma coisa tivesse sido arrastada várias vezes pelo chão. — Tem alguém aqui? — perguntei. Minha própr

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    Kiara voss Acho que acabamos de descobrir quem eu sou. A voz de Ian ainda ecoava na minha cabeça. Ele permanecia diante daquele quadro. Dr. Daniel Lee — Diretor Clínico. Seu pai. Não o meu. Por algum motivo, eu sentia que precisava deixar isso claro até para mim mesma. Daniel Lee pertencia à história de Ian. Eu ainda precisava descobrir quem pertencia à minha. Olhei novamente para as fotografias penduradas na parede. Médicos. Funcionários. Pessoas que haviam trabalhado naquela clínica anos atrás. Meu olhar passou por cada rosto até parar novamente em Daniel. Ian continuava imóvel. — Você está bem? — perguntei. Ele demorou a responder. — Não sei. Aproximei-me. — Você nunca tinha visto essa foto? — Não. Ele passou os dedos pela moldura, sem tocá-la de verdade. — Eu sabia o nome do meu pai. Sabia que ele era médico. Mas nunca imaginei que ele tivesse sido diretor daqui. — Talvez seja por isso que suas memórias começaram a voltar. Ian me olhou. — Talvez. Ficamos

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    Kiara Naquela noite, eu não consegui dormir. Não depois de descobrir que Ian também tinha perdido parte da própria memória. Não depois de descobrir que nossos pais estavam envolvidos. E muito menos depois de ver aquele pingente. Eu ainda conseguia sentir o metal frio entre meus dedos. Aquela pequena peça parecia insignificante. Mas minha memória dizia o contrário. Ela tinha pertencido à nossa história. E eu precisava saber qual. Às sete da manhã, Ian apareceu no Atelier. Eu ainda estava organizando algumas caixas quando ele entrou. Não disse bom-dia. Não sorriu. Apenas colocou uma pasta sobre o balcão. — Precisamos ir. Olhei para a pasta. — Para onde? Ele me encarou. — Lee Medical Center. Meu coração acelerou. — Hoje? — Agora. Olhei para o relógio. — Você descobriu alguma coisa? — Descobri onde ficavam os arquivos antigos. Meu corpo ficou tenso. — Como? — Um dos funcionários antigos da VOSSEN ainda trabalha para minha família. Conversei com ele ontem. — E?

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