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Capítulo 4

Autor: Crystal K
Minha voz fez Lucas dar um solavanco tão forte que ele quase derrubou o embrulho. O movimento irritou a coisa em seus braços. O bebê soltou um grito agudo e profano. Não era o choro de um filhote de lobo, mas algo muito mais maligno. Uma ponta do cobertor se soltou. Vi um par de olhos vermelho-sangues e duas presas minúsculas e afiadas. A cria de vampiro estava faminta, desesperada para cravar seus dentes em qualquer coisa viva por perto.

A expressão de Lucas mudou rapidamente — do terror para a culpa e, finalmente, para uma determinação sombria. Ele deu um passo brusco para trás e jogou o monstro gritante sobre minha cama!

— Deuses! Elena! — Lucas soltou um rugido ensurdecedor, sua atuação entrando em marcha total. — Veja o que você fez! Você deu à luz a… um monstro!

A criatura caiu perto dos meus pés e imediatamente começou a rastejar em minha direção, tentando sentir o gosto do meu sangue. Friamente, levantei meu pé e pressionei a ponta da minha bota contra o peito dela, prendendo-a nos lençóis para que não pudesse se mover.

— Bela atuação, Alfa — eu disse suavemente.

Mas minha voz foi abafada. A porta foi aberta com um estrondo. Sarah, que estava esperando do lado de fora, entrou apressada. Ela estava com uma camisola de paciente, seu rosto pálido e fraco, mas sua voz era chocantemente alta.

— O que foi? Lucas, o que aconteceu?

Sarah correu para a cama, viu o bebê vampiro preso sob meu pé e soltou um grito exagerado. Ela levou a mão à boca, lágrimas falsas escorrendo instantaneamente pelo rosto.

— Oh, Deusa da Lua… Elena… — Ela apontou um dedo trêmulo para mim, seus olhos arregalados com uma fingida incredulidade e mágoa. — Como pôde? Por poder… você traiu a alcateia e se acasalou com esses vampiros imundos?

O corredor encheu-se imediatamente de pessoas: médicos, enfermeiras e vários anciãos e guerreiros da alcateia. Claramente, todos haviam sido convidados por Sarah para assistir ao "show". Cada pessoa viu o bebê com presas lutando e chiando aos meus pés. Choque, e então, uma fúria avassaladora.

— Um vampiro!

— Estamos nas linhas de frente, sangrando por esta alcateia, e nossa Luna está na retaguarda, em conluio com o inimigo!

— Matem a abominação! Matem a traidora!

A multidão era um mar furioso. Os olhos dos guerreiros brilhavam em dourado e rosnados baixos ecoavam em seus peitos. Em tempo de guerra, não havia crime maior do que aliar-se a um vampiro.

Lucas estava no centro da multidão, com as costas eretas. Ele olhou para mim, seu rosto uma máscara de dor, conseguindo até espremer algumas lágrimas de crocodilo.

— Elena, eu a amei tanto, confiei em você… e você me traz esta vergonha.

Ele respirou fundo e seu comando de Alfa lavou a sala, silenciando o caos.

— Como o Alfa da Alcateia Snow Fang, não tolerarei esta traição que mancha nossa linhagem! — Lucas ergueu a mão direita, apontou o dedo para o meu nariz e sua voz foi fria e impiedosa. — Eu, por meio desta, destituo Elena de todos os títulos! Ela não é mais nossa Luna! Ela não está mais sob a proteção desta alcateia!

Sarah se escondeu atrás dele, um sorriso brincando em seus lábios, mas ainda gritava:

— Lucas, ela deve ter ficado confusa… Você não pode poupar a vida dela?

— Traidores não merecem viver! — Lucas a cortou com retidão, e então rugiu para a porta. — Executores! Prendam esta traidora e joguem-na nas masmorras de prata!

A sentença de morte foi declarada. Todos esperavam que eu chorasse, que implorasse por minha vida. Mas não o fiz. Sentei-me na cama, meu pé ainda prendendo o monstro de Sarah. Então, o olhar de Sarah saltou para minha cama, para o leve volume sob as cobertas. Era como se ela tivesse percebido que seu pequeno show estava sentindo falta de algo. Uma nova mãe precisava de um bebê em seus braços — o acessório perfeito para uma acusação devastadora. Ela inspirou fundo, seu rosto desmoronando na imagem perfeita de uma vítima.

— Não! Aquele é o meu bebê sob as cobertas! — Sarah gritou, sua voz crua com um pânico que parecia arrepiantemente real. Ela apontou um dedo trêmulo para mim, sua atuação atingindo o auge enquanto lágrimas corriam por seu rosto. — Ela pegou meu bebê! Lucas! Ela trocou nosso filhote! Ela está com inveja porque eu dei a você o herdeiro de sangue puro!

A acusação repentina deixou todos em silêncio atônito.

— Ela o está escondendo! Devolva meu filho!

Como uma louca, Sarah lançou-se sobre minha cama. Ela empurrou a enfermeira que tentou impedi-la e avançou para o embrulho sob os lençóis, suas mãos tateando desesperadamente.

— Meu bebê… — ela murmurou, suas mãos se fechando em volta da forma envolta.

Mas, no momento em que ela levantou o embrulho, congelou.
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