LOGINCAIM LEE
Porra… já tô caminhando um tempão, não sei ao certo quanto tempo se passou — talvez uns dez minutos, ou quem sabe mais — só sei que essa chuva não dá sinal de parar tão cedo, e eu já estou encharcado . A roupa agora pesa como chumbo, grudando na pele e fazendo cada movimento um esforço dobrado. Os tênis, que eu escolhi com tanto cuidado por serem resistentes, afundam na lama a cada passo.
Paro de repente, me encostando no tronco de uma árvore. Ergo o celular com a mão trêmula, tentando enxergar a tela fraca por entre os dedos molhados, e o que vejo me faz sentir um nó no estômago: ainda falta bastante, quilômetros ainda por percorrer dentro dessa floresta. A bateria já está pela metade.
Me agacho ali mesmo, na beira da trilha, e fico olhando para o nada, Merda. A vontade de dar meia-volta e correr de volta para o meu carro é quase irresistível. Fecho os olhos por um instante e me vejo na minha cama, o colchão macio, o cobertor quente, o silêncio seguro do meu apartamento apertado mas meu.
É onde eu deveria estar agora, descansando, esquecendo o mundo e suas confusões. Mas aqui estou eu: no meio do nada, dentro de uma floresta que parece não ter fim, debaixo dessa chuva . Se ao menos houvesse uma caverna, qualquer abrigo onde eu pudesse esperar a tempestade passar… mas não, tudo o que existe aqui é mato, barro e escuridão.
Além disso, depois de tudo o que eu já caminhei, de toda a determinação que eu reuni antes de sair de casa, não dá para simplesmente voltar atrás. Se eu desistir agora, é como se toda a minha investigação não tivessem valido de nada.
— Forças, Caim — sussurro para mim mesmo— Pense que no final tudo isso vai valer a pena. Pense na verdade que você vai descobrir, na história que ninguém mais teve coragem de contar.
Com o ânimo renovado por essa conversa comigo mesmo, levanto-me devagar, ajustando a mochila nos ombros, preparado para continuar a caminhada. Mas mal dou o primeiro passo e paro , o coração disparando no peito. Ouço um som nítido: o estalo seco de um galho quebrando-se sob um peso.
Aponto a lanterna em todas as direções, girando o corpo rapidamente, o feixe de luz cortando a escuridão .
— Tem alguém aí? — grito, tentando fazer minha voz soar firme, mas o medo deixa um tremor evidente nas palavras.
A resposta é um silêncio absoluto, interrompido apenas pelo vento que sopra entre os troncos e pelo bater incessante da chuva. Fico imóvel, ouvindo, esperando qualquer movimento. Nada. Então, olho para baixo e vejo, bem ao lado do meu pé, um galho partido que eu mesmo acabei de pisar.
Solto o ar, e passo a mão pelo rosto molhado, limpando a água que escorre pelos olhos.
— Porra, eu to muito nervoso… preciso me acalmar — murmuro, sentindo uma mistura de alívio e vergonha. A minha imaginação, somada ao cansaço e à tensão, já está me pregando peças.
Respiro fundo, e começo a andar mais rápido. Quer saber? Eu só vou chegar lá, confirmar o que está acontecendo, tirar umas fotos que provem a existência desse lugar e dessa pesquisa proibida, e depois vou embora. Ninguém precisa saber que eu estive aqui, ninguém vai me ver.
Enquanto Caim segue em frente, completamente alheio ao que se passa ao seu redor, a poucos metros, escondidos entre a vegetação densa e protegidos pela escuridão e pela chuva, dois homens observam cada um dos seus movimentos com atenção absoluta.
São os guardas designados para a ronda externa, homens treinados, e que conhecem cada palmo dessa floresta como a palma das suas mãos. Eles foram avisados pela central de segurança sobre a aproximação de um intruso, e agora, esperam apenas o momento certo para agir.
***
Ele não viu. Mas, a doze metros de distância, dois homens o observavam com clareza perfeita.
Estavam parados havia oito minutos sob uma lona camuflada que deixava a água escorrer sem barulho. Roupa impermeável preta, botas de cano alto, balaclavas. Um carregava um fuzil com silenciador a tiracolo; o outro, uma caixa preta na mão. Os óculos de visão térmica estavam levantados na testa ,não precisavam mais deles. O cheiro já tinha chegado até ali antes da imagem.
— Tô vendo — sussurrou Falcão, o mais velho, no rádio colado à garganta. Não precisava de binóculo; a luz fraca da lanterna do rapaz entregava tudo.
— Homem pequeno. Uns 60 kg no máximo. Um e sessenta. Tá tremendo e molhado até o osso.
Braga, o maior dos dois, quase 1,90m e ombros largos como um armário, respondeu sem quase mover a boca, só vibrando a garganta.
— Tá sozinho?
— Sozinho. Só uma mochila velha e lanterna de merda. Não é polícia, não é jornalista grande. É curioso. Ratinho da cidade.
Falcão sorriu por baixo da balaclava. Gostava dessa parte — não da parte de carregar depois, mas da caçada em si, daquele instante em que a presa sente que está sendo observada e não sabe de onde.
— Fecha por trás. Sem barulho, sem luz. Quando eu der dois cliques, derruba.
— Entendido. Coleira ou taser?
— Coleira.
Braga abriu a caixa preta. Dentro, uma coleira larga, de metal fosco forrado de borracha, com uma caixinha quadrada na frente e um LED vermelho piscando — feita, originalmente, para um cão de sessenta quilos. Ou, agora, para um homem magro demais.
Caim continuou andando, mas a sensação ruim não ia embora. Era como carregar um peso nas costas, um olhar físico e quente queimando a nuca inchada. O coração disparou de um jeito que não tinha nada a ver com a contração — era medo puro, animal, do tipo que faz cada som parecer um tiro, até o barulho do próprio tênis na lama.
Parou no meio de uma clareira minúscula, de não mais que dois metros de largura. A chuva tinha diminuído para uma garoa fina, mas as árvores continuavam pingando pesado, como se a mata inteira estivesse suando.
Não aguentou mais.
— EU SEI QUE TEM ALGUÉM AÍ, APARECE! — gritei com toda a força que ainda tinha, a voz rasgando no meio. — APARECE, PORRA!
Falcão fez o sinal. Dois cliques no rádio. Tic-tic.
Braga saiu da mata como se tivesse sido cuspido por ela.
Caim não viu o homem vindo só sentiu o impacto.
Foi um peso enorme nas costas, quase cem quilos de uma vez, que tirou todo o ar dos pulmões. Não foi empurrão — foi um corpo inteiro caindo de cima, jogando-o de cara na lama. A lanterna voou longe e se apagou. A boca encheu de terra, de água suja, de gosto de ferro. Tentou gritar e engasgou com lama.
HUNTERMinhas mãos, grandes e marcadas por cicatrizes, deslizam pelo corpo dele com uma urgência desesperada. Descem pela sua cintura fina, sentindo a fragilidade da sua estrutura, até alcançarem sua bunda redonda. Quando apalpo o local e percebo o quanto ele já está molhado para mim, solto um rugido baixo e gutural que vibra do fundo do meu peito.Sem dar espaço para dúvidas ou hesitações, tomo a boca dele na minha. O beijo é duro, faminto, selando nossos lábios com violência . Mordo seus lábios macios até sentir o gosto metálico e quente do seu sangue na minha língua. Caim geme contra a minha boca, um som manhoso e desesperado, enquanto enfio minha língua profundamente, chupando a dele com voracidade.Minhas unhas duras e afiadas , arranham a pele da sua bunda quando o pressiono com força contra o meu quadril, colando nossas virilhas. Ele era um corpo pequeno, franzino em comparação ao meu porte gigante, parecendo uma estrutura delicada que poderia se quebrar a qualquer segundo sob
HUNTER O silêncio na cela após a saída de Luke era denso . A porta de ferro havia se fechado com um estrondo ecoando pelo corredor, me deixando sozinho com Caim. Luke sabia exatamente o que estava fazendo ao sair. Ele conhecia meu senso de dever e sabia que, por mais que minha mente consciente quisesse se negar ou erguer muros de indiferença, minha natureza jamais deixaria um ômega vulnerável sem proteção. Ele usou isso contra mim, confiando na minha vigilância como quem deixa um guarda de prontidão junto a um tesouro perigoso. Respiro fundo, apertando minhas mãos em punho com tanta força que os nós dos meus dedos ficaram brancos . Lentamente, atravesso o pequeno espaço da cela e volto para o meu canto de costume, o mais afastado do futon onde Caim tentava se recolher. Me sento no chão frio, encostando as costas na parede e cruzando os braços sobre o peito como uma barreira física e psicológica entre mim e a tentação que emanava dele. — Você já deve ter percebido o que aconteceu e
LUKEQuando a luz começa a invadir a cela, eu desperto antes mesmo que as lâmpadas do teto se acendam por completo, guiado por aquele instinto que nunca me abandona, nem mesmo no repouso. A primeira coisa que percebo, antes de abrir os olhos, é o peso suave e familiar do corpo de Caim aninhado ao meu. Ele está colado a mim como um filhote, deitado sobre o meu peito, as pernas entrelaçadas às minhas, os braços ainda apertados com firmeza ao redor da minha cintura, como se temesse que eu desaparecesse ao acordar.Fico imóvel por um instante, apenas o observando. Passo a mão devagar pelos seus cabelos escuros, macios e desalinhados, sentindo a temperatura da sua pele sob os meus dedos. A febre do cio ainda não se extinguiu por completo — há um calor suave, que ainda emana dele.Ele se mexe devagar, soltando um suspiro curto e sonolento, e abre os olhos com dificuldade, ainda pesados pelo cansaço e pela intensidade de tudo o que vivemos. Ao me ver, deitado ao seu lado, um sorriso pequeno,
HUNTERQuando saio da academia, o corredor já está mergulhado numa penumbra mais densa, com apenas as luzes de emergência emitindo aquele brilho fraco e azulado que se tornou a marca registrada desse lugar. Hoje me esforcei mais do que o normal: levantei cargas que fariam qualquer outro alfa aqui dentro recuar depois de alguns minutos, malhei até sentir os músculos queimando e o suor escorrendo por todo o corpo. Sempre funcionou assim: quanto mais pesado o fardo, mais forte a tensão, mais intensa a confusão dentro da minha cabeça, mais eu me esforço para esgotar o corpo. Quando a fadiga toma conta, não há espaço para pensamentos, para dúvidas, para sentimentos que não sei nomear nem controlar.Hoje me exercitei até o limite, penso, enquanto caminho com passos firmes e sem pressa, como sempre faço. Irei jantar rapidamente, me limpar e dormir sem demora. Amanhã será outro dia igual a todos os outros — ou pelo menos era o que eu esperava.Mas assim que a porta da cela se abre e eu cr
Antes mesmo que eu pudesse terminar de pronunciar a última palavra, os lábios de Luke vieram de encontro aos meus de forma avassaladora. O cheiro dele aquele aroma amadeirado, quente e selvagem de alfa dominante , invadiu meus sentidos de uma só vez, e isso me deixou completamente louco. Eu nunca pensei que um beijo pudesse ser tão poderoso, tão excitante a ponto de fazer meus joelhos fraquejarem mesmo sentado.O beijo dele começa gentil, mas logo se torna firme, exigente. Sinto os lábios dele tremerem levemente contra os meus, uma prova palpável do autocontrole que ele está exercendo, antes de sua língua pedir passagem e invadir a minha boca. Eu não recuo ; devolvo o beijo com a mesma paixão, com a mesma sede.Enquanto nos beijamos, consigo sentir o quanto ele esta se segurando. É perceptível o cuidado em cada toque, o desejo de que a minha primeira vez seja perfeita, prazerosa. Ele desce os lábios para o meu pescoço, e a sensação da barba roçando a minha pele sensível é simplesme
Quando finalmente abro os olhos pela primeira vez desde que fui capturado, uma paz inexplicável e profunda se espalha pelo meu peito. Não é a paz da ignorância, mas uma calma estranha, quase mágica. No silêncio que preenche a cela, consigo sentir a presença de Ying Yue ressoando no fundo do meu ser, uma centelha morna e ancestral que me conforta e me impede de afundar no desespero. Não faço a menor ideia de que horas são. Percebo que Hunter ainda não voltou para a cela, parece que ele continua na academia.Lentamente, me viro no futon. Do outro lado da cela, vejo Luke. Ele está deitado de costas para mim, com o rosto virado para a parede , a respiração pesada e ritmada de quem luta para descansar enquanto trava uma guerra interna.A febre ainda queima sob a minha pele, fazendo minhas fontes latejarem devagar. Me mexo e sinto o tecido do meu futon incrivelmente molhado abaixo do meu quadril. Fico tenso,me sento devagar, e estendo a mão trêmula para tocar o local úmido. Quando meço a t







