LOGINPonto de Vista de KaelEu não me movi.Não por um bom tempo. Não desde que Seraphina saiu com aquele cara — Josh… alguma coisa?Eu nem conseguia lembrar o sobrenome dele. Tudo o que eu sabia era que eu estava com raiva.Não — furioso.E eu nem sabia o por quê. Talvez fosse porque, na minha cabeça, eu tinha imaginado nosso reencontro de um jeito completamente diferente.Ela deveria correr até mim, braços abertos, olhos marejados. Deveria se jogar em mim como antes — como se aquele fosse o lugar dela.Em vez disso, ela se envolveu com ele.Josh. Seja lá qual fosse o sobrenome dele. Ele era rico? Poderoso? Melhor do que eu?Não. Não podia ser.Claro, meu negócio de cassino não estava exatamente prosperando ultimamente — não depois de tudo que aconteceu com o Eric e do circo midiático que ele criou.Investidores saíram. Sussurros começaram. Pessoas demais começaram a me olhar como se eu não fosse mais intocável.Mas eu ainda tinha meu nome. Meu peso dentro da máfia.E mais do
Ponto de Vista de SeraphinaEu não fazia ideia de como explicar nada disso.Oi, pai. Seu melhor amigo, o homem que você me disse para chamar de tio, também o homem que eu amava, que me descartou com um casamento falso.Certo. Não.Antes que eu pudesse inventar uma mentira coerente, Josh inclinou levemente a cabeça.— Eu estava conversando com a Sera. Ela me pediu para levá-la para tomar um pouco de ar. Se estiver tudo bem para você, Sr. Dusk.Sob uma centena de olhares curiosos da máfia, Josh entrelaçou seus dedos nos meus — de forma aberta, intencional — e me deu um aceno educado.O olhar de meu pai voltou para nossas mãos unidas. Por um segundo aterrorizante, achei que ele explodiria.Mas, em vez disso, ele fez uma pausa… e então sorriu e deu tapinhas em meu ombro.— Vão. Eu dou conta aqui.Josh não esperou. Ele me puxou gentilmente pela multidão, e eu deixei. Sua mão estava quente.Quando passamos por Kael, ele estendeu a mão — como se fosse me agarrar de novo — mas parou
Ponto de Vista de SeraphinaMeu pai havia marcado o jantar em um dos hotéis mais sofisticados do centro da cidade.Quando Josh e eu chegamos, eu esperava algo pequeno. Íntimo. Um jantar com, no máximo, quatro pessoas.Em vez disso, entrei direto em um salão de festas com pelo menos cem convidados, lustres reluzindo acima de nós e taças de champanhe já tilintando em celebração.— Oh, não — murmurei. — De novo, pai.— Sera! — A voz do meu pai ecoou pelo salão. — Todos, minha filha está aqui! Aquela que fechou o negócio no cassino dos Dusk hoje!Uma onda de aplausos irrompeu. Senti minhas bochechas queimarem.— Josh — sussurrei, mortificada. — Não sabia que seria... esse tipo de festa.Não era apenas um jantar de família — era um evento completo. Um encontro para todas as principais famílias da máfia num raio de 160 km. E, de repente, eu não tinha tanta certeza de que trazer Josh fora uma boa ideia.Ele não era desse mundo.Exceto que, de certa forma, era.Josh não se abalou. N
Ponto de Vista de SeraphinaDesde que me juntei aos meus pais na Itália, meus dias estavam cheios de tentar aprender os detalhes do negócio do meu pai. Reuniões. Visitas. Apertos de mão. Nomes que eu deveria memorizar. Números que eu tentava não odiar.Dizia a mim mesma que o caos ajudava — mantinha minha mente longe de Nova York, de tudo que tinha dado errado lá.Hoje não era diferente. Um dos funcionários do meu pai me guiava pelo vinhedo, explicando algo sobre cronogramas de colheita e acidez das uvas, quando meu telefone vibrou.Lila.— Você soube? — ela disse antes que eu pudesse dizer oi. — Vivienne e Eric estão presos. Ambos. E Kael? O cassino e a reputação dele estão sendo destruídos pelas colunas de fofoca. Toda a máfia de Nova York está passando por uma limpeza profunda.Ela soava positivamente eufórica.Não quis apagar a empolgação dela, mas, na verdade, eu não me importava. Então disse apenas o que sentia:— Já era hora.Lila não se demorou. — E a Itália? Já conh
Ponto de Vista de Kael— Senhor Viremont — disse meu assistente pelo telefone. — Garantimos que Vivienne Walter está dentro do seu cassino. Mas o estado mental dela parece… instável. Quanto a Eric Williams, ele desapareceu do hospital. Não fez nenhuma aparição pública desde então. Suspeitamos que esteja esperando sua história vazar primeiro, para depois agitar as coisas.Assenti e desliguei a ligação.Saí do hospital com tanta pressa — tão desesperado para correr atrás de Seraphina — que deixei aquele bastardo Eric escapar. Mas pelo menos ainda tinha Vivienne.Mantê-la perto era estratégico. Ela era minha moeda de troca. Eric não ficaria longe para sempre. Não quando a mulher carregando seu filho estava em minhas mãos.E se esse escândalo se tornasse público, prejudicaria a ambos. Eric não era um qualquer — era publicamente conhecido como meu amigo. Ele também cairia. Então eu esperava poder negociar um encontro com ele.Mas eu não tinha percebido o quão longe ele estava.No ter
Ponto de Vista de KaelMeu maxilar se contraiu.Eric continuou, em tom de deboche: — Eu só estava cansado de viver na sua sombra. Eu sou tão inteligente quanto você. Tão rico quanto você. Mas não — você sempre tinha que ser o garoto dourado. Aquele que todo mundo admira. Você acha que ser seu amigo faz as pessoas se sentirem gratas? Como se você fosse algum padrinho fazendo favores para nós?Meu pulso rugia surdo nos ouvidos.— O império de drogas da minha família só decolou por causa dos seus contatos? — Eric zombou. — É, continue acreditando nisso. O grande Kael Viremont — ajudando todo mundo a construir fortuna sozinho. Quer uma medalha por isso?Ele puxou o celular.— Só espera. Vamos ver quanto tempo o seu precioso cassino aguenta quando as manchetes saírem. Espero que você goste de ver tudo pegar fogo.Vivienne entrou na conversa: — Eu ainda não acredito que aquela garota idiota da Seraphina realmente te amava. Sinceramente, não sei quem é mais burro — ela ou você.Ela
Ponto de Vista de SeraphinaVoltei a mim com o som de gritos do lado de fora da porta.— Ela é minha melhor amiga, Kael! — disse Lila, furiosa. — E a garota que você praticamente viu crescer. Por que diabos você acharia que foi ela quem empurrou a Vivienne na fonte?A voz de Kael rebateu:— Porq
Ponto de Vista de SeraphinaDepois de terminar de arrumar tudo — visto, documentos, até a renúncia formal da minha cidadania americana — restava apenas uma coisa na minha lista: a festa de aniversário da Lila.Kael e sua nova noiva estariam lá. Eu estaria mentindo se dissesse que não estava nervos
Ponto de Vista de Kael— O que ela quis dizer com "parabéns"? — eu franzi a testa, relendo a mensagem na tela. — Ela nem pareceu chateada.Eric, meu amigo, largado no sofá com uma taça de vinho na mão, me lançou um olhar.— Talvez não esteja. Ou talvez ela já tenha percebido que o casamento era f
Ponto de Vista de SeraphinaKael e eu construímos tantas memórias ao longo dos anos que eu já tinha perdido a conta.Nos aniversários dele, eu sempre fazia um bolo — queimado nas bordas, torto, mal se sustentando. Mas virou algo nosso. Nosso ritual. E, todas as vezes, sem falhar, ele segurava meu







