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Capítulo 7

Author: KarenW
Ponto de Vista de Seraphina

Vivienne estava completamente fora de si.

Virei sem dizer uma palavra e comecei a me afastar.

Não dei nem dez passos quando ouvi o grito.

Girei a tempo de ver Vivienne despencando pela escada.

E, infelizmente, eu era a única ali por perto.

Kael surgiu correndo do corredor ao lado. Os olhos dele percorreram a cena, fixaram-se em Vivienne estirada no chão — e depois imediatamente em mim, parada ao lado da escada.

— Vivienne! — ele gritou, correndo até ela.

Ele nem se importou quando quase me derrubou.

A dor disparou pelo meu tornozelo quando bati no chão, uma fisgada forte e ardente que fez minha respiração falhar.

E naquele instante, eu soube — minha última noite nos Estados Unidos seria tudo, menos tranquila.

…

Eu já estava de volta no meu quarto quando ouvi a porta se abrir com força.

Não precisei adivinhar quem era.

Mas ainda assim, vê-lo me fez recuar.

Kael parecia mais furioso do que eu já o tinha visto. Mais furioso do que quando funcionários do cassino dele desviaram dez milhões. Mais furioso do que quando descobriu que o chefe de segurança estava vazando informações para uma família rival.

— Kael — eu disse, com a voz baixa. — Me escute. Eu não—

Ele riu. Seco, sem humor.

— Outro acidente? — ele disse, a voz cortando o ar. — Mais uma das performances elaboradas da Vivienne? Sério?

Ele deu um passo mais perto, devagar, como uma tempestade prestes a cair.

— Ela está grávida, Seraphina. Você entende isso? Que tipo de mulher arriscaria o próprio filho só para fazer uma encenação?

A mão dele agarrou meu queixo — com tanta força que parecia que ele queria quebrá-lo. A dor explodiu quente e aguda ao longo da minha mandíbula enquanto eu tentava me afastar.

— Kael — eu disse, ofegante — eu não fiz isso. Você me conhece.

— Conheço? — ele disse, com amargura. Ele me soltou como se eu tivesse queimado. — Eu achava que conhecia. Mas nesses últimos dias… você não é inocente, Seraphina. Você é calculista. Você é perigosa. E a pior parte?

Os olhos dele passaram por mim com repulsa aberta.

— Eu acabei de perceber que salvei um monstro naquela noite. Não uma vítima.

Ele puxou a pistola do cinto e apontou para mim.

— Eu realmente odiaria chegar a isso — ele disse, com a voz fria. — Mas deixe-me ser claro: se eu te pegar encostando um dedo na minha mulher ou no nosso bebê de novo, eu não vou hesitar. Vou meter uma bala na sua cabeça. Entendeu?

O cano não vacilou. Nem os olhos dele.

Então — clique.

A porta se abriu lentamente.

Kael guardou a pistola com naturalidade, como se nada tivesse acontecido.

— Amiga — disse Lila — eu trouxe umas roupas. Para amanhã. Caso esteja frio quando você… viajar.

Kael se virou devagar, estreitando os olhos.

— Você vai embora?

Sustentei o olhar dele.

— Não.

Kael hesitou, a mandíbula tensa, como se estivesse ponderando cem coisas. Então se virou para sair.

Ele parou na porta, com uma mão no batente.

Nem se deu ao trabalho de olhar para trás.

— Você vai? — ele perguntou. — Para o casamento. Amanhã.

— Kael, seu completo babaca — eu juro!

Lila se levantou da cama, como se estivesse pronta para partir para cima dele ali mesmo.

Segurei a mão dela e a puxei de volta com cuidado.

— Eu não vou — eu disse, calma. — Fique tranquilo, Kael. Eu não vou estragar o dia mais feliz da sua vida. Mas espero que você e a Vivienne vivam felizes para sempre.

— É melhor você não tentar mais nenhuma estupidez — Kael murmurou sem nem se virar para olhar para mim. — Ou eu não vou hesitar em cumprir o que eu disse.

Ele bateu a porta atrás de si.

Lila soltou um longo suspiro e caiu ao meu lado de novo, passando o dorso da manga no rosto.

— Por que você simplesmente não conta para ele que vai sair do país? Que nunca mais vai voltar?

— Qual o sentido? Não é como se ele se importasse.

E eu já cansei do drama. Não quero mais nada com Kael Viremont.

…

Minha mãe enviou o jato mais cedo. Ela mal podia esperar para me ver.

E, sinceramente? O sentimento era o mesmo.

Lila foi a única que veio se despedir.

— Eu com certeza vou te visitar — ela disse, me abraçando tão forte que eu quase não conseguia respirar. — Já falei para meu ursinho que nossa lua de mel será na Itália. Assim, terei você e massa.

Eu ri, enterrando o rosto no ombro dela.

— Eu falei pro meu pai te dar uma mansão — eu disse em voz baixa. — Pode vir quando quiser. É sua. Considere-a sua segunda casa.

Mesmo quando embarquei no avião, ainda conseguia ver Lila acenando pela janela. Lágrimas escorrendo pelo rosto.

Assim que me sentei, meu celular vibrou. Kael.

O nome dele na tela quase fez meu coração parar.

Hesitei por apenas um segundo, então toquei em recusar.

Desliguei o celular, tirei o chip com facilidade e joguei no lixo.

O motor rugiu ao ganhar vida. A imagem de Lila se desfocou através do vidro.

Olhei para a cidade — Nova York, em toda a sua beleza brutal.

Um último olhar. Um último suspiro.

Que nós nunca mais nos encontremos, Kael.

Aproveite seu casamento. Exatamente como você quis.

Nunca mais vai existir uma Seraphina Dusk ingênua a te incomodar. Deixei-a para trás — morta e enterrada em Nova York.

E eu?

Estou começando de novo.

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