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Capítulo 3

Penulis: KarenW
Ponto de Vista de Seraphina

Kael e eu construímos tantas memórias ao longo dos anos que eu já tinha perdido a conta.

Nos aniversários dele, eu sempre fazia um bolo — queimado nas bordas, torto, mal se sustentando. Mas virou algo nosso. Nosso ritual. E, todas as vezes, sem falhar, ele segurava meu rosto, sorria como se eu tivesse acabado de lhe entregar a lua e dizia que era o aniversário mais especial que já teve.

Teve a noite em que fomos pegos pela chuva, rindo enquanto corríamos pelas ruas vazias, encharcados até os ossos. Ele segurou minha mão e não soltou até chegarmos ao seu vinhedo, nos arredores da cidade. Nos encolhemos sob um único cobertor na adega, ombros encostados, corações ainda mais próximos.

E então houve aquele momento — talvez o mais difícil de lembrar agora — em que meus pais me pediram para ir com eles, para recomeçar na Itália.

Eu disse não tantas vezes. Tudo porque eu tinha uma promessa a cumprir.

Eu queria estar aqui quando completasse vinte e sete anos. Por Kael, por nós.

E Kael cuidou de mim desde que minha mãe e meu pai foram embora.

Eu achei que isso significava que ele me amava. Acreditei que significava que ele me amava.

Mas agora? Agora eu vejo com clareza.

Talvez ele gostasse de mim. Talvez até gostasse da forma como eu o via como o centro do meu mundo.

Mas ele nunca me amou.

Essa parte? Aquela sagrada, real, aterrorizante?

Ele sempre reservou — para Vivienne.

…

Assim que voltei para o meu apartamento, comecei a arrumar as malas.

Não havia muito para levar, na verdade. Depois de passar pelo meu guarda-roupa e separar as coisas que eu não queria mais — metade das quais me lembravam dele — percebi que tudo o que realmente importava cabia perfeitamente em uma única mala.

O resto? Roupas, lembranças, presentes que Kael me deu ao longo dos anos — seriam vendidos ou doados. Cada centavo iria para caridade.

Essa parte, pelo menos, parecia boa, limpa.

Sentei no chão e me permiti respirar por um segundo.

Então meu telefone tocou. Lila. Minha melhor amiga em Nova York. Também uma herdeira da máfia, embora com um gosto muito melhor para homens.

— Ei, garota! — ela disse, animada, sua voz saindo pelo viva-voz como luz do sol. — Pronta para ir às compras? Desculpa por não fazermos uma festa conjunta este ano — culpa do meu namorado. Ele insiste que eu faça separado. Acho que ele está planejando algo. Talvez um pedido? Quer dizer, já faz dois anos e ele anda todo estranho e romântico…

Ela continuou falando, leve e empolgada, até finalmente parar — provavelmente percebendo que eu não tinha dito uma palavra.

Lila me conhecia. Sabia o quanto eu amava Kael. O quanto eu estava ansiosa por esse aniversário, achando que finalmente seria o nosso momento.

— O que foi, amiga? — o tom dela mudou. — O Kael fez alguma coisa idiota de novo? Eu juro, se ele—

— Acabou, Lila — eu disse em voz baixa. — Eu terminei com ele.

A linha ficou em silêncio.

— Espera. O quê? — ela perguntou, agora mais suave. — O que aconteceu? Vocês dois não iam… assumir isso neste aniversário?

Hesitei. Por um segundo, pensei em guardar tudo para mim. Mas então soltei o ar e disse em voz alta.

— Não vou passar meu aniversário em Nova York este ano. Vou voar para a Itália e ficar com meus pais.

— Você vai embora?

O choque dela não era inesperado. Ela era uma das poucas pessoas que sabiam quantas vezes eu recusei os convites dos meus pais para me juntar a eles no exterior.

Eu fiquei — por Kael.

— Sim — eu disse.

Ficamos em silêncio por um tempo. Então a voz de Lila voltou, suave e firme.

— Respeito sua decisão, amiga. Se é isso que te faz feliz…

— Vai fazer.

Ela hesitou.

— Você vai contar para ele que está indo embora?

Ela não disse o nome dele.

— Não — respondi. — E prefiro que você também não conte. Quero manter isso em silêncio. Não preciso de drama.

— Claro — ela prometeu. Então, uma breve pausa. — Espera — você ainda pode vir à minha festa de aniversário? Eu sei que o Kael pode estar lá e—

— Eu vou — interrompi com suavidade. — Você é a única pessoa com quem ainda me importo aqui. E, além disso, já escolhi seu presente há meses.

Depois que desligamos, me joguei no sofá, a cabeça apoiada nas almofadas, os olhos se fechando lentamente.

Não sei quanto tempo fiquei assim até meu telefone vibrar novamente.

Uma mensagem. De Kael.

[Qual é o seu plano para a sua festa de aniversário este ano?]

Fiquei encarando a tela. Não disse nada.

Então, outra notificação.

[Talvez eu não vá desta vez. Vou me casar. No mesmo dia.]

Meus dedos pairaram sobre o teclado.

Digitei uma palavra.

[Parabéns.]

E enviei.

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