Share

Capítulo 5

Author: KarenW
Ponto de Vista de Seraphina

Depois de terminar de arrumar tudo — visto, documentos, até a renúncia formal da minha cidadania americana — restava apenas uma coisa na minha lista: a festa de aniversário da Lila.

Kael e sua nova noiva estariam lá. Eu estaria mentindo se dissesse que não estava nervosa.

Antes de sair do meu apartamento, parei em frente ao espelho uma última vez.

Minha maquiagem hoje estava mais marcante do que o normal — delineado mais definido, sombra esfumada e um batom vermelho escarlate.

O vestido era um modelo sereia preto, que se ajustava perfeitamente ao corpo.

Essa versão de mim era a que eu sempre escondi quando Kael estava por perto — porque, em algum momento, me convenci de que ele só gostava da minha versão mais suave. A garota mais quieta que sabia desaparecer em uma sala cheia de poder.

Bem, não mais.

…

A festa da Lila estava sendo realizada no hotel mais luxuoso da cidade. O salão de baile comportava facilmente mil pessoas.

Achei que poderia entrar sem ser notada.

Mas, claro, no exato momento em que atravessei as portas, o holofote passou pela entrada.

Todas as cabeças se viraram.

Inclusive a de Kael.

Ele estava perto da frente, ao lado de Vivienne, meio de costas em uma conversa com o filho de um senador ou alguém igualmente influente.

O olhar dele veio direto para mim, percorrendo meu corpo da cabeça aos pés.

Sem expressão, mas houve um lampejo — algo ilegível.

Desagrado? Incômodo?

Não poderia me importar menos.

Vivienne me viu em seguida. Ela sorriu.

— Seraphina! — a voz dela soou alta. Amigável, até demais.

Nós não nos conhecíamos bem.

Para mim, Vivienne sempre foi apenas um nome — algo sussurrado nos lábios dos outros. Ela só tinha voltado para os Estados Unidos este ano.

— Oi, Vivienne — assenti, encontrando o olhar dela.

Risadas surgiram em algum lugar atrás de nós. Eu já podia ouvir os murmúrios baixos.

— Ela não é a ex do Kael?

— Ex? Por favor, eles nunca foram um casal. Ela só vivia seguindo o Kael como uma espécie de fã obcecada…

— Nenhum drama entre os três? Que pena, eu estava esperando uma briga.

— Mas ela está deslumbrante. Alguma garota de coração partido fica tão bem assim?

Vivienne ergueu a taça com um sorriso impecável.

— Ouvi dizer que Kael e eu marcamos o casamento por engano no seu aniversário. Acha que vai aparecer lá mais tarde?

Não dava para ignorar o tom por trás das palavras. Um desafio, perfeitamente disfarçado de civilidade.

Peguei uma taça de uma bandeja que passava e encostei levemente na dela.

— Parabéns — eu disse, com a voz leve. — Mas não estarei disponível naquela noite.

Os murmúrios aumentaram novamente.

— Ela nem piscou.

— Será que está fingindo?

— Provavelmente.

Uma garota com um vestido de coquetel justo se aproximou de mim.

— Seraphina, certo? — ela disse, jogando o cabelo para trás. — Sou a melhor amiga da Vivienne. E madrinha também.

Que ótimo para ela.

Ela se inclinou um pouco, a voz baixa o suficiente para deixar claro que aquilo não era uma conversa amigável.

— Um conselho? Se você realmente deseja o melhor para Kael e Vivienne — o que eu espero que sim — então talvez não volte a bater na porta do Kael. Não saia por aí agindo como se vocês dois já tivessem sido alguma coisa. E definitivamente não aja como se ele tivesse gostado de você também.

Olhei por cima do ombro dela — direto nos olhos de Kael.

Eu pensei que, mesmo que não estivéssemos juntos, ele pelo menos impediria que aquilo virasse um espetáculo.

Especialmente hoje. Especialmente na festa da Lila.

Mas ele parecia não ter nenhuma intenção de se envolver. Apenas observava a cena se desenrolar — distante, quase indiferente — como mais um espectador na sala.

Voltei o olhar para a madrinha e sorri.

— Não se preocupe — eu disse, com doçura. — Não há nada entre mim e Kael. Para mim, ele é apenas família. Não é, tio Kael?

Isso foi o suficiente.

O rosto de Kael ficou tenso — mandíbula travada, olhos afiados, um lampejo de algo logo abaixo da superfície.

Tio.

Aparentemente, isso agora era ofensivo.

Engraçado. Achei que ele queria que eu o chamasse assim.

Afinal, eu era só família para você, não é, Kael?

Virei sem esperar resposta e fui até Lila, entregando o presente.

Disse a mim mesma que estava bem. Que tinha superado. Mas meu coração ainda apertava — dolorido — enquanto eu observava Kael se mover pelo salão, apresentando Vivienne para todos, erguendo sua mão como se fosse realeza ao entrarem na pista de dança, beijando-a sob o lustre enquanto a multidão explodia em aplausos.

Depois de algumas bebidas, saí para o jardim, em direção à fonte, tentando tomar um pouco de ar fresco, quando uma voz veio atrás de mim.

— Seraphina. Por que você está aqui fora sozinha?

Virei e encontrei Vivienne atrás de mim.

Ela se aproximou, parando a poucos passos.

— Você está chateada com o Kael? — ela perguntou. — Por ele estar se casando comigo… e não com você?

— Por que eu ficaria chateada? — devolvi a pergunta.

Vivienne inclinou a cabeça, os olhos se estreitando levemente.

— Vamos, Seraphina. Eu já sabia sobre vocês dois. Kael me contou… sobre a sua confissão. Que, seis anos atrás, você disse que o amava. Que estava disposta a esperar por ele — anos — para provar isso.

Limpei a garganta.

— Foi imaturidade. A antiga eu, achando que poderia amar alguém como o Kael. Mas eu cresci desde então.

Endireitei os ombros.

— Kael e eu somos praticamente de mundos diferentes. Nunca daria certo. Então sim, Vivienne. Meus parabéns pelo seu casamento… são sinceros.

Meus parabéns eram sinceros — tão sinceros quanto a dor ainda presa no meu peito.

Vivienne sorriu com isso. Ajustou o vestido, deu um passo mais perto e segurou minhas mãos com delicadeza.

— Fico feliz que você veja dessa forma — ela disse suavemente. — Mas, só para garantir…

Um empurrão repentino — rápido e forte — me lançou para trás.

Ela também tropeçou para frente, se agarrando a mim como se fosse acidente.

— Só para ter certeza — eu a ouvi sussurrar, com a voz firme mesmo enquanto o mundo girava — eu preciso saber onde realmente estão os sentimentos do Kael.

A fonte era mais profunda do que eu esperava. O frio veio primeiro, seguido pelo pânico quando a água invadiu meu nariz e minha boca.

Chutei para cima, os braços se debatendo, os pulmões queimando.

E, por um segundo, achei que vi Kael.

Achei que ele mergulharia por mim, estendendo a mão, me salvando como antes.

Mas ele nem sequer se deu ao trabalho de olhar na minha direção.

Seus braços cortaram a água — direto para Vivienne. Como se eu nem estivesse ali.

Então tudo ficou escuro.

Patuloy na basahin ang aklat na ito nang libre
I-scan ang code upang i-download ang App

Pinakabagong kabanata

  • Me Apaixonei Pelo Melhor Amigo do Meu Pai   Capítulo 15

    Ponto de Vista de KaelEu não me movi.Não por um bom tempo. Não desde que Seraphina saiu com aquele cara — Josh… alguma coisa?Eu nem conseguia lembrar o sobrenome dele. Tudo o que eu sabia era que eu estava com raiva.Não — furioso.E eu nem sabia o por quê. Talvez fosse porque, na minha cabeça, eu tinha imaginado nosso reencontro de um jeito completamente diferente.Ela deveria correr até mim, braços abertos, olhos marejados. Deveria se jogar em mim como antes — como se aquele fosse o lugar dela.Em vez disso, ela se envolveu com ele.Josh. Seja lá qual fosse o sobrenome dele. Ele era rico? Poderoso? Melhor do que eu?Não. Não podia ser.Claro, meu negócio de cassino não estava exatamente prosperando ultimamente — não depois de tudo que aconteceu com o Eric e do circo midiático que ele criou.Investidores saíram. Sussurros começaram. Pessoas demais começaram a me olhar como se eu não fosse mais intocável.Mas eu ainda tinha meu nome. Meu peso dentro da máfia.E mais do

  • Me Apaixonei Pelo Melhor Amigo do Meu Pai   Capítulo 14

    Ponto de Vista de SeraphinaEu não fazia ideia de como explicar nada disso.Oi, pai. Seu melhor amigo, o homem que você me disse para chamar de tio, também o homem que eu amava, que me descartou com um casamento falso.Certo. Não.Antes que eu pudesse inventar uma mentira coerente, Josh inclinou levemente a cabeça.— Eu estava conversando com a Sera. Ela me pediu para levá-la para tomar um pouco de ar. Se estiver tudo bem para você, Sr. Dusk.Sob uma centena de olhares curiosos da máfia, Josh entrelaçou seus dedos nos meus — de forma aberta, intencional — e me deu um aceno educado.O olhar de meu pai voltou para nossas mãos unidas. Por um segundo aterrorizante, achei que ele explodiria.Mas, em vez disso, ele fez uma pausa… e então sorriu e deu tapinhas em meu ombro.— Vão. Eu dou conta aqui.Josh não esperou. Ele me puxou gentilmente pela multidão, e eu deixei. Sua mão estava quente.Quando passamos por Kael, ele estendeu a mão — como se fosse me agarrar de novo — mas parou

  • Me Apaixonei Pelo Melhor Amigo do Meu Pai   Capítulo 13

    Ponto de Vista de SeraphinaMeu pai havia marcado o jantar em um dos hotéis mais sofisticados do centro da cidade.Quando Josh e eu chegamos, eu esperava algo pequeno. Íntimo. Um jantar com, no máximo, quatro pessoas.Em vez disso, entrei direto em um salão de festas com pelo menos cem convidados, lustres reluzindo acima de nós e taças de champanhe já tilintando em celebração.— Oh, não — murmurei. — De novo, pai.— Sera! — A voz do meu pai ecoou pelo salão. — Todos, minha filha está aqui! Aquela que fechou o negócio no cassino dos Dusk hoje!Uma onda de aplausos irrompeu. Senti minhas bochechas queimarem.— Josh — sussurrei, mortificada. — Não sabia que seria... esse tipo de festa.Não era apenas um jantar de família — era um evento completo. Um encontro para todas as principais famílias da máfia num raio de 160 km. E, de repente, eu não tinha tanta certeza de que trazer Josh fora uma boa ideia.Ele não era desse mundo.Exceto que, de certa forma, era.Josh não se abalou. N

  • Me Apaixonei Pelo Melhor Amigo do Meu Pai   Capítulo 12

    Ponto de Vista de SeraphinaDesde que me juntei aos meus pais na Itália, meus dias estavam cheios de tentar aprender os detalhes do negócio do meu pai. Reuniões. Visitas. Apertos de mão. Nomes que eu deveria memorizar. Números que eu tentava não odiar.Dizia a mim mesma que o caos ajudava — mantinha minha mente longe de Nova York, de tudo que tinha dado errado lá.Hoje não era diferente. Um dos funcionários do meu pai me guiava pelo vinhedo, explicando algo sobre cronogramas de colheita e acidez das uvas, quando meu telefone vibrou.Lila.— Você soube? — ela disse antes que eu pudesse dizer oi. — Vivienne e Eric estão presos. Ambos. E Kael? O cassino e a reputação dele estão sendo destruídos pelas colunas de fofoca. Toda a máfia de Nova York está passando por uma limpeza profunda.Ela soava positivamente eufórica.Não quis apagar a empolgação dela, mas, na verdade, eu não me importava. Então disse apenas o que sentia:— Já era hora.Lila não se demorou. — E a Itália? Já conh

  • Me Apaixonei Pelo Melhor Amigo do Meu Pai   Capítulo 11

    Ponto de Vista de Kael— Senhor Viremont — disse meu assistente pelo telefone. — Garantimos que Vivienne Walter está dentro do seu cassino. Mas o estado mental dela parece… instável. Quanto a Eric Williams, ele desapareceu do hospital. Não fez nenhuma aparição pública desde então. Suspeitamos que esteja esperando sua história vazar primeiro, para depois agitar as coisas.Assenti e desliguei a ligação.Saí do hospital com tanta pressa — tão desesperado para correr atrás de Seraphina — que deixei aquele bastardo Eric escapar. Mas pelo menos ainda tinha Vivienne.Mantê-la perto era estratégico. Ela era minha moeda de troca. Eric não ficaria longe para sempre. Não quando a mulher carregando seu filho estava em minhas mãos.E se esse escândalo se tornasse público, prejudicaria a ambos. Eric não era um qualquer — era publicamente conhecido como meu amigo. Ele também cairia. Então eu esperava poder negociar um encontro com ele.Mas eu não tinha percebido o quão longe ele estava.No ter

  • Me Apaixonei Pelo Melhor Amigo do Meu Pai   Capítulo 10

    Ponto de Vista de KaelMeu maxilar se contraiu.Eric continuou, em tom de deboche: — Eu só estava cansado de viver na sua sombra. Eu sou tão inteligente quanto você. Tão rico quanto você. Mas não — você sempre tinha que ser o garoto dourado. Aquele que todo mundo admira. Você acha que ser seu amigo faz as pessoas se sentirem gratas? Como se você fosse algum padrinho fazendo favores para nós?Meu pulso rugia surdo nos ouvidos.— O império de drogas da minha família só decolou por causa dos seus contatos? — Eric zombou. — É, continue acreditando nisso. O grande Kael Viremont — ajudando todo mundo a construir fortuna sozinho. Quer uma medalha por isso?Ele puxou o celular.— Só espera. Vamos ver quanto tempo o seu precioso cassino aguenta quando as manchetes saírem. Espero que você goste de ver tudo pegar fogo.Vivienne entrou na conversa: — Eu ainda não acredito que aquela garota idiota da Seraphina realmente te amava. Sinceramente, não sei quem é mais burro — ela ou você.Ela

  • Me Apaixonei Pelo Melhor Amigo do Meu Pai   Capítulo 7

    Ponto de Vista de SeraphinaVivienne estava completamente fora de si.Virei sem dizer uma palavra e comecei a me afastar.Não dei nem dez passos quando ouvi o grito.Girei a tempo de ver Vivienne despencando pela escada.E, infelizmente, eu era a única ali por perto.Kael surgiu correndo do co

  • Me Apaixonei Pelo Melhor Amigo do Meu Pai   Capítulo 6

    Ponto de Vista de SeraphinaVoltei a mim com o som de gritos do lado de fora da porta.— Ela é minha melhor amiga, Kael! — disse Lila, furiosa. — E a garota que você praticamente viu crescer. Por que diabos você acharia que foi ela quem empurrou a Vivienne na fonte?A voz de Kael rebateu:— Porq

  • Me Apaixonei Pelo Melhor Amigo do Meu Pai   Capítulo 4

    Ponto de Vista de Kael— O que ela quis dizer com "parabéns"? — eu franzi a testa, relendo a mensagem na tela. — Ela nem pareceu chateada.Eric, meu amigo, largado no sofá com uma taça de vinho na mão, me lançou um olhar.— Talvez não esteja. Ou talvez ela já tenha percebido que o casamento era f

  • Me Apaixonei Pelo Melhor Amigo do Meu Pai   Capítulo 3

    Ponto de Vista de SeraphinaKael e eu construímos tantas memórias ao longo dos anos que eu já tinha perdido a conta.Nos aniversários dele, eu sempre fazia um bolo — queimado nas bordas, torto, mal se sustentando. Mas virou algo nosso. Nosso ritual. E, todas as vezes, sem falhar, ele segurava meu

Higit pang Kabanata
Galugarin at basahin ang magagandang nobela
Libreng basahin ang magagandang nobela sa GoodNovel app. I-download ang mga librong gusto mo at basahin kahit saan at anumang oras.
Libreng basahin ang mga aklat sa app
I-scan ang code para mabasa sa App
DMCA.com Protection Status