Ponto de Vista de SeraphinaKael e eu construímos tantas memórias ao longo dos anos que eu já tinha perdido a conta.Nos aniversários dele, eu sempre fazia um bolo — queimado nas bordas, torto, mal se sustentando. Mas virou algo nosso. Nosso ritual. E, todas as vezes, sem falhar, ele segurava meu rosto, sorria como se eu tivesse acabado de lhe entregar a lua e dizia que era o aniversário mais especial que já teve.Teve a noite em que fomos pegos pela chuva, rindo enquanto corríamos pelas ruas vazias, encharcados até os ossos. Ele segurou minha mão e não soltou até chegarmos ao seu vinhedo, nos arredores da cidade. Nos encolhemos sob um único cobertor na adega, ombros encostados, corações ainda mais próximos.E então houve aquele momento — talvez o mais difícil de lembrar agora — em que meus pais me pediram para ir com eles, para recomeçar na Itália.Eu disse não tantas vezes. Tudo porque eu tinha uma promessa a cumprir.Eu queria estar aqui quando completasse vinte e sete anos. P
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