로그인Beatriz baixou os olhos. Quando voltou a falar, sua voz estava fria.— Então você mudou? Não ama mais o Rique?Os dedos de Natália se contraíram de repente.Ela teve uma vontade enorme de responder: "Isso mesmo. Não amo mais."Mas ainda não podia dizer aquilo.Forçou um sorriso.— Vó, a senhora sabe o quanto eu amo o Rique. Desde pequena, vivia correndo atrás dele.Henrique ergueu os olhos para ela. Ficou observando-a por alguns instantes, depois baixou a cabeça e continuou tomando café da manhã sem pressa.— Não. Tem alguma coisa errada.O olhar de Beatriz se deteve no pescoço de Natália, onde não havia marca alguma.Antes, quando o casal passava a noite na mansão da família, Natália sempre aparecia na manhã seguinte com marcas de intimidade no pescoço.Por isso, Beatriz tinha certeza de que nada havia acontecido entre os dois na noite anterior.Antigamente, bastava Beatriz ficar do lado de Natália para que ela se agarrasse a Henrique.E, com a avó por perto, ele também não a rejeitav
O problema era que Natália não tinha nem como tomar banho e trocar de roupa.Havia levado todas as suas roupas embora. No closet, só restavam as coisas de Henrique.Quando ele saiu do banho, encontrou Natália sentada diante da penteadeira, ainda maquiada, mexendo no celular.Henrique voltou ao closet, pegou uma de suas camisas e a jogou na direção dela.A peça caiu bem em cima da cabeça de Natália, que ficou sem entender nada por um instante.Ela tirou a camisa da cabeça e sentiu o leve aroma de pinho que vinha do tecido. Só então entendeu o que Henrique queria: que tomasse banho e vestisse uma roupa dele.Sem mudar de expressão, Natália jogou a camisa de volta.— Não precisa. Vou ficar aqui mais um pouco. Quando a vó dormir, vou para o quarto de hóspedes.Henrique a encarou por alguns instantes antes de responder, indiferente:— A vó mandou a Lúcia trancar todos os quartos de hóspedes.Natália respirou fundo.Pelo visto, Beatriz havia percebido que alguma coisa não ia bem entre os doi
Mas agora, mesmo correndo o risco de despertar as suspeitas de Beatriz, Natália simplesmente não conseguia mais se aproximar de Henrique.Ele lançou um olhar discreto para ela. Ao perceber que Natália não fazia nenhuma menção de se aproximar, desviou os olhos em silêncio.— Vó, já estamos casados há quatro anos.Beatriz soltou um resmungo de desdém.— Só quatro anos e já acabou a paixão? A Nati ainda é tão jovem! É claro que gosta de um pouco de romance. E você nem se esforça para entrar no clima! Cuidado para ela não arrumar um rapaz mais novo e largar você!Henrique respondeu com a voz firme e tranquila:— Ela não faria isso.Natália conteve a irritação e interrompeu:— Vó, acho que vai chover. Melhor a gente subir.Beatriz olhou para o céu, que estava carregado de nuvens escuras.— Está bem. Vamos subir.Quando entraram no elevador, porém, deram de cara com Sofia, justamente a última pessoa que esperavam encontrar.Por baixo do casaco, ela ainda usava uma camisola hospitalar. Havia
Beatriz vinha de uma família com uma longa tradição na área da saúde. Embora não tivesse seguido a profissão dos antepassados, ainda sabia examinar o pulso.Mas não percebeu nada de diferente.Decepcionada, soltou o pulso de Natália e se sentou à mesa.— Vocês estão tentando ter um filho, não estão?Henrique respondeu em tom indiferente:— Estamos.Beatriz suspirou.— Se tivessem começado a tentar logo depois do casamento, a essa altura a criança já estaria até na pré-escola. Você sempre teve juízo pra tudo, mas, quando o assunto é esse... E ainda tem aquela Sofia.Ao mencionar Sofia, Beatriz se voltou para Natália e explicou:— Nati, não vá pensar besteira. Já conversei com o Rique. Não existe nada entre ele e Sofia. Ela tem uma deficiência física, e os dois se conhecem há muitos anos. Ele só quis dar uma força.Sua expressão ficou mais séria, e ela continuou em tom grave:— Além disso, o grupo está investindo pesado em projetos de inteligência artificial, e Sofia entende muito do ass
Beatriz se voltou para Natália.— Nati, afinal, o que aconteceu? Me explica isso direito.Henrique também olhou para ela. Sob as sobrancelhas marcadas, seus olhos ligeiramente fundos tinham uma expressão indecifrável.Natália entendeu perfeitamente o recado.Era uma ameaça.Se ousasse contar a verdade, ele dificultaria a cirurgia da avó.Ela forçou um sorriso antes de responder:— Vó, fui eu que decidi sair. Já entrei para outra companhia de dança. Não precisa se preocupar comigo.Beatriz cerrou os dentes e encarou Sofia.— Mesmo assim, não vou permitir que essa mulher faça o que bem entender num lugar financiado pela família Vasconcelos! Henrique, ligue agora mesmo e mande demiti-la!Com os olhos vermelhos, Sofia olhou para Henrique, buscando seu apoio.Ele se colocou à frente dela, protegendo-a com o próprio corpo.— Vó, a participação dela já está decidida. A apresentação está chegando, e a lista de bailarinos já foi entregue. Não dá mais para substituir ninguém.Natália soltou uma
Beatriz percebeu a hostilidade nas palavras dos dois. Também sabia que Henrique era o principal investidor do Centro Artístico de Santa Aurora. Se Natália havia deixado o emprego de repente, ele certamente sabia o motivo.— Afinal, o que foi que aconteceu...?Augusto interrompeu:— Ela não mudou de trabalho?Beatriz franziu a testa.— Mudou para quê?Natália explicou:— Só investi na companhia de dança de um antigo colega de dança.Beatriz ficou ainda mais confusa.— Colega? Um homem?Natália sempre fora muito cuidadosa nesse aspecto. Fazia questão de manter distância dos outros homens, e era justamente por isso que Beatriz nunca se preocupara em deixá-la trabalhar num ambiente onde circulava todo tipo de gente.Afinal, sabia muito bem o quanto Natália amava Henrique.Mas agora a moça parecia ter perdido a noção das prioridades, a ponto de se envolver num projeto com outro homem.— E o seu trabalho no centro artístico?— Vó, não precisa se meter nisso. — Disse Henrique.— Fui demitida.







