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Capítulo 2

Author: Bolso Estrela
Ao chegar à entrada do salão de banquetes, Heloísa viu Antonela pessoalmente pela primeira vez.

Até então, tudo o que sabia sobre aquela garota havia sido contado por Ricardo.

Por exemplo, Antonela vinha de uma família pobre, trabalhava duro desde pequena e era a garota com o maior nível de escolaridade de toda a cidade. Antonela era muito inteligente, a aluna mais inteligente que Ricardo já havia orientado. Antonela era pura e radiante, resiliente e determinada, como um girassol que se esforçava para absorver cada raio de sol.

Naquele momento, Heloísa olhou para Antonela, que aguardava na entrada do salão para entrar na cerimônia.

Ela realmente era encantadora e deslumbrante. Vestida com um lindo vestido de noiva branco, permanecia ali com o rosto tomado pela ansiedade e pela timidez próprias de uma noiva.

— O que eu faço? Está quase na hora de entrar e estou tão nervosa. E se eu não conseguir andar direito e cair? Eu sempre uso tênis, não estou acostumada a andar de salto...

Os funcionários da empresa de organização do casamento estavam posicionados dos dois lados e sorriam enquanto a encorajavam:

— Não fique nervosa. Lá dentro estarão as damas de honra e a nossa equipe. Não vamos deixar você cair. Apenas fique tranquila e foque em ser uma linda noiva!

— Eu estou bonita? — Antonela segurou delicadamente a barra do vestido com as duas mãos e perguntou, sorrindo com uma doçura encantadora.

— Linda. Você é a noiva mais linda!

Os funcionários também sorriram ao responder.

Essa foi a cena que Heloísa encontrou ao chegar ao salão.

Seus olhos brilharam levemente, mas seu coração se encheu de amargura.

No passado, ela também havia esperado pelo casamento com Ricardo com enorme ansiedade.

Naquela época, Ricardo lhe disse com uma expressão séria:

— Este ano é crucial para eu ser promovido a professor associado. A empresa e o laboratório também acabaram de começar. Realmente não tenho tempo para realizar um casamento.

Aos vinte e um anos, ela compreendeu Ricardo, que tinha vinte e seis. Mas nunca imaginou que, sete anos depois, aos vinte e oito, teria de comparecer ao casamento do próprio marido com outra mulher.

Antonela percebeu a presença de Heloísa. O sorriso em seu rosto congelou por um breve instante, antes de florescer ainda mais radiante.

— Bem-vinda ao meu casamento com o professor Ricardo.

Naquele momento, Heloísa quis perguntar: "Você sabe que Ricardo já é casado?"

Mas, antes que pudesse abrir a boca, a voz clara e alta do mestre de cerimônias veio de dentro do salão:

— Vamos receber a noiva!

Assim que a voz cessou, as portas do salão começaram a se abrir lentamente.

Ao ver as portas se abrindo, Antonela rapidamente endireitou o corpo. Acompanhada de perto pelas damas de honra e pelos funcionários, ela entrou lentamente no salão, parecendo uma fada.

Heloísa permaneceu onde estava, observando Antonela entrar. Seus olhos, antes tranquilos, acompanharam a figura da outra mulher até dentro do salão.

O salão de banquetes não era muito grande, mas estava decorado de maneira extremamente romântica.

Estava lotado.

Heloísa olhou em volta e percebeu que todos eram rostos desconhecidos. Provavelmente, a maioria era composta por parentes e amigos da família Neves.

Quando a noiva entrou, todas as luzes ao redor do salão se apagaram. Toda a iluminação se concentrou no casal sobre o altar.

Antes que os funcionários fechassem as portas do salão, Heloísa entrou lentamente.

Permaneceu na escuridão abaixo do altar, como todos os outros convidados, com um sorriso no rosto enquanto olhava fixamente para os noivos.

Foi naquele momento que finalmente viu Ricardo com absoluta clareza.

O homem que havia compartilhado a cama com ela e vivido ao seu lado durante sete anos agora vestia um elegante terno branco, recebendo solenemente sua noiva das mãos de Osmar.

— Ricardo, estou entregando Antonela a você. A partir de agora, cuide bem dela. — Osmar sorriu enquanto o aconselhava.

— Sim. — A voz de Ricardo era tão atraente que parecia capaz de fazer qualquer mulher se apaixonar. Sua resposta foi firme e sincera.

Em seguida, ele segurou com firmeza a mão de Antonela.

Ao ver os olhos dela avermelhados e as lágrimas escorrendo, Ricardo levantou a outra mão e, com delicadeza, enxugou o brilho úmido de seu rosto.

Que cena linda, que casal tão perfeito e encantador.

Parada ali, Heloísa conseguia ouvir claramente a emoção e a inveja das mulheres ao seu redor. Mas seu olhar permanecia firmemente preso às mãos entrelaçadas de Ricardo e Antonela.

Ela já não conseguia se lembrar de quando tinha sido a última vez que Ricardo havia segurado sua mão.

Pensando bem, talvez ele nunca tivesse segurado sua mão em público. Da mesma forma, nunca a tinha reconhecido publicamente como sua esposa.

E, durante aqueles sete anos, ela nunca havia percebido isso. Sempre acreditou que Ricardo era reservado, contido, alguém que nunca demonstrava suas emoções. Por isso, sempre se adaptava ao jeito dele.

Mas agora, olhando para ele, parecia que não era bem assim. Afinal, Ricardo também sabia demonstrar abertamente suas emoções, também tinha um lado gentil e sensível.

Heloísa respirou profundamente. Mas aquela pressão dolorosa que se acumulava em seu peito, trazendo uma sensação de amargura, simplesmente não se dissipava.

A cerimônia continuava. Havia chegado o momento em que os pais dos noivos subiriam para fazer seus discursos.

Os pais de Antonela subiram juntos ao palco e ficaram ao lado de Antonela.

Heloísa viu Osmar segurando um microfone e algumas folhas de papel nas mãos e imaginou que seria ele quem faria o discurso. No entanto, no segundo seguinte, as palavras do mestre de cerimônias fizeram seu coração se contrair violentamente.

— Agora, vamos receber a mãe do noivo, a Sra. Márcia Brito, e o pequeno Ravi, filho do noivo!

A respiração de Heloísa parou abruptamente. Ela olhou, incrédula, para aquela dupla que subia lentamente ao palco de mãos dadas. Eram simplesmente sua sogra, Márcia, e seu filho de seis anos, Ravi.

— Ra-Ravi... por quê...? — Heloísa murmurou, sem conseguir entender.

Ravi passava quase todos os fins de semana na antiga mansão da família Guimarães.

No dia anterior, ela mesma o tinha levado até lá.

Na ocasião, sua sogra, Márcia, ainda disse que levaria Ravi a uma reunião com os colegas de classe naquele dia. Mas então, por que os dois, avó e neto, estavam ali?

Márcia sorria gentilmente, e seu olhar para Antonela estava repleto de carinho.

Heloísa só havia visto aquele tipo de sorriso e aquele olhar no rosto de Márcia uma única vez, no dia em que tinha dado à luz.

Naquele dia, ela lhe disse com culpa:

— Helô, me desculpe. Você sofreu muito.

Mas tinha sido apenas aquela vez. Depois disso, Márcia voltou a ser a mesma sogra distante e fria de sempre.

Ravi estava entre Márcia e Ricardo. Diante de tantas pessoas, tanto no altar quanto abaixo dele, não demonstrava o menor sinal de timidez. Pelo contrário, sorria alegremente enquanto olhava para Antonela.

O sorriso no rosto do filho feriu profundamente Heloísa. A dor abafada em seu peito fez seus ouvidos zumbirem repetidamente, a ponto de ela não conseguir ouvir absolutamente nada do discurso dos pais dos noivos.

Até que o mestre de cerimônias entregou o microfone ao Ravi:

— Pequeno, há alguma coisa que você queira dizer?

Ravi pegou o microfone com a calma de um pequeno adulto. Então ergueu a cabeça e olhou para o pai, Ricardo, e para Antonela ao lado dele.

No belo rosto de Ricardo havia um sorriso carinhoso e gentil. Sua mão esguia, de dedos longos, acariciava delicadamente a cabeça de Ravi.

Sob os olhares de todos, a voz infantil e meiga de Ravi soou pelo microfone:

— Estou muito feliz! A tia Nela vai ser minha mamãe daqui para frente! Eu gosto da tia Nela, quero que ela seja minha mamãe!

Assim que Ravi terminou de falar, uma calorosa salva de palmas tomou conta do salão.

Com os olhos avermelhados, Antonela se agachou e abraçou Ravi com força.

Que cena comovente de mãe e filho, tão cheia de carinho...

— E eu? — Heloísa permanecia de pé.

Naquele momento, era como se a escuridão a estivesse engolindo. Diante de cada cena ofuscante sobre o palco, seu corpo parecia ter despencado em um abismo.

"Ravi gosta da Antonela... Ele quer que Antonela seja sua mãe...

E eu?

Eu sou a sua mãe!"

Uma profunda sensação de impotência se espalhou por todo o corpo de Heloísa. Era o desespero de ser traída pela pessoa que ela mais amava.

Naquele instante, era como se tivesse retornado sete anos no passado, àquela noite em que todos aqueles que amava a haviam abandonado, e ela sentiu o coração ser dilacerado.

Depois da comoção, chegou o momento da troca das alianças.

O mestre de cerimônias anunciou:

— Eu vos declaro marido e mulher! Agora, o noivo pode beijar a noiva!

No palco, Ricardo ficou claramente surpreso naquele momento. Ele não beijou Antonela imediatamente. Em vez disso, virou a cabeça para o mestre de cerimônias, olhando para ele com uma expressão de dúvida e questionamento.

O mestre de cerimônias ficou paralisado. Sem entender por que Ricardo não beijava a noiva e, em vez disso, ficava olhando para ele daquela maneira. Na cabeça dele, não havia absolutamente nenhum problema com o andamento da cerimônia. Tudo estava sendo conduzido de acordo com o roteiro previamente combinado com a noiva e a empresa de organização do casamento.

Os aplausos e risadas que antes enchiam o salão cessaram abruptamente diante da hesitação de Ricardo. Os convidados não conseguiram esconder a perplexidade e olharam para ele.

Por alguns instantes, a cerimônia mergulhou em um silêncio constrangedor.

Com os olhos avermelhados, Antonela ergueu a cabeça para olhar para Ricardo, parecendo um cachorrinho assustado.

Discretamente, puxou a mão dele e sussurrou, usando uma voz que apenas Ricardo poderia ouvir:

— Professor, todos estão olhando...

Ricardo desviou o olhar e voltou-se para os pais de Antonela e para os inúmeros parentes e amigos da família Neves abaixo do palco.

O mestre de cerimônias pensou que Ricardo estava com vergonha de beijar a noiva na frente de todos. Então, num lampejo de inspiração, tomou o microfone e disse:

— Parece que o noivo está tímido! Vamos todos dar uma força para ele. Beija! Beija!

Sob a liderança do mestre de cerimônias, os convidados começaram a acompanhar o coro.

Em pouco tempo, todo o salão de banquetes estava tomado por vozes que se sobrepunham:

— Beija! Beija!

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