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Capítulo 3

Penulis: Bolso Estrela
Ricardo apertou os lábios. Um lampejo de hesitação e conflito passou por seus olhos, mas, no fim, em meio aos repetidos gritos de "beija", ele se aproximou lentamente dos lábios vermelhos de Antonela.

Antonela fechou os olhos e ergueu o rosto, como uma princesa esperando pelo beijo do príncipe que viria salvá-la.

Os gritos diminuíram, e uma música suave e romântica começou a tocar.

Todo o salão do casamento parecia mergulhado em um mar de romance e encantamento.

Foi então que uma salva de palmas completamente inadequada soou, interrompendo tudo.

— Muito bem! Que lindo! Beija! — Heloísa bateu palmas enquanto avançava.

Os saltos altos sob seus pés batiam contra o chão do palco, produzindo um som seco e ritmado. E assim, ela saiu da escuridão e caminhou até o palco, iluminado e romântico.

O salão mergulhou imediatamente em uma confusão. Todos olharam fixamente para Heloísa, que havia aparecido de repente no palco.

O que estava acontecendo?

Quem era aquela mulher?

Como ela podia ser tão sem educação? O casamento estava acontecendo tranquilamente, e ela simplesmente subiu ao palco para quê?

— Ei, você não é da família do Ricardo? O que está fazendo no palco? Desça imediatamente! — Osmar mudou completamente a atitude que tinha tido antes com Heloísa e a repreendeu.

Aquele era o casamento que faria com que ele e toda a família Neves fossem o centro das atenções. Todos da cidade invejariam sua filha por ter se casado com um homem rico e poderoso.

E daí que ele já tivesse um filho de seis anos? A criança também gostava de Antonela.

Depois de se casar com ele, Antonela seria uma jovem senhora rica. Por isso, ninguém poderia estragar aquele casamento.

Os funcionários da empresa de organização do casamento também foram puxar Heloísa, tentando tirá-la do palco.

— Senhora, a cerimônia ainda não terminou. Pessoas que não fazem parte dela não podem subir no altar.

Heloísa desviou-se dos funcionários e avançou lentamente.

— Eu faço parte dela. Sou parente de Ricardo. Ricardo, diga o que eu sou para você. — Sem desviar os olhos de Ricardo, perguntou.

Ao ver Heloísa, o pânico passou pelos olhos de Ricardo por um breve instante. Logo depois, ele franziu a testa e a advertiu friamente:

— Heloísa, este não é o momento para você fazer uma cena. Vá embora imediatamente. Depois eu explico tudo para você.

— Explicar? — Heloísa soltou uma risada. — O casamento já aconteceu. O que ainda há para explicar?

— Eu já disse que vou explicar tudo. Agora vá embora! — A voz de Ricardo ficou ainda mais baixa e impaciente, carregada de advertência.

No passado, sempre que Ricardo falava com ela daquela maneira, Heloísa cooperava. Mas, dessa vez, ela não faria isso.

— Você é aluna do Ricardo, não é? — Heloísa olhou para Antonela, que estava com uma expressão de choque e desamparo. — Eu ouço falar de você em casa com frequência. Ele sempre diz coisas maravilhosas a seu respeito. Mas, se você é tão maravilhosa assim, por que decidiu ser uma destruidora de lares?

Assim que suas palavras terminaram, todo o salão explodiu em alvoroço.

Destruidora de lares?

A filha da família Neves era uma amante?

A esposa legítima apareceu no casamento?

O rosto de Antonela ficou mortalmente pálido.

— Eu... eu não sabia... — Ela cambaleou para trás, escondendo-se atrás de Ricardo.

— Não sabia o quê? Que era a amante? Que Ricardo já tinha uma esposa? Ou você sabia que ele era casado e, mesmo assim, escolheu ser a outra e ainda se divertia com isso?

— Heloísa! — Ricardo a repreendeu em voz alta, com um olhar frio e severo.

— Eu... — Antonela estava emocionalmente abalada.

Instintivamente, olhou para Ricardo com os olhos vermelhos. Então, cambaleou e caiu em seus braços. Suas lágrimas escorreram sem parar, borrando sua delicada maquiagem.

Ainda assim, ela apenas cobriu a boca com a mão e não disse uma palavra, parecendo uma flor despedaçada.

— Ah! Mamãe! Não deixo você maltratar a tia Nela! — Ravi correu até Heloísa com suas pequenas pernas e começou a empurrá-la repetidamente. — Mamãe, vai embora! Este é o casamento do papai com a tia Nela! Vai embora! Vai embora!

Heloísa olhou fixamente para o próprio filho. Cada um daqueles empurrões, feitos com toda a força que ele tinha, parecia um pesado martelo golpeando diretamente seu coração.

— Ravi, eu sou a sua mãe... — Sua voz tremia.

— Eu não quero que você seja minha mãe! Eu quero que a tia Nela seja minha mãe! Você é chata! Eu não gosto de você!

A respiração de Heloísa ficou presa.

Ela nunca imaginou que o filho pelo qual ela tinha arriscado a vida pudesse odiá-la.

Sua sogra, Márcia, aproximou-se com o rosto frio e segurou Ravi, que ainda estava agitado.

Ao encarar a expressão magoada de Heloísa, seu olhar vacilou, demonstrando certo desconforto.

— Você veio até aqui para se humilhar? Volte para casa. Não continue aqui se fazendo de ridícula. Estou fazendo isso pelo seu próprio bem. — Suas palavras foram extremamente frias.

— Eu estou me humilhando? — Heloísa soltou uma risada amarga.

Seu olhar passou por Márcia e pousou em Ricardo. As lágrimas se acumularam em seus olhos, mas ela as conteve à força, sem permitir que caíssem.

Ela pensava que, depois de passar por aquele abandono de sete anos atrás, casar-se com Ricardo e finalmente ter uma família e um filho que fossem seus, nunca mais seria abandonada.

Mas, no fim das contas, ela só tinha a si mesma...

— Ricardo, quero me divorciar de você. — Heloísa disse calmamente.

Sem enlouquecer, sem insistir, sem questioná-lo.

Assim que terminou de falar, virou-se e foi embora.

Ao observar as costas de Heloísa se afastando com determinação, o coração de Ricardo se contraiu de repente. Ele nunca tinha visto Heloísa daquele jeito em todos aqueles anos.

— Heloísa... — Sem pensar, ele deu um passo para segui-la.

Mas, atrás dele, naquele instante, soou um forte estalo. Era a bofetada de Osmar.

— Antonela, o que significa tudo isso? — Ele tinha acertado com força o rosto de Antonela.

Antonela cobriu o rosto e olhou desesperada e impotente para Ricardo.

As discussões e os olhares dos convidados a deixaram ainda mais pálida e sem fôlego. Então, seus olhos reviraram e ela desmaiou.

— Papai, a tia Nela desmaiou!

Ao ouvir isso, Ricardo parou imediatamente. Virou-se e correu até Antonela.

— Antonela!

Diante dos olhares de todos, ele ergueu Antonela nos braços. Sem se importar com os olhares ao redor, saiu em direção ao hospital.

A noite foi caindo aos poucos. Nas estradas da pequena cidade, quase não havia mais ninguém.

Heloísa caminhava mecanicamente, sem rumo. Sua mente estava completamente vazia. Parecia estar pensando em tantas coisas, mas, ao mesmo tempo, era como se não estivesse pensando em nada.

As emoções intensas, fortes o suficiente para fazê-la sufocar, finalmente a venceram. Seu estômago se revolveu violentamente. Ela não conseguiu mais se conter e se agachou à beira da estrada, vomitando.

De repente, um guincho agudo de pneus rompeu o silêncio e interrompeu tudo.

Quando Heloísa se deu conta do que estava acontecendo, um carro preto já havia parado diante dela. Estava a menos de cinco centímetros de seu corpo.

Ela apenas olhou para o carro, com o rosto pálido. Naquele momento, ela não tinha forças para lidar com ninguém nem com nada.

Sem dizer uma palavra, levantou-se, contornou a frente do carro e continuou seu caminho.

Dentro do veículo, Túlio Gonçalves ainda estava assustado com o ocorrido. Ao olhar para a mulher que se afastava, arregalou os olhos.

— Chefe, aquela mulher não era a filha mais velha da sua família? — Assim que terminou de falar, Túlio percebeu o que havia dito e imediatamente corrigiu. — Quer dizer, não era a Srta. Heloísa?

No banco traseiro, o homem de aparência nobre observava sem expressão a figura de Heloísa se afastando. Seus olhos profundos pareciam os de uma serpente escondida na escuridão da noite.

Túlio tinha certeza de que não havia se enganado de pessoa.

— Chefe, acho que a Srta. Heloísa não está nada bem. Quer que eu vá ver se ela está bem? — Virou-se para Nicolas.

Nicolas desviou o olhar e seus olhos se fecharam levemente.

Após alguns segundos de silêncio, ele respondeu com indiferença:

— Está entediado? — A voz do homem soou leve e despreocupada, mas assustadora.

Túlio não se atreveu a dizer mais nada, calou-se imediatamente e voltou a dirigir.

O carro passou por Heloísa, seguindo seu caminho.

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