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last update Petsa ng paglalathala: 2026-08-30 14:31:20

Thiago cresceu e se transformou em uma figura intragável. É um homem mimado, fútil, soberbo e arrogante, que mede o valor dos seres humanos pelo extrato bancário. Ele trata qualquer pessoa fora do seu círculo social como se fosse lixo descartável. Minha irmã cortou relações com ele depois que o Thiago teve a pachorra de humilhar o noivo dela em um jantar da família. Ver o próprio filho se tornar o tipo exato de pessoa que eu mais desprezo no mundo é uma derrota que nenhum balanço financeiro positivo consegue compensar.

A porta da minha sala foi aberta sem qualquer aviso. Nem um toque na madeira.

Thiago entrou exibindo um sorriso autossuficiente que fazia minha úlcera reclamar instantaneamente. Ele caminhou até a minha mesa, puxou uma das cadeiras de design exclusivo e se largou nela, cruzando as pernas e jogando os braços sobre os apoios com a postura de quem se considera o dono do prédio.

— Fala, pai! Como foi a viagem de volta da terra dos famosos? — perguntou, me encarando com aquela olhada superficial de quem está mais interessado no próprio reflexo no vidro da janela do que na resposta.

— A viagem foi cansativa, Thiago. E estou cheio de trabalho — respondi, sem erguer os olhos do documento que tentava assinar. Mantive os dedos no teclado, torcendo para que a mensagem subliminar de "estou ocupado, caia fora" fosse absorvida por milagre.

— Entendi. Sempre o trabalho, né? — ele deu de ombros, numa apatia irritante. — Mas enfim, passei aqui porque preciso te entregar isso.

Olhei de relance. Ele colocou sobre a minha mesa um envelope de papel encorpado, com textura aveludada e detalhes gravados em relevo dourado.

— O que é isso? — Parando o que estava fazendo, puxei o papel. A essa altura, trabalhar já era uma causa perdida.

— É um convite VIP pro desfile de moda que vai rolar hoje à noite. Quero que você vá comigo.

Franzina a testa. O Thiago frequentava boates com som ensurdecedor, festas privadas em iates e camarotes de circuitos de corrida. Eventos de moda sofisticados definitivamente não estavam no topo da lista de interesses dele.

— Você odeia esse tipo de evento. O que mudou?

Ele revirou os olhos com dramaticidade, soltando um estalo com a língua.

— Ah, pai, é um saco mesmo. Mas a minha namorada atual vai ser uma das modelos principais da noite. Quero aproveitar a oportunidade para apresentar ela pra você formalmente.

Soltei um suspiro pesado, sentindo uma dor de cabeça despontar na fonte. A última coisa de que eu precisava no meu primeiro dia de volta a Chicago era me submeter ao suplício de conhecer mais uma das namoradas efêmeras do meu filho. O padrão dele era dolorosamente previsível: garotas fúteis, obcecadas por marcas de luxo, que olhavam para o Thiago como um passaporte para a alta sociedade e para mim como um caixa eletrônico ambulante.

— Thiago, com ou sem o seu convite, eu já teria que ir a esse evento. As joias que serão apresentadas na passarela principal são da coleção exclusiva da nossa empresa.

Ele se mexeu na cadeira, visivelmente desconfortável, e desviou o olhar para o quadro na parede. Um tom levemente avermelhado subiu pelo seu pescoço.

— Você deveria saber disso — continuei, soltando a caneta sobre a mesa. — Considerando que você faz estágio no departamento operacional e recebe um salário desta empresa, o mínimo esperado era que você conhecesse o cronograma de lançamentos da marca.

Thiago tinha entrado na faculdade de Administração apenas por pressão, mas abandonou o curso no último ano alegando que "já sabia tudo na prática". Promovi a entrada dele na empresa sob a condição estrita de que cumpriria horários, respeitaria a hierarquia e responderia aos gestores como qualquer outro funcionário. Não admitia privilégios na minha equipe, por mais que ele tentasse usar o sobrenome para furar a fila.

— Ah, fala sério... Eu não fico prestando atenção nesses detalhes cafonas de bastidores — ele desdenhou, abanando a mão no ar.

— Pois deveria. Agora, se me dá licença, eu tenho reuniões para alinhar.

Ajeitei minha postura na cadeira e voltei a encarar a tela, dando a conversa por encerrada. Thiago se levantou num pulo, passou a mão pelo cabelo bem alinhado e ajustou a jaqueta de grife com um gesto ostensivo.

— Beleza. Passo na sua casa mais tarde e a gente vai junto no seu carro.

— Tanto faz, Thiago.

No segundo em que a porta do escritório se fechou, afundei a cabeça nas mãos. O silêncio da sala pareceu pesar toneladas. Se houvesse uma opção de reiniciar a vida e escolher um caminho longe de todos esses jogos de poder, eu não pensaria duas vezes. Mas o mundo real não dá margem para arrependimentos tardios, e o resto da minha tarde foi consumido por números e relatórios.

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