LOGINQuando Sofia Ferreira descobre a traição do namorado com sua própria irmã, sua vida desaba como um castelo de cartas. Em uma noite de dor e desespero, ela encontra refúgio nos braços do homem mais improvável e proibido: Leonardo Moreira, o pai do homem que a traiu — seu ex-sogro. O que começa como uma noite de esquecimento se transforma em algo muito maior. Leonardo, um empresário poderoso e solitário de 40 anos, nunca imaginou que encontraria paixão nos olhos da namorada de seu filho. Mas a química entre eles é inegável, ardente, devastadora. Enquanto Sofia tenta reconstruir sua vida, segredos do passado emergem como fantasmas. Ela descobre que foi adotada — e que tem um irmão gêmeo perdido. A verdade sobre sua origem abala as estruturas de sua família, expondo mentiras que duraram mais de duas décadas. A mulher que sempre a tratou com frieza, Cláudia, guardava um segredo sombrio: Sofia é filha biológica de Clara Lima, a secretária de seu pai adotivo, Fernando Almeida. Em meio a ciúmes, traições e revelações chocantes, Sofia e Leonardo precisam navegar por um amor proibido que desafia todas as regras. Com o peso da desaprovação familiar, a sombra do filho traído e a chegada inesperada de uma gravidez de gêmeos, eles terão que decidir: o amor verdadeiro pode sobreviver ao caos que o cercou?
View MoreCapítulo 1
— Obrigada, senhorita Sofia. — Dona Rosa agradeceu com um sorriso acolhedor enquanto secava as mãos no avental florido, a única coisa verdadeiramente colorida naquela cozinha digna de comercial de eletrodomésticos de luxo. Seus olhos castanhos transbordavam aquela gratidão maternal que eu, sinceramente, pagaria um valor absurdo para ver no rosto da minha própria mãe ao menos uma vez na vida. Há anos trabalhando na residência dos Almeida, a Rosa já tinha deixado de ser apenas quem cuidava da casa para se tornar meu porto seguro — e, sejamos honestas, a única pessoa nesta mansão que não me olhava como se eu estivesse prestes a estragar o papel de parede. — Que isso, Rosa. Sem formalidades, por favor — pedi, pegando minha garrafa de água na geladeira. O plástico frio contrastou com meus dedos quentes, e eu dei um gole generoso, sentindo a água gelada descer rasgando pela garganta e espantando o resto de sono que teimava em grudar nos meus olhos. Fechei a porta da geladeira com o cotovelo, ouvindo o clique suave do mecanismo ecoar pelo espaço gigante. — Vou meter o pé para a minha corrida. Se o papai perguntar, diz que eu fui tentar queimar a ansiedade antes que ela me consuma viva, por favor? Rosa soltou uma risadinha abafada e assentiu, os olhos transparecendo a compreensão de quem conhecia a fauna desta casa melhor do que ninguém. Atravessei o corredor amplo como quem cruza um museu particular. As molduras douradas nas paredes pareciam me encarar com desdém, exibindo retratos e paisagens de gerações passadas da família Almeida. Cada tela parecia cochichar um “você não se encaixa aqui” em tom aristocrático. Ao alcançar a porta principal, passei pelos seguranças e mandei um sorriso de bom dia. Aguardei pacientemente enquanto o portão automático rangia contra o asfalto — o som característico que marcava o início da minha liberdade diária. — Obrigada, senhor Roberto — falei, já ajustando a passada. O impacto do tênis no chão trouxe aquele alívio imediato. — Tome cuidado na rua, menina — a voz grave do Roberto ressoou atrás de mim, carregada daquela preocupação paternal que eu aceitava de bom grado. Apenas levantei o polegar no ar, sem me virar, e acelerei o ritmo. Em menos de dez segundos, a segurança blindada da mansão ficou para trás, substituída pelas calçadas arborizadas e tranquilas do bairro. Encaixei os fones de ouvido e deixei uma batida eletrônica ensurdecedora assumir o controle dos meus pensamentos. Era plena segunda-feira, o sol já estava descascando a tinta dos carros às sete da manhã e o suor começava a brotar na minha pele antes mesmo de fechar o primeiro quilômetro. Minha agenda do dia parecia um pesadelo logístico: ensaios, reuniões com empresários de cara fechada e provadores de roupa intermináveis. O que uma pessoa sã faria? Estaria dormindo com o ar-condicionado no máximo, obviamente. Mas a vida adulta não perdoa, e a indústria da moda tem uma tolerância zero para preguiça. Meus pés se moviam em um ritmo mecânico enquanto a cidade de Chicago começava a balançar a poeira e acordar. Prazer, Sofia Ferreira. Tenho 23 anos e sou modelo de uma das agências mais movimentadas desta cidade. Chicago tem essa energia insana de nunca desligar a tomada, e eu acabei me apaixonando por esse caos frenético. Tem algo de hipnótico no contraste entre os arranha-céus gigantescos e o céu da manhã. Oficialmente, eu moro com meus pais. Tenho meu próprio apartamento no topo de um prédio incrível na parte alta da cidade, mas a verdade nua e crua? Odeio ficar sozinha lá. O silêncio daquele lugar me engole. É um vazio estranho, como se, sem o barulho de pessoas conversando ou a confusão de uma casa cheia, eu simplesmente corresse o risco de desaparecer. Então, prefiro aguentar o hospício familiar. Meu pai, senhor Fernando, ganha a vida no ramo automotivo, um império de concessionárias e peças que meu irmão mais velho, Rafael, ajuda a gerenciar com a eficiência de um robô. Meu pai sempre foi o tipo de homem que prega o valor do suor e do trabalho duro, e mesmo quando decidi trocar a graxa e os números pela passarela, ele foi o único que não me olhou como se eu tivesse tido um surto psicótico. Minha mãe, por outro lado... bem, a história é um pouco mais espinhosa. Ela começou a vida como garçonete. Falar isso para ela hoje em dia equivale a cometer um crime de lesa-pátria. Ela age como se o passado fosse uma mancha radioativa no currículo e prefere se afogar num mar de aparências, chás beneficentes e bolsas de grife, fingindo que nasceu em um berço de ouro. E aí temos a minha irmã, Patrícia. Mais velha, perfeitamente fútil e especialista na arte de não fazer nada. Meu pai montou um salão de beleza impecável para ela, mas acho que a última vez que a Patrícia pisou lá foi para tirar foto para o I*******m; ela paga uma equipe inteira para administrar o lugar enquanto foca no seu esporte favorito: competir comigo. Agora cismou que quer entrar para o mundo da moda. Porque, claro, se a caçula consegue, ela precisa provar que consegue fazer melhor. Nossa convivência é basicamente um jogo de xadrez onde cada palavra é uma peça pronta para derrubar a outra. A relação com a minha mãe segue a mesma linha editorial congelante. Ela idolatra meu irmão e trata a Patrícia como sua obra-prima. Eu? Eu pareço a intrusa que esqueceu de ir embora. Fui criada por babás e pelo meu pai. Cresci tentando entender em que momento da gestação eu tinha quebrado o contrato de afeto dela. Doí? Para caralho. Mas a gente aprende a colocar um curativo na ferida e fingir que não está sangrando. Às vezes, quando o silêncio da noite fica alto demais e o Thor — meu Rottweiler gigantesco — se estica do meu lado na cama, eu me pego listando meus erros num tribunal mental. Foi a carreira? Minha boca grande? O fato de eu não caber no molde de filha perfeita da alta sociedade? Pergunta inútil. O silêncio nunca responde. O celular no meu bolso começou a vibrar contra a minha coxa, cortando a trilha sonora do meu momento reflexivo. Reduzi a corrida para um trote rápido e puxei o aparelho. Tela iluminada: Thiago. Thiago: Vem aqui pra casa agora. Minha suíte tá vazia e tô com saudade.— Então, Sofia... — Falo o nome dela, provando-o em minha língua como um doce proibido, uma fruta proibida que eu sei que não deveria provar. — Está com projeto novo? — Pergunto, tentando manter a conversa fluindo, tentando prolongar aquele momento que parece tão frágil e tão precioso.— Sim, uns dois. Se eu não me engano. — Começa a comer, seus movimentos graciosos, cada garfada uma dança, cada mordida uma poesia.— Aqui está, senhor. — O senhorzinho coloca meu pedido na minha frente, o aroma doce do morango invadindo meus sentidos como uma promessa de perigo e prazer. Agradeço e encaro o prato, mas não toco, paralisado pelo medo e pelo desejo que lutam dentro de mim.— Vai viajar? Ficar por aqui? — Ela olha para o meu prato e depois para mim, seus olhos curiosos, tentando decifrar o enigma que eu pareço ser, o homem que veio de um mundo tão diferente do dela.— Por agora não pretendo ir a lugar algum. — Pego a colher com mão trêmula, sentindo o metal frio contra meus dedos. — Soment
— Não sei. — Dá de ombro, sorrindo de lado. — Sou muito ocupada, sabe? — Pisca os olhinhos e rio, sua risada contagiante, um som que parece música para meus ouvidos, uma melodia que eu quero ouvir repetidamente.— O de sempre, Sof? — O menino pergunta e me olha de relance, claramente desafiador, como um cachorrinho tentando proteger seu território contra um invasor. — Cadê seu namorado? — Pergunta, dando ênfase na palavra "namorado", me encarando com hostilidade disfarçada de curiosidade.— Sim, querido. E deve estar na casa dele, não sei. — O responde com toda a educação, sua voz doce mas firme, como se estivesse estabelecendo limites sem precisar levantar a voz. Ele sorri e vai fazer o pedido dela, mas não sem antes me lançar outro olhar de desaprovação, como se eu fosse um intruso em seu território, um lobo em meio a ovelhas.— E o senhor? — Me viro para o homem, e sua pergunta me pega desprevenido, como uma onda inesperada em um mar calmo.— É... — Olho para tudo que tinha ali — a
Subo novamente para o meu quarto e escovo meus dentes com movimentos mecânicos, o sabor da pasta de menta não conseguindo despertar meus sentidos adormecidos. Pego minhas coisas que preciso levar para o escritório — a pasta de couro italiana, o celular que nunca para de tocar, os óculos de leitura que uso cada vez mais, testemunhas silenciosas do passar dos anos. Saio da mansão e entro no meu carro, o motor roncando suavemente como um animal adormecido, e dirijo na direção da minha empresa, o trânsito de Chicago se movendo lentamente ao meu redor como um rio de metal e vidro, cada carro uma história, cada motorista um destino.Paro no sinal vermelho, apoio o braço na janela e olho para o outro lado da rua, sem nenhuma razão aparente, apenas o desejo de me distrair dos pensamentos que me assombram. Meu coração para quando a vejo. Ela está de saia, blusa branca e sapato também branco, seu cabelo preso em um rabo de cavalo que balança suavemente com seus movimentos, como se dançasse ao v
Solto um suspiro pesado, sentindo o peso do mundo sobre meus ombros — o peso das responsabilidades, das expectativas, do legado que carrego — e volto a me concentrar no meu café da manhã, começando a ler minha agenda no meu tablet. Os números e compromissos se misturam diante dos meus olhos, uma névoa de informações que não consigo processar. Minha mente ainda está presa na imagem da loira de olhos azuis — seus cabelos dourados como trigo ao sol, seu sorriso que iluminou a passarela como um farol na escuridão, seus olhos que encontraram os meus como se houvesse um segredo antigo entre nós, uma conexão que transcendia o tempo e o espaço.Pela minha agenda, terei três reuniões hoje, sendo uma delas com a nova contratada da minha empresa para ser a modelo oficial da mesma. Eu não faço parte da equipe que faz a escolha de modelos, não dou minha opinião e deixo isso sempre com eles. Cada setor tem seus especialistas, e eu aprendi a confiar em suas decisões — uma lição dura que custou caro












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