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Capítulo 2

مؤلف: Ruan Rosa
Eu pedi ao segurança que trocasse o extintor naquele mesmo dia.

Parei do lado de fora do refeitório. O ar da noite estava frio, mas não entrei. Apenas me virei e fui embora.

De volta ao escritório, fiquei sentada por um longo tempo. Depois, tirei da gaveta os contratos de todos os inquilinos. Cada um trazia uma Declaração de Ciência sobre as Condições de Segurança, que eu mesma assinei. O texto dizia claramente:

[Alguns quartos foram acrescentados durante reformas posteriores. O inquilino está plenamente ciente disso e concorda, por livre vontade, em morar na unidade.]

Todos os inquilinos também assinaram a declaração.

...

No dia seguinte, o grupo de mensagens do prédio pegou fogo. Toby publicou um documento enorme, intitulado "Proposta para Melhorar as Condições de Moradia e os Padrões de Segurança do Residencial Kindred".

Eram quase três mil palavras sobre segurança contra incêndios, higiene do refeitório e contratos de locação. Cada ponto vinha acompanhado de referências à legislação e capturas de tela. Ao final, ele apresentou suas propostas:

[1. Derrubar todas as paredes divisórias e devolver o prédio à configuração da planta aprovada.]

[2. Registrar a academia e o refeitório como estabelecimentos comerciais e obter todas as licenças sanitárias e de funcionamento exigidas.]

[3. Substituir os contratos atuais por contratos dentro da lei, que deixem claro que a academia e o refeitório são oferecidos gratuitamente.]

As mensagens de apoio apareceram na mesma hora.

[Fechado com o Toby! Ele disse exatamente o que todo mundo estava pensando!]

[Direito à moradia! Não estamos pedindo nada de graça. Queremos respostas!]

[Sinceramente, eu também andava meio preocupado com a higiene do refeitório.]

[Exatamente! E se alguém passar mal? Quem vai se responsabilizar?]

Fiquei olhando para o nome de quem reclamou do refeitório. Liam Ward, do segundo andar. No dia anterior, ele pediu quatro porções de almoço para levar para a namorada.

Larguei o celular e massageei as têmporas.

Naquela tarde, chamei Toby ao meu escritório. Ele apareceu com os mesmos óculos de armação dourada, a mesma camisa branca e aquela expressão calma e educada.

— Queria falar comigo?

Coloquei uma cópia impressa da proposta sobre a mesa.

— Por que não conversou comigo antes de publicar isso?

Ele ajeitou os óculos.

— Essa não é só a minha opinião. O documento representa as preocupações da maioria dos inquilinos. Discutir o assunto abertamente é mais eficiente e transparente do que tratar dele em particular.

— Transparente? — Ergui o documento.

— Você quer que eu derrube as divisórias e restaure a planta original. Para onde vão os mais de cinquenta inquilinos que moram nesses quartos? Pensou nisso?

— Isso é responsabilidade sua como proprietária. Devolva o aluguel e indenize essas pessoas ou encontre outro lugar para elas morarem.

Ele respondeu como se não houvesse mais nada a discutir.

— Eu paguei a academia e o refeitório do meu próprio bolso. Todos podem usar os dois de graça. Agora você quer que eu tire licenças comerciais? Sabe o que isso significa? Mais impostos, vistorias completas de funcionamento, segurança contra incêndios e vigilância sanitária. Tem ideia de quanto isso vai me custar?

— Claire, isso não são simples cortesias. — Ele me interrompeu, agora com a voz mais firme.

— Estão ligados à sua atividade de locação e, portanto, fazem parte dos serviços que você oferece. Gratuitos ou não, precisam seguir a lei. É assim que nossos direitos como consumidores são protegidos.

"Consumidores."

Foi essa a palavra que ele usou. Soltei uma risada de incredulidade.

— Então vocês pagam um aluguel muito abaixo do preço de mercado, usam a academia e o refeitório de graça e, agora, como "consumidores", esperam que eu, a "operadora", arque com todos os custos e riscos legais?

— Todos são iguais perante a lei.

Ele me encarou sem nenhum traço de cordialidade no olhar.

— Boas intenções não colocam você acima da lei. Devia ter pensado em tudo isso antes de reformar o prédio. Só estamos pedindo que regularize a situação.

Respirei fundo e apontei para os contratos sobre a mesa.

— Todos assinaram antes de se mudar. Sabiam das reformas. Está tudo ali, preto no branco. Eles concordaram.

O canto da boca de Toby se contraiu quase imperceptivelmente.
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    — Como ele se chama?— Disse que é Toby McLean.Minha mão ficou imóvel.— Mande-o subir.Poucos minutos depois, Toby apareceu à porta do meu escritório. Não lembrava em nada o estudante de Direito brilhante e arrogante que eu conheci. Vestia uma camiseta desbotada, estava com o cabelo despenteado, os olhos sem brilho e o rosto coberto por uma barba rala.Não usava mais os óculos de armação dourada, embora ainda restasse uma marca discreta no nariz. Ele havia emagrecido muito. A vida pareceu tirar dele toda aquela segurança agressiva de antes.— Claire.Sua voz saiu rouca. Fiz um gesto na direção do sofá à minha frente.— Sente-se.Ele se acomodou com movimentos duros, as mãos apoiadas nos joelhos, como se esperasse uma sentença. O silêncio se prolongou até que Toby finalmente falou:— Eu... não consigo emprego. Depois do processo, meu nome ficou conhecido em todo o meio jurídico. Nenhum escritório quer me contratar. Tentei até uma vaga no serviço público, mas fui reprovado na

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