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Mon mari mafieux doit un enfant à sa belle-sœur

Mon mari mafieux doit un enfant à sa belle-sœur

By:  ShirleyCompleted
Language: French
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Le Maître de la famille Moreau a été assassiné par une famille rivale, laissant derrière lui sa femme veuve, Irina. Son frère cadet, mon mari Gabriel, a pris sa place en tant que Maître de famille. Ce titre était assorti d'un devoir : assurer la pérennité de la lignée de Moreau en donnant un enfant à la veuve de son frère. « Adrienne est stérile depuis des années, c'est à Irina de faire ce qu'elle n'a pas pu faire, la famille Moreau ne peut pas être sans héritier. » La voix d'Isoline était pleine de mépris. Gabriel m'a serrée contre lui en murmurant des promesses. « Dès qu'Irina sera enceinte, je jure de ne plus jamais la toucher. » « Adrienne, tu es la seule que j'aime. » Trois mois, et il n'a pas mis les pieds dans notre chambre. Après qu'il m'ait ignorée devant tout le monde, choisissant Irina encore et encore, je suis finalement partie. J'ai pris ce qui m'appartenait et j'ai laissé une chose en partant : un test ADN. C'était mon dernier cadeau à Gabriel.

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Chapter 1

Chapitre 1

Havia um jeito específico de a luz entrar pela janela do quarto de Liz Souza às cinco e meia da manhã: fina, cinzenta, tímida, como alguém que pede licença antes de acender a lâmpada. Ela já estava acordada. Sempre estava. Naquela casa de três quartos no subúrbio do Rio, onde a laje servia de quintal e o cheiro de café passado no coador de pano subia antes do sol, dormir até tarde era um luxo que ninguém tinha aprendido a usar.

Liz tinha vinte e dois anos e o corpo de quem carrega peso sem reclamar. Magra, mas de curvas que as amigas chamavam de "injustiça divina" — quadris largos, cintura estreita, ombros de quem nunca deixou ninguém levar a sacola mais pesada. Morena de pele quente, cabelos preto-tinta caindo até a metade das costas, com uma franja reta que emoldurava o rosto como se alguém tivesse desenhado o contorno de propósito. Era uma beleza de dois tempos: no primeiro, doce, quase infantil, de menina que pede colo; no segundo, quando ela erguia o queixo e te olhava sem piscar, selvagem. Gente na rua costumava confundir os dois tempos. Quase sempre se arrependia.

Naquela manhã ela amarrou o cabelo, enfiou na mochila um caderno de rascunhos com a capa mole de tanto uso, dois pincéis embrulhados em papel-toalha e o uniforme da cafeteria, e desceu.

— Filha, come alguma coisa antes de sair.

Dona Neusa estava de pé na cozinha, roupão sobre a camisola, o rosto ainda amassado de sono. Trabalhava de diarista em três casas diferentes na Zona Sul e conhecia o mapa dos ônibus do Rio melhor que qualquer aplicativo.

— Como no caminho, mãe.

— Você fala isso todo dia e eu sei que não come.

Liz riu, beijou a testa da mãe e pegou meio pão com manteiga só para encerrar a discussão. Na porta, olhou de volta para dentro de casa: o irmão de dezesseis anos dormindo no sofá porque tinha cedido o quarto para a avó, a parede com a mancha de infiltração que ninguém conseguia consertar, e — no canto, sobre um cavalete de madeira que ela mesma havia lixado — uma tela pela metade. Um mar. Sempre um mar.

Passar na federal tinha sido o dia mais bonito da vida dela. E, de certo modo, o mais difícil. Porque aprovação não vem com bolsa integral de sobrevivência: vem com passagem de ônibus, material caro, tinta que custa mais que a feira da semana. Liz descobriu rápido que talento sem tempo é como planta sem terra — pode ser a semente mais promissora do mundo, se não houver onde plantar, ela não cresce.

Então ela fabricou a própria terra. Das seis às quatorze na cafeteria, tirando café expresso para gente de terno que nem olhava no rosto dela. Das quinze às vinte e duas na universidade, ateliê, história da arte, desenho de observação. Depois, em casa, das vinte e três à uma da manhã, ela pintava. Aquelas duas horas eram o que a mantinha viva. O resto era estrutura, andaime, escada — mas as duas horas eram o prédio.

— Você é a pessoa mais organizada e mais cansada que eu conheço — dissera Bia, sua melhor amiga do curso, numa tarde qualquer.

— Eu prefiro "eficiente".

— Eu prefiro "sozinha". Liz, você não sai. Você não beija ninguém desde a gestão passada do Fluminense.

— Eu saio. Eu fui ao aniversário da Duda.

— Você foi, comeu um brigadeiro e voltou pra casa porque tinha turno às seis. Isso é um sequestro, não uma festa.

Liz riu e mudou de assunto, como sempre fazia. Não porque não quisesse viver — queria, com uma fome que às vezes a assustava — mas porque tinha aprendido cedo a hierarquia das coisas: primeiro o aluguel, depois o remédio da avó, depois a tinta, e o coração ficava lá no fim da fila, paciente, esperando a vez que nunca chegava.

A três mil quilômetros dali, num apartamento em Boston que já estava com as caixas fechadas, Gabriel Mafra dobrava a última camisa com uma precisão que beirava a agressividade.

Se a vida de Liz era feita de andaimes, a de Gabriel tinha sido feita de trilhos. Nascido no Leblon, criado entre Búzios e Genebra, quarta geração de uma família que controlava um conglomerado com o dedo em logística, energia e construção civil no Rio de Janeiro. Os Mafra não eram ricos do jeito barulhento, de jato e rede social. Eram ricos do jeito antigo: sobrenome em fachada de prédio, retrato a óleo em sala de reunião, silêncio caro.

Gabriel tinha vinte e seis anos e se formara em Harvard antes do tempo — adiantou matérias, queimou verões, entregou tese em um ano em que outros ainda escolhiam orientador. Não por vaidade. Por dívida. Aos onze anos, ouvira o avô dizer a alguém no corredor: "O menino é inteligente, mas inteligência sem disciplina é caro." Ele nunca esqueceu. Transformou a frase em régua e mediu cada ano da vida com ela.

Fisicamente, era do tipo que faz conversa morrer quando entra na sala. Alto, ombros largos, corpo construído às cinco da manhã em academias vazias, cabelos castanhos que ele mantinha curtos e disciplinados, e olhos verdes de um verde inconveniente — daqueles que parecem iluminados por dentro, difíceis de encarar por muito tempo. Mas a beleza dele era sóbria, sem excesso, sem sorriso fácil. Vestia-se como se cor fosse falta de educação: preto, cinza, azul-marinho, branco.

O humor era a única parte dele que fugia do protocolo: ácido, seco, rápido como estilete. Quem entendia, ria. Quem não entendia, achava que ele era antipático. Gabriel não fazia esforço nenhum para desfazer o mal-entendido.

Voltava ao Brasil para assumir a cadeira de CEO que o pai deixaria em poucas semanas. Já tinha o respeito de homens trinta anos mais velhos, o tipo de respeito que se ganha não com discurso, mas com números — e ele tinha números. Aos vinte e dois, havia salvado uma subsidiária que todos queriam vender. Aos vinte e quatro, renegociou uma dívida em moeda estrangeira que ninguém mais queria assinar.

O que ele não tinha era mais nítido do que o que ele tinha: nenhuma noite que ele lembrasse com saudade, nenhum domingo sem pauta, nenhuma pessoa a quem pudesse ligar às três da manhã sem justificar o motivo.

O celular vibrou na bancada. Ícaro.

— Mafra! Me diga que você já aterrissou, porque eu já planejei nossa quinta.

— Aterrissei ontem.

— E não me ligou? Isso é crueldade. Isso é abandono afetivo.

Gabriel sorriu de canto, quase contra a vontade. Ícaro Mascarenhas era seu melhor amigo desde os seis anos, quando as duas famílias veraneavam na mesma casa em Angra e alguém decidiu que os meninos dividiriam quarto. Ícaro era tudo que Gabriel não era: jovial, escandalosamente bonito, sorriso de propaganda, herdeiro de um império hoteleiro e absolutamente sem culpa por isso. Onde Gabriel media, Ícaro gastava. Onde Gabriel calculava, Ícaro apostava.

— Quinta. Você, eu, e uma boate em Botafogo.

— Não.

— Eu não perguntei.

— Ícaro, eu assumo a empresa em uma semana. Eu tenho uma pilha de contratos...

— Você tem vinte e seis anos, Gabriel, não sessenta e dois. Uma noite. Se você odiar, eu mesmo te coloco no carro e te levo pra casa como uma avó responsável.

Houve um silêncio do lado de Gabriel. O tipo de silêncio em que um homem percebe, de repente, que não tem uma única memória recente digna de ser contada.

— Uma noite — ele disse.

— Eu te amo. Use uma camisa que não pareça de velório.

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