LOGINMesmo depois de punir a culpada, Gabriel não conseguia encontrar paz e se recusava a desistir. Agindo como um homem à beira da loucura, passou a rastrear a pessoa que me ajudara a forjar a minha morte anos atrás, agarrando-se à ilusão de que, se a encontrasse, poderia fazer o tempo voltar e me trazer de volta à vida. Depois de muita busca, os seus esforços finalmente deram resultado quando uma pista quase imperceptível o levou até uma região isolada na fronteira sudoeste. Ele pegou um voo no meio da noite e seguiu direto para o endereço indicado, mas, ao chegar lá, não deu de cara com nenhum falsificador clandestino, e sim com um senhor de idade vestindo um uniforme militar de alta patente. Sem pensar duas vezes, Gabriel se deixou cair de joelhos no chão diante do homem.— Imploro ao senhor, por favor, me diga onde ela está. — Suplicou ele, com a voz embargada pelo desespero.O velho militar apenas balançou a cabeça em negativa, mantendo um tom calmo, porém irredutível:— Quando ajud
Diante do abismo deixado pela minha partida, Gabriel se recusava a aceitar que eu estava morta. Mesmo após a confirmação repetida da equipe médica e diante do meu corpo já frio e rígido, ele continuava em negação. Com os olhos injetados de sangue, ele me acomodou com todo o cuidado em uma câmara frigorífica que mandara construir às pressas durante a madrugada. A partir daquele momento, ele entrou em um frenesi desesperado em busca de provas, revirando todas as gravações das câmeras de segurança da mansão e vasculhando cada registro hospitalar. Em sua teimosia cega, agarrava-se à convicção de que tudo não passava de uma farsa. "Se ela conseguiu forjar a própria morte há cinco anos, com certeza daria um jeito de fazer isso uma segunda vez", ele repetia para si mesmo, tentando acalmar o próprio desespero.No terceiro dia, dirigiu pessoalmente até a clínica de repouso com a intenção de levar a minha mãe de volta para a mansão da família Soares. Contudo, ao abrir a porta do quarto e dar d
A sirene da ambulância foi se afastando até sumir ao longe, e não demorou muito para a equipe de limpeza do parque de diversões lavar todo o sangue do chão. Natacha bateu a mão na barra da saia para tirar a poeira, deu meia-volta e caminhou tranquila em direção ao estacionamento, deixando Ângelo parado no mesmo lugar, encarando o asfalto molhado com um olhar vazio.— Titia... a gente não vai para o hospital? — Perguntou o menino, correndo para alcançá-la.Sem nem se dar ao trabalho de olhar para trás, Natacha respondeu com desdém:— Hospital é um lugar cheio de vírus e bactérias. Estou grávida, esqueceu? E se eu pegar alguma doença num lugar daqueles e acabar fazendo mal para o bebê?Ângelo encarou a barriga dela e assentiu devagar, tentando processar a explicação. "A titia só não vai ao hospital porque está com medo de machucar o bebê.", pensou ele, lembrando-se das palavras de Marta. "A mamãe sempre disse que os bebês são muito frágeis."— Então... a gente espera o papai voltar par
No exato instante em que a lâmina afundou no meu peito e o sangue jorrou quente, meu coração artificial parou de bater de uma vez por todas. De repente, perdi a sensação de peso e comecei a flutuar, subindo leve pelo ar. Com a vista já embaçada, vi o rosto de Gabriel se contorcer inteiro de pavor enquanto ele soltava um berro rouco e desesperado:— Marta!À medida que minha alma ficava mais leve, enxerguei meu próprio corpo desabando sem forças nos braços dele, com o sangue jorrando sem parar da ferida aberta. Gabriel pressionou o machucado com as duas mãos num desespero cego para tentar estancar a hemorragia, mas quanto mais força ele fazia, mais o sangue escorria por entre os seus dedos, impossível de conter.— Marta! Marta! — Gritava ele, chamando o meu nome sem parar com a voz trêmula e embargada. — Olha para mim! Não dorme! Você não pode dormir!Ali perto, Ângelo continuava paralisado no mesmo lugar, de boca aberta, mas em choque demais para conseguir emitir qualquer som. Com os o
— Marta! Marta, acorda!Os gritos desesperados de Gabriel puxaram minha mente de volta daquela lembrança sombria, fazendo-me recobrar os sentidos aos poucos. Ele me amparou pelos ombros e, com as mãos trêmulas, colocou um comprimido sublingual de emergência na minha boca. À medida que o remédio fazia efeito, a dor lancinante que esmagava o meu peito começou a diminuir. Quando virei o rosto para o lado, dei de cara com o Ângelo de queixo erguido, encarando-me com uma expressão teimosa e desafiadora.Furioso, Gabriel deu um tapa estalado no rosto do menino.— Seu moleque irresponsável! Quem te deu permissão para jogar os remédios da sua mãe no lixo?Ângelo abriu o berreiro na mesma hora, e Natacha tratou de puxá-lo para um abraço protetor, tentando acalmá-lo:— Gabriel, não seja tão duro com o menino! Ele ainda é uma criança, não tem maldade para entender essas coisas complicadas.Dizendo isso, ela tirou da bolsa um laudo médico falsificado e o entregou a ele.— Eu não queria tocar nesse
— Não faz isso! — Implorou Gabriel, envolvendo-me em um abraço apertado enquanto suavizava o tom de voz no mesmo instante. — Me perdoa, falei sem pensar agora há pouco. Marta, eu só vejo a Natacha como uma irmã mais nova. Ela é muito insegura e, com medo de que a gente a expulsasse de casa depois que o nosso pai se foi, acabou me dopando. Eu juro que foi só daquela vez e que isso nunca mais vai acontecer. Pensa no Ângelo... Ele acabou de ganhar um coração saudável, você vai mesmo tirar o lar dele assim?Naquele momento, senti minha determinação vacilar. "Por mais furiosa que eu esteja, o Ângelo ainda é o filho que eu carreguei no ventre por nove meses.", pensei, tentando achar forças para engolir aquela dor.— Posso até te dar mais uma chance. — Avisei, encarando-o com frieza. — Mas você vai ter que mandar a Natacha embora, interromper essa gravidez e cortar qualquer laço com ela de uma vez por todas.Gabriel hesitou por um breve instante, mas acabou trincando os dentes e assentindo c







