Mag-log inMatteoVer Anna encolhida naquele sofá de couro, com os olhos arregalados, o corpo trêmulo e o rosto pálido pelo choque, rasgava o meu peito com a força de uma lâmina amolada. A culpa pesava sobre os meus ombros como uma rocha insuportável. Ela nunca tinha me visto agir daquela forma. Jamais tinha presenciado a besta fera que habitava no fundo do meu ser emergir com tamanha violência. Eu sempre me orgulhara do meu autocontrole rígido, da minha capacidade de manter a cabeça fria sob qualquer pressão corporativa, mas ver aquele velho nojento insultá-la daquele jeito simplesmente destruíra todas as minhas barreiras.Enquanto caminhava em direção ao pequeno bar do escritório para pegar um copo com água gelada, a mesma pergunta angustiante repetia-se em um eco torturante dentro da minha mente: será que ela estava com medo de mim?Será que a mulher que eu amava, a única pessoa capaz de desarmar minhas defesas, agora olhava para mim e enxergava apenas um homem descontrolado e perigoso?Ajoel
MatteoDe todos os homens desprezíveis que já cruzaram o meu caminho no mundo corporativo e na vida pessoal, Mário Visconti era, sem dúvida alguma, a pior escória que a humanidade poderia produzir. Diariamente, eu me fazia a mesma pergunta angustiante: como era possível um ser tão vil, sádico e repugnante carregar nas veias exatamente o mesmo sangue do meu pai? Meu pai fora um homem honrado, um pilar de integridade e justiça, enquanto Mário não passava de uma aberração moral, um parasita que destruía tudo e todos ao seu redor.Ainda no início daquela manhã, a raiva já havia tomado conta de mim quando Luca entrou no meu escritório. Ele estava pálido, com olheiras profundas e as mãos trêmulas pela falta de sono. Quando ele me contou tudo o que havia acontecido com Lúcia, o meu sangue simplesmente ferveu dentro do peito. A covardia daquele velho ultrapassara qualquer limite imaginável. Como alguém que se esforçava tanto para posar de bom moço perante a sociedade, um homem que ostentava u
Anna— Como assim, tio?! — a palavra ecoava na minha cabeça como um ruído ensurdecedor, abafando qualquer outro som ao meu redor.A recepção da Armorroute parecia ter encolhido. O ar ficou rarefeito, denso e frio. Eu assistia à cena em absoluto estado de choque, como se o meu corpo tivesse sido desligado da realidade. Luca finalmente conseguiu se colocar entre os dois homens, empurrando o corpo de Mário para trás com força, mantendo o braço estendido como uma barreira humana.— Chega, Mário! Sai daqui agora antes que isso termine de forma pior! — vociferou Luca, a voz carregada de uma autoridade firme que eu raramente via nele. — Vamos! Para fora da empresa!Mário ajeitou o colarinho do terno com movimentos lentos e deliberados. Ele limpou o canto da boca com o dorso da mão, mantendo aquele sorriso nojento e vitorioso cravado no rosto. Antes de virar as costas, seus olhos escuros e malévolos se voltaram para mim por uma última fração de segundo, lançando-me um aviso silencioso que fez
AnnaUma semana inteira tinha se passado desde aquela mensagem da Lúcia. Para ser sincera, uma parte de mim — aquela fração empática que eu teimava em não conseguir sufocar — ainda sentia um nó no peito ao pensar no que ela devia estar enfrentando. No entanto, a minha vida com o Matteo finalmente tinha encontrado um eixo de paz. Pela primeira vez em muito tempo, as coisas pareciam nos trilhos, leves e certas. Eu não tinha o menor interesse em dar um único passo para trás e me lançar novamente no olho daquele furacão.Naquela manhã, porém, a minha rotina parecia disposta a me atropelar. Olhei para o relógio na mesa de cabeceira e vi que mal passava das cinco e meia. A minha agenda do dia estava tão absurdamente lotada que tive que sair de casa bem cedo, no mais absoluto silêncio.Deslizei para fora da cama de fininho, tentando não fazer o menor ruído. Matteo continuava dormindo profundamente, o rosto relaxado contra o travesseiro, um braço pesado jogado sobre o lado onde eu estava até
AnnaO silêncio que se instalou no carro logo após a porta se fechar e Emma acenar antes de desaparecer no hall do seu prédio era quase denso. O trajeto até ali tinha sido marcado pela empolgação da minha prima, que passou o caminho inteiro rasgando elogios ao Matteo e fazendo piadas sobre o nosso namoro. No entanto, assim que ficamos a sós, a tensão que eu vinha acumulando na calçada do bar voltou com força total.Matteo manobrou com a habilidade de sempre, olhando pelo retrovisor antes de engatar a marcha e voltar para a avenida. Ele deslizou uma das mãos pelo console central, buscando meus dedos, mas mantive meus braços cruzados sobre o peito, encarando o trânsito lá fora.— Na sua casa ou na minha? — perguntou ele, a voz calma, grave e baixa, carregada daquele tom casual de quem sabia exatamente o poder que exercia sobre mim.— Na minha — respondi, seca, sem esconder a irritação.Matteo deu um sorriso de lado, soltando um suspiro divertido pelo nariz.— Ei... Deu tudo certo, meu a
AnnaO ar fresco da noite nos atingiu assim que pusemos os pés fora do táxi, logo na calçada do bar. As luzes amareladas do letreiro piscavam, projetando uma atmosfera viva e acolhedora sobre as mesas externas, que já começavam a lotar. O som abafado da música ao vivo vazava pelas janelas de vidro, misturando-se ao burburinho alegre dos clientes e ao barulho dos copos brindando.Emma trazia o celular empunhado na mão direita e os polegares voavam pela tela enquanto caminhávamos em direção à recepção do estabelecimento.— A Beth acabou de mandar mensagem — avisou Emma, erguendo os olhos do aparelho e ajeitando a alça da bolsa no ombro. — Ela já está chegando com a Samanta, vamos garantindo uma mesa grande perto do lounge. Ah, e mandou avisar que o irmão dela, o Gabriel, está vindo pra cá também e vai trazer uns amigos dele.Parei por um segundo na entrada, olhando para o movimento do bar e sentindo uma onda inesperada de expectativa no peito. A conversa com a Emma no meu apartamento ti







