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CAPÍTULO 72 — MEU LAR EM MEIO À TEMPESTADE

Author: Isa S
last update publish date: 2026-10-06 00:17:39

Matteo

Ver Anna encolhida naquele sofá de couro, com os olhos arregalados, o corpo trêmulo e o rosto pálido pelo choque, rasgava o meu peito com a força de uma lâmina amolada. A culpa pesava sobre os meus ombros como uma rocha insuportável. Ela nunca tinha me visto agir daquela forma. Jamais tinha presenciado a besta fera que habitava no fundo do meu ser emergir com tamanha violência. Eu sempre me orgulhara do meu autocontrole rígido, da minha capacidade de manter a cabeça fria sob qualquer pre
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    Aquela situação nojenta estava me consumindo vivo por dentro. Estar a milhares de quilômetros, preso em outro continente enquanto a minha vida e a da mulher que eu amava desmoronavam no Brasil, era o pior tipo de tortura que eu já havia enfrentado.O Luca insistia sem parar que eu não deveria envolver a Anna no que estava acontecendo. Segundo o meu irmão, a intenção era "protegê-la" de toda a podridão da nossa família e não sobrecarregar a mente dela com o escândalo que estava prestes a estourar contra o nosso tio. Mas a verdade é que o Luca não sabia de metade do pesadelo.Em um momento de pura exaustão, durante o voo, acabei abrindo o jogo com ele. Falei, sem rodeios, que a Anna já estava inserida no meio daquele furacão há muito mais tempo do que imaginávamos. Contei que o desgraçado do Mário já a conhecia do passado e que havia um histórico sombrio entre eles. Obviamente, por respeito à dignidade e à privacidade da Anna, não entrei nos detalhes dolorosos sobre as armadilhas e as m

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    AnnaMatteo estava visivelmente chocado. A cada palavra que saía da minha boca, eu podia ver o conflito atravessar seus olhos azuis, uma tempestade silenciosa de emoções que ele lutava para processar. Ele ouvia tudo no mais absoluto silêncio, sem me interromper, sem franzir a testa em julgamento, apenas absorvendo o peso de uma verdade que mudava completamente a perspectiva sobre o meu passado.O silêncio dele após a minha confissão era esmagador. Eu queria desesperadamente saber o que se passava na cabeça dele, qual seria o seu veredito, se aquele era o momento em que ele olharia para mim com desprezo ou decepção e diria que não podia continuar ao lado de uma mulher que se deixou levar por um desejo de vingança.Quando ele finalmente soltou o ar que parecia preso em seus pulmões por minutos, o som veio acompanhado de um suspiro profundo e cansado.— Anna... — começou ele, a voz rouca, carregada de um afeto doloroso. Ele segurou o meu rosto com as duas mãos, olhando-me no fundo dos ol

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    AnnaDepois de deixar o escritório do Matteo naquele estado de combustão emocional, precisei juntar os cacos da minha dignidade e voltar para a agência. A minha agenda do dia não esperaria pelo tempo do meu luto particular. Havia provas de roupas, reuniões com produtores e orientações para os próximos desfiles, mas a verdade é que eu cumpri cada compromisso como um robô no piloto automático. O peso no meu peito era tão esmagador que a minha respiração saía entrecortada.Eu não via a hora de o dia acabar. Tudo o que eu mais desejava era me trancar na segurança do meu apartamento, desabar e chorar até que não me restasse mais nenhuma lágrima.A pergunta repetia-se como uma tortura constante na minha mente: o que o Matteo está pensando de mim agora?Era uma ironia cruel demais do destino. Logo agora, no momento exato em que eu finalmente havia derrubado todas as minhas defesas, superado os meus traumas e entregado o meu coração por inteiro a um homem, a vida arremessava essa bomba sobre

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    MárioAjeitei o colarinho do meu terno sob medida com as mãos ainda trêmulas de raiva enquanto o elevador executivo descia pelos andares da Armorroute. O espelho do elevador refletia o meu rosto avermelhado, as veias saltadas no pescoço e a respiração descompassada que eu lutava para controlar. Aqueles moleques insolentes achavam mesmo que podiam ditar as regras do jogo? Achavam que podiam me peitar na minha própria empresa, tripudiar sobre a minha trajetória e ameaçar a minha reputação como se eu fosse um qualquer? Quem eles pensavam que eram para se meterem de forma tão descarada no meu casamento, na minha vida privada e nas minhas escolhas?A raiva me sufocava a cada segundo. Entrei no meu carro na garagem privativa do subsolo, bati a porta com violência e esmurrei o volante de couro com tanta força que os meus nós dos dedos protestaram de dor. Acelerei pelas ruas da cidade sem prestar atenção ao trânsito, alimentando no peito uma chama negra de ódio que parecia prestes a incinerar

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    MatteoVer Anna encolhida naquele sofá de couro, com os olhos arregalados, o corpo trêmulo e o rosto pálido pelo choque, rasgava o meu peito com a força de uma lâmina amolada. A culpa pesava sobre os meus ombros como uma rocha insuportável. Ela nunca tinha me visto agir daquela forma. Jamais tinha presenciado a besta fera que habitava no fundo do meu ser emergir com tamanha violência. Eu sempre me orgulhara do meu autocontrole rígido, da minha capacidade de manter a cabeça fria sob qualquer pressão corporativa, mas ver aquele velho nojento insultá-la daquele jeito simplesmente destruíra todas as minhas barreiras.Enquanto caminhava em direção ao pequeno bar do escritório para pegar um copo com água gelada, a mesma pergunta angustiante repetia-se em um eco torturante dentro da minha mente: será que ela estava com medo de mim?Será que a mulher que eu amava, a única pessoa capaz de desarmar minhas defesas, agora olhava para mim e enxergava apenas um homem descontrolado e perigoso?Ajoel

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