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CAPÍTULO 71 — O LIMITE DA SANIDADE

作者: Isa S
last update 公開日: 2026-10-06 00:17:34

Matteo

De todos os homens desprezíveis que já cruzaram o meu caminho no mundo corporativo e na vida pessoal, Mário Visconti era, sem dúvida alguma, a pior escória que a humanidade poderia produzir. Diariamente, eu me fazia a mesma pergunta angustiante: como era possível um ser tão vil, sádico e repugnante carregar nas veias exatamente o mesmo sangue do meu pai? Meu pai fora um homem honrado, um pilar de integridade e justiça, enquanto Mário não passava de uma aberração moral, um parasita que de
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    MatteoA visão daquele buquê de rosas macabro na porta do apartamento de Luca e o pavor estampado no rosto de Lúcia instauraram um caos completo na nossa noite. A polícia foi acionada de forma discreta através dos advogados, as câmeras de segurança do edifício foram solicitadas e a equipe de segurança privada foi redobrada. No meio daquela tempestade de ligações, depoimentos rápidos e o pavor de que o Mário estivesse nos espionando, as horas simplesmente voaram sem que eu percebesse.Quando o ambiente finalmente deu uma trégua e a calmaria forçada retornou ao apartamento, olhei para o relógio na parede. Já passava das duas horas da manhã em Roma. No Brasil, o fuso horário marcava o início da madrugada de domingo.Encarei a tela do meu celular novo com os dedos trêmulos, dividido entre a urgência visceral de ouvir a voz da Anna e a consciência de que ligar para ela àquela hora da noite, depois de dias de um silêncio angustiante, só causaria mais susto e sobressalto. Eu não queria que e

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    MatteoA espera de quatro horas dentro daquela loja estava me enlouquecendo. Luca, percebendo a minha agitação e o ritmo frenético com que eu pisava no chão, acabou me convencendo a sair dali e ir até um bar calmo localizado a poucos metros do estabelecimento.Sentamo-nos em uma mesa discreta ao fundo. Entre uma cerveja e outra, o silêncio entre nós começou a pesar. Eu encarava a garrafa condensada sobre a madeira, mas a minha mente estava a milhares de quilômetros dali, imaginando o que a Anna estaria pensando naquele exato momento.Olhei para o meu irmão, do outro lado da mesa, e não consegui segurar a pergunta que queimava na minha garganta:— Por que você está fazendo tudo isso, Luca?Luca fez uma pausa, tomou um gole da sua cerveja e colocou o copo de volta na mesa, devolvendo a pergunta com a mesma calma de sempre:— E você? Não faria o mesmo no meu lugar?— Faria — respondi de imediato, sem hesitar. — Mas não desse modo. Não atropelando tudo e cruzando o oceano em um voo de eme

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    Aquela situação nojenta estava me consumindo vivo por dentro. Estar a milhares de quilômetros, preso em outro continente enquanto a minha vida e a da mulher que eu amava desmoronavam no Brasil, era o pior tipo de tortura que eu já havia enfrentado.O Luca insistia sem parar que eu não deveria envolver a Anna no que estava acontecendo. Segundo o meu irmão, a intenção era "protegê-la" de toda a podridão da nossa família e não sobrecarregar a mente dela com o escândalo que estava prestes a estourar contra o nosso tio. Mas a verdade é que o Luca não sabia de metade do pesadelo.Em um momento de pura exaustão, durante o voo, acabei abrindo o jogo com ele. Falei, sem rodeios, que a Anna já estava inserida no meio daquele furacão há muito mais tempo do que imaginávamos. Contei que o desgraçado do Mário já a conhecia do passado e que havia um histórico sombrio entre eles. Obviamente, por respeito à dignidade e à privacidade da Anna, não entrei nos detalhes dolorosos sobre as armadilhas e as m

  • NUNCA FUI SUA MERETRIZ   CAPÍTULO 75 — A DISTÂNCIA E OS MUROS

    AnnaMatteo estava visivelmente chocado. A cada palavra que saía da minha boca, eu podia ver o conflito atravessar seus olhos azuis, uma tempestade silenciosa de emoções que ele lutava para processar. Ele ouvia tudo no mais absoluto silêncio, sem me interromper, sem franzir a testa em julgamento, apenas absorvendo o peso de uma verdade que mudava completamente a perspectiva sobre o meu passado.O silêncio dele após a minha confissão era esmagador. Eu queria desesperadamente saber o que se passava na cabeça dele, qual seria o seu veredito, se aquele era o momento em que ele olharia para mim com desprezo ou decepção e diria que não podia continuar ao lado de uma mulher que se deixou levar por um desejo de vingança.Quando ele finalmente soltou o ar que parecia preso em seus pulmões por minutos, o som veio acompanhado de um suspiro profundo e cansado.— Anna... — começou ele, a voz rouca, carregada de um afeto doloroso. Ele segurou o meu rosto com as duas mãos, olhando-me no fundo dos ol

  • NUNCA FUI SUA MERETRIZ   CAPÍTULO 74 — O PESO DAS MINHAS ESCOLHAS

    AnnaDepois de deixar o escritório do Matteo naquele estado de combustão emocional, precisei juntar os cacos da minha dignidade e voltar para a agência. A minha agenda do dia não esperaria pelo tempo do meu luto particular. Havia provas de roupas, reuniões com produtores e orientações para os próximos desfiles, mas a verdade é que eu cumpri cada compromisso como um robô no piloto automático. O peso no meu peito era tão esmagador que a minha respiração saía entrecortada.Eu não via a hora de o dia acabar. Tudo o que eu mais desejava era me trancar na segurança do meu apartamento, desabar e chorar até que não me restasse mais nenhuma lágrima.A pergunta repetia-se como uma tortura constante na minha mente: o que o Matteo está pensando de mim agora?Era uma ironia cruel demais do destino. Logo agora, no momento exato em que eu finalmente havia derrubado todas as minhas defesas, superado os meus traumas e entregado o meu coração por inteiro a um homem, a vida arremessava essa bomba sobre

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    MárioAjeitei o colarinho do meu terno sob medida com as mãos ainda trêmulas de raiva enquanto o elevador executivo descia pelos andares da Armorroute. O espelho do elevador refletia o meu rosto avermelhado, as veias saltadas no pescoço e a respiração descompassada que eu lutava para controlar. Aqueles moleques insolentes achavam mesmo que podiam ditar as regras do jogo? Achavam que podiam me peitar na minha própria empresa, tripudiar sobre a minha trajetória e ameaçar a minha reputação como se eu fosse um qualquer? Quem eles pensavam que eram para se meterem de forma tão descarada no meu casamento, na minha vida privada e nas minhas escolhas?A raiva me sufocava a cada segundo. Entrei no meu carro na garagem privativa do subsolo, bati a porta com violência e esmurrei o volante de couro com tanta força que os meus nós dos dedos protestaram de dor. Acelerei pelas ruas da cidade sem prestar atenção ao trânsito, alimentando no peito uma chama negra de ódio que parecia prestes a incinerar

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