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Capítulo 2

Autor: Lisa
last update Data de publicação: 2026-06-30 22:32:56

CONTRATO PARTICULAR DE CASAMENTO POR ACORDO

CONTRATANTE: Thomas Lorenzo Morrone, empresário, CEO do Grupo Morrone, doravante denominado PRIMEIRA PARTE.

CONTRATADA: Isabella Still, secretária executiva do Grupo Morrone, doravante denominada SEGUNDA PARTE.

As partes acima identificadas celebram o presente Contrato Particular de Casamento por Acordo, mediante as cláusulas e condições abaixo.

CLÁUSULA PRIMEIRA – DO OBJETO

O presente contrato tem como finalidade estabelecer um casamento de comum acordo entre as partes, exclusivamente para fins de imagem pública, estabilidade empresarial, preservação da reputação da Primeira Parte e benefícios mútuos previstos neste instrumento.

As partes reconhecem que este casamento possui natureza estritamente contratual, inexistindo obrigação de envolvimento amoroso entre elas.

CLÁUSULA SEGUNDA – DO PRAZO

O casamento terá duração mínima de cinco anos.

Ao término desse período, ambas as partes poderão:

I – renovar o presente contrato por livre vontade;

II – requerer o divórcio de forma amigável;

III – converter o casamento contratual em casamento definitivo, caso haja interesse mútuo.

CLÁUSULA TERCEIRA – DA IMAGEM PÚBLICA

A Segunda Parte compromete-se a desempenhar publicamente o papel de esposa da Primeira Parte.

Incluem-se, entre outras obrigações:

comparecimento a eventos sociais;

jantares beneficentes;

reuniões familiares;

entrevistas previamente aprovadas;

viagens corporativas quando necessário;

aparições públicas ao lado da Primeira Parte.

CLÁUSULA QUARTA – DA PRIVACIDADE

Fica expressamente proibida a divulgação do caráter contratual deste casamento.

O descumprimento desta cláusula sujeitará a parte responsável às penalidades previstas neste contrato.

CLÁUSULA QUINTA – DA VIDA PESSOAL

Nenhuma das partes será obrigada a desenvolver vínculo amoroso, afetivo ou íntimo.

O respeito mútuo deverá prevalecer durante toda a vigência deste contrato.

Nenhuma decisão relacionada à vida pessoal da outra parte poderá ser imposta unilateralmente.

CLÁUSULA SEXTA – DA RESIDÊNCIA

A Segunda Parte passará a residir na residência oficial da Primeira Parte no prazo máximo de quinze dias após o casamento.

Cada parte possuirá quarto, escritório e espaço privativo próprios, sendo garantida a privacidade de ambos.

A entrada em ambientes particulares dependerá de autorização prévia.

CLÁUSULA SÉTIMA – DAS APARÊNCIAS

Em locais públicos, as partes comprometem-se a agir como um casal legítimo.

Incluem-se gestos como:

andar de mãos dadas quando necessário;

posar para fotografias;

participar de eventos como casal;

utilizar alianças durante toda a vigência do contrato.

Demonstrações públicas de carinho deverão ocorrer apenas quando forem convenientes para preservar a credibilidade do casamento.

CLÁUSULA OITAVA – DA FIDELIDADE

Enquanto durar o presente contrato, ambas as partes comprometem-se a manter fidelidade pública.

Relacionamentos extraconjugais que possam comprometer a imagem do casamento são terminantemente proibidos.

CLÁUSULA NONA – DA REMUNERAÇÃO

Pela participação no presente acordo, a Primeira Parte pagará à Segunda Parte:

salário mensal correspondente ao cargo atualmente exercido;

adicional contratual mensal no valor de R$ 200.000,00;

plano de saúde internacional;

segurança particular vinte e quatro horas por dia;

veículo blindado com motorista;

cartão corporativo para despesas previamente autorizadas;

acesso irrestrito às propriedades da família Morrone.

CLÁUSULA DÉCIMA – DA CARREIRA PROFISSIONAL

A Segunda Parte continuará exercendo normalmente a função de secretária executiva da Primeira Parte.

Nenhuma decisão empresarial poderá ser tomada exclusivamente por influência do casamento.

A relação profissional permanecerá independente da relação contratual.

CLÁUSULA DÉCIMA PRIMEIRA – DA CONFIDENCIALIDADE

Todas as informações referentes ao Grupo Morrone continuarão protegidas por acordo absoluto de confidencialidade.

A quebra desta cláusula implicará imediata rescisão contratual e responsabilização civil.

CLÁUSULA DÉCIMA SEGUNDA – DA RESCISÃO

O contrato poderá ser encerrado nas seguintes hipóteses:

I – comum acordo entre as partes;

II – quebra de confidencialidade;

III – infidelidade pública;

IV – prática de crime;

V – descumprimento grave das obrigações aqui previstas.

CLÁUSULA DÉCIMA TERCEIRA – DAS PENALIDADES

A parte que descumprir qualquer cláusula responderá pelas perdas e danos causados à outra parte, incluindo prejuízos financeiros, empresariais e de imagem.

CLÁUSULA DÉCIMA QUARTA – DO RESPEITO

As partes comprometem-se a manter tratamento respeitoso em qualquer circunstância.

Ficam proibidos:

agressões físicas;

agressões psicológicas;

constrangimentos públicos;

humilhações;

qualquer forma de abuso.

CLÁUSULA DÉCIMA QUINTA – DAS ALTERAÇÕES

Qualquer alteração neste contrato dependerá da concordância expressa de ambas as partes e deverá ser formalizada por escrito.

CLÁUSULA DÉCIMA SEXTA – DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Este contrato representa integralmente o acordo firmado entre as partes.

As partes declaram ter lido todas as cláusulas, compreendido seus efeitos e concordado livremente com seu conteúdo.

Cidade: _______________________________

Data: //________

Thomas Lorenzo Morrone

Assinatura: ______________________________________

Isabella Still

Assinatura: ______________________________________

Testemunha 1

Nome:

CPF:

Assinatura:

Testemunha 2

Nome:

CPF:

Assinatura:

....

O silêncio do meu apartamento nunca pareceu tão alto.

Fecho a porta atrás de mim, apoio a bolsa sobre o sofá e tiro os saltos, sentindo um alívio imediato nos pés. Caminho até a cozinha, abro a geladeira e pego uma garrafa de água. Bebo alguns goles longos, como se aquilo fosse suficiente para organizar a bagunça que Thomas Morrone havia provocado dentro da minha cabeça.

Não era.

Meu olhar encontra a pasta preta sobre a bancada.

O contrato.

Apoio as mãos na bancada de mármore e fecho os olhos por alguns segundos.

Quem, em sã consciência, chega ao trabalho normalmente e termina o dia voltando para casa com um contrato de casamento nas mãos?

Solto uma risada desacreditada.

— Você enlouqueceu, Isabella... — Murmuro para mim mesma.

Pego a pasta.

Caminho até o sofá e me acomodo, cruzando as pernas antes de respirar fundo.

Então a abro.

A primeira página já trazia o brasão do Grupo Morrone e, logo abaixo, o título em letras elegantes.

Contrato Particular de Casamento por Acordo.

Ainda parece inacreditável.

Thomas Morrone.

O homem que estampava capas de revistas de negócios.

O empresário mais influente do país.

O homem que fazia executivos experientes tremerem apenas com um olhar.

Me pediu em casamento.

Não por amor.

Não porque estivesse apaixonado.

Mas porque precisava de uma esposa.

Leio cada cláusula com atenção.

Imagem pública.

Eventos.

Sigilo absoluto.

Mudança para a mansão.

Remuneração.

Confidencialidade.

Rescisão.

Tudo tão... Thomas.

Cada linha parecia ter sido escrita exatamente como ele administrava as empresas.

Sem espaço para improvisos.

Sem emoções.

Sem riscos.

Fecho o contrato por um instante e encosto a cabeça no sofá.

Meu Deus...

Isso é completamente maluco.

Qualquer pessoa sensata recusaria uma proposta dessas sem pensar duas vezes.

Então por que eu não consigo?

Meus olhos percorrem o teto do apartamento enquanto uma lembrança invade minha mente.

O jeito como ele sempre puxava minha cadeira.

Como nunca esquecia de agradecer.

Como abria a porta para mim.

Como dizia "Senhorita Still" naquele tom calmo que fazia meu coração acelerar sem a menor permissão.

Levo a mão ao rosto.

Eu já estava perdida muito antes daquele almoço.

Nunca tive coragem de admitir nem para mim mesma.

Thomas Morrone sempre foi meu ponto fraco.

Desde o primeiro dia em que comecei a trabalhar ao lado dele.

Conheço sua rotina melhor do que conheço a minha.

Sei exatamente a temperatura do ar-condicionado de que ele gosta.

O café que prefere.

Os horários em que costuma ficar em silêncio.

Os dias em que está mais estressado.

As reuniões que o deixam irritado.

Os pequenos sorrisos que quase ninguém percebe.

E, mesmo sabendo tudo isso...

Nunca imaginei que um dia ele me pediria em casamento.

Muito menos daquela forma.

Dou outra olhada para o contrato.

Casamento por contrato.

Quem inventa um negócio desses?

Thomas Morrone.

É claro que só poderia ser ele.

Volto a ler as últimas páginas.

Ele não estava tentando me enganar.

Não havia promessas de amor.

Não existiam falsas expectativas.

Tudo estava escrito com uma honestidade quase cruel.

Era um acordo.

Apenas isso.

Cruzo os braços.

O que eu realmente tenho a perder?

Se eu disser não...

Minha vida continuará exatamente como está.

Continuarei sendo sua secretária.

Continuarei apaixonada em silêncio.

Continuarei imaginando como seria beijá-lo enquanto finjo que ele é apenas meu chefe.

Se eu disser sim...

Minha vida vai virar de cabeça para baixo.

Vou morar com ele.

Vou fingir ser sua esposa.

Vou dividir momentos que nunca imaginei viver.

Talvez meu coração saia completamente destruído no final.

Talvez.

Mas também existe a possibilidade de nada mudar.

Porque, no fim das contas...

Ele já deixa meu coração bagunçado todos os dias.

A diferença é que, agora, eu teria uma aliança no dedo.

Abro um sorriso sozinha.

Papai diria que estou completamente maluca.

E ele provavelmente estaria certo.

Pego meu celular sobre a mesa de centro.

Fico alguns segundos olhando para a tela apagada.

Respiro fundo.

— Se essa ideia é louca... — Murmuro, sorrindo para mim mesma. — ...então acho que vou descobrir até onde essa loucura pode me levar.

Procuro o contato de Thomas.

Meu dedo paira sobre a tela durante alguns segundos.

Depois aperto.

A ligação chama apenas duas vezes.

— Senhor Morrone? — Minha voz sai mais firme do que eu esperava.

— Sim, Isabella.

Fecho os olhos por um instante.

— Eu li o contrato.

O silêncio do outro lado dura apenas alguns segundos.

— E qual foi sua decisão?

Olho novamente para o documento aberto sobre a mesa.

Sorrio.

— Eu aceito.

Do outro lado da linha, Thomas permanece em silêncio por um breve instante.

— Ótimo. Amanhã conversaremos sobre os próximos passos.

Ele desliga.

Afasto o celular do ouvido e começo a rir sozinha.

Baixo.

Desacreditada.

Completamente nervosa.

Acabei de aceitar me casar com o homem por quem estou apaixonada...

E ele nem imagina disso.

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