INICIAR SESIÓNTHEO A imagem estava ali. Parada. Estática. Como se tivesse se cravado na tela do meu celular, mas não.. ela estava na minha cabeça. O beijo. Ela nos braços dele. A cabeça levemente inclinada, os dedos dele tocando o rosto dela com intimidade. E o pior: ela retribuindo. Meu estômago virou. Quando recebi a notificação no meu celular e a mensagem de cora fixada aquela imagem como se adivinhasse que a droga da minha cabeça estava remoendo aquela maldita foto. Abri a conversa. O celular tremeu nas minhas mãos enquanto eu ampliava a imagem, como se, vendo de perto, pudesse encontrar algum traço de hesitação, de dúvida… de arrependimento. Mas não. Ela estava entregue. — Não… não é possível. A garganta queimava. O peito se fechava como se estivesse sendo comprimido por dentro. Foi com ele que ela estava esse tempo todo? As palavras da Cora ecoavam na minha mente como uma sirene. Ela tinha vindo aqui, jogado aquela foto no meu colo e saído com um sorriso satisfeito. E eu?
Com pressa. Com fome. Com dor.Com amor.E eu…Deixei.Porque naquele momento… ele ainda era o homem que eu amava.E eu queria tanto que tudo que ele disse fosse a nossa única verdade.Eu ainda sentia o gosto dele nos meus lábios.A boca trêmula, o peito arfando, o corpo inteiro em êxtase.Algustus tinha me beijado como se me amasse. Como se me quisesse além da raiva, além da mágoa, além de tudo.Eu devia estar recuando. Fugindo.Mas tudo em mim dizia: fica mais um pouco.Foi quando um funcionário surgiu à porta da sala, meio sem jeito.— Com licença… Eu já liberei a portaria. O… o senhor chegou.Minha respiração travou.Meu pai.Afastei um pouco o rosto de Algustus, mas ele não deixou distância.Meus olhos encontraram os dele.Tão intensos, tão escuros, tão sedentos.— Ainda não é o suficiente... ele murmurou com a voz rouca, a testa colada na minha. — Eu preciso de mais do que isso…E então me beijou de novo.Com fome.Com pressa.Com desespero.Meu corpo cedeu de novo. Como sempr
MAITÊ O silêncio dentro do carro era ensurdecedor. Theo ao meu lado falava, mas eu mal escutava. A voz dele parecia distante, abafada, como se eu estivesse debaixo d’água. — Falta pouco pra tudo acabar ele disse, como quem anuncia a vitória. — O divórcio. As transfusões. Isso tudo vai ficar no passado, Maitê. “Vai acabar”, ele disse. Mas por que isso doía tanto? Por que ouvir que eu estava sendo substituída me deixava com o peito apertado, a garganta fechada, a alma implodindo? Eu devia estar feliz. Aliviada. Livre. Mas só conseguia pensar na voz dele. Na mensagem. “Me dá uma chance, Maitê.” “Não foi como disseram.” “Ele falou de você... e eu perdi o controle.” Maldito Algustus. Por que ainda mexe assim comigo? Por que ainda me tira o chão? Eu só queria ficar sozinha. Respirar. Chorar, talvez. Mas sem olhares, sem julgamentos, sem o dedo do Theo apontando meu erro, meu amor errado. Foi então que falei, sem nem pensar: — Me deixa onde meu pai está. Preciso falar
Seguimos até a sala da transfusão. O médico vinha logo atrás, Cora em sua cadeira de rodas, teatral como sempre. Na sala, silêncio. Tensão. Raiva contida. Maitê se sentou. O médico preparou os materiais. Theo ficou ao lado dela, segurando sua mão. Aquilo me destruiu por dentro. Ela foi furada, e mesmo assim não reclamou. Apenas fez uma careta de dor. — Tire também o da próxima sessão. disse ao médico, com firmeza. — Você ficará muito fraca. o médico alertou. — Eu aguento. respondeu ela, encarando o vazio. Theo segurou seu ombro. — Maitê... não precisa disso. Não se machuque por eles. — Não por eles. ela disse. — Por mim. Aquilo me tirou do eixo. — Ela não vai doar mais do que deve! falei alto, duro. Todos me olharam. Ela desviou o olhar, como se eu fosse um fantasma inconveniente. Theo deu um passo à frente, como se fosse o dono dela. A raiva me engasgou. O procedimento seguiu. O sangue dela corria. Cora respirava aliviada. E eu… Eu só queimava
ALGUSTUS: A mensagem estava lá. Aberta. Visualizada. Ignorada. Andei mais uma vez de um lado pro outro, com o celular na mão, os dedos apertando a lateral do aparelho como se aquilo pudesse me dar alguma resposta. Por que ela não respondeu? Ela viu a mensagem, e eu vi o digitando, ela iria responder. Mas agora… agora era diferente. Ela estava com ele. Com aquele merda que se fazia de santo, de protetor. Theo era um predador com cara de anjo. Sempre foi. Suspirei, frustrado. O rosto latejava com a lembrança da briga, mas o que mais doía era o vazio dela. O silêncio. O sumiço. Ela me odiava. Mas mesmo se odiasse… ainda assim, eu não ia desistir. Nem que eu tivesse que vender minha alma de novo. Peguei outro celular, o corporativo, e procurei o número do infeliz. Aquele verme que fez a denúncia contra o pai da Maitê. O mesmo que aceitou dinheiro fácil em troca de ferrar com ele. Mas… eu ia precisar dele. Ia ter que tirar aquele homem da cadeia. Com a liga
MAITÊ:Acordei sentindo o peso do mundo nas minhas costas. Meus olhos demoraram alguns segundos pra se abrir completamente, e a primeira coisa que vi foi Theo. Ali, deitado ao meu lado, com a boca marcada, ainda inchada, fruto do soco que levou do Algustus.Fechei os olhos por alguns segundos. Respirei fundo. Meus dedos apertaram o lençol com força.— O que tá acontecendo... murmurei só pra mim, quase sem voz.Aquilo... tudo aquilo... parecia irreal. Eu conhecia o Algustus. Ou achava que conhecia. Ele nunca foi um exemplo de homem, eu sabia. Sempre teve defeitos que eu mesma fingia não ver quando adolescente, iludida, apaixonada. Era mulherengo, inconsequente, inconfiável. Mas agressivo? Fora de controle daquele jeito?Ele nunca foi assim.E isso doía.Me decepcionava de um jeito que nem sei explicar.Peguei o celular. Minha mão tremia, talvez pelo nervosismo, talvez por puro cansaço mental. Abri as redes sociais, meio no automático...E então vi.Uma mensagem.Dele.Do Algustus.







