LOGINAlfa CassianPisco os olhos na escuridão. Não sei onde estou. Sinto cheiro de mofo, o frio ao redor é de gelar meus ossos e o rosto está latejando. Levo a mão em minha face e me lembro que levei um soco daquele imbecil do Allan.Sento-me e olho ao redor percebendo que estou no calabouço mais uma vez. É isso que ganho por salvar a vida de Lyra, por ser leal e controlar os meus homens naquela viagem longa que tinha tudo para dar errado com soldados armados de reinos diferentes.Uma luz tremula pelo corredor e ouço passos, alguém se aproxima. Tateio o chão e constato que não estou armado. Só há feno e um balde de água.Quando a pessoa se aproxima vejo que é Lyra. Não sei o que pensar ao vê-la. Veio apenas pisotear em um ser derrotado?— Cassian — seu tom de voz é cansado.Ela segura firme a tocha em sua mão e me encara. Em seu olhar há tristeza e cansaço.— Depois de servir a dona o animal volta para a jaula — pondero com amargura. — Bem apropriado, aliás.— Não, Cassian. Olhe ao redor,
Lyra CastelTrês dias dentro de um trem com homens se atracando no vagão sem bancos para gastar energia e fugindo de Cassian. Prometi trégua, mas ele quer conversar, quer mais do que apenas trégua e ainda não estou preparada para isso.Sentir que ele verdadeiramente está arrependido só me deixou mais confusa. Cassian estava pronto para morrer comigo naquele dia e ele não faz a menor ideia do que aquilo significa para mim, porém, tenho medo. São tantos os sentimentos que me vejo indecisa. Prefiro esperar até que os sentimentos dentro de mim estejam melhor definidos, para então ter uma conversa decente com o alfa.Quando a locomotiva desacelerou e parou, respirei aliviado. Finalmente a tortura da longa viagem havia acabado, mas sei que mais um desafio estava por vir. Abro as portas e os soldados, ávidos por liberdade, deixam o trem animados.As carruagens já aguardavam a nossa chegada, devido á mensagem que prendi no pé da coruja. Ela partiu assim que a encontrei voltando do castelo do
Alfa CassianDo castelo até a locomotiva, as possibilidades não param de encher a minha mente e nenhuma delas é boa.— Cassian, nós vamos lá. Acalme-se — Lyra diz aflita, enquanto os soldados ocupam seus lugares na locomotiva.Ela decidiu que voltaríamos imediatamente, pois as palavras do rei pareceram uma ameaça, e pior, talvez ele saiba mais do que estava deixando transparecer.— Aquele sonho que teve já tinha me incomodado — confesso. — Mas estava decidido a provar para você que nada mais me importava, só quero provar meu arrependimento, mas então... O que ele disse...— Eu sei, eu sei... Foi estranho. Toda a visita foi estranha. — Lyra apontava o lugar onde cada soldado deveria se sentar.O maquinista estava aguardando apenas a ordem de Lyra para partirmos. Me ajude a conferir se todos os soldados já retornaram, não quero deixar nenhum deles para trás.— Eu confiro os meus e você confere os seus — proponho e ela concorda.— Certo.Lyra fecha as portas do trem e começamos a confer
Lyra CastelOs guardas a nossa frente nos guiam para a sala do trono. Desde que cheguei no Reino da Lua, esta é a primeira vez que falarei com um rei que não é o rei Darius. Fico um pouco nervosa por causa disso, tento conter a tremedeira dos meus dedos, levando as mãos para as costas e segurando-as firme.A porta dupla se abre e entramos em uma sala ampla com um trono sobre uma parte elevada. E neste trono está o rei. O homem de cabelos castanhos até os ombros e olhos da mesma cor estampa um sorriso quando nos vê entrar no cômodo.— Lyra Castel — a voz do homem me atinge com uma aparente alegria. — É uma honra receber em meu castelo a soldado de maior confiança do rei Darius.Coloco o punho sobre o ombro oposto e curvo-me brevemente em cumprimento, Cassian segue meu movimento.— Fico agradecida por me receber, rei alfa Tesan.Ele faz um gesto de despensa e depois aponta para o homem ao meu lado.— E quem é esse?— Este é Cassian, o meu soldado de confiança.— Perfeito. — O homem se e
Lyra CastelSei que deveria estar grata a Cassian por salvar a minha vida, e estou, mas não é tão simples quanto parece quando o custo é muito alto. Alto demais. Mas ele tem razão, não posso ignorá-lo, se estamos trabalhando juntos, precisamos nos comunicar.— O que acha de uma trégua — propõe ele, enquanto caminhamos lado a lado em direção ao castelo.Diferente da cidade, as ruas que nos levam para os palácio são iluminadas constantemente por lamparinas e não precisamos nos preocupar em carregar uma.— Quando retornarmos para o castelo, deixo você descontar toda a sua raiva em mim. Pode me bater, ma castigar... pode fazer o que quiser — prossegue com sua proposta.Pondero se não deveria torturá-lo por alguns dias. Talvez privá-lo da companhia do seu lobo fosse uma punição a altura do que sinto, mas não seria capaz de fazer isso.— Aceito a trégua até concluirmos nosso trabalho, depois... depois veremos. Mas nada de punições.— Tudo bem, então, parceiros? — Cassian estende a mão para
Alfa CassianPuxo Lyra na minha direção e seu corpo quase se choca ao meu.— Se a minha palavra não basta para você, lembra-se que a magia daquela bruxa não me deixa mentir? Quando digo que estou arrependido, é verdade. Quando disse que preferia morrer, era a verdade! — raiva e algum outro sentimento ruim borbulha em meu peito, e eu não sei bem o que pensar.— O que você quer de uma mulher que foi humilhada por causa de um homem? Devoção? — Sua voz é firme, alta e decidida. Eu sei que o que fiz no passado é grave, mas ela precisa acreditar em mim.— Eu disse a você, fiz o que precisava fazer. Pelo seu bem e do meu reino — rebato e ela gargalha, mas não aquele tipo de riso que aquece a alma, mas do tipo que parece uma montanha de gelo.— você acredita mesmo nisso, não é? Para conseguir proferir, tem que ser verdade pelo menos para a sua consciência. — Ela puxa seu pulso com força, me fazendo soltar. — pois saiba que o seu reino me custou tudo, Cassian. Tudo! Entendeu?T.U.D.O!Vi uma l







