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O Amor que Ele Perdeu
O Amor que Ele Perdeu
Author: Senhora Bêbada

Capítulo 1

Author: Senhora Bêbada
Tardiamente, peguei o celular e o desbloqueei. A senha ainda era a data do meu aniversário.

Meus dedos deslizaram pelas mensagens, e minha visão ficava cada vez mais turva.

Os dois trabalhavam no mesmo escritório e conversavam do amanhecer ao anoitecer.

Breno Cardoso reclamava com ela: — Com o rosto limpo, eu nem consigo beijá-la.

— Mulher grávida tem um cheiro estranho, é desconfortável de sentir.

Meu coração se apertou de repente, e uma dor indescritível se espalhou lentamente do peito para todo o corpo.

Depois que confirmamos a gravidez, foi ele quem guardou, impaciente, toda a minha maquiagem.

Era ele também que me abraçava e beijava de vez em quando, dizendo que eu tinha o cheirinho de leite de bebê.

Quanto mais eu rolava para cima, mais sórdida a conversa se tornava.

Até meus dedos tremiam.

Voltando a um mês atrás, encontrei a primeira vez deles.

Pela data, vi que era o nosso aniversário de casamento.

Lembro que o bolo e as flores que ele encomendou chegaram, mas ele não.

— Amor, a empresa organizou um evento de última hora. Volto mais tarde.

Para compensar, ele até me transferiu alguns milhares de reais.

Ele só voltou às três da manhã, aproximando-se para me beijar com um forte cheiro de cigarro.

Eu o empurrei com nojo, mas ele me puxou para seus braços com um sorriso largo no rosto.

Pensando agora, ele não fumava nem bebia. Aquele cheiro de cigarro devia ser para disfarçar o perfume dela.

No meio de um momento íntimo, o celular dele recebeu uma mensagem, e eu até o avisei para olhar.

Na hora, ele deu uma olhada rápida, virou o celular para baixo no travesseiro e disse: — É só brincadeira no grupo.

Agora, ao ver o conteúdo daquela mensagem, senti-me ridiculamente tola.

Era de Mariana Pires: — Ainda tem energia para cumprir suas obrigações?

Ao amanhecer, Breno respondeu: — Meu bem, você ainda duvida da minha resistência?

Sem saber como, eu me tornei parte do jogo nojento deles.

Inacreditável.

Naquela manhã, ele aqueceu meu leite e o levou até a cama.

Não me deixou levantar, segurando o copo com carinho para que eu bebesse em suas mãos.

Antes de sair, ele ainda me cobriu bem e deu um beijo na minha testa.

Atencioso ao extremo:

— Durma mais um pouco, o café da manhã está aquecendo na panela.

Nós nos apaixonamos na faculdade e, desde então, já tínhamos superado a crise dos sete anos.

A gravidez inesperada, embora tenha quebrado nossos planos originais...

Breno não hesitou, dizendo que este filho era um presente dos céus.

Depois da gravidez, seu afeto por mim parecia ainda maior do que antes.

Isso me fez acreditar que ele realmente esperava ansiosamente pelo nascimento do nosso filho.

Mas eu fui ingênua.

Havia uma frase no histórico de conversas que partiu meu coração.

Breno disse: — Já que ela engravidou, não posso simplesmente dizer que não quero. Tenho que seguir com isso.

Ele me traía com a consciência tranquila e, depois, voltava para casa para interpretar o papel de bom marido.

Quanto melhor ele me tratava, menor era seu sentimento de culpa.

Terminei de ler todo o histórico, contendo a náusea enquanto tirava prints como prova.

Nesse momento, uma nova mensagem apareceu. A foto de perfil era do meu irmão, Eliseu Torres:

— Cunhado, seja mais compreensivo com a Mariana, não passe tanto trabalho para ela.

— Ela vai ser sua cunhada em breve. Anda tão ocupada que chega em casa e desmaia de sono, não temos nem tempo para sair.

Mordi o lábio sem perceber.

Não muito tempo atrás, num jantar de família, Breno tinha exagerado nos elogios ao apresentar uma namorada para o meu irmão.

E essa pessoa era ninguém menos que Mariana.

Breno respondeu alguns segundos depois:

— Chame-a para ir ao cinema amanhã, eu compro os ingressos para você.

Eliseu enviou várias carinhas sorridentes em sequência:

— Obrigado, cunhado! Você é o cara!

O sangue subiu à minha cabeça e o mundo começou a girar.

Não era difícil imaginar o que aqueles dois estavam fazendo naquele exato momento.
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