LOGINMARCEL Abri os olhos e me vi cercado pelos meus irmãos mais novos. Enquanto o Fredrick me encarava intensamente, o David e o Dante conversavam um pouco alto demais e riam. Eu poderia estar morrendo, e esses dois ainda estariam fazendo piadas.— Achei que você nunca ia acordar. — afirmou o Fredrick, a voz baixa e distante, mas o leve franzir na testa e o jeito como se recusava a desviar o olhar me diziam o quanto ele estava preocupado.— Que horas são? Onde está o Klaus? — perguntei enquanto me sentava, me contorcendo com a leve dor que senti nas costas. Mas me sentia bem melhor do que antes de dormir.— Já é de manhã. O irmão mais velho nos fez ficar aqui para te babá e à sua, enquanto ele correu de volta para a parceira. Ele provavelmente acha que vai morrer se passar uma noite longe da Luna. — respondeu o David com um revirar dramático de olhos. — Agora estamos aqui, e não temos permissão para sair a menos que ele diga. Tão controlador.Parei de ouvi-lo enquanto me levantava, as p
~De volta ao calabouçoMARCEL Olhei para o Klaus enquanto o olhar assassino dele se voltava para o Gerald.— Foi você quem fez isso? — perguntou com calma, e eu poderia jurar que o Gerald tremeu — seja de medo ou de culpa.— O nosso acordo não envolve perguntas, Alfa. — o Beta conseguiu responder.— Hm. — Um zumbido baixo, mas carregado de significado. — Solta o meu irmão.— Mas a Ta…— Agora!O Gerald não argumentou mais. Focou na tarefa de destrancar as grades e, em poucos segundos, eu estava fora.— Tira os inibidores. — ordenou o Klaus de novo, a voz sem sequer subir. O Klaus nunca precisou gritar para as pessoas o ouvirem.O Gerald parecia querer dizer alguma coisa — argumentar, protestar —, mas finalmente tomou a decisão certa de simplesmente fazer o que foi ordenado.Ele destrancou o inibidor, e eu senti o meu lobo explodir. Meus olhos se dilatataram por um segundo e eu soltei um rosnado.— Onde está a Tania, Alfa? — perguntou o Gerald o que eu sentia que ele queria perguntar
SOLANA O Grayson correu atrás de mim depois de um momento. Eu ainda não tinha saído do hospital. Não sabia o caminho para fora. O lugar inteiro era um labirinto de corredores longos com salas parecidas. Eu me sentia presa em um labirinto.Tentei entrar nas salas — para me esconder por um tempo até ele ir embora —, mas todas estavam trancadas. E minhas pernas estavam cansadas. Eu não comia nada desde a noite anterior, e meu corpo tinha sofrido demais.Parecia que a sorte não estava do meu lado hoje, porque por mais que eu tentasse, não conseguia encontrar a saída. Culpei os remédios no meu sistema.Depois de correr por um tempo, parei e me virei para ele.— Seu filho sobreviveu a isso? — Decidi provocá-lo, os lábios se curvendo em um sorriso maligno. Eu sabia que eles tinham me feito passar por muita coisa, mas ainda assim era satisfatório poder revidar. Seja Alastor morto ou não, feridas como aquelas não cicatrizariam facilmente. Se ele conseguisse sobreviver, ficaria marcado para o
SOLANA Continuava a entrar e sair do sono por causa das drogas que me deram. E era a única forma de acalmar a minha ansiedade. Embora não funcionasse de verdade, porque era atormentada por sonhos horríveis — de Marcel. Sempre que fechava os olhos, via-o a procurar-me, a chorar. O último foi pior. Ele estava a sofrer.Continava acorrentada aqui, ainda incapaz de me mexer, ainda à espera enquanto Grayson e o filho sabotavam tudo aquilo por que eu tinha trabalhado tanto.Sissei quando a porta se abriu e Alastor entrou, com aquele olhar de superioridade característico no rosto.— Já estás acordada, bela adormecida.Reviriei os olhos, virando o rosto para o outro lado. Olhar para ele fazia-me sentir enjoada.— Fala comigo, gosto de ouvir a tua voz.Ele fazia-me o estômago revirar só de abrir a boca. Queria poder fazê-lo desaparecer.Fechei os olhos e tentei imaginar Marcel — os nossos momentos felizes juntos.— Bebé… — A voz rasgada dele cortou os meus pensamentos. — Preciso que fales co
MARCEL Desde o momento em que Grayson saiu, eu não tinha sido o mesmo. Estava preocupado. Estava furioso. O pensamento de Solana e do que lhe tinham feito deixava-me tão inquieto. Alguém a tinha tocado da forma a que ela não consentiu. Eu sentia-o pela marca vermelha de infidelidade que apareceu no meu pulso — o tipo que costumava ver na mão de Valerie —, acompanhada de uma dor no peito. Mas a dor não era nada comparada com a do meu coração: a da minha companheira.Os guardas à frente da minha cela sabiam melhor do que aproximar-se de mim, porque algumas horas antes eu tinha apanhado um através das grades e tentado realmente estrangulá-lo até à morte; quase consegui, não fosse a intervenção oportuna dos seus colegas.Continuei a bater nas grades, querendo partí-las, querendo sair daqui e ir ter com ela. Sentia-me inútil. Agora arrependia-me de ter deixado que me prendessem. Pensei que seria fácil. Pensei que não tinha nada com que me preocupar. Não sabia que eles tinham planos para a
LISA A manhã foi difícil. A sede da matilha estava tensa. Os Ômegas não faziam ideia do que havia acontecido exatamente, mas imaginei que soubessem que envolvia a Alfa. Reuben tinha saído para verificar como Marcel estava, e eu fiquei responsável por vigiar a sede e ficar atenta a qualquer coisa fora do normal.Eu tinha certeza de que o que quer que tivesse acontecido com Solana ocorrera durante o jantar comunitário da noite anterior. Enviei uma comunicação mental para Mara, perguntando se alguma das pessoas que havia comido conosco apresentara algum sintoma, e ela me disse que não tinha conhecimento de nenhum caso. Perguntei se alguém havia agido de maneira suspeita, mas ela estava tão envolvida na festa que não tinha percebido nada.Reuben me contou que, naquela manhã, havia perguntado a uma das enfermeiras, por meio da comunicação mental, sobre Solana. Ele esperava que ela já estivesse de pé e se preparando para voltar para casa. Mas a enfermeira lhe disse que Gerald havia ordenad







