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Capítulo 3

Author: Crystal K
No momento em que a porta se fechou, Alessio me envolveu por trás, prendendo-me com força nos braços.

— Marcella, escute — sua voz, levemente trêmula, soou ao lado do meu ouvido. — Não existe nada entre mim e a Bianca. Você sabe disso.

Eu não me movi.

O abraço dele já foi um porto seguro. Agora era uma jaula, sufocando-me.

— Acabou no dia em que ela foi embora, há três anos — insistiu Alessio. — Tudo o que eu quero agora é uma vida com você. Com o nosso filho.

Afastei-me dele e caminhei até a penteadeira.

Uma fileira de vitaminas pré-natais estava perfeitamente alinhada — ácido fólico, cálcio, ferro. Tudo o que uma futura mãe precisava. Durante três meses, Alessio se certificou de que eu tomasse cada uma delas. Todos. Os. Dias.

Agora, elas estavam ali… zombando de mim.

Passei direto por elas e fui até a cama.

— Marcella? — Alessio parecia confuso. — Você não tomou suas vitaminas.

Ignorei. Deitei-me e puxei o cobertor sobre a cabeça.

— Marcella! — a voz dele se elevou. — O que você está fazendo?

Fechei os olhos.

— Droga! — Ele se aproximou e arrancou o cobertor de cima de mim. — Vai arriscar o bebê só para se livrar da Bianca?

O bebê.

Que ironia.

Ele nunca se importou comigo. Apenas com o que eu carregava.

— Levante-se, Marcella! — a raiva de Alessio explodiu. — Acha que isso vai me fazer expulsar a Bianca? Sua manipuladora!

Manipuladora.

Sorri, sem humor.

Os verdadeiros manipuladores eram ele e Gianni.

Virei-me, dando-lhe as costas.

— Você… — Alessio tremia de raiva, mas não me puxou para fora da cama.

O quarto mergulhou em silêncio.

Muito tempo depois, ouvi a porta se abrir. Ele tinha ido embora.

Mais tarde, naquela noite, acordei com sede.

Desci as escadas em silêncio. A cozinha estava escura.

Servi um copo de água e já estava voltando quando ouvi vozes vindas do jardim.

Através da porta de vidro, vi Alessio e Bianca sob a luz do luar.

— Por que não posso ter meu antigo quarto de volta? — a voz de Bianca carregava mágoa. — Todas as minhas lembranças estão lá.

Alessio suspirou.

— Eu prometi a ela que não haveria nenhum vestígio seu nesta casa.

— Mas agora eu voltei — Bianca deu um passo à frente. — Ela deveria entender.

— Bianca… — a voz de Alessio soou cansada. — Ela está grávida.

— E daí? — o tom dela se tornou afiado. — Você não disse que nunca quis um filho com ela?

Minha mão congelou ao redor do copo.

Alessio ficou em silêncio por alguns segundos. Então soltou uma risada amarga.

— Eu estava bêbado naquela noite. Fui descuidado.

— Descuidado?

— Esqueci de garantir que o médico aplicasse a injeção nela — admitiu, em voz baixa. — Três anos… nunca deixei de fazer isso. Só naquela única vez.

Três anos.

Uma injeção anticoncepcional.

As peças começaram a se encaixar.

Lembrei de como ele ficava tenso sempre que eu o abraçava depois de dormirmos juntos e falava sobre ter um filho. Lembrei de todas as vezes em que me perguntei por que nunca engravidava, mesmo com tanta frequência.

Achei que o problema fosse comigo. Que meu corpo não fosse forte o suficiente por causa da vida que levei.

Engolia suplementos amargos todos os dias… por um futuro com ele.

Agora eu entendia.

O “amor” que ele me dava era veneno.

— E agora? — a voz de Bianca soou desesperada. — Você não vai ficar com esse bebê, vai?

— O bebê tem sangue Moretti — Alessio respondeu, firme. — Ele fica.

Bianca ficou em silêncio.

— Já comprei uma cobertura em Manhattan — ele continuou. — Você pode se mudar em alguns dias.

— O quê? — a voz dela se elevou. — Você está me expulsando?

— Não — disse Alessio. — Só não quero abalar a Marcella. Ela está grávida. Não pode se estressar.

Não quer me abalar?

Que mentira bonita.

Se ele realmente se importasse… nada disso teria acontecido.

— Alessio… — Bianca soluçou. — Você não me ama mais?

Ele não respondeu.

Então ela se lançou contra ele, ficou na ponta dos pés e o beijou.

Alessio hesitou por um segundo.

Mas não a afastou.

Bianca pegou a mão dele e a guiou até sua cintura.

Sob o luar, as sombras dos dois se misturaram.

A mão de Alessio começou a deslizar pelas costas dela.

Bianca soltou um suspiro baixo.

— Senti sua falta, Alessio — sussurrou. — Estou enlouquecendo sem você.

— Bianca… — a voz dele saiu rouca.

— Você também sentiu minha falta, não foi? — as mãos dela começaram a desabotoar a camisa dele. — Ela nunca poderia te amar como eu amo.

Ele não a impediu.

Os dois se beijaram com mais intensidade. A camisola de Bianca deslizou até o chão.

E eu…

Assistindo tudo aquilo, senti o estômago revirar.

Não consegui conter.

Virei-me, corri até a pia e vomitei a água que havia acabado de beber.

Segurei a bancada, com o corpo tomado por ânsia, até não restar mais nada.

Quando ergui o olhar, vi meu reflexo na janela escura.

Rosto pálido. Olhos vazios.

Sorri.

Um sorriso sem vida.

Ah, Alessio…

Você vai pagar por isso.

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