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O Bebê Fugitivo do Chefão da Máfia
O Bebê Fugitivo do Chefão da Máfia
작가: Crystal K

Capítulo 1

작가: Crystal K
Depois que descobri que Alessio e meu irmão, Gianni, foram os responsáveis por vazar o vídeo que me humilhou, levei a mão até a barriga. Ela começava a aparecer. Decidi que levaria meu filho e desapareceria para sempre.

Eu tinha acabado de reservar a passagem quando meu celular começou a vibrar sem parar. O nome de Alessio apareceu na tela.

Normalmente, eu atenderia na mesma hora. Desta vez, fiquei apenas olhando até a tela escurecer.

Então, Gianni ligou.

Eles se revezaram, um após o outro, em mais de uma dúzia de chamadas. Pareciam uma família de verdade, extremamente preocupada.

Quem diria que eram eles que tinham me destruído?

Na vigésima ligação, enxuguei as lágrimas, me acalmei e atendi.

— Marcella! — a voz de Alessio estava tensa, carregada de pânico. — Onde diabos você está? Procurei por toda a propriedade!

— Eu só saí para dar uma volta — respondi, com a voz monótona.

— Estou resolvendo a situação do vídeo — disse ele, apressado. — Está sendo apagado de todos os sites. Você não precisa se preocupar…

Ao ouvir a preocupação do homem que eu amava, meu nariz voltou a arder.

Quase perdi o controle. Quase gritei com ele.

Se você me ama tanto, por que fez isso?

Se ama mais a Bianca, por que continua jogando esse jogo comigo?

Mas as palavras não saíram.

Engoli tudo e apenas murmurei:

— Eu sei.

Alessio percebeu que algo estava errado.

— O que foi?

Quando não respondi, a voz do meu irmão se intrometeu, cortante e acusadora.

— Marcella! Responda agora mesmo! — Gianni parecia furioso. — Como você pôde simplesmente desaparecer? Ficamos preocupados!

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, o tom dele ficou ainda mais severo.

— Você não deveria ter ido embora assim. Prometemos ao papai que cuidaríamos de você! E você está grávida!

Cuidar de mim. As palavras giraram dentro de mim como uma lâmina.

Gianni, você é meu irmão… e chama isso de cuidar?

Dei uma desculpa qualquer e desliguei.

No banco de trás do carro, fechei os olhos. O passado voltou à tona como uma onda esmagadora de traição.

Vinte e um anos atrás, a esposa de um soldado de baixo escalão da família Ricci tomou uma decisão desesperada. O marido havia sido pego roubando no cassino, e meu pai, o Don na época, fez dele um exemplo. Cortou o dedo mindinho dele.

Na mesma noite em que nasci, ela me roubou do berço e colocou a própria filha no meu lugar.

Bianca cresceu como uma princesa. Com a minha vida.

E eu fui jogada nas favelas para apodrecer. Dezoito anos de inferno. Socos, cintos, garrafas. Fome, frio, medo.

Três anos atrás, no leito de morte, aquela mulher confessou tudo. A verdade veio à tona.

A essa altura, minha mãe verdadeira, a gentil Donna, já tinha partido. Meu pai adotivo desapareceu no instante em que soube da verdade. Meu pai biológico, afogado em culpa e dor, me trouxe de volta para casa. Ele me deu tudo. Me amou intensamente. Mas morreu um ano depois.

E Bianca?

Ela fez algumas cenas, percebeu que não podia me impedir de tomar o lugar dela. Então destruiu o que restava antes de partir. Partiu o coração de Alessio e fugiu com um pintor francês qualquer.

Naquela noite, Alessio ficou completamente bêbado.

Entrei no quarto dele com uma xícara de chá.

Ele ergueu os olhos, e os olhos que sempre foram frios estavam cheios de dor e desespero.

Pousei a xícara para consolá-lo. Mas ele me puxou. Me beijou com desespero. Como se estivesse se afogando.

Quando ele me levou para a cama, fechei os olhos e me deixei afundar junto com ele.

Achei que ele sentia o mesmo. Que éramos duas almas quebradas encontrando conforto uma na outra.

Que ingenuidade. Agora eu sei a verdade. Eu fui a única que se afogou.

O carro parou no portão da propriedade dos Ricci.

O mordomo veio até a porta.

— Srta. Hanson, a senhora voltou.

Eu congelei.

Srta. Hanson.

Olhei para o velho mordomo, que servia à família Ricci há décadas.

Que piada cruel.

Sou a verdadeira filha da família Ricci… e ainda assim sou tratada como uma estranha.

Três anos atrás, quando voltei para casa pela primeira vez, Gianni disse:

— Você foi Marcella Hanson por tanto tempo. É só um nome, não precisa mudar.

Alessio concordou:

— Você já está acostumada.

Agora eu entendo.

Nunca foi sobre costume.

Era um recado silencioso.

Bianca sempre foi a verdadeira Srta. Ricci.

E eu… apenas a substituta. Mas isso não importa mais.

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