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Capítulo 2

작가: Crystal K
Eu sabia que, para desaparecer debaixo do nariz de duas famílias da máfia, precisava de três coisas: dinheiro, uma identidade e o momento certo.

Só precisava pegar o dinheiro da minha fuga.

No meu quarto, havia um cofre escondido atrás de uma tela na qual eu havia derramado três anos da minha vida.

Lá dentro estavam títulos ao portador que eu havia comprado em segredo com a herança do meu pai, além de uma identidade nova, impecável.

Empurrei a porta da sala e congelei.

Alessio e Gianni estavam no sofá. Bianca estava aconchegada nos braços de Alessio. Os três riam.

Bianca usava uma camisola de seda rosa-claro. Costumava ser a minha favorita.

Ela estava encostada no peito de Alessio, exatamente como eu costumava fazer.

— Alessio — ela murmurou — você não acha que a Marcella vai me expulsar, acha? Estou com tanto medo…

— Claro que não — garantiu Gianni, com uma gentileza que eu mal reconheci. — Este sempre será o seu lar, Bianca.

Sempre o seu lar.

As palavras perfuraram o meu coração.

Lembrei-me do meu terceiro dia de volta à família Ricci, há três anos.

Em público, Bianca sorriu docemente para mim.

— Irmã, bem-vinda de volta.

Em particular, ela colocou o relógio de bolso antigo do nosso avô dentro da minha mala.

Então, durante um jantar em família, apontou para mim diante de todos.

— Marcella roubou o relógio do vovô!

O rosto de Gianni endureceu.

— Marcella! Como você pôde!

Ele me trancou no quarto por três dias, sem pensar duas vezes.

Alessio foi ainda mais frio.

— Desinfetem tudo o que ela tocou — ordenou às empregadas. — Tudo.

A voz dele transbordava repulsa, como se eu fosse uma praga.

Por três dias, chorei naquele quarto escuro até minha garganta ficar em carne viva.

Só quando meu pai, já doente, voltou para casa e verificou as câmeras de segurança, meu nome foi limpo.

Mas o estrago já estava feito.

Bianca chorou e pediu desculpas.

— Sinto muito, não foi minha intenção. Eu só… eu só tinha medo de perder minha casa.

Gianni a abraçou, com o coração partido por ela.

— Tudo bem. Nós entendemos.

Alessio assentiu.

— Você sempre será da família.

E eu?

Recebi apenas um comentário frio:

— O mal-entendido já foi esclarecido.

— Marcella?

A voz de Alessio me trouxe de volta ao presente.

Ele me viu e, imediatamente, com um leve constrangimento, afastou Bianca. Levantou-se e veio na minha direção.

— Você voltou. Estávamos preocupados…

Eu recuei, evitando a mão estendida dele.

Alessio congelou.

Bianca se levantou, um brilho de triunfo passou rapidamente por seus olhos antes que ela assumisse uma expressão de pena.

— Marcella, me desculpe. A culpa é minha. Eu não deveria ter voltado.

As lágrimas começaram a escorrer por seu rosto.

Imediatamente, Alessio e Gianni se colocaram à frente dela, como guarda-costas.

— Bianca, não diga isso — disse Gianni, apressado.

Alessio apenas repetiu o que disse três anos atrás:

— Esta sempre será a casa da Bianca. Ela pode voltar quando quiser.

Sempre a casa da Bianca.

Uma frase tão familiar.

Três anos… e nada mudou.

No coração deles, Bianca é quem precisa ser protegida.

E eu sou sempre a estranha. A ameaça.

— Marcella, diga alguma coisa — disse Gianni, franzindo a testa. — A Bianca já pediu desculpas.

— Sim — soluçou Bianca — eu sei que não deveria ter voltado e incomodado vocês, mas… eu realmente não tenho para onde ir.

As lágrimas escorriam ainda mais rápido, fazendo-a parecer frágil, indefesa.

A expressão de Alessio suavizou. Ele se aproximou, acariciando o cabelo dela.

— Não chore. Você não está incomodando ninguém por ficar aqui.

Incomodando ninguém.

Ele quis dizer que eu não seria incomodada.

Mas será que alguma vez me perguntaram?

Será que alguma vez se importaram com o que eu sentia?

Eu os observei, e o último resquício de calor dentro de mim se apagou.

Eles esperavam que eu chorasse, que gritasse, que tivesse um ataque como antes.

Mas eu não sou mais aquela garota desesperada de três anos atrás.

Apenas os encarei, com o coração transformado em gelo.

— Ah…

Minha voz saiu quase como um sussurro.

Então me virei e subi as escadas.

Atrás de mim, o mundo pareceu mergulhar em silêncio.

— Ah? — a voz de Gianni veio carregada de incredulidade. — É só isso?

Não olhei para trás. Continuei subindo.

Ouvi a voz tensa de Bianca atrás de mim:

— O que… o que houve com ela?

— Tem algo errado — disse Alessio, tenso. — Ela nunca fica tão calma.

Empurrei a porta do meu quarto, pronta para fazer as malas.

Passos me seguiram.

Alessio parou na porta, me observou por um instante, afastou Bianca, que tentava se agarrar a ele, e entrou atrás de mim.

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