LOGINCapítulo 157 — Ancorados no CaosChloe HollowayO limpador de para-brisa cortava a garoa fina de Boston em um ritmo mecânico e irritante. No banco do carona do carro que Tony providenciou para nos escoltar, mantive os olhos fixos na silhueta rígida de Christian. Ele não disse uma única palavra desde que deixamos a cobertura de Jonathan. Apenas encarava o asfalto molhado com uma frieza de chumbo.Nos últimos dias, a sensação era de que o chão sob os meus pés havia virado vidro quebrado. Ver Michael Snyder escapar de uma cela comum graças à influência sórdida de sua família, cumprindo prisão domiciliar no conforto de uma mansão com uma tornozeleira eletrônica ridícula, me encheu de um nojo revoltante. A impunidade da elite nesta cidade era um escárnio.Duas semanas tinham se passado desde aquele dia no hangar, mas o som daquele tiro ainda ecoava no meu peito em noites mal dormidas. Mesmo tendo sido de raspão no abdômen, o pânico de ver Christian ensanguentado no chão foi o momento mais
Capítulo 156 — O Frágil Limiar da VidaJonathan RhodesO trajeto de volta da mansão sob a chuva fina de Boston havia sido um sepulcro sobre quatro rodas. Ao volante, observando de esguelha o reflexo de Christian no banco do carona com os nós dos dedos vermelhos e a lâmina da mandíbula cravada em ódio cru, precisei admitir para mim mesmo que o garoto franzino e aterrorizado que chegou à mansão aos dez anos não existia mais. No lugar daquele menino acuado pelos cantos, restava um homem letal, quebrado pela traição, alimentado exatamente pela mesma fúria implacável que pulsava sob a minha própria pele.Na cobertura, a frieza com que resumi o deboche asqueroso de Mason não escondeu o estrago na sala. E quando Alice se adiantou para abraçar o meu meio-irmão, não senti a costumeira queimação possessiva que costumava me cegar. Havia uma trégua silenciosa ali, selada pela repulsa ao mesmo monstro.Eu só queria que aquela noite interminável acabasse. Mas no instante em que dei as costas e solt
Capítulo 155 — Pontada EsquisitaAlice CarsonA xícara de porcelana repousada na mesa de centro esfriava diante dos meus olhos. Quando dona Naomi começou a chorar minutos atrás, tudo o que fiz foi me levantar para buscar um copo de água na cozinha na tentativa de fazê-la recuperar o fôlego. Eu precisava entender o tamanho do abismo em que tínhamos acabado de cair, e aquela pergunta ainda reverberava na minha própria mente: "Como assim a Rebecca morreu atropelada em uma noite de chuva e você desconfia que não foi um acidente, dona Naomi?".Aquelas palavras mal haviam saído da minha boca quando os passos pesados interromperam o mezanino, trazendo Christian de volta para a sala com a expressão desfeita em puro choque. Eu conhecia Chris desde os tempos da faculdade — quando ele era o veterano brilhante de TI que me ajudava a não surtar nas semanas de provas —, dividi noites em claro à base de café barato e farras de fim de semestre com ele, mas nunca, em momento algum, o vi daquele jeit
Capítulo 154 — Sangue por SangueChristian BakerMason soltou uma gargalhada genuína, sacudindo a cabeça com deboche sádico:— Vocês dois são tão patéticos... Nem parecem ter saído do meu sangue. Dois fracos dominados por sentimentalismo barato.— Tenha certeza de que eu amaria não carregar uma única gota do seu sangue podre nas minhas veias — Jonathan rebateu, parando a meio metro de nós, com os punhos cerrados e o maxilar rígido feito pedra. — É a maior vergonha da minha existência.— Não se iluda, Jonathan — Mason zombou, os olhos faiscando na direção do filho mais velho. — Você é muito mais parecido comigo do que imagina. Tem a mesma frieza, a mesma fome de poder.— Não muda de assunto, seu desgraçado! — apertei o tecido contra a traqueia dele, forçando a cabeça de Mason para trás. — Eu exijo a verdade agora!Mason sustentou o meu olhar, e a crueldade em seu semblante ganhou contornos aterrorizantes:— A sua mãe foi uma pedra no meu sapato, Christian. Era gostoso e convenie
Capítulo 153 — Rastro de PólvoraChristian BakerO ar da sala de estar parecia rarefeito demais para respirar. As palavras de tia Naomi ainda ecoavam nas minhas têmporas como marteladas em aço cru. Eu não sentia a dor da bala recente no meu abdômen; sentia apenas um formigamento elétrico nas pontas dos dedos e a urgência cega de esmagar o crânio de Mason Rhodes contra a parede.— Por favor, não façam isso! Vocês dois, escutem! — Naomi se colocou no nosso caminho em prantos, os olhos suplicantes indo de mim para Jonathan. — Christian, você está com a cabeça quente, não vai conseguir pensar direito! E você, Jonathan, meu filho... não alimente essa loucura, seja racional! Aquele homem não tem limites!— Eu vou com ou sem o Jonathan, tia Naomi — respondi em tom gélido, desviando dela com passos firmes. — Ninguém me impede de olhar na cara daquele desgraçado hoje.— Ninguém vai sozinho — Jonathan interveio com autoridade incontestável, tirando o telefone do bolso do paletó. — Dixon, p
Capítulo 152 — Cinzas e Segredos Christian BakerA cicatrização recente no meu abdômen ainda repuxava sob a camisa preta sempre que eu me movia com brusquidão. Levar um tiro de raspão naquele hangar em Boston foi uma experiência que eu não recomendava a ninguém, mas a parte mais intragável de toda aquela merda foi a delegacia: Michael Snyder não passou uma única noite em uma cela comum. Amparado pela influência da família e por uma banca de advogados caríssimos que compraram brechas judiciais no tribunal, o desgraçado conseguiu responder por tentativa de homicídio em liberdade vigiada, monitorado por tornozeleira eletrônica no conforto de uma propriedade particular. A elite desta cidade sempre encontrava uma rota de fuga.Pelo menos, no meio de todo o inferno, eu tinha Chloe. Nosso relacionamento estava na melhor fase possível. Desde aquele pedido de namoro improvisado na ambulância, nós nos tornamos inseparáveis. Chloe cuidava de mim com uma mistura irresistível de mimo e autoridade







