LOGINSAVANNAH SINCLAIR — Essa seria uma descrição bastante justa. Inclinei-me um pouco para trás na cadeira. — Nesse caso, acredito que podemos economizar algum tempo — respirei fundo, séria. — Eu não costumo aceitar contratos sem conhecer minimamente o cliente, e também não tenho interesse em desperdiçar o tempo da minha equipe em uma negociação em que as informações básicas sejam escondidas de nós. Se querem saber se somos capazes de lidar com o problema de vocês, preciso saber pelo menos com que tipo de empresa estamos falando. Ele permaneceu em silêncio, achei que havia visto um sorrisinho no canto do seu lábio. Todavia, acho que estava errada sobre isso. — Entendo perfeitamente. E, considerando o seu histórico, acredito que essa seja justamente uma das razões pelas quais fomos até a senhora. Mas existe uma questão de confidencialidade que não podemos ignorar. O cliente está enfrentando uma situação extremamente delicada e não pretende permitir que qualquer informação seja divulg
SAVANNAH SINCLAIR Depois de toda comemoração do aniversário do meu filho mais novo Nicholas, tive que voltar a minha rotina de sempre. Todavia, para minha felicidade, meus funcionários estavam felizes naquela manhã, pois a comemoração pelo crescimento da Northbridge Advisory acontecia do outro lado das paredes de vidro do meu escritório. Eu conseguia ouvir as risadas dos funcionários, o tilintar das taças e a música baixa que alguém havia escolhido para acompanhar aquela pequena celebração. Segurei minha taça de champanhe entre os dedos e caminhei até a janela. Manhattan se estendia diante de mim, com seus prédios imponentes refletindo a luz da manhã. A Northbridge Advisory tinha crescido muito mais rápido do que eu havia imaginado quando decidi transformar minhas ideias em uma empresa de verdade. Novos clientes, contratos maiores, funcionários suficientes para que eu não precisasse mais resolver cada pequeno problema pessoalmente e, principalmente, números que finalmente me pe
SAVANNAH SINCLAIR A festa de primeiro aniversário de Nicholas ocupava praticamente todo o jardim da nossa casa. Desde que ele havia nascido, Damien e eu tínhamos nos mudado da cobertura para uma mansão mais afastada do centro de Manhattan. O apartamento era enorme, mas, depois de termos dois filhos, simplesmente deixou de fazer sentido. Eu queria que Noah e Nicholas tivessem espaço para correr, brincar e fazer bagunça sem que tudo precisasse acontecer entre paredes de vidro. O jardim havia sido uma das principais razões para a mudança. Eu queria que Nicholas crescesse tendo contato com a natureza desde pequeno, pudesse correr descalço na grama, mexer na terra e descobrir o mundo longe da rotina acelerada da cidade. Naquela tarde, havia mesas cobertas por toalhas claras, arranjos de flores brancas e verdes, garçons circulando discretamente entre os convidados e uma área inteira preparada para as crianças, com brinquedos, tendas e pequenos espaços de recreação. A maior parte dos
SAVANNAH SINCLAIR Quando entramos no apartamento, encontrei Noah na sala, sentado no tapete cercado por blocos coloridos e alguns dinossauros de brinquedo. Ele usava um pijama azul-marinho, e uma pequena torre de peças estava construída diante dele. Assim que nos viu, abandonou o que estava fazendo e correu na nossa direção. — Mamãe! Papai! Vocês demoraram muito. Damien abriu os braços e o recebeu primeiro, levantando-o do chão. — Tivemos uma coisa importante para resolver. Noah franziu a testa, tentando pensar no que estávamos fazendo com sua imaginação infantil. — Uma coisa importante? — Muito importante — respondi, aproximando-me dos dois. — E precisamos contar uma coisa para você. Ele olhou de mim para Damien, desconfiado. Ele até esticou um pouco o pescoço para ver se não estávamos escondendo alguma surpresa atrás de nós, mas quando viu que não era isso, ele fez o rostinho mais inocente possível. — Eu fiz alguma coisa errada? — Não, meu amor — fiz uma pausa.
SAVANNAH SINCLAIR Levei a mão ao abdômen. — Não. Ele imediatamente se levantou. — Eu disse que é uma possibilidade, não uma certeza. Minha cabeça começou a trabalhar rápido demais. O enjoo daquela manhã. O cheiro da comida. O mal-estar repentino. O fato de eu sequer ter percebido que estava atrasada. — Eu não estou atrasada. Damien ergueu uma sobrancelha. — Tem certeza? — Eu... não sei. — Então não vamos tirar nenhuma conclusão antes de saber. — E se eu estiver grávida? Ele ficou em silêncio, tentando decidir qual seria a resposta menos capaz de me fazer entrar em pânico. — Então vamos descobrir o que fazer depois. Mas, Savannah, você está entrando em pânico por causa de uma possibilidade. Eu já estava pegando minha bolsa. — Preciso descobrir. — Podemos marcar um exame de sangue. Eu ligo para o laboratório, conseguimos um horário e... — Não quero laboratório. — Por quê? — Porque vou ter que esperar. Vou ter que chegar lá, esperar atendimento, faz
SAVANNAH SINCLAIR Meses depois, a Northbridge Advisory já não parecia a pequena empresa que eu havia começado na sala de casa. Um prédio agora pertencia a mim. Não era mais um escritório alugado com algumas salas improvisadas, mas um espaço inteiro comprado com o dinheiro que a minha própria empresa havia gerado. A fachada de vidro refletia os prédios ao redor, enquanto os andares internos já estavam ocupados por equipes de análise, consultoria, tecnologia, atendimento e administração. Naquela manhã, eu estava sentada em minha sala, diante de uma parede de vidro que dava para uma parte movimentada de Manhattan, encerrando uma chamada com um cliente internacional. — Então ficamos assim. Minha equipe vai concluir a análise dos novos dados até sexta-feira e enviaremos o relatório com as recomendações atualizadas. Depois disso, marcamos outra reunião para discutirmos os próximos passos com mais calma. A pessoa do outro lado da chamada concordou. — Perfeito, Savannah. Agradeç







