Share

Capítulo 4

Author: K. F. Moura
last update publish date: 2026-10-22 10:24:09

Naquela noite, Isabella estava tão feliz que quase se esqueceu de jantar.

Assim que chegou ao apartamento, deixou a bolsa sobre a cadeira, tirou os sapatos e ligou o computador. A entrevista havia despertado uma curiosidade impossível de ignorar. Se tivesse a oportunidade de trabalhar na Dorman Media Group, queria saber exatamente onde estava entrando.

Digitou o nome da empresa no mecanismo de busca.

O primeiro resultado a deixou impressionada.

A Dorman Media Group não era apenas uma agência de publicidade. Era um conglomerado internacional que reunia publicidade, televisão, produção audiovisual, mídia digital e consultoria estratégica para grandes marcas. Seus clientes estavam espalhados por diversos países, e algumas de suas campanhas haviam conquistado prêmios internacionais.

Isabella abriu uma página após a outra, anotando informações em um caderno.

Descobriu que a empresa havia sido fundada décadas antes, quando a televisão ainda transmitia imagens em preto e branco. Seu fundador, Arthur Dorman, começara com uma pequena empresa de comunicação, apostando no potencial de um meio que, na época, ainda era uma novidade para grande parte da população.

Arthur tinha uma visão ambiciosa: não queria apenas acompanhar as mudanças da comunicação. Queria fazer parte delas.

Ao longo dos anos, transformou o pequeno negócio em uma empresa respeitada, expandindo suas operações para a produção televisiva e a publicidade. Seu filho, Richard Dorman, assumiu a liderança posteriormente e modernizou a estrutura, levando a companhia para o mercado internacional e investindo em novas tecnologias.

Quatro anos antes, a presidência havia passado para Justin Dorman.

Aos trinta e dois anos, ele era o mais jovem dos três a assumir o comando do grupo.

As fotografias mostravam um homem de cabelos escuros, maxilar marcado e olhos tão intensos que pareciam atravessar a câmera. Em algumas imagens, aparecia ao lado de investidores; em outras, discursava em eventos internacionais. Sempre elegante, sempre sério.

Isabella encontrou uma entrevista na qual Justin falava sobre inovação e o futuro da comunicação.

— Bonito, inteligente, bilionário e aparentemente incapaz de sorrir — comentou para a tela. — Deve ser um encanto em festas.

Ela riu da própria observação e continuou lendo.

Quanto mais descobria, mais entendia o tamanho da oportunidade que tinha diante de si. Trabalhar ali poderia mudar sua carreira e, quem sabe, ajudá-la a sair da situação financeira em que se encontrava.

Foi então que se lembrou de uma informação importante.

Se fosse contratada, precisaria ajustar o horário da faculdade.

Até aquele momento, Isabella estudava no período da tarde. Depois de confirmar que começaria a trabalhar na empresa, teria de solicitar a transferência para as aulas noturnas. Não seria simples conciliar tudo, mas ela estava disposta a tentar.

Na manhã seguinte, recebeu a confirmação de que havia sido selecionada para a vaga de assistente de criação publicitária.

Leu o e-mail uma vez.

Depois outra.

Na terceira, levou as mãos à boca.

— Meu Deus… Eu consegui!

A mensagem explicava que ela deveria comparecer à empresa para assinar os documentos e receber as orientações iniciais. A remuneração não a tornaria rica, mas seria suficiente para começar a organizar a vida, desde que mantivesse o controle das despesas.

Isabella ligou imediatamente para Valentina.

— Você está sentada? — perguntou, sem conseguir conter o sorriso.

— Depende. Por quê?

— Porque eu consegui o emprego!

O grito de Valentina quase estourou o alto-falante.

— EU SABIA! Eu sabia que aquela apresentação ainda ia te levar a algum lugar!

— Sou assistente de criação publicitária na Dorman Media Group!

— Espera. Naquela empresa gigantesca? Aquela do prédio que parece ter sido construído para pessoas que nunca viram uma conta de luz?

Isabella caiu na gargalhada.

— Essa mesma.

— Amiga, você vai trabalhar entre pessoas que provavelmente compram café pelo preço do nosso aluguel!

— Por favor, não me lembre do aluguel.

O riso das duas foi diminuindo, mas a alegria permaneceu.

Naquele mesmo dia, Isabella foi até a universidade e solicitou a mudança para o período noturno. Explicou sua nova rotina, preencheu os formulários necessários e saiu com a sensação de que estava reorganizando a própria vida, uma decisão de cada vez.

Pela primeira vez em meses, seus planos pareciam possíveis.

--------

No primeiro dia de Isabella na Dorman Media Group, Justin estava no meio de uma reunião quando algo incomum aconteceu.

Ele estava sentado à cabeceira da mesa, ouvindo uma apresentação sobre uma nova campanha publicitária. Na tela, um gráfico colorido mostrava as projeções de alcance de uma marca de produtos de beleza.

— Nossa estratégia pretende humanizar a marca e criar uma conexão emocional com o consumidor — explicava o diretor responsável. — Para isso, propomos uma abordagem espontânea, autêntica e descontraída.

Justin examinou a apresentação.

— E qual é o elemento espontâneo dessa campanha?

O diretor sorriu, confiante.

— A espontaneidade será construída por meio de roteiros cuidadosamente planejados, com falas naturais e reações previamente ensaiadas.

Justin ergueu uma sobrancelha.

— Então vocês planejaram a espontaneidade?

Alguns executivos baixaram os olhos para esconder o desconforto.

— Exatamente, senhor Dorman. Essa é uma tendência muito utilizada atualmente.

— Imagino que seja. Afinal, nada transmite mais autenticidade do que uma reação ensaiada por doze pessoas em uma sala fechada.

A reunião continuou, mas Justin perdeu o interesse na apresentação. Pediu que revisassem a proposta e se preparou para sair.

Foi quando ouviu uma voz feminina no corredor.

— Eu só estou dizendo que, se essa impressora engolir mais uma folha, vou incluí-la na minha lista de inimigos pessoais. E ela já está perigosamente perto do primeiro lugar.

Uma segunda voz respondeu:

— Você está brigando com uma impressora no seu primeiro dia?

— Não estou brigando. Estou tentando estabelecer limites saudáveis para nossa convivência.

Justin parou.

A porta da sala de reuniões estava entreaberta. Pelo espaço, viu uma jovem segurando uma pilha de papéis enquanto tentava retirar uma folha presa na impressora. Ao lado dela, outra funcionária parecia lutar para não rir.

A jovem puxou o papel com cuidado. A máquina emitiu um ruído agudo e imprimiu, de uma só vez, várias páginas em branco.

Ela ficou olhando para as folhas.

— Perfeito. Agora ela está desperdiçando papel para me provocar. Isso é pessoal.

A colega finalmente caiu na gargalhada.

E, para sua própria surpresa, Justin sorriu.

Não foi um sorriso educado, daqueles que usava diante de investidores. Foi espontâneo, breve e genuíno.

Fazia tanto tempo que não ria de algo tão simples que, por alguns segundos, ele próprio pareceu surpreso.

A jovem recolheu as folhas, colocou-as debaixo do braço e falou com a impressora em um tom solene:

— Não pense que venceu. Eu tenho um diploma em andamento e uma determinação questionável. Vamos ver quem desiste primeiro.

Justin soltou uma risada baixa.

A assistente que o acompanhava percebeu a mudança em sua expressão e olhou na direção do corredor.

— Algum problema, senhor?

Ele voltou à postura habitual.

— Não. Quem é aquela funcionária?

— Vou verificar.

— Descubra o nome dela.

Justin entrou novamente no escritório, mas a cena continuou voltando à sua memória durante o restante da manhã.

Não era apenas a aparência da jovem que havia chamado sua atenção, embora os longos cabelos castanhos e os olhos azuis fossem difíceis de ignorar. Havia algo na maneira como ela encarava um pequeno contratempo, transformando uma situação irritante em uma piada, que parecia estranho naquele ambiente onde todos mediam cada palavra.

Ela não parecia estar tentando impressionar ninguém.

E talvez fosse justamente isso que o havia impressionado.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • O CEO é Meu Admirador Secreto   Capítulo 28

    A sexta-feira amanheceu com uma sensação diferente para Isabella.Talvez fosse porque havia dormido com um sorriso discreto nos lábios. Ou porque, antes mesmo de abrir os olhos completamente, sua memória já havia recuperado os acontecimentos da noite anterior.O jantar com Lucas tinha sido agradável. Mais do que isso, havia sido especial.Ela ainda conseguia se lembrar da maneira como ele a olhara antes de beijá-la, como se estivesse esperando uma resposta que não precisava ser dita em voz alta. O beijo tinha sido delicado, acompanhado de uma ternura que a fizera sorrir mesmo depois de se despedirem.O celular vibrou sobre a mesa de cabeceira.Lucas."Bom dia, garota dos olhos bonitos. Espero que tenha dormido bem."Isabella sorriu e se acomodou melhor no travesseiro."Bom dia! Dormi sim. E você?"A resposta chegou quase imediatamente."Melhor do que de costume. Acho que tenho um bom motivo para isso."Ela mordeu o lábio, tentando conter o sorriso."Tenha um bom dia, Lucas.""Você tam

  • O CEO é Meu Admirador Secreto   Capítulo 27

    O relógio no computador marcava quase sete da noite quando Justin finalmente encerrou a última tarefa do dia.Levantou os olhos e percebeu que o andar executivo estava praticamente vazio. A maioria dos funcionários já havia ido embora, e o silêncio dos corredores indicava que o expediente terminara havia algum tempo.Ele fechou a pasta que estava analisando, pegou o celular e se levantou.Não tinha motivo para continuar ali.Pelo menos, não um motivo profissional.Ao sair do escritório, caminhou em direção aos elevadores. Apertou o botão para descer, mas, quando as portas se abriram, hesitou por um instante antes de entrar.O setor de criação ficava alguns andares abaixo.Justin sabia exatamente onde ficava a mesa de Isabella. Sabia também que ela já deveria ter saído para a universidade. Ainda assim, uma vontade quase impulsiva o fez mudar de direção.Quando chegou ao andar, encontrou as luzes parcialmente apagadas e as estações de trabalho vazias. Caminhou pelo corredor entre as mes

  • O CEO é Meu Admirador Secreto   Capítulo 26

    Camila estava demorando.Já fazia quase uma hora desde que ela havia sido chamada à sala do CEO, e, embora ninguém tivesse comentado abertamente, a ausência não passara despercebida.Isabella organizava alguns arquivos na tela do computador quando Daniel se aproximou da mesa dela, apoiando uma das mãos na divisória.— Você percebeu que a Camila ainda não voltou?Isabella ergueu os olhos.— Percebi. Por quê?— Porque já faz um bom tempo que ela está lá em cima. — Ele inclinou a cabeça na direção do elevador. — E, considerando que foi o próprio Senhor Dorman que a chamou, acho que não era uma conversa sobre o clima.Sophie, que acabara de chegar com uma caneca de café, ouviu o comentário e puxou a cadeira ao lado de Isabella.— Talvez ela tenha sido promovida — brincou, embora sua expressão demonstrasse pouca convicção.Daniel soltou uma risada curta.— Claro. Promovida a quê? Diretora de problemas?— Daniel! — Sophie repreendeu, segurando o riso.Isabella tentou acompanhar a brincadeir

  • O CEO é Meu Admirador Secreto   Capítulo 25

    Camila percebeu que havia algo errado assim que recebeu a mensagem da secretária de Justin Dorman.O CEO queria vê-la em sua sala.Imediatamente.Releu o aviso na tela do computador, tentando encontrar alguma indicação do motivo, mas não havia nenhuma. Apenas uma solicitação objetiva para que comparecesse ao andar executivo.Durante alguns segundos, permaneceu imóvel diante do monitor.Nas últimas semanas, fizera o possível para manter uma postura impecável. Trabalhava normalmente com Isabella, participava das reuniões e evitava qualquer comportamento que pudesse levantar suspeitas. Desde que a segurança dos dados da empresa havia sido reforçada, decidira que o melhor seria ficar quieta e observar.Talvez a investigação tivesse terminado.Talvez tivesse sido chamada por algum assunto relacionado ao novo projeto.Tentou se convencer disso enquanto se levantava.— Está tudo bem? — Daniel perguntou, percebendo sua movimentação.— O senhor Dorman quer falar comigo.— O CEO?— Sim.Daniel

  • O CEO é Meu Admirador Secreto   Capítulo 24

    No início da tarde, Justin finalmente conseguiu retornar ao escritório. A conversa com Helena ainda o incomodava. Não pelos documentos encontrados, mas pela maneira como ela parecia disposta a transformar o divórcio em uma disputa. Seu telefone vibrou. Era uma mensagem de Ethan. "Recebi sua orientação. Isabella está sendo considerada para participar de um projeto maior no próximo mês. A equipe avaliará o desempenho dela normalmente." Justin leu e respondeu apenas: "Ótimo. É assim que deve ser." Deixou o aparelho sobre a mesa. Por alguns segundos, pensou na apresentação daquela manhã. Isabella havia respondido às perguntas com segurança, sem tentar impressionar ninguém. Havia algo admirável na maneira como ela defendia as próprias ideias. Ele sorriu discretamente. Então abriu a conversa no número que havia utilizado na noite anterior. A resposta dela ainda estava lá. "Desculpe, quem está falando?" Justin passou o polegar pela tela. Poderia enviar outra mensagem. Talvez um

  • O CEO é Meu Admirador Secreto   Capítulo 23

    O celular de Justin permaneceu sobre a mesa durante alguns minutos depois que a mensagem de Helena chegou. Ele poderia ignorá-la até o fim do dia. Poderia pedir que os advogados resolvessem qualquer questão pendente. Mas conhecia a esposa o suficiente para saber que, quando Helena dizia precisar conversar, dificilmente aceitava uma resposta diferente daquela que desejava ouvir. Pegou o aparelho e digitou: — Onde? A resposta chegou quase imediatamente. — No meu apartamento. Às dez. Justin bloqueou a tela. Não gostava da ideia de começar o dia com mais uma discussão, mas precisava resolver aquela situação. Quanto mais o divórcio se prolongasse, mais difícil seria organizar a própria vida. --- Às dez em ponto, Justin chegou ao apartamento de Helena. Ela abriu a porta usando um conjunto elegante de seda clara, os cabelos loiros cuidadosamente penteados e uma expressão que misturava impaciência e satisfação por finalmente tê-lo diante de si. — Pensei que fosse mandar seu advogad

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status