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Capítulo 5

작가: K. F. Moura
last update 게시일: 2026-10-22 10:45:43

Algum tempo depois, sua assistente retornou com a informação.

— O nome dela é Isabella Castillos. Foi contratada recentemente como assistente de criação publicitária. Está concluindo a faculdade e começa oficialmente hoje.

Justin repetiu o nome mentalmente.

Isabella Castillos.

— Quero saber mais sobre ela — pediu. — Formação, experiência profissional e informações que sejam relevantes para a contratação.

— Claro, senhor.

Ele voltou aos documentos sobre a mesa, tentando convencer a si mesmo de que sua curiosidade era apenas profissional.

Mas não demorou para perceber que queria saber mais do que o currículo poderia revelar.

----------

Isabella não fazia ideia de que havia provocado um sorriso no homem mais poderoso da empresa.

Estava ocupada demais tentando entender o funcionamento do setor de criação, conhecer os colegas e descobrir onde ficavam as coisas mais básicas — incluindo uma impressora que, segundo ela, precisava de acompanhamento psicológico.

Foi apresentada à equipe por sua supervisora e conheceu uma jovem chamada Camila Reed. Algo no olhar da sua nova colega, emanava uma energia misteriosa.

Camila tinha vinte e seis anos, cabelos loiros cortados na altura dos ombros, olhos castanhos e um estilo impecável. Usava roupas elegantes, maquiagem discreta e mantinha sempre um sorriso profissional.

Trabalhava na empresa havia quase dois anos e ocupava o mesmo cargo que Isabella.

— Então você é a nova contratação — disse Camila, examinando-a com um sorriso que não chegava aos olhos. — Ouvi dizer que impressionou o Ethan com um trabalho universitário.

— Tive sorte de ele estar assistindo à apresentação — respondeu Isabella, tentando ser simpática.

— Claro. Sorte conta bastante por aqui.

Camila voltou os olhos para o computador antes que Isabella pudesse responder.

Do outro lado da sala, uma funcionária observava a conversa. Era Sophie Bennett, uma jovem de cabelos negros e cacheados, pele morena e sorriso fácil. Diferentemente de Camila, ela parecia genuinamente curiosa sobre a recém-chegada.

— Não liga para ela — sussurrou Sophie quando Camila se afastou. — Camila acha que qualquer pessoa nova é uma ameaça ao território dela.

Isabella arregalou os olhos.

— Território? Tem leões escondidos nesse departamento?

Sophie levou a mão à boca para abafar uma gargalhada.

— Você vai se dar bem aqui.

— Ótimo. Porque eu ainda estou tentando descobrir se a impressora me odeia ou se é algo pessoal.

As duas riram.

Sophie explicou que trabalhava no departamento de produção e que estava na empresa havia um ano. Tinha um jeito descontraído, falava com as mãos e parecia conhecer uma história engraçada sobre praticamente todas as pessoas do andar.

Antes do almoço, Isabella também conheceu Daniel Brooks, um redator publicitário de vinte e nove anos, alto, de pele negra, olhos escuros e cabelo curto. Usava óculos de armação fina e tinha um humor irônico que combinava perfeitamente com o dela.

— Soube que você derrotou a impressora — comentou ele, aproximando-se da mesa de Isabella.

— Derrotar? Eu diria que estamos em uma trégua instável.

— Cuidado. Ela costuma se vingar nos dias de entrega.

— Ótimo. Mal cheguei e já tenho uma rival tecnológica e uma colega que parece querer me eliminar profissionalmente.

Daniel trocou um olhar divertido com Sophie.

— Você realmente vai se adaptar bem.

Pela primeira vez em muito tempo, Isabella passou algumas horas sem pensar no aluguel, nas contas ou no medo de fracassar. Estava ocupada aprendendo, conhecendo pessoas e descobrindo que talvez pudesse construir uma vida ali.

Mas nem todos estavam felizes com sua chegada.

Camila observava de longe enquanto Isabella conversava com Sophie e Daniel. Já havia percebido que a novata tinha facilidade para conquistar as pessoas. Também ouvira comentários sobre a apresentação que chamara a atenção de Ethan Walker.

Camila trabalhava havia quase dois anos para conseguir reconhecimento. Esperava uma promoção, mas continuava recebendo tarefas menores e promessas vagas.

Agora, uma recém-chegada parecia atrair atenção sem sequer tentar.

Vamos ver quanto tempo esse entusiasmo dura, pensou.

Naquela tarde, quando Isabella saiu para buscar água, Camila abriu o arquivo compartilhado da equipe e observou a lista de tarefas da nova funcionária.

Uma ideia começou a tomar forma.

Nada que pudesse ser rastreado facilmente. Nada que a comprometesse de imediato.

Apenas um pequeno erro no momento certo.

Um arquivo alterado. Uma informação omitida. Uma entrega comprometida.

Camila voltou à própria mesa com um sorriso discreto.

Ela não pretendia deixar que Isabella roubasse o espaço que acreditava merecer.

-------

No fim do expediente, Justin recebeu o relatório solicitado sobre Isabella.

Leu as informações profissionais primeiro. A jovem tinha experiência limitada, mas apresentava bons resultados acadêmicos e demonstrava iniciativa. Depois, encontrou um detalhe que o fez interromper a leitura.

Havia uma ordem de despejo relacionada ao apartamento onde Isabella morava.

O documento mencionava aluguéis atrasados e um prazo para regularizar a situação.

Justin recostou-se na cadeira.

De repente, a imagem da jovem fazendo piadas com uma impressora pareceu diferente. Ela havia chegado à empresa sorrindo, mesmo enfrentando uma situação que poderia tirar o chão de qualquer pessoa.

Ele conhecia a pressão de administrar uma companhia inteira. Conhecia também a solidão de fingir que tudo estava sob controle.

Mas havia algo naquela jovem que o intrigava: ela parecia encontrar espaço para rir mesmo quando a vida não lhe oferecia muitos motivos.

Justin pegou o telefone.

— Entre em contato com o departamento financeiro e providencie uma transferência de três mil dólares para Isabella Castillos.

A assistente, do outro lado da linha, fez uma pausa.

— Como ajuda de custo, senhor?

— Sim. Informe que é um auxílio extraordinário para despesas iniciais. Não quero que meu nome seja mencionado. E mantenha isso em sigilo.

— Entendido.

Justin encerrou a ligação e permaneceu em silêncio.

Tentou justificar o gesto como uma forma de ajudar uma funcionária que começava a trabalhar na empresa. Afinal, três mil dólares não representavam uma quantia significativa para ele.

Ainda assim, sabia que aquele não era o tipo de decisão que costumava tomar sem pensar.

E não queria investigar o motivo.

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