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Capítulo 9

ผู้เขียน: Shirley
Meus olhos estavam secos e doloridos, mas uma única lágrima, como uma traidora incontrolável, escorreu pelo canto do meu olho.

Aiden viu.

Ele estendeu a mão, a ponta dos dedos tremendo enquanto enxugava a umidade com cuidado e delicadeza.

— Elara, o que foi? Não me assuste.

Ele quis me abraçar, envolver-me em seus braços como fizera inúmeras vezes antes.

Eu me virei.

Esta seria a última vez que eu olharia para ele com tanta tranquilidade.

— Aiden, me leve às cachoeiras da Deusa da Lua, pela última vez.

As mãos dele congelaram no ar, e seus olhos se encheram de espanto.

— Amor, você tem medo de água. Você caiu quando era criança e nunca mais chegou perto de uma corrente profunda desde então...

— Eu só senti vontade de vê-la de repente. — Disse friamente, com um tom desprovido de emoção.

— Foi lá que fizemos nosso juramento de amor, não foi?

Afinal, meu "cadáver" cairia dali, levado pela correnteza rumo à escuridão infinita.

Essa seria a melhor despedida.

Aiden não fez mais perguntas. Apenas mandou preparar o carro.

No caminho, ele dirigia com uma mão no volante e a outra segurando a minha com força, como se temesse que eu desaparecesse no instante seguinte.

Talvez a minha obediência tenha lhe dado alguma ilusão, pois ele começou a relembrar o passado.

— Lembra? Quando você tinha dez anos, pegou um vaga-lume para mim aqui e disse que era um pedaço da lua.

— Quando eu tinha dezoito anos, jurei à Deusa da Lua aqui que não me casaria com ninguém além de você nesta vida.

— Elara. — começou ele, quando o carro parou no penhasco ao lado da cachoeira. O rugido ensurdecedor da água soava como um sino fúnebre para o nosso amor vazio. Aiden virou-se para mim.

— Não importa o que aconteça, eu sempre vou te amar. Meu lobo, minha alma... pertencem somente a você.

Eu sorri também.

O sorriso não alcançou meus olhos. Era pura zombaria.

Conte uma mentira vezes suficientes, e você começa a acreditar nela.

Ficamos lado a lado na borda do penhasco, olhando para as corredeiras brancas e turbulentas abaixo.

Nesse momento, o cristal de comunicação de Aiden começou a vibrar freneticamente.

Ele nem sequer olhou, apenas cortou a conexão.

Mas quem ligava era persistente, chamando repetidas vezes.

Por fim, ele olhou a origem da chamada e se afastou para atender.

Não sei o que foi dito, mas a expressão de Aiden mudou levemente.

Ao mesmo tempo, recebi uma mensagem pelo vínculo mental de Cassia.

[Elara, pare de sonhar. E daí que a coroação é amanhã? Com apenas uma ligação, seu Alfa vai rastejar até aqui como um cachorro e lamber meus pés. Se você sabe o que é melhor para você, caia fora da Lua Negra.]

Não era a primeira vez que Cassia tentava me forçar a abdicar, mas foi a primeira vez que respondi.

[Está bem. Como quiser.]

Não muito longe, Aiden voltou a passos largos, com aquela máscara imutável de desculpas no rosto.

— Elara, me desculpe, surgiu algo urgente com o conselho...

— Aiden.

Eu o interrompi, minha voz assustadoramente calma.

— Você se lembra do que eu disse diante da estátua da Deusa da Lua no dia em que você me marcou?

Minha pergunta repentina fez o coração dele se apertar.

— Eu disse que, se você algum dia mudasse de coração, me contasse, e eu deixaria você ir. Mas se você mentisse para mim... eu te deixaria para sempre.

Olhei para ele e sorri.

As mãos de Aiden se fecharam em punhos, os nós dos dedos brancos. Ele permaneceu em silêncio por um longo momento antes de erguer a mão trêmula para acariciar meu cabelo.

— Elara, eu te amo tanto. Como eu poderia mentir para você?

Naquele instante.

A última chama do que eu chamava de "amor" se apagou.

— Se é algo urgente, você deveria ir. — Disse eu, deixando escapar uma risada vazia.

— Não faça seu "conselho" esperar.

Aiden olhou para o meu rosto sereno, e um pânico súbito e inexplicável o inundou.

Ele teve a estranha sensação de que, se fosse embora, eu realmente desapareceria como fumaça.

Mas a lembrança da voz de Cassia no cristal fez sua determinação vacilar.

Elara estava ali. O que poderia acontecer? Além disso, a cerimônia da Luna seria amanhã.

Ao pensar nisso, ele relaxou.

— Elara, volte para casa cedo depois de ver as cachoeiras. Eu te vejo na cerimônia amanhã.

Com isso, ele se virou, entrou no carro e desapareceu da minha vista.

Fiquei ali, observando em silêncio o Maybach familiar sumir em uma curva da estrada da montanha.

Dez minutos depois.

Um sedã preto sem identificação parou atrás de mim.

Um homem com um manto preto desceu e me entregou uma pasta de forma respeitosa.

— Senhorita Elara, todas as suas informações de identidade dentro da alcateia foram apagadas. Um novo cristal de identidade, dispositivo de comunicação e coordenadas do portal estão prontos. A partir de agora, ninguém neste mundo poderá encontrá-la.

Baixei os olhos e peguei a pasta, depois entreguei a ele meu próprio cristal de identidade.

— Entregue o cadáver falso diretamente no local da cerimônia amanhã. E este cristal de memória, por favor, entregue pessoalmente ao Alfa.

Eu queria que ele soubesse como Cassia me provocou repetidas vezes nesses últimos dias.

Eu queria que ele soubesse que, quando ele escolheu mentir e me abandonar por aquela modelo barata, eu escolhi morrer nas corredeiras.

Eu queria que ele soubesse que aquele momento à beira do penhasco foi a última vez que nos veríamos.

O resto da vida dele seria longo. Que ele abrace seu arrependimento e sofra no inferno particular que criou para si mesmo.

— Vamos. Leve-me ao aeroporto.

Entrei no carro sem olhar para trás.

A longa noite finalmente chegaria ao fim.

Minha nova aurora estava prestes a começar.
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